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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

E despertou...
...o interesse participativo, definitivamente esta Gazeta, desde que abriu um espaço fixo, destinado à opinião dos leitores, publicado aos sábados. Com a “Gazeta dos Leitores”, deu-se início a um processo de interação maior com o jornal e com os próprios colunistas, em comentários sobre o que escrevem. Tenho recebido muitos e publicado, na medida do possível, sempre que é um comentário a respeito do que escrevi ou uma sugestão qualquer.

O desabafo!
Sobre o artigo que escrevi na terça-feira, na coluna Texto & Contexto (“Des”, de desabafo), o leitor Ricardo Scuracchio enviou-me o seguinte e-mail, a respeito do tema que tratei, o qual transcrevo na íntegra: “Talvez essa continuidade de comentários possa evidenciar alguma ação para coibir os atos demeritórios dos chamados vereadores. A bem ver, devem ‘ver as dores’ do povo que os elegeu, pois a subserviência ao Executivo enoja! Aguardamos o Conselho Comunitário, que será presidido pelo juiz Barrichello, para almejarmos representatividade que nos faculte acionarmos o Ministério Público para uma fiscalização transparente e contínua dos atos do Legislativo e, claro, do Executivo. Continue no mesmo diapasão, pois o município necessita ser informado com equilíbrio”.

Sobre ônibus
Ainda sobre as tarifas do transporte público, em Limeira, um amigo que gosta muito de Campo Grande e tem raízes por lá - assim como a ex-BBB Priscila -, mas está em Limeira há muito tempo, me enviou e-mail falando sobre o preço cobrado por lá, o mais alto do País. Diz ele que, se lá a tarifa é alta, ao contrário de Limeira tem uma integração espetacular. A troca de itinerários é sem cobrança de nova tarifa. Nos bairros, segundo esse amigo, “existem ilhas nos cruzamentos, com toda a segurança e aqueles abrigos iguais aos de Curitiba”.

Coisa de louco
E vai mais longe. Lembra que, em Limeira, se pega um ônibus em determinado bairro, desce-se na praça e precisa pagar outra passagem para ir a outro local... Promessas, caro amigo. Promessas. Nenhum compromisso prático assumido...

Sem resposta
E os números apresentados na coluna do último sábado foram tão contundentes e reais que, de forma técnica, a Prefeitura nem os contestou. Também não os questionou, nem pelo lado político da situação. Bom saber que estão aprendendo a respeitar as informações corretas e as opiniões também! Assim é a democracia.

Mais elogios!
Como sempre digo, às vezes têm elogios também. Não é só crítica, não! E outra ação da Prefeitura que merece ser enaltecida são as obras dos rebaixamentos de guias nas esquinas, para acessibilidade às pessoas portadoras de necessidades especiais. Estão ficando dignas de Primeiro Mundo (embora a nomenclatura, hoje, seja execrada). É preciso, entretanto, corrigir o erro do ex-hospital da mulher - hoje AME - que foi inaugurado sem uma rampa sequer. Erro que ainda ninguém assumiu!

CPI.....ZZA??
A massa já está assando. Falta só mesmo escolher um recheio adequado para finalizar a pizza da CPI do Fantasma, instalada recentemente na Câmara de Limeira. Os indícios dão conta de que a pizzaria legislativa vai servir uma enorme e suculenta pizza... E marmelada de sobremesa. Para quem gosta, um prato cheio!

Para assustar
O que tem de viatura da Polícia Federal circulando em Limeira... é um espetáculo à parte! O município, aliás, já faz por merecer uma Delegacia da PF. Que tal?

Antonio Claudio Bontorim

terça-feira, 27 de outubro de 2009

"Des", de desabafo

O tema sobre o qual estou me debruçando hoje neste espaço a mim reservado todas as terças-feiras não é novo. Transformou-se na mais escandalosa rotina, preenchendo o cotidiano brasileiro com três “des”, que são a cara deste País e de seus políticos: descaramento, desconfiança e descrença. Perdeu-se a vergonha por inteiro, a ponto de não se notar mais nem os disfarces - e máscaras - que esses atores costumavam usar, quando uma crítica ou denúncia lhes diziam respeito.
Não se preocupam sequer com a aparência, que acabou transformando a prática da aliança política em troca. Barganha por sabe-se lá o que, pelo simples fato de se manter o status do poder. O correto, mesmo, é substituir o termo “aliança” por conchavo, ou no seu mais triste sinônimo, conluio, cujo significado é “combinação entre duas ou mais pessoas, para prejudicar outrem; maquinação, conspiração, trama”. A carapuça deixou de ser a veste da vergonha, para se tornar traje obrigatório.
É dessa forma que a maioria, de prefeitos ao presidente da República (passando por vereadores, deputados, governadores e senadores), age. Virou prática!
E o nível do descaramento chegou a tal ponto, que eles estão pouco se lixando para a opinião pública - como disse recentemente um deputado - e se prestam a qualquer papel, para não perderem as benesses que lhes são garantidas por posturas pouco confiáveis. Convenientes mesmo só a eles próprios. O “não se lixar para a opinião pública” tem o mesmo significado do que dizer “vocês só têm importância na hora de votar para nos eleger”. Depois, viram as costas. E parafraseando um ex-presidente, pedem para que esqueçamos tudo o que falaram; projetos e compromissos assumidos com a comunidade se transformam em mero interesse pessoal.
Esse descaramento desenfreado acaba por promover a desconfiança do cidadão, que apático e abatido pelo desrespeito inevitável, esquece que tem em mãos a mais poderosa arma contra esses verdadeiros usurpadores da vontade popular: o voto; o poder de decisão sobre o futuro de cada político. E que da mesma forma que o elegeu pode jogá-lo no limo. Político que deixou de ser “cortês, delicado ou estadista”, como está nos bons dicionários, para ser um grande oportunista.
E, num último estágio, essa desconfiança transforma-se em descrença, que hoje se abate sobre todos nós, que de protagonistas dessa história nos transformamos em personagens secundários, nas mãos de diretores de filmes de segunda. Ou até terceira categoria.
O que está se assistindo, hoje, na Câmara de Limeira, nesse triste espetáculo chamado CPI do Fantasma, é a mais contundente prova de tudo do que descrevi acima. O que não precisamos, e isso é fato, é de mais sete atores para compor o elenco atual dessa tragédia. Já temos personagens demais. E o que é pior, que desconhecem o próprio roteiro, para o qual foram escolhidos. Vão no improviso dos que não querem se comprometer com nada. Muito menos com a verdade!

Antonio Claudio Bontorim

sábado, 24 de outubro de 2009

Foi às alturas!
Com o aumento de 9% nas passagens dos ônibus urbanos - que entra em vigor no próximo dia 9 - e anunciado pela Prefeitura no último dia 16, a tarifa do transporte coletivo em Limeira, que vai de R$ 2,20 a R$2,40, está agora entre as mais altas do País, superando inclusive capitais como Belo Horizonte, Cuiabá, Porto Alegre, Porto Velho e São Paulo, que cobram R$ 2,30. Além disso, conforme mostrou a Gazeta, foi o segundo reajuste em oito meses.

Números reais
A conclusão é lógica e acabou se tornando possível, após o Jornal Nacional ter mostrado, em sua edição da última quinta-feira, 22, que Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, tem o valor mais alto do País, que é de R$ 2,50. Ou seja, dez centavos a mais que Limeira. Só a capital paulista e o Distrito Federal não aumentaram as tarifas do transporte público. Os números são frios e não mentem.

Outros números
A matéria do Jornal Nacional também mostrou, que de acordo com o IBGE, a “inflação de janeiro a setembro deste ano foi de 3,21%. Para o transporte urbano, foi de 5,33%, ou seja, 66% maior”. E no caso de Limeira, que teve dois reajustes, esses percentuais podem ser maiores ainda. Um economista entrevistado disse que, apesar de cada cidade ter suas peculiaridades, os principais itens que pesam no cálculo da passagem não subiram mais que a inflação.

E quem puder...
...que conte outra. Alguém pode, com informações técnicas, explicar o reajuste em Limeira? Anúncio de melhorias - que nunca vem - apenas não vale. É preciso mostrar uma situação prática e real para isso. Aliás, vale lembrar, que o transporte público sempre foi uma Caixa de Pandora. Um setor onde a transparência passa longe. Muito longe!!!

Cobrança justa
Um concursado da Guarda Municipal (GM), aprovado no último concurso, iniciado em 2007 e que abriu 259 vagas, segundo ele, está tentando obter informações sobre a chamada dos vencedores. Ainda segundo o ele, em e-mail enviado a este colunista e cujo nome vou manter no anonimato, foram 22 aprovados - hoje são 21, por que um faleceu - e até agora não há previsão para as contratações. À espera da chamada, ele afirma que “a referida instituição está com uma defasagem de efetivo muito grande e nem se fala em nossa contratação”. Tai, mais um pepino para ser descascado pela administração pública limeirense.

Assombrações
Fantasmas? Buuuhhhhh! Hoje não vou falar nada sobre a CPI dos Fantasmas, que rola na Câmara Municipal. Tava tão quieta, que até achei que a própria ‘comissão para lamentar o inquérito’ tinha virado um ectoplasma. Fico assustado, pois acho assombrosa a atuação dos vereadores limeirenses. Assombram o bom senso e nossa inteligência. Toda semana!

Espaço público
Todos os sábados, a Gazeta traz a Gazeta dos Leitores. Um espaço para a opinião do leitor. Escreva, opine, comente. E-mail: leitores @gazetadelimeira.com.br

Frase da Semana
“Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”. Do presidente Lula, sobre a governabilidade do Brasil. Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada anteontem, dia 22.

Antonio Claudio Bontorim

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Limite fisiológico
No mesmo dia em que este colunista comentava sobre as funções “esquecidas” da GM, na coluna de terça-feira, e esta Gazeta trazia outra manchete sobre vandalismo, agora em propriedades particulares, o secretário da Segurança Pública de Limeira, Siddhartha Carneiro Leão, anunciava medidas para coibir os problemas mostrados no domingo, sobre o uso indevido do banheiro público da Praça Toledo Barros. Fechar o mictório mais cedo foi o primeiro anúncio. Depois falou em maior atuação do pelotão ciclístico da Guarda Municipal e, ainda, na possibilidade de voltar algumas câmeras de monitoramento para o local.

Falou, ao menos
Pelo sim ou pelo não, o secretário deu uma satisfação à população, com o anúncio de prováveis medidas. O reforço da segurança é o mais importante. O uso das câmeras de monitoramento também é uma opção. Agora, limitar o “xixi” do povo é engraçado. É preciso, agora, que as duas medidas fiscalizatórias sejam implantadas o mais rápido possível. Quanto à outra... bem, requer um estudo sobre a frequência noturna ao banheiro público. Como havia escrito no meu artigo, a GM precisa, com urgência, atuar também pela sua função básica, ou seja, a fiscalização dos logradouros e propriedades públicos municipais.

Indústria do lucro
O aumento nas denúncias sobre multas indevidas e mal aplicadas pelos agentes de trânsito simplesmente está se multiplicando dia após dia. Motoristas multados estão mostrando os avisos e os motivos das penalidades, que conflitam com o mínimo de bom-senso. Há algo de podre no reino dos laranjais. O que fazer???

Sugestãozinha...
Já que os agentes gostam tanto de multar, vou sugerir que fiquem, pelo menos por um período inteiro, na confluência das ruas Santa Josefa e Duque de Caxias, onde há um semáforo. Não sei se havia talões suficientes para os infratores, que desrespeitam tanto o sinal vermelho como o verde para pedestres. Ouso dizer que seria uma extraordinária arrecadação aos cofres públicos, tamanha a falta de educação que se vê no local. Não sobraria, também, moto a ser multada!

Notícia positiva
Ao julgar um pedido de habeas corpus de um agente da Polícia Civil de Brasília, sobre tortura, cuja investigação criminal foi conduzida pelo Ministério Público (MP), a 2.ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o MP tem, sim, competência para realizar - por iniciativa e presidência - investigação criminal. O STF ainda julga, no Plenário do Tribunal o poder investigatório do MP. Em todo caso esse é um bom sinal, que pode tirar, definitivamente, a exclusividade e monopólio desse tipo de investigação das mãos apenas da polícia. O habeas corpus do “torturador” foi negado!

Médicos e GMs
A Prefeitura, através de e-mail a este colunista, tentou justificar o aumento salarial - mais incorporação de gratificação de 15% - aos médicos, que destaquei na coluna da última quinta-feira, fazendo um comparativo com a situação dos GMs. Segundo a assessoria, não foi “aumento e sim criação de cargos” e “nem equiparação com a região”. O projeto, diga-se, trata de mudança de referência e foi defendido pelo próprio secretário da Saúde, Gerson Hansen Martins, como forma de aumentar, sim, os salários desses profissionais e segurá-los no PSF. Em nenhum momento foi tratado como “criação de novos cargos”. Em outra oportunidade, o prefeito já tinha beneficiado médicos e dentistas com aumentos. O que, diga-se, é muito justo. Como seria, se o fizesse também com a GM.

Foi semântica!
O que pegou, de fato, foi a comparação das situações. Mesmo porque o título da matéria que tratou do tema, da jornalista Bruna Lencioni, e publicada nesta Gazeta no último dia 14, foi clara e não foi contestada: “Para segurar médicos do PSF, Prefeitura aumenta salários”. E o secretário da Saúde foi bem objetivo e enfático, ao dizer que “os salários precisavam ser equiparados com os dos médicos da região, que também desempenham atividades em PSF”. Esclarecido!?

Antonio Claudio Bontorim

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Reinventando a GM

A manchete desta Gazeta do domingo (“Toledo Barros: banheiro é motel público em pleno dia”) deve valer como alerta aos homens que comandam a segurança pública municipal, pois nem só de aparência e inusitadas operações policiais vive a Guarda Municipal, corporação que é tida como exemplo e símbolo, no País, para as demais guardas civis, hoje sob a responsabilidade de cada município. Está mais que na hora de repensar sobre seu papel inicial.
Faz tempo - e infelizmente essa situação se repete e tem sido mostrada até com certa frequência na mídia - que se comenta sobre a desvirtuação das funções da GM, que de zeladora do patrimônio público municipal passou a coadjuvante de uma segurança pública, que é função precípua do Estado, através das polícias Civil e Militar. E em alguns casos até mesmo de agente direto dessa segurança, em megaoperações de combate ao crime organizado, como narcotráfico e bingos clandestinos, até ações antissequestro e de enfrentamento mesmo.
Nada a recriminar e muito a incentivar e elogiar por essa atuação preventiva, não fosse o esquecimento daquela primeira função de que tratei acima, da criação de qualquer guarda civil. Mesmo porque é sempre bom lembrar que, hoje, infelizmente, o próprio Estado não cumpre com suas obrigações, mantendo polícias mal preparadas e equipadas, além de desestimuladas por baixos soldos, que têm seus quadros seduzidos pela corrupção, através do dinheiro fácil de várias “máfias”.
Voltemos, então, à questão dos locais e prédios públicos, em que não se veem nem a sombra de um GM a lhes dar proteção. E aí sobra a utilização indevida, como é o caso do banheiro público da Toledo Barros, e de edificações pichadas, no mais alto grau de vandalismo, como é o caso do Museu e Biblioteca municipais, que se transformaram em exemplo claro - e muito sujo - dessa ausência de segurança, que deveria estar, definitivamente, sob responsabilidade da GM. Ou pelo menos de parte dela, para que a outra, mais preparada, equipada, treinada e circulando em vistosas viaturas, envergando armas modernas - até mesmo as controversas não letais - e em fardas de combate, possa dar continuidade ao seu eficaz trabalho de apoio à segurança pública, na batalha contra a violência crescente no município.
É preciso, com urgência, que a corporação retome seu trabalho de proteção a prédios e logradouros públicos, para evitar justamente casos denunciados pelos meios de comunicação, como o retratado na manchete do domingo deste jornal. E coibir situações como as do Museu e Biblioteca, um verdadeiro cartão postal às avessas de Limeira. Só para citar os dois exemplos. Se isso não acontecer, corre-se o risco de cair naquele velho ditado popular, que trata justamente das aparências: “por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. Ninguém pretende reinventar a roda, apenas mostrar que para funcionar ela precisa sempre girar sobre seu próprio eixo!

Antonio Claudio Bontorim

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Semana curta
Feriado e semana curta. Também para a política. Na Câmara, que teve sessão na terça, tudo tranquilo e caminhando como o prefeito Sílvio Félix (PDT) gosta: projetos aprovados sem discussão (mesmo os mais polêmicos, como o do ITBI, por unanimidade...), o que restringe a ação do MST no horto, aprovado com um voto contrário e algumas ausências justificadas (???). E a “comissão para lamentar o inquérito” do fantasma, recebendo a defesa de Félix. De última hora!

Tranquilidade
E olha só a formação da CPI: Silvio Brito (PDT), presidente; Nilce Segalla (PTB), relatora e Elza Tank (PTB), Miguel Lombardi (PR) e Paulo Hadich (PSB), membros. Está tranquilo o prefeito, ou não? Não será o voto do único oposicionista (Hadich), que vai mudar o sabor da pizza. Ou alguém acredita em isenção e imparcialidade com Brito, Segalla, Elza Tank e Lombardi? Não vão, com certeza, desafiar a chefia.

Agente laranja
Não! Não estou falando do gás desfolhante, composto de dois herbicidas, utilizado na guerra do Vietnã, pelos americanos. São dos nossos “agentes laranjas”, os “laranjinhas”. Que estão multando sem parar, chegando ao cúmulo de dois deles aplicarem três multas, em apenas sete minutos ao mesmo motorista e pelo mesmo motivo: falta de cinto de segurança. E o mais incrível, no mesmo local, conforme mostrou a Gazeta na quarta-feira.

Coincidências...
E só para completar: na quinta-feira, a Gazeta mostrou outro caso de um único motorista, que levou outras três multas, também no mesmo local do primeiro e em menos de 12 minutos. O problema é que até agora, desde que começaram a multar, os “laranjinhas” estão descontrolados; não há regras e são unanimidade na hora das reclamações. Não que não haja motorista infrator - e como tem, nesta terra da laranja - mas é preciso um mínimo de critério e bom senso.

Um lado bom
Depois de todas essas denúncias, é que alguns agentes despiram-se de seus blocos e foram para a praça desenvolver ações educativas sobre a necessidade de se respeitar as leis de trânsito. Interessante e oportuno. Mais interessante, ainda, seria se sempre agissem assim. Orientando e educando e, em último caso (que sabemos, o desrespeito por falta de educação existe, mesmo), a multa. Enfim, é preciso sempre distinguir a multa educativa e punitiva daquela que traz escondida a voracidade da administração pública por arrecadação. Acredito mais nessa última, como parâmetro de nossos agentes laranjas...

E-mail legal!
Sobre meus comentários, na última quinta-feira, nesta coluna, sobre os GMs e médicos, recebi o seguinte e-mail, de um GM, cujo nome manterei no anonimato: “Muito Obrigado. Só posso começar esse e-mail dizendo isso com todo o coração. Qual minha surpresa chegar ontem à noite na minha casa e ler as notícias do dia, bem, dia quase passado já, pois sou guarda municipal, e após 12 horas de serviço só posso ler mesmo à noite. Bem, vejo a notícia que o nosso excelentíssimo prefeito se dispôs a ir até a Câmara Municipal e se justificar... pode? Nós esperamos um simples contato e ele nem se deu ao trabalho. E o caso da equiparação com os médicos da região... também não era esse nosso argumento? Olha, hoje você me deixou de alma lavada. Muitíssimo obrigado. Continue assim, pois agora eu vejo que temos aqui pessoas com brio, ética e caráter... um abraço”.

Frase da Semana
“Quem é a favor do MST vota contra essa lei, quem é contra o movimento, vota a favor”. Do presidente da Câmara, Eliseu Daniel dos Santos (PDT), após votação da lei de zoneamento, de autoria do prefeito Silvio Félix, que restringe ação do MST no Horto.

Antonio Claudio Bontorim

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Para explicar
Confesso que estou confuso. Ao abrir a Gazeta de ontem, à página 3, deparei-me com matéria da jornalista Bruna Lencioni ("Para segurar médicos do PSF, Prefeitura aumenta salários"), sobre projeto do prefeito Sílvio Félix (PDT), aprovado anteontem na Câmara, em regime de urgência, reajustando salários dos profissionais da saúde e incorporando gratificações. Pergunta-se: por que os GMs, quando entraram em greve, não tiveram a mesma atenção de Félix?

Igual, ou não?
O secretário da Saúde, Gerson Hansen Martins, alegou que era preciso equiparar salários dos médicos de Limeira aos da região, que também desempenham atividades em PSF. Ora, os GMs também queriam essa equiparação. O prefeito negou e publicou vários anúncios em jornais, alegando que nada poderia ser feito fora da data base da categoria. E com os médicos, pode? Eles são diferentes dos demais servidores públicos?

Um lembrete
Os médicos merecem esse aumento. Até mais, pois a saúde é essencial dentro de uma comunidade, assim como a educação. Só que segurança pública também é essencial. E os GMs - independentemente da briga política entre o prefeito e o Sindisel - também merecem ser valorizados e bem tratados. Agora fica uma saia justa para Félix, que no meu modo de ver acabou por se utilizar de dois pesos e duas medidas, para uma única situação.

Educação zero
Ainda repercute as denúncias de depredação ao carro de uma professora e ameaças de estupro, numa mesma escola em Limeira. As tentativas de desconstrução dos denunciantes pela diretoria do estabelecimento, Diretoria Regional de Ensino e Secretaria Estadual da Educação foram em vão. Todos sabem que o nível de violência nas instituições estaduais de ensino é crítico, embora tentem negar, pintando um quadro surreal sobre a dura realidade das escolas públicas.

Leitor atento...
O leitor Melquisedec Oliveira da Silva, que autorizou a publicação de seu nome, enviou a este colunista um comentário (que teve também sua publicação autorizada), sobre os últimos acontecimentos, mostrando a descrença da população com o atual sistema educacional e seus dirigentes. Leia o comentário abaixo!

'Faz de contas'
"Vivemos em um país de faz de conta. O malandro é aceito socialmente como o mais honesto e a mentira deslavada é reverenciada como a mais pura verdade. O governo produz incessantes fantasias com pensamentos "embriagados" e consegue agradar 80% da população. Tristeza. Quem está dentro de uma sala de aula sabe que nossas escolas públicas se tornaram verdadeiras "panelas de pressão". A violência da sociedade é amplificada dentro das escolas. Burocratas ligados à Secretaria de Estado de Educação, não querendo mostrar ingerências educacionais, sempre distorcem a realidade escolar. Quando não nas costas do professor, jogam o problema para a imprensa que só divulga más notícias". (Melquisedec Oliveira da Silva)

É a cidadania
Não dá para discordar do leitor! Ainda sobre o tema, postei um novo texto no meu blog. Leia e comente: http://colunatextoecontexto.blogspot.com/

Alguns elogios
Como nem só de crítica vive o jornalista, é preciso elogiar - e aplaudir - a instalação de vários sarjetões ao longo de vários cruzamentos da rua Senador Vergueiro, no Centro Acima. Obras simples e de grande valia, que contribuem ainda mais com a fluidez do tráfego. Não é preciso inventar, basta fazer o necessário!

Antonio Claudio Bontorim