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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Muro e história
O debate da vez, desde o final da semana passada e início desta, é o muro da creche Prada e do Edifício Prada, sede hoje do Paço Municipal. Questões preservacionistas à parte, tem muita gente misturando interpretação e fazendo análise simplista e imediatista e contrapondo preservação do patrimônio histórico e desenvolvimento. É bom que se esclareça, que preservar não significa conter o progresso, mas sim garantir a história que faz esse progresso.

O passado vivo
No meu artigo de terça-feira, aqui mesmo nesta coluna, tratei do assunto (Bom senso. Que falta que faz...), fazendo uma análise da importância da preservação da nossa história aliada às obras desenvolvimentistas. Há, sim, como conciliar tudo isso, promovendo o desenvolvimento sustentável e garantindo essa preservação.

Nossa história
Negar a importância do passado é negar o próprio passado pessoal. Não é preciso voltar ao tempo da carroça e do paralelepípedo, como disseram alguns, apenas garantir que a vida continue e, com ela, tenhamos algo importante a mostrar. E para que as gerações futuras se lembrem de como começou. Ninguém se esquece de uma mãe, do pai, dos avós, que contribuíram para a história individual de cada um. São nosso passado e a razão da nossa existência, como somos dos nossos filhos e, quando vierem, do netos e gerações futuras. Só que esse futuro está diretamente ligado à história construída lá atrás.

Pensar. E fazer
Limeira é uma cidade sem avenidas centrais. As ruas são estreitas e de difícil acesso para obras. E duplicar a capacidade dessas vias, pode ser - e é bom que se pense nisso também - apenas um paliativo de momento. A frota de carros particulares aumenta em  progressão oposta à qualidade do transporte público urbano. E a consequência é uma só: ruas estreitas entupidas de veículos. Será que se tivéssemos um tansporte público de qualidade, eficiente e adequado às necessidades da população, não seria também uma solução? Daqui a cinco anos, ou até menos, após as duplicações pretendidas, tenho certeza de que estaremos todos reclamando da lentidão do trânsito novamente. O problema é que a engenharia é imediatista, mal planejada e na maioria das vezes não enxerga o ser humano como vida inteligente.

Quanto custa??
É preciso, antes de qualquer ação, prever os custos e os benefícios de cada ação. O poder público, infelizmente, não trabalha dessa forma. Faz, desmancha, refaz. É useiro e vezeiro de realizar retrabalhos. Planejamento evitaria tudo isso.

A última de hoje
Como diria um professor que tive na universidade, brilhante educador, é preciso humanizar alguns cursos superiores. Em especial os de engenharia com mais conteúdo humanístico, para complementar o exato. Talvez, assim cada profissional percebesse a própria falibilidade e aceitasse que o erro faz parte do ser humano.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Bom senso. Que falta que faz...

Na sexta-feira, 24, no início da noite, conforme mostrou esta Gazeta, a Justiça emitiu liminar proibindo a demolição do muro da escola Prada, a primeira creche do município. Não houve tempo para notificação da Prefeitura, que no sábado, 25, apesar de o prefeito Orlando José Zovico (PDT) ter sido informado da medida judicial, emitida em representação do vereador Ronei Martins (PT), os tratores não perdoaram um tijolo sequer da construção. Zovico, é bom que se diga, não cometeu nenhuma desobediência civil, pois como afirmou, não recebera a notificação judicial. É de estranhar, entretanto, o fato de as máquinas trabalharem a todo o vapor num sábado. Isso, porém, é uma outra história, que com certeza terá muitas justificativas. Algumas técnicas, outras nem tanto.
As alegações do prefeito e suas frases de efeito, publicadas no domingo também na Gazeta, do tipo "não sou candidato e não apoio ninguém. Deixem-me trabalhar", soa autoritária demais e demonstra uma intenção deliberada de fazer antes, e se explicar depois. Ora, se a obra é de interesse, para melhorar o fluxo de tráfego, com a inauguração do viaduto sobre o Barroca Funda - como deve ser mesmo - penso que o prefeito deveria fazer uma visita rápida ao local e notar o grave erro de engenharia, em que foi transformada, com a diferença entre os canteiros centrais, nos cruzamentos da Alfredo Ferraz de Abreu, Alberto Ferreira e Comendador Agostinho Prada, já mostrada em várias reportagens, e que pode comprometer o trânsito e colocar em risco motoristas e motociclistas.
Explicações nada convincentes por parte da Secretaria de Obras, de que no futuro o local ganhará uma rotatória e, portanto, o desnível não preocupa, foram remendos malfeitos a um velho soneto: o do retrabalho. E que vai custar ainda mais aos cofres públicos, pois destruirá tudo o que foi construído para fazer de novo. E se a intenção era de fato uma nova obra viária, a atual não deveria ter sido concluída como foi, inclusive com as luminárias devidamente fixadas, que terão que ser retiradas do local.  Um raciocínio objetivo, que contradiz a retórica oficial. E mostra que, entra governo, sai governo, e por mais boa intenção que se tenha, falta compromisso com a sociedade.
Ora, se uma obra é importante e pode implicar danos irreparáveis à própria memória histórica do município, não é preciso esperar laudos e nem culpar a burocracia ou entidades. É preciso diálogo, o que, infelizmente, não há entre o poder público e a sociedade. Seja Paulo, Jurandyr, Pedro, José, Silvio ou Orlando - e quem mais se puder lembrar - o bom senso, não faz parte do dicionário, no qual costumam ler. Essa visão imediatista é uma deformação grave na forma de conduzir a política, que beira ao populismo, e precisa ser banida da vida pública. Neste caso, tijolo no chão não volta a ser muro. A história? Que se dane a história.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Hora de aprender com as lições. E refletir

Por votação do colegiado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esgotaram-se todas as possibilidades de a ex-primeira-dama, Constância Berbert Dutra Silva, a Constância Félix, como era seu "nome eleitoral", assumir uma vaga na Assembleia Legislativa e, dessa forma, garantir a subida de toda ação judicial que a envolve à Procuradoria Geral do Estado, onde os trâmites são menos céleres, por conta da imunidade parlamentar. Ao negar o recálculo dos votos, o TSE sepulta as esperanças de mudanças, envolvendo a família Félix, como vem, outras instâncias judiciais, gradativamente, negando os recursos do próprio prefeito cassado, Silvio Félix (PDT), o que demonstra que a ação inicial do Ministério Público e a Comissão Processante instalada na Câmara não cometeram deslizes. Agiram dentro dos preceitos da legalidade, garantindo o contraditório e toda a possibilidade de defesa dos acusados. É preciso pensar muito nesse assunto. Félix precisa rever alguns de seus conceitos e se concentrar em sua defesa - e da família - nas ações penais que tramitam em Limeira. Está na hora de agir com a razão e não com a vaidade.


Garantias e direitos
Por tudo o que já foi publicado na mídia local e nacional, e pelas próprias decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negando sucessivamente os recursos e mantendo as decisões locais, de primeira instância (o que mostra coerência), e a soberania do Legislativo Municipal, sobre sua cassação, Félix tem suas garantias e direitos de defesa preservados. Só isso.  

Decisão difícil; cruel
O político, de uma maneira geral, não suporta o ostracismo. Não aceita a perda do poder e, consequentemente, a capacidade de influir nos rumos de sua própria vida pública, tornando a sobrevivência política difícil. Abdicar disso é cruel demais, quando o foco é único. É preciso, entretanto, que as pessoas sejam maleáveis ou sensíveis à situação em que se encontram. É o primeiro passo para deixar o poço.

Coerência nas cortes
Comentei, em minha coluna de quinta-feira, sobre a coerência das cortes judiciais na aplicação da legislação vigente, impedindo o acesso de políticos enquadrados na Lei da Ficha limpa às disputas eleitorais. Não é preciso entender muito do assunto, para perceber que está havendo uma guinada dos tribunais nesse sentido, o que é muito bom para a política e transparência no trato com a coisa pública. É preciso, entretanto, que essa obediência à legalidade chegue a todos. E alcance também os mais graduados. Não adianta castigar apenas aprendizes. É preciso punir também os mestres feiticeiros.

Desagradou geral...
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF),  revisor das denúncias da Ação Penal 470, popularizado na mídia como mensalão, ao contrário do relator, o também ministro Joaquim Barbosa, absolveu os primeiros réus, entre eles o deputado federal e candidato do PT à prefeitura de Osasco, SP. Ele havia condenado alguns, que foram também absolvidos com seu voto favorável a Cunha. O ato causou revolta àqueles que esperavam pena máxima para todos e as redes sociais foram a válvula de escape para esse descontentamento. Lewandoswski exerceu seu livre-arbítrio de magistrado. E isso ninguém pode - ou tem o direito de - contestar.

Um dedo na ferida
É preciso fazer um reflexão e perceber que mensalão, o dinheiro gasto com parlamentares para garantir a reeleição de FHC e a privataria (comprovada) tucana, são filhos de uma mesma natureza e, portanto, irmãos de sangue. Só não são trigêmeos idênticos porque foram concebidos e paridos em épocas diferentes.

Direito e cidadania
O que se tem visto e é importante - e fruto do processo democrático e do estado de direito - é uma participação popular cada vez mais ativa nos destinos políticos da Nação. O recado está sendo bem dado. Mais que isso, está chegando aos ouvidos de quem tem o poder decisório nas mãos. Aos poucos, e de forma qualitativa, é preciso que a faxina alcance até as reentrâncias mais difíceis, removendo a sujeira, que há muito tempo não via água, sabão e alvejante. E é preciso acreditar nisso também.

O ouro clandestino
Por falar em faxina, está na hora de os setores competentes da Prefeitura, em especial as secretarias de Segurança e do Meio Ambiente, exercer o poder de fiscalização e mão pesada contra fábricas clandestinas de joias e folheados, em bairros residenciais. Alguns moradores começam a denunciar essa prática, prejudicial à economia local e, em especial, à saúde da população e ao meio ambiente. Esses estabelecimentos existem, estão espalhados pela cidade e precisam ser autuados. Ou se regularizam e seguem as normas técnicas para o setor ou então, devem ser lacrados.

Estímulo à conduta
Há uma probabilidade, também, que grandes empresas do setor estimulem essa clandestinidade, como forma de burlar o fisco e outras obrigações legais. Um custo-benefício nem sempre interessante, se for levado em conta os danos futuros desse processo.

Pergunta rápida
Quanto tempo ainda vai demorar para que o limeirense possa usufruir de um trânsito eficiente, sem ter que ficar parando de semáforo em semáforo?

Foi muito branda
O ultradireitista Anders Behring Breivik, 33 anos, que no dia 22 de julho de 2011 matou 77 pessoas em Oslo e em uma ilha norueguesa, em atentado claramente xenofóbico, foi condenado a 21 anos de prisão, que é a pena máxima na Noruega, que pode ser prorrogada indefinidamente, conforme decisão dos próprios juízes. É uma espécie de custódia do Estado, uma figura legal do Direito norueguês, que na prática pode equivaler a uma prisão perpétua. É quase nada tendo em vista a motivação do crime e sua execução e o desdém do próprio autor para com suas vítimas. Breivik sorriu e lamentou não ter matado mais gente.

Frase da semana
“Sim, eu faria de novo”. Anders Behring Breivik, assassino confesso de 77 pessoas, em atentado na Noruega, em julho do ano passado, ao responder a juízes da corte norueguesa, no primeiro dia de seu julgamento. NO UOL Notícias-Internacional, 17 de abril de 2012.
São "incumpríveis"
Começou o horário eleitoral gratuito. Na última terça-feira, 21, os candidatos a vereador extrapolaram no poder da função que vão assumir em 2013. Tendo como premissa que é um Poder Legislativo, o nome já define as funções: legislar. E, principalmente, de fiscalizar os atos do Poder Executivo, há muito esquecido aqui em Limeira. Aliás, a maioria das promessas diz respeito, explicitamente, às funções da Prefeitura, não às de uma Câmara Municipal.

É importante, sim
Por isso, é importante a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. E que todos assistam E ouvindo o primeiro dia do horário obrigatório, percebi o despropósito e a falta de conhecimento de quem quer se eleger vereador. A impressão é de que nem eles sabem o que estão fazendo lá, a não ser preencher a cota partidária.

Prefeitos em cena
E ontem foi a vez dos prefeituráveis. Apenas quatro candidatos desfilam em nossas telas e ocupam os microfones das emissoras de rádio. Um primeiro dia light e de apresentações e promessas. É preciso, mais uma vez, alertar que é preciso, antes de tudo, compromisso com a sociedade e não promessa eleitoreira. Estão, novamente, caindo no marketing fácil do "eu prometo" ou do "eu vou fazer". Assistir com atenção e espírito crítico é a melhor forma de conhecermos cada um deles.

Nhe-nhe-nhem
Começou, também, o lero-lero do dar "vez ao novo", "àquele que nunca governou" e merece uma chance para provar sua capacidade. Antes de provar que têm essa capacidade, os candidatos precisam fazer por merecer a confiança dos eleitores. Confiança, diga-se, que deve vir acompanhada de liderança. E um líder não se impõe como tal, ele conquista seus liderados. Quem mostrar tudo isso vai pelo menos levar o meu voto. Do contrário...

O pequeno poder...
Sempre defendi e continuo defendendo a ação educativa - e bem educada - dos agentes de trânsito, que ficaram conhecidos como "laranjinhas" (nada a ver com laranjas). A questão é que esses agentes precisam conquistar a simpatia do motorista, do pedestre do motociclista. O que tenho visto, e agora em número cada vez maior, são grupinhos de bloco na mão e multando desenfreadamente, o que mostra deformação da função. Muitas situações se resolvem com conversa e orientação.

A última de hoje
TRE nega recurso da vereadora Iraciara Bassetto, da coligação PV/PTB/PTN e a mantém enquadrada na Lei da Ficha Limpa. TSE nega pedido de Constância Félix (PDT), por recontagem de votos e a mantém fora da Assembleia Legislativa. Justiça sendo feita com precisão e sabedoria. É disso que realmente o País precisa.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A hora da verdade. Ou mais indefinição ainda...

A partir de hoje, candidatos a vereador e prefeito começam a se expor ao eleitorado, através da propaganda eleitoral gratuita. Num país desenvolvido e democrático, esse tipo de obrigatoriedade - assim como a do voto e do serviço militar - não existiria. As emissoras de rádio e TV não seriam, compulsoriamente, compelidas a ceder parte de seu horário (e nobre) a partidos e coligações, por conta de uma legislação que precisa de urgente revisão. E como revê-la, se os principais interessados, os políticos, são os que mais desfrutam dela? E espremem até a última gota de suas possibilidades, para ter seu minuto e até mesmo os poucos segundos de fama, que o tamanho do partido ou da coligação partidária lhes garante.
E como todas as propostas de reforma política ou financiamentos de campanha encontram-se ainda trancadas nas gavetas dos parlamentares, resta-nos, como cidadãos, eleitores e telespectadores, as duas únicas saídas possíveis: desligar os aparelhos de rádio e TV ou então ver a performance de cada um dos postulantes a uma vaga  na Câmara Municipal - das 21 existentes para a próxima legislatura - e à cadeira principal do Edifício Prada. E como mostrou pesquisa publicada na semana passada pela Gazeta, que apenas 31% do eleitorado costuma seguir as campanhas políticas e, desse porcentual, 73% tomam conhecimento do candidato através da TV, então que se aproveite bem o tempo, sem desperdiçar uma clara oportunidade de apresentar programas de governo, sem ataques pessoais ou políticos aos adversários. E, principalmente, sem tomar o tempo do eleitor com promessas vazias, uma eterna ladainha que não leva a lugar algum. Talvez eleja um ou outro, entre os que conseguem impor uma boa imagem televisiva. E só.
E é justamente nesse truque, o da boa imagem, que ninguém deve mais cair. E se deixar levar pela aparência ou pelo discurso fácil é correr, novamente, um risco desnecessário de garantir outro aventureiro no comando do município. Ou entregar a Câmara à subserviência, como se via até há bem pouco tempo. Limeira não merece que se repita o pastelão de fevereiro. Por isso, é preciso entender bem o processo do horário eleitoral gratuito e tirar dele todo proveito em benefício da comunidade e não apenas de interesses pessoais dos que buscam o poder pelo poder. Aos que vão invadir os lares limeirenses a partir de hoje e sem pedir licença, que tenham competência e coragem para mostrar a verdadeira face, sem maquiagem ou contornos de photoshop. E principalmente se comprometam com a transparência que o serviço público exige, apresentando projetos claros e objetivos e um programa de governo realista, sem nuances de promessas, como "se eleito, eu prometo fazer chover no deserto". A hora da verdade está chegando e o que se espera é que contribua para esclarecer as muitas dúvidas que ainda pairam no ar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Como esperar mais, com educação de menos?

Na semana passada, no dia 14, o MEC divulgou os novos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Uma leve melhora nos resultados, que não leva, entretanto, a lugar algum. Ou seja, não pode ser comemorado porque os índices ainda são baixos. Para não dizer baixíssimos. Estão sendo analisados, aqui, o Estado de São Paulo e o Município de Limeira. E não cabe aqui comparativos com outras regiões, porque cada uma tem seus próprios "regionalismos" e as realidades são diferentes, embora dentro de uma mesma Federação. Se Limeira ficou abaixo da média esperada, no Estado de SP, de uma maneira geral, não foi diferente. Há tempos que escrevo neste espaço, que de 1975 para cá, o sistema educacional paulista vem em queda livre, com a criação da chamada rede física a partir de 1976. Se a ideia era de aproximação do aluno com seu bairro ou comunidade, a proposta pedagógica não funcionou. E a educação pública não se recuperou mais e, a partir da progressão continuada (1996), o sistema entrou praticamente em falência, pois a aplicação não levou em conta a teoria.

É preciso empurrar
Com a progressão continuada, cuja teoria é magnifícia, não houve a preocupação em fechar os ciclos propostos, mas em empurrar série após série e poder afirmar, lá na frente, que o índice de repetência zerou, reduzindo a evasão escolar. Os gestores da educação simplesmente deram de ombros ao ensino e ao aprendizado. Esqueceram-se de que para avançar esses ciclos era preciso ensinar e não deixar nada para trás.

Resultado previsto
Com tudo isso posto, não era de se esperar muito às futuras gerações. E índices como o Ideb, por exemplo, trariam à tona toda a fragilidade do sistema educacional no País, cujos estados não investem em qualificação e valorização do professor. Em SP não é diferente. O telhado é mais forte que o alicerce. Ou seja, uma educação básica que não garante acesso à sua rede pública universitária, pois não ensina nada.

Discussão pesada
Ainda na semana passada, por conta da divulgação do Ideb, ouvi um debate interessante na rede CBN, quando alguns intelectuais comentaram sobre suas experiências, que vinham todas da escola pública, que tinha qualidade e se preocupava com o nível de ensino. De pronto lembrei-me que também cursei escola pública e, à época, ir para uma escola particular era reconher a incapacidade de acompanhar o nível da educação oferecida pelo estado. Hoje as escolas particulares tentam preencher essa obrigação que é justamente do estado. Resultado: a rede privada, criada para dar lucro, caminha na mesma estrada e não está oferecendo boa formação também. Também está indo para o perigoso caminho do fingimento: "nós fingimos que temos método e os alunos fingem que aprendem.

É preciso sacudir
Passou da hora de provocar um  verdadeiro terremoto no ensino público e trazê-lo ao patamar pela qual a sociedade realmente dele espera. É um direito constitucional.

Falta de educação
Se falta Educação nas escolas, está faltando para muita gente também. Principalmente alguns candidatos, que não respeitam a legislação eleitoral e deixam sua propaganda política em canteiros com vegetação, entre outras áreas verdes. Tenho visto, em Limeira, muito cavalete de candidato em gramados públicos e até mesmo em canteiros centrais de avenidas, que não dispõem de piso cimentado ou asfáltico.

Nas telinhas e ...
...nos aparelhos receptores de rádio, tem início a campanha eleitoral, na próxima terça-feira, 21, com a propaganda gratuita. O eleitor começará a conhecer melhor seu candidato. Ou não.

Passando a limpo
Para total clareza do processo político dos últimos anos em Limeira, é preciso que os protagonistas desta história venham a público se manifestar. Está na hora de Sérgio Sterzo e o próprio Silvio Félix virem a público esclarecer alguns detalhes desses 7 anos de administração. A nova CPI da Merenda é uma boa oportunidade para isso. Se não atenderem à convocação oficial, os membros da CPI devem, sim, e sem temores ou melindres, se utilizar da condução coercitiva aos convocados. De até mesmo usar a força policial para tal propósito, se necessário. Qualquer outra atitude é desrespeitar a opinião pública, que está atenta a essa situação.

Fim de privilégios
Se muitos dos convocados - como Carlos Henrique Pinheiro, José Carlos Pejon, o ex-vereador César Cortez e tantos outros - se dispuseram a atender à investigação, não deve haver exceção. Aqueles que estão "fugindo" precisam, também, prestar contas de seus atos. E têm todo direito à defesa e ao contraditório. Só que devem encarar os fatos e explicá-los. Pelo menos justificá-los. Se há, realmente, como justificá-los.

Nenhuma melhora
A situação do trânsito continua caótica na cidade. Em menos de 20 dias, o semáforo no cruzamento das ruas Senador Vergueiro e Barão de Campinas teve pane, passando a operar apenas com o sinal amarelo intermitente. Um desses dias foi num sábado, de comércio lotado e na hora do almoço. Coincidência ou....

Pergunta rápida
A bomba pode explodir ou já foi completamente desarmada?

Hora do rush 45

O candidato tucano à prefeitura de São Paulo, José Serra, andou de trem da CTPM na sexta-feira, às 13h. Ele foi cobrado por usuários a fazer o mesmo trajeto, às 18h. Não respondeu. Será que ele achou que aquilo era um trem cenográfico? Ainda há quem acredita nele. No Serra, não no trem.

Frase da semana
"Cabe ao Sterzo [Sérgio Sterzo] dizer se o dinheiro saía da prefeitura". José Josué dos Santos, o Messias, sobre o dinheiro que recebia de Félix pelos serviços particulares prestados ao prefeito cassado, em depoimento à CPI da Merenda, na última quarta-feira. Quinta-feira, 16, na Gazeta.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Falta criatividade
Aos poucos as campanhas dos candidatos a prefeito e vereador ganham as ruas. Tímidas, é bem verdade, porém, sem nenhuma objetividade ou proposta que atraia o eleitor. Nota zero à criatividade, em especial aos postulantes do cargo majoritário, que se valem de velhos chavões e promessas não cumpridas. Desde sempre.

Marketing zero
Longe de apresentar propostas concretas e razoáveis, acabam na mesmice de sempre e no vazio de promessas eleitoreiras, que todos estão cansados de saber, nunca serão cumpridas. E não escapa um dos quatro candidatos. Melhorias na saúde, na educação e no transporte coletivo vêm de longe. Eu já ouvia isso de 30 anos para cá. E tudo continua na mesma: filas  nos postos de saúde e longo tempo de espera para consultas; falta de vagas em creches e reclamações diárias de um transporte público de péssima qualidade. Compromisso público e proposta são diferentes de promessas, que se perdem ao longo dos mandatos.

Todos por todos
O que mais irrita (e todos têm de sobra) é o populismo de sempre. Homens do povo, humildade à toda prova, amigos de todos, sorrisos abertos e farta distribuição de abraços. Falta, porém, transparência no trato com os problemas mais graves e coragem para não prometer, mas arregaçar as mangas para trabalhar na busca de soluções práticas, que necessitam apenas de vontade política para executá-las. O caminho do eleitor limeirense está escuro. Nem túnel para ver a luz no fim existe.

É só tecnologia

De novidade, mesmo, e ainda mal explorada, é a entrada da internet nas campanhas. Principalmente através das redes sociais, sacramentadas desde as eleições de 2010. Se a ferramente é nova a ladainha é velha. Remodelada apenas com novos rostos na trama.

A consciência...
...e a mídia. Por isso acredito que uma visão crítica, exposta dessa forma, possa contribuir com maior índice de acerto dos eleitores. Nós, jornalistas - e muitos outros formadores de opinião - temos a obrigação de tratar desse tema. Exaustivamente. Sem medo de sermos repetitivos. Sem contemporização
 
A última de hoje

O site Cordero Virtual (www.corderovirtual.com.br), baseado em Cordeirópolis, completou 11 anos no último dia 11.Segundo o gráfico de visitas, são 29 países acessando o seu conteúdo, entre notíciais nacionais, internacionais e locais daquela cidade, numa média diária de 2.503,43 acessos. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Medalha de ouro em deseducação

Li, reli e analisei muitos comentários de especialistas na área esportiva - blogueiros em sua maioria, afeitos às mazelas do futebol - sobre a campanha do Brasil na Olimpíada de Londres. Sociólogos, ex-atletas e até analistas políticos também deram seus pitacos e, dessa forma, sinto-me no direito de me aventurar por essa área, mesmo não sendo a de minha atividade cotidiana. O País não tem e nunca teve tradição nos esportes olímpicos. Os verdadeiramente olímpicos, que não conhecem a cor do dinheiro e muito menos contam com apoio ou patrocínio de peso. A não ser de estatais ou mistas, porém nem todos. E, às vezes, sobressaem mesmo assim.
Por não ser - e ainda está longe disso - uma potência olímpica, o Brasil vai continuar contando os ouro, prata e bronze e celebrando cada medalha ganha, comparando campanhas anteriores e sonhando sempre com a próxima edição dos jogos, que coincidentemente será no Rio de  Janeiro. Em 2016. Por isso, não se pode considerar a campanha brasileira pífia ou ridicularizar atletas ou modalidades esportivas, enquando apostar até o último centavo no derrotado futebol, composto por verdadeiras estrelas da publicidade, porém pseudocraques e desprovidos da noção de Pátria, como rotineiramente se vê em altetas de outros países. O único patriotismo que ostentam é o quanto conseguirão engordar suas polpudas contas bancárias. Tornam-se, assim, coadjuvantes num espetáculo no qual deveriam ser protagonistas. Somos frutos de nossa própria deseducação.
Ao desmerecer as poucas conquistas, que podem ser consideradas brilhantes e algumas inéditas, para ficar focado apenas em uma modalidade esportiva, por sinal a mais badalada, estrelada e bem remunerada, ou seja, o futebol, e suas seguidas derrotas, é assinar atestado de incompetência com firma reconhecida. É aceitar definitivamente o complexo de vira-latas, como condição permanente, colocando a culpa do próprio fracasso no sucesso alheio. Mais uma vez foi isso que se viu nesses últimos 20 dias e provavelmente não será diferente daqui a quatro anos, se não houver uma mudança de postura e nas prioridades. Em quatro anos, é bem verdade, não se forma um campeão, mas pode garantir estrutura para que os atuais e outros já em formação, mantenham esse status.
É inadmissível que não haja, na imensidão do território brasileiro, outros talentos como o da piauiense Sarah Menezes e do paulista Arthur Zanetti. É preciso, entretanto, garimpá-los e dispensar-lhes tratamento digno, que começa com uma educação de qualidade, para ter garantida a formação de uma personalidade sem distorções. Sem desvios no caráter. Se as vitórias brasileiras foram exemplos de superação é chegada a hora de o País mirar-se nelas. E aceitar que cada um, do governo à iniciativa privada, passando pela mídia, tem seu porcentual de culpa, não pelas derrotas e decepções, mas por não ter contribuído por um resultado melhor.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Violência urbana. Mortes e outras estatísticas

Mais uma morte violenta em Limeira. E novamente de pessoa pública, o que eleva o grau de divulgação e também a atenção da população, que anda refém do medo e até do dia seguinte. Conhecido politicamente e pela atuação em várias administrações públicas no Município, Marcos Camargo entra para a estatística fria da violência urbana, que está atingindo níveis assustadores. E justamente por ser uma pessoa pública, o caso vai ter uma sequência na mídia, assim como teve o do empresário Odair Zambom, ainda não solucionado. E anterior, de anos, o caso do menino Yago, que ficou conhecido pelo desaparecimento da mãe do garoto. Zambom ainda carece de esclarecimentos por parte das autoridades. Yago a mãe foi indiciada, porém não localizada. Vamos aguardar. O fato é que essa violência - independentemente de sua gravidade - não atinge somente pessoas públicas. Chega ao cidadão comum e acaba virando apenas notas em páginas de jornais e posteriormente são esquecidos, como se não merecessem lembranças. Enganam-se os que pensam dessa forma. De A a Z, influente ou não, as autoridades estão obrigadas a dar satisfações à população e mostrar soluções.
 
Repercussão geral
Não justificativa racional, que alimente esse tipo de tragédia. Não como entender o mecanismo de mentes assassinas sem recorrer a chavões do senso comum. A violência, por si , é injustificável, parta de onde partir. Até mesmo do próprio Estado, que muitas vezes não consegue conter seus próprios agentes da lei, como vimos em episódios recentes de autoritarismo puro, em ações do aparelho policial.
 
Satisfação pública
Seja como for o rumo das investigações, e nesse caso mais recente, a polícia deve se preocupar sempre com o fato em si e não apenas com os personagens dessa história macabra. E quando sinais claros de execução por encomenda ou mando, as atenções precisam ser redobradas, e nisso a mídia precisa estar sempre atenta aos rumos tomados. E a informação é a principal ferramenta de todos os envolvidos.
 
Um fato que choca
As primeiras reações da opinião pública ao anúncio da morte de Marcos Camargo corrobora com tudo isso que escrevi acima. A principal preocupação de quem acessou e comentou o post no Facebook da Gazeta, momentos após o fato, era justamente sobre o medo e a impotência  provocada por ações dessa natureza, principalmente porque envolve o desconhecido. E tudo que não tem explicação lógica, racional e objetiva, acaba por desencadear tais sensações, que lenta e gradualmente se transformam em pânico. Muitas vezes um dano irreparável à consciência humana.
 
Clareza necessária
Cabe agora, aos responsáveis pela investigação do crime, total transparência na sequência dessas ações. E na medida do possível deixar a população informada, para afastar esse desconforto emocional, que atinge toda a sociedade. É preciso confiar no trabalho dessas autoridades. E também cobrar as soluções previsíveis.
 
Esse espaço é meu
O período eleitoral nos faz lembrar, agora, que a vida segue. E com ela a rotina dos candidatos a prefeito e vereador, que neste momento disputam palmo a palmo os melhores espaços para exposição das imagem de campanha. A cidade começa a ficar tomada pela propaganda eleitoral visual. E locais em que não falta fotografia de candidato. Às vezes até dos quatro juntinhos. Imagem é tudo. Poluição visual atrapalha.
 
É preciso requentar
Está frio, sem tempero e mal cozido. Vai longe ainda a guerra nos bastidores da política, que possa provocar um frenesi entre os candidatos e seus assessores. Uma rusga aqui e outra ali, que apenas fomenta o ego entre integrantes de um mesmo staff e nada mais que isso. Faz-se, nesse momento, uma campanha eleitoral sem paixão. Literalmente
 
E o mensalão vai...
... entrar na segunda semana em julgamento no Supremo Tribunal Federal. As defesas foram pródigas em negações e ataques entre réus. De concreto, mesmo, até agora, mesmo a denúncia da Procuradoria Geral da República, que convenhamos, também não é nenhuma peça espetacular
 
Pergunta rápida
Será que a polícia estaria diante de mais um caso sem solução?
 
De "sacola" cheia
A retomada da polêmica sobre as sacolinhas de supermercado, provocada na semana passada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, é um exemplo claro de que a interferência regulatória em determinadas áreas atrapalha. E provoca mais danos para todos os lados. A recomendação do TJ-SP, em sentança, de que a partir de 15 de setembro as sacolas plásticas voltem a ser cobradas do consumidor - estipulando inclusive um valor de R$ 0,59 a unidade - em nada acrescenta. Pelo contrário, induz a muitas interpretações e nenhuma definição.
 
lei. Cumpra-se
Se legislação estadual, que tem por objetivo a proteção ambiental contra os descartes de material plástico na natureza, então que se cumpra. É preciso deixar de lado as interferências de lobistas (de todos os lados) e fazer o que for necessário pela preservação da vida. Que é muito mais importante que essa discussão, reaberta agora pelo TJ. Esse caso do " sacola, tira sacola, vende sacola" deveria estar encerrado. Nem deveria, aliás, nem ter voltado ao debate.
 
Frase da semana
"Dilma, não deixe a falta de diálogo sepultar a esperança. Reabra a negociação". Faixa de grevistas da Universidade Federal de Minas Gerais, aberta em protesto contra o governo. Sexta-feira, 10. Folha.com-Poder.
Que criatividade
Difícil não falar sobre a política nesse período de tensão eleitoral. Interessante salientar, também, algumas inovações, que vão do superman ao enfermeiro do povo e por aí afora. O que me chamou a atenção, entrentanto, foi um outdoor sobre rodas, nas esquinas das ruas centrais de Limeira. Sinal fecha, lá vão as moças empurrando o carrinho pela faixa de pedestre. Sinal prestes a abrir e elas invertem a posição. Será que poderíamos chamar de  "wheeldoor".

Decepção pura
O primeiro debate televisivo entre os candidatos a prefeito, promovido pela TV Jornal, foi perfeito do ponto de vista da mídia TV. Cenário sóbrio, apresentação consistente e regras claras. O que deixou a desejar foi uma participação mais efetiva dos quatro candidatos. Nenhum deles, em algum momento, respondeu com clareza às perguntas feitas. Viajaram à estratosfera com propostas dignas de arrepios. Algumas tentativas de provocação morreram na própria provocação.

Não engrenou
Espera-se, no mínimo, que o horário eleitoral gratuito, no rádio e na TV, possa provocar alguma mudança no panorama eleitoral mostrado pelos resultados da pequisa Gazeta-Limite Consultoria, sobre o altíssimo índice de votos brancos e nulos principalmente nos cenários de segundo turno. A população está definitivamente cansada e desiludida com a política e seus representantes. É preciso recuper no cidadão sua vontade de participar.

Um outro foco
Só para variar um pouco. Li e fiquei estarrecido com a notícia veiculada nesta semana sobre a premiação dos jogadores de futebol, caso conquistem uma medalha de ouro na Olimpíada: R$ 180 mil para cada atleta. E nossos verdadeiros medalhas de ouro, a judoca Sarah Menezes e o ginasta Arthur Zanetti? Quanto ganharam ou vão ganhar? Nunca o Brasil será, de fato, uma potência olímpica, enquanto houver essas disparidades. É irracional. Desumano até.

Culpa de todos
A própria mídia é responsável por esse tipo de aberração, quando eleva ao Olimpo o futebol e se esquece de outras modalidades esportivas, também importantes e interessantes. É preciso que deixemos de ser cabeças de bagre e nos transformemos em tubarões. Chega de complexo de vira-latas. 

A última de hoje
O ostracismo, a obscuridade e a indiferença do povo são as piores das punições que um político pode receber. A Justiça é apenas um detalhe, que vai impor ao ímprobo sua própria condição de falência de caráter.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sem unanimidade; muito menos convencimento

Sem querer entrar no mérito daquela conhecida frase do jornalista, teatrólogo e comentarista esportivo, Nelson Rodrigues, de que "toda unanimidade é burra", que por si só é um belo jogo de palavras, com conceitos para vários entendimentos e com mais utilidades que o bombril, é preciso traçar um parâmetro para essa chamada burrice coletiva, muitas vezes mal-entendida. Concordar com tudo ou com todos nem sempre é sinal de esperteza. Porém, avaliar essa concordância como algo danoso ou discrepante da realidade também é falta de entendimento sobre as relações humanas. Vamos lembrar que Nelson Rodrigues, apesar de sua genialidade e importante e vasta obra literária, não era unanimidade e daí, talvez, sua contestação aos próprios críticos. Enfim, vale pela análise que pretendo fazer a partir de agora.
Lembremos que a seleção brasileira de 1982, comandada por Telê Santana, era uma unanimidade. Deu no que todos viram. Em 2008, senão unânime, Sílvio Félix  (PDT) bateu próximo a ela, em sua reeleição. O resultado assistimos entre novembro de 2011 e fevereiro de 2012. Dois exemplos marcantes. Um para a consciência nacional e outro para a local. Um pelo esporte e outro para a política, para citar duas áreas de difícil discussão. Na religião, nunca houve essa unanimidade.
Por isso, a revelação feita no domingo, pela pesquisa Gazeta-Limite Consultoria, não me assustou e nem me surpreendeu. O resultado de mais essa amostragem, agora com a definição de todos os candidatos sacramentada, bate em tudo com a leitura que venho fazendo da política local de algum tempo para cá. Porém, sem nunca externá-la publicamente. Até mesmo na questão dos votos brancos e nulos, que bate o segundo lugar do democrata Eliseu Daniel, tenho acertado. Evidente que sem números, pois não tenho como fazer uma medição da precisão de uma pesquisa técnica, como a realizada pela Limite e divulgada aqui nesta Gazeta.
Trata-se, com o porcentual de votos brancos e nulos totalizado, de um quadro de total indefinição, de rejeição e até mesmo protesto, ao que foi apresentado até aqui. E vale como sinal amarelo, já no laranja e que pode chegar rapidamente ao vermelho a todos os candidatos, dando o seguinte recado: os eleitores ainda não estão convencidos de que vocês merecem uma atenção maior e estão à espera de uma definição de propostas e programas de governo. E, principalmente, de transparência, integridade e honestidade com a sociedade limeirense, que deu uma resposta forte aos desmandos, ao pressionar os vereadores, exigindo a cassação de Félix. Uma mobilização real e democrática, que se apresenta, agora, sobre um número: 22,3%. Justamente daqueles que votarão branco ou nulo dia 7 de outubro. Quintal, do PSD, tem 24% e Eliseu Daniel, aparece com 21,1%. É um resultado representativo e preocupante. Indica um descontentamento temperado com descrédito, que pode até assustar alguns, porém é efetivo. Com o desenrolar da campanha e a entrada da propaganda eleitoral gratuita, no rádio e na TV, esse quadro pode mudar. Até para pior, conforme mostra pesquisa que a Gazeta publica hoje. Fica, porém, um alerta e um recado claros, de que essa resposta contém um significado. E são os próprios candidatos que devem entendê-lo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

No cardápio do mês, o mensalão na mesa do STF

Ninguém, em sã - e insana também - consciência espera outro resultado a não ser a condenação dos réus do chamado mensalão do PT, prática que ficou nacionalmente conhecida após o canto do tenor Roberto Jefferson (PTB), que disparou e atingiu com tiros certeiros figuras carimbadas da direção petista e parlamentares de outros partidos também. Mensalão - que ainda não tinha esse nome - que vem dos tempos do governo do peessedebista FHC, quando houve muito dinheiro correndo para a aprovação da proposta de reeleição para o cargo de presidente, coincidentemente o próprio tucano. E por tabela dos demais cargos executivos: prefeitos e governadores. Prática também de outro tucano, o então governador mineiro, hoje senador, Eduardo Azeredo. O clamor popular, e com razão, pede a condenação dessa prática de corrupção que se instalou nos gabinetes governamentais (não há santo e nem inocentes nessa história) e punição aos seus praticantes. Os ministros da Suprema Corte têm nas mãos a chance histórica de mandar alguns colarinhos brancos à cadeia. E dar um basta à impunidade.

Hipocrisias à parte
É preciso dar um basta, também, a alguns comportamentos hipócritas de lavar apenas a roupa-suja dos outros, esquecendo-se de limpar a própria primeiro. Muito comum àqueles que bafejam seriedade e ética, sem levar em consideração essas duas características que qualificam o ser humano. Espera-se que ao passar a limpo esse triste período da nossa história, o STF abra precedentes para novas punições.

Mensalões atuais
Como bem escreveu na revista IstoÉ desta semana, o jornalista e colunista Leonardo Attuch, os mensalões continuam. Se na era FHC, pagou-se para garantir sua reeleição e na de Lula, por apoio parlamentar, hoje não se paga em dinheiro. Paga-se com cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões. Uma prática que não isenta nenhum partido ou ideologia. Nem tucanos; nem petistas. Um dia isso acaba.

A prática é danosa
De qualquer forma, esse tipo de atividade arraigada na cultura política nacional, tem muito a ver conosco, cidadãos e eleitores, quando elegemos ou reelegemos muitos dos envolvidos em ações nada republicanas. Da privataria emplumada aos mensaleiros vermelhos. É evidente que nenhum dos lados admite esses delizes, disparando contra os adversários. Mais uma vez - e é sempre bom lembrar - o poder de acabar com tudo isso está em nossas mãos, quando estivermos teclando nas urnas eletrônicas os números de nossa preferência. Sempre foi e sempre será assim. Basta que façamos a escolha acertada. E não a menos pior como pregam alguns, quando defendem o chamado voto útil, pois voto útil é aquele que elege sempre o melhor.

Redes sem peixes    
Ainda é cedo para uma avaliação, mas a campanha eleitoral pelas redes sociais anda apagada. Os candidatos não estão sabendo usar essa importante ferramenta. É preciso explorá-las, trazendo propostas e programas de governo; fomentando debates, não banners destinados a cartazes ou outras mídias, como a impressa. Não adianta repetir no monitor do computador o que está impresso em jornais. Os marqueteiros, parece-me, estão sofrendo de falta de criatividade. Vamos aguardar.

Um sabor amargo
Nas primeiras sessões mais sérias da CPI da Merenda, o esquema iniciado em 2005 levou um xeque-mate. Como sempre esteve desde o primeiro momento. Tudo o que as merendeiras, motoristas e o Conselho de Alimentação Escolar estão denunciando agora já era de conhecimento de todos. Menos da então base governista de Silvio Félix, que sempre o protegeu. A comida estragada na boca das crianças limeirenses nunca esteve no cardápio dos parlamentares que sustentavam o prefeito cassado, nem na mesa do então secretário da Educação, Antonio Montesano Neto e nem na do próprio Félix. Deixaram passar carne sebosa por filé mignon, sem o mínimo pudor. Sem nenhuma vergonha.

Antes tarde, que...
...nunca. Uma pena as merendeiras e todos os profissionais que gravitavam em torno dessa merenda não tenham tido coragem de denunciar antes. Teriam prestado um serviço e tanto à comunidade e à saúde das crianças.

Desrespeito total
Tudo isso porque os próprios vereadores da primeira CPI ( de maioria governista) tiveram nas mãos - e na consciência - uma oportunidade anterior para desvendar essa verdadeira - e até então - caixa-preta e preferiram contemporizar. Foram omissos, ausentes e coniventes. Deram na boca, e com colher, comida estragada a muitas crianças da rede municipal de ensino. Será que conseguem conviver com isso sem conflitos? Duvido.

Pergunta rápida
Qual mensalão custou mais caro ao País, o de FHC e sua reeleição ou o de Lula para seu apoio parlamentar no Congresso?

E dinheiro é tudo
É fácil notar, em Limeira, o poder da campanha de cada prefeiturável. Refletem, em todos os requisitos, o patrimônio financeiro declarado por eles. A ostentação é revelada pelos comitês dos candidatos e sua logística. Ninguém consegue esconder. Nem que tente.

Para não esquecer
Enquanto o grande patrocínio esportivo morre nas mãos dos cabeças-de-bagre do futebol, nunca o Brasil conseguirá se transformar num tubarão olímpico.

Frase da semana

"Eu orava quando uma criança vomitava". Da merendeira Fátima de Araújo Rozendo, em depoimento à CPI da Merenda, sobre a qualidade da comida servida pela empresa terceirizada. Na Gazeta de Limeira, sexta-feira, dia 3.
E como estava...
...ficou. A não ser pelo avanço, ainda insípido, pelas redes sociais, os candidatos a prefeito e vereador estão cautelosos às eleições de outubro. O clima, que parecia esquentar, ficou frio novamente, talvez aguardando o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV, a partir de 28 de agosto. Os acontecimentos que culminaram com a cassação de Silvio Félix (PDT), em fevereiro, deixou o pleito de 2012 atípico. Pode até ser que esquente. O inverno continua.

os cavaletes
O que se entre os prefeituráveis, até o momento, são as tradicionais e incômodas propagandas sobre pernas nas praças, ruas e avenidas. Os populares cavaletes. Muito photoshop e pouca mensagem programática. Espero que não seja a tônica até a realização do primeiro turno, em 7 de outubro. Se for, pobre Limeira.

Sem novidades
A situação eleitoral em Limeira não traz novidades expressivas. Nenhum candidato pode se anunciar como novo ou renovação, como gostam de propagar. Espera-se, entretanto, um eleitor mais atento, que não se deixe levar por bons-mocismos e nem por simpatias a imagens artificiais. A mobilização que movimentou Limeira de novembro de 2011 a fevereiro deste ano não pode se perder nas conhecidas promessas, que não trazem compromissos sérios com a comunidade.

É muito pouco
A Lei da Ficha Limpa ainda não é tão abrangente como gostaríamos. muito ficha-suja concorrendo e livre para continuar emporcalhando a política. Os que foram pegos, que aprendam a lição. Se é que entenderam o recado.

A explorada
Manhã de domingo em Limeira. Entre 10h e 10h30, procurando vaga para estacionar na Carlos Gomes ou Dr. Trajano na quadra do Bradesco. Impossível. Culto evangélico repleto. Após a terceira volta pelo quarteirão, ao estacionar, percebi que os fiéis que deixavam o templo estavam todos com "santinhos" nas mãos. E um veículo com propaganda eleitoral no local. Triste a utilização da popular para alcançar objetivos pessoais. Vamos ter muito disso ainda até outubro.

A última de hoje
De volta. E por coincidência, no primeiro dia de agosto. O mês dos ventos e na tradição popular do cachorro louco. E uma tradição que não quer deixar o limeirense em paz: caos no trânsito. Semáforos não sincronizados. E tudo continua na mesma. Quem sabe em 2013 isso muda. A esperança é a última trincheira. Sempre.