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quinta-feira, 29 de março de 2012

Prática do atraso
Tem circulado pela internet e-mails de conteúdo racista, homofóbico, incitando o desrespeito e até propondo o retorno da ditadura militar. Inclusive de religiosos da igreja católica, que insistem no discurso do atraso. O direito à livre manifestação do pensamento é constitucional e vale para todos. Desrespeito ao ser humano, jamais.

Não recebo mais
Quando leio alguma dessas mensagens em minhas caixas de e-mail, replico ao emissor, muito educadamente, pedindo que pare de me enviar esse ideário, pois tenho opinião formada e, com certeza, diferente delas. Em alguns casos tem funcionado. Quando, não, simplesmente, o destino é a lixeira. Mensagens constantes, por exemplo, vêm de dom Luiz Bergonzini , bispo emérito de Guarulhos, conhecido por suas trapalhadas durante as eleições presidenciais de 2010.

Área azul melhor
Melhorou consideravelmente a rotatividade no estacionamento da Hora Park após a implantação dos 15 minutos de tolerância sem tíquete. mais vagas disponíveis. Talvez o lucro da empresa sofra um abalo, pois acabou a farra da cobrança dos R$ 8,00 reais para quem era notificado.

Horário indevido
A empresa que cuida da sinalização de solo nas ruas da cidade voltou ao expediente de trabalhar em horário noturno. que após as 22h, quando vigora a Lei do Silêncio. Na semana começou a trabalhar nos cruzamentos da Duque de Caxias com a Deputado Octávio Lopes por volta das 23h30. não continuou porque moradores ameaçaram chamar a polícia.

Necessário, mas...
É um trabalho importante, ninguém nega. Porém, é preciso um cronograma adequado, para não perturbar o sossego de ninguém. Em especial em horários como o acima citado. E nesta semana, ao sair do expediente, por volta de meia-noite, estava novamente a empresa, em área residencial, com seu inconfundível barulho.

A última de hoje
O humor, o teatro e o jornalismo sem dúvida estão de luto com a morte de Milllor Fernandes. Frases, cartuns e textos sempre à frente de seu tempo. Em 1968, com vários intelectuais e jornalistas, fundou o jornal O Pasquim, um dos mais ativos na defesa da liberdade de imprensa e contra a censura da ditadura militar. Uma de suas frases: "a imprensa é oposição, o resto é secos e molhados".

Barganha, até é do jogo. Chantagem, é bandidagem

Estou acompanhando atentamente os acontecimentos envolvendo a base aliada do governo Dilma e a chantagem aberta, que seus representantes - em especial deputados e senadores ligados ao PMDB - decidiram engendrar, com o claro objetivo de ver contemplada uma voracidade imensurável por cargos na administração direta. De primeiro, segundo, terceiro e até sei lá que escalão. Esses senhores, cuja palavra decência passa longe de seus dicionários e foram eleitos para trabalhar pela população brasileira, vivem de uma prática que precisa urgentemente acabar na política do País, o fisiologismo.
Aliás, o próprio PMDB, hoje, só está no poder com o PT à frente, por pura prática fisiológica de se aliar sempre com aqueles que estão no comando. Da eleição indireta de Tancredo Neves, substituído pelo seu vice de então, José Sarney, o partido de Ulisses Guimarães não deixou mais a boquinha no governo federal. Agora com um vice-presidente da República, Michel Temer, sentem-se mais à vontade em usar e abusar de um expediente nada republicano, para ter seu desejo atendido. A barganha, quando o interesse é nacional, até faz parte da prática política. Chantagem, em minha modesta opinião e provavelmente na da maioria dos cidadãos do bem, é bandidagem. Artimanha vil e crime de lesa pátria. Não nos espantemos, porém com isso. Já era esperado e acredito até que a própria presidente já sabia disso.
Apesar do travamento de algumas votações, ela dá a entender que não está muito disposta a ceder ou cair nesse jogo rasteiro. E até já mandou um recado público ao seu vice, recentemente, cobrando-o de estar e ser governo e, por isso com as responsabilidades desse status. Temer, com certeza fez ouvidos moucos e, tem até compartilhado das intenções de seus pares. Assim agindo, Dilma vai elevando seu cacife político e, dessa forma, pode angariar mais popularidade ainda, embora corra riscos - talvez já calculados por ela e por seu staff - em futuras votações ou até mesmo nessas em andamento, quando depender do Congresso Nacional. Inclua-se nesse rol, também, os descontentes do próprio PT, especialistas no chamado fogo amigo e, às vezes, mais perigoso que a própria oposição, hoje cambaleante. Faz mais barulho a base aliada do que os oposicionistas, que começam a ver nomes de até então ilibada reputação, como o senador goiano do Democratas, Demóstenes Torres, pego com a boa na botija. Melhor, com a mão no dinheiro do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso pela PF, de quem é amigo de garfo e faca.
Não acredito, entretanto, em risco institucional. Pois quem chantageia acaba vítima da própria chantagem, embora possa levar muita vantagem no início. Pode até ocorrer uma fragmentação na base legislativa do governo, mas ninguém que lá está vai querer perder o espaço conquistado e, repentinamente, estar alijado do centro decisório. Como exímios mestres do fisiologismo, a tendência é que amoleçam, justamente por conta dessa prática espúria. Dilma tem mesmo é que endurecer.

terça-feira, 27 de março de 2012

À história, o que é da história. O resto ao limo

Aprendi a cultuar a história como legado, fundalmental para o autoconhecimento. Como pilar da nossa existência e passaporte para o futuro. Tudo o que está na história e tem potencial para nela entrar é parte permanente da vida de cada um. Está além de qualquer compreensão, que não seja de fato história. Uma analogia interessante, que vai encontrar barreira intransponível, quando se tenta atropelar o seu curso ou nele se inserir sem o devido mérito. Não há, pois história sem mérito, que deve ser uma conquista e não imposição. É preciso saber diferenciar, portanto, seus princípios básicos, sem o risco de escorregar rumo ao limo. Quem faz história, entra para os seus escritos. E não é fácil escrevê-la. Por isso é essencial entender todo esse mecanismo. Ou então ficar apenas na lembrança da mediocridade. Nesse caso, não há porta dos fundos. A não ser aquela que vai levar ao esquecimento, ou então como exemplo a não ser copiado. Temos muitos. Talvez tantos quanto os verdadeiros personagens, que conquistaram seu espaço na galeria do tempo e nela permanecem até hoje.

Um buraco negro
A história não permite desvios de conduta. E pode fazer desmoronar a construção mais sólida, caso lá no alicerce haja uma falha qualquer. É como um fio solto num pedaço de tecido, que ao primeiro puxão vai desmanchar toda a peça. Limeira está inserida, hoje, nesse contexto. Não por vontade própria, mas pela inabilidade dos personagens que estavam escrevendo o capítulo atual de sua história política.

É difícil de limpar
Limeira vive uma desconstrução histórica, que não vai perdoar nenhum daqueles que tentaram, através das sombras e na escuridão, fazer brilhar luz própria e, dessa forma, forjar uma nova página, que nunca poderá ser escrita porque o papel estava podre e a tinta se transformou num borrão impossível de limpar. Não há tempo para passar uma borracha nos acontecimentos, que não mais podem ser desfeitos.

Resistência tola
Resistir a tudo isso é querer alterar, mais uma vez, o curso natural das coisas. E entre a resistência inútil e a desistência honrosa, a segunda opção não é derrota. É apenas uma correção de rumos.

Está só no início...
Estamos a um passo de iniciar o calendário eleitoral, para o pleito deste ano. Os partidos começam a acordar e tomam suas primeiras decisões. O PSDB de Cordeirópolis, por exemplo, decidiu através de seu diretório, em reunião no último dia 4, por chapa completa rumo a outubro, com a ressalva de deixar em aberto o cargo de vice-prefeito, "a outras siglas partidárias dentro do mesmo alinhamento político". A decisão foi anunciada pelo vereador Wilson Diório, presidente da Câmara e do partido na cidade, após assédio de outros partidos, oferecendo o cargo de vice-prefeito. Essa decisão, segundo o secretário do PSDB, Nicolino Diório, é deviso à força dos tucanos em Cordeirópolis, que começam, dessa forma, a demarcar território por lá. Jogo político precisa ser bem jogado.

...e vai continuar
Em política, todos sabemos, não há questão fechada. Nunca. Portanto, abre-se o diálogo e busca-se pelo consenso, que nem sempre existe. A sobrevivência partidária, hoje, está acima de qualquer intransigência. Como política não é ciência exata, entendo que ninguém deve fechar questão nesse sentido.

Prova estatística
Números e dados não mentem. Podem ser manipulados por quem discorda deles, mas a mentira, nesse caso, acaba sucumbindo diante da verdade. Então, antes de tentar fazer algum comentário ou análise crítica de uma situação qualquer, o cidadão precisa entender do que está falando, para não ser desmentido ou desmascarado posteriormente. Tenho dito.

Por que o medo??
Os tucanos, de alta e baixa plumagem, tanto esbravejaram contra as informações do livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr., até com palavras de baixo calão, mas agora estão correndo da CPI da Privataria. José Serra, provável candidato do PSDB à prefeitura paulistana, está com medo e tentando acordos para que ela não saia do papel. Engraçados os posicionamentos do PSDB, que só acentuam as contradições do partido. CPIs só podem investigar outros partidos, nunca o PSDB e seus integrantes. Assim é fácil fazer política. E se a "privataria" é mentira, então que apoiem essa investigação. É mentira mesmo. Será?

Pergunta rápida
Quantos recursos o prefeito cassado Silvio Félix precisa ter negados contra si, para perceber que é carta fora do baralho político local?

Se você quer ler
Vamos voltar um pouco no tempo, hoje, com um livro que há 52 anos faz sucesso entre todos os leitores. Trata-se de O sol é para todos, da escritora norte-americana Harper Lee. Sua narrativa é feita pela ótica de uma adolescente, ou talvez até mesmo uma pessoa idosa, recordando-se de sua adolescência. O enredo se passa no sul dos Estados Unidos, durante a Grande Depressão, e se desenrola numa cidade fictícia, Maycomb, e tem como dos temas centrais a discriminação racial, discriminação de classe e a procura da justiça para um inocente. Uma curiosidade: apesar de ser ambientado nos EUA, O sol é para todos é, na Inglaterra, o segundo romance preferido dos leitores, ficando atrás apenas de Orgulho e Preconceito, da britânica Jane Austen, mas à frente da Bíblia.

Eu Recomendo!
Um clássico dos anos 60 - porém, mais atual que nunca - que traz Sidney Poitier numa de suas melhores atuações. Estou falando do filme Ao Mestre, com Carinho (To Sir, with Love, Inglaterra - 1967), dirigido por James Clavell. Além de Poitier, o elenco é composto por Christian Roberts, Judy Geeson, Suzy Kendall, Ann Bell, Lulu (que interpreta a música-tema) entre outros. O filme conta a história de Mark Thackeray, um engenheiro desempregado, que resolve dar aulas em Londres, no bairro operário de East End. A classe, que tem seus líderes, está determinada a destruir Thackeray, como fizeram com seu predecessor. Acostumado à hostilidade, ele enfrenta o desafio tratando os alunos como jovens adultos, que em breve estarão se sustentando por conta própria. 105 minutos.

Frase da semana
“Chegou a hora de o PSDB ter a cara da gente”. José Aníbal, secretário de Estado da Energia, candidato às prévias à prefeitura de São Paulo, que acontecem hoje. Ontem. No UOL Eleições 2012.
Finalmente o PT
Parece que há sinais de amadurecimento e crescimento na visão política do Partido dos Trabalhadores (PT) em Limeira. A Executiva conseguiu vetar uma possível coligação que seria desastrosa ao partido. Enquadrou alguns membros que, se deixassem, teriam até apoiado o prefeito cassado Silvio Félix (PDT). Como gosto de dizer sempre, o PT de Limeira é, em toda a região, o único que até agora não conseguiu ter expressão política de fato. O sindicalismo fala mais alto. Sempre.

É hora do basta
Está surgindo em Cordeirópolis um movimento popular intitulado "Movimento Basta Cordeirópolis", que já está fazendo denúncias à Câmara Municipal de lá. As primeiras, tornadas públicas e repassadas por e-mail, dizem respeito a funcionários fantasmas...Há gente grossa na lista dos denunciados.

Caminho do lixo
Cansado da carrupção, do fisiologismo político e, principalmente, da impunidade, o cidadão se insurge e percebe que tem força nessa insurreição. Nada melhor do que exercer o direito e a cidadania. Agora só falta o complemento disso tudo: utiilizar-se da urna eletrônica para varrer de vez toda essa sujeira para bem longe.

Reflexão óbvia
Depois da morte do brasileiro Roberto Laudísio Curti, de 21 anos, na Austrália, vítima de uma arma de eletrochoque taser, utilizada pela polícia daquele país, o governo australiano já estuda uma reavaliação sobre sua utilização. Em Limeira a GCM utiliza essa arma chamada não letal. Mas será que é assim mesmo?

Vidraça e pedra
Enquanto alguns cães - magros e gordos - ladram, a caravana passa suavemente, seguindo em frente e em movimento constante e dinâmico. É engraçado ver a reação das pessoas, que apeadas do poder, tornam-se críticos do mesmo. Enquanto se locupletavam dele, não enxergavam as sombras. Agora o sol brilha. Faz parte.

A última de hoje
Um leitor, através de e-mail, fez uma avaliação interessante da lombada na Limeira-Cordeirópolis, a poucos mentros da ponte, no sentido à vizinha cidade. Disse que o obstáculo impede que caminhões carregados ganhem velocidade para o aclive existente no local. Ao parar para passar pela lombada, muitos não conseguem o embalo necessário e o trânsito fica pior ainda. Inclusive com o risco da não subida, dependendo do peso da carga. Observação pertinente e uma sugestão aos especialistas do trânsito em Limeira.

terça-feira, 20 de março de 2012

Capítulos de uma história política

Não há expressão que melhor represente a democracia e o exercício da cidadania do que a manifestação popular. Ora, se o próprio sentido da democracia é a sua essência e definição clássica - o governo do povo, pelo povo e para o povo - não há como negar que a participação do cidadão nos destinos dos governos que elege é fundamental ao processo de amadurecimento político e garantia à transparência. Torna-se aval importante às ações dos agentes públicos e, da mesma forma que apoia, a população tem o direito de contestar.
Tudo o que venha para contrariar tais princípios é autoritarismo. E não pode ser levado a sério e nem alimentado pela retórica dos maus perdedores, que não percebem o esvaziamento da própria autoridade, quando avançam o sinal da legalidade. Quando preferem os caminhos tortuosos da corrupção à retidão de ações voltadas aos interesses do bem comum. É a partir desse ponto, que a sociedade como um todo deve e pode interferir. Como não tem poderes legais para tirar o mandato eletivo de ninguém (vamos dizer, deseleger, se é que essa palavra existe) assim como elegeu, pelo voto, tem os caminhos constitucionais para tanto.
E um desses caminhos legais é o Poder Legislativo (Câmara de vereadores, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional), que dentre suas funções institucionais, uma delas é a de cassar tais mandatos eletivos. Até mesmo de seus próprios pares. É nessa esfera que a pressão popular ganha sentido, para agir como ponto de apoio e até mesmo reforço, na defesa da ética e da moralidade. É nesse ponto que a manifestação popular torna-se ferramenta imprescindível, no sentido de fazer valer a vontade da maioria. Manifestação, diga-se, que só vai existir, de fato, a partir do momento em que houver percepção de um distanciamento entre os interesses públicos e a execrável prática política de se locupletar do poder. Funciona como uma gota d'água no transbordo do copo.
Se ordeira e dentro dos limites da tolerância e respeito, essa pressão não pode ser questionada. E nenhum agente público, com mandato ou não, pode desmerecer a força e a vontade populares e nem querer usar como argumento negativo essa reação, que só ocorre em momentos de extrema turbulência. Ou seja, quando se perde o limite do aceitável e se caminha para um total desgoverno.
Epílogo: eis que agora, em seu direito de recorrer à Justiça, para ter de volta o mandato que lhe foi tirado legalmente, o prefeito cassado Silvio Félix (PDT) argumenta sobre a força dessa pressão e que alguns vereadores sofreram com ela e, portanto, agiram por indução. Foram conduzidos. Sim. Agiram sim, por indução. E pela soberana condução da vontade de toda uma comunidade, que se rebelou contra o que estava acontecendo e resolveu simplesmente "deseleger" um prefeito reeleito.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Quando o bom senso se transforma em utopia

Bom senso. Aquilo que gera prudência, juízo, entendimento. Tudo isso é o que falta à classe política brasileira. E talvez seja bater em ferro frio ou dar murros em ponta de faca, como se diz de uma ação necessária, mas que pouco considerada por quem deveria observá-la. Se não vou conseguir moldar o ferro e acabar ferindo minha mão, pouco me importa. Mas sempre que for necessário procurarei buscar na utopia a razão para não deixar de tentar nunca. Falta bom senso à oposição, quando não compõe com a situação pelos interesses comuns, dos cidadãos. Como o contraponto também é verdadeiro, quando a situação não busca alidados na oposição, por pura teimosia. É imprudente o político, que não consegue aglutinar aliados, mas insiste e se manter na ativa e não percebe que seu tempo passou. Como falta juízo aos que buscam a todo custo a manutenção de uma status quo, que não exite mais. Por conta disso, gostam de se afogar nas águas turvas da vaidade, numa tentativa de buscar um último suspiro pela sobrevivência, mesmo sabendo que serão tragados pela correnteza que eles próprios criaram.

Não desiste nunca
Erra na estratégia o político que, apeado do poder, não percebe a sua própria insensatez, a cegar-lhe a visão. Pautado por isso, insiste na teoria de revanche e enxerga em tudo conspiração de adversários. Esquece-se de procurar as razões de seus fracassos nos próprios erros cometidos, que de tão visíveis não mais consegue esconder e perde-se num discurso, que não espelha mais a realidade.

Apego intolerável
Todo cidadão tem direitos. A busca deles na Justiça é fundamento constitucional. Só não deve deixar de acrescentar aos seus interesses o bom senso, que muitas vezes pode simplesmente representar a desistência dessa busca. Com poucos aliados e sem a credibilidade necessária da população e rechaçado por entidades representativas, o prefeito cassado Sílvio Félix insiste em voltar ao cargo perdido.

Ninguém ganha...
Perde Félix, que tem sua imagem cada vez mais repudiada pela opinião pública; perde Limeira, com as incertezas e perde o cidadão, cansado de politicagem.

E as sacolinhas...
Tenho opinião formada sobre a questão das sacolinhas plásticas distribuídas pelos supermercados. E sou totalmente favorável a essa onda contrária à sua utilização e integral substituição por sacolas retornáveis, que se muitos não se lembram, foram utilizadas por nossos pais e avós, nas compras nos armazéns e feiras livres. E ninguém reclamava. Era acessório comum e tinha das mais diversas cores, formatos e tamanhos. E estavam sempre cheias das compras para o mês ou semana.

Então que acabe
Já passou da hora dessas discussões sem fim e dar, definitivamente, um fim às sacolinhas plásticas, que servem apenas para estampar o logo do estabelecimento e nada mais. Não dá nem para usá-las como sacos de lixo, pois são frágeis e na maioria das vezes furadas e não retém o lixo orgânico. Tenho certeza que, em pouco tempo, todos estarão acostumados e não se lembrarão mais delas. O meio ambiente agradece.

Pergunta rápida
Onde estão, agora, os fiéis escudeiros de Silvio Félix?

Barulho sem fim
Quem fiscaliza as empresas que vendem segurança residencial e os respectivos equipamentos de segurança? Se alguém puder responder - ou até mesmo as próprias empresas - que o façam. Pois às vezes é difícil dormir com o som de alarmes, que soam horas a fio após serem acionados e ninguém toma providências. Não há monitoramento 24h, conforme apregoam em anúncios para vender serviços e produtos? Por que o cidadão tem que ficar à merce dessa situação principalmente nas madrugadas? Questão a ser debatida. Enfim, fica um alerta para que essas empresas cuidem um pouco mais de seus clientes e, também, tenham respeito com os cidadãos de uma maneira geral.

Se você quer ler
Um livro que li a muito tempo, mas que pode ser lido hoje, sem perda da mensagem e do conteúdo. Um romance curto, praticamente um monólogo, proporcionado pelo personagem central da história, um advogado parisiense, Jean-Baptiste Clamence, que se culpa eternamente por uma atitude que não tomou e que resultou na morte de uma mulher. Trata-se de A Queda, de Albert Camus, que traduz toda a ansiedade de um indivíduo, que quer se livrar de uma culpa e não consegue. E precisa buscar numa conversa com ele próprio, simulada entre frequentadores de um bar, sua liberdade. Exatas cem páginas de reflexão sobre as atitudes que deveríamos ter tomado e perdemos a oportunidade. Interessante.

Eu Recomendo!
Um filme de ficção científica e terror ao memso tempo. Para embalar a semana que está começando. Trata-se de A Volta dos Mortos-Vivos (The Return of the Living Dead, EUA-1985), dirigido por Dan O'Bannon, com elenco formado por Clu Gulager, James Karen, Miguel A. Núñez Jr., Don Calfa, Thom Mathews, Beverly Randolph, entre outros. A história começa, quando dois empregados de um armazém de medicamentos encontram no subsolo do estabelecimento barris do exército. Lacrados, esses recipientes liberam, acidentalmente, um gás mortal no ar, que acaba reanimando os mortos de um cemitério próximos, que saem em busca de uma única coisa dos vivos: seus miolos. 91 minutos de sustos.

Frase da semana
"Não é fácil, é burocrático, mas compensa saber que outras pessoas serão salvas e que será feita a vontade de minha mãe". Abimael Vieira, filho de Rosângela Rosa Costa Dias, que teve morte cerebral decretada após um AVC e doou seus órgãos para transplante. Ontem, na Gazeta.
Falta apenas um
O prefeito Orlando Zovico (PDT) exonerou vários dos secretários ligados - umbilicalmente ligados - ao prefeito cassado, o também pedetista Silvio Félix e, nas primeiras exonerações, citei um número, sem especificar nomes. Pois bem, desses números e depois das últimas exonerações, falta apenas um que ainda vai cair.

Cortes cirúrgicos
Os cortes feitos nos cargos de primeiro escalão e subsequentes estão sendo conduzidos, em minha opinião, de forma correta. Se é preciso limpar a casa, então que seja feito com bastante alvejante. Não se pode deixar raposa velha em galinheiro novo. Aguardam-se os próximos passos.

Foram-se 20 dias
O advogado José Roberto Batóchio, que defendeu Félix na sessão da cassação do então prefeito afastado, garantiu que no dia seguinte derrubaria, na Justiça, o resultado da votação. Do dia seguinte até hoje se vão 20 dias contados. A prepotência e a arrogância não são, em hipótese alguma, boas conselheiras.

Inventou a roda
O secretário dos Transportes, Rodrigo Oliveira, disse em reunião namara Municipal, que Limeira não tem transporte público satisfatório. Está registrado, na edição da última quinta-feira, desta Gazeta. Curioso. Nunca tinha ouvido o secretário ser tão incisivo assim em suas críticas. Nos tempos de Félix, pelo visto, ele achava tudo ótimo, eficiente e funcionando 100%.

Quanto menos...
Falantes e frequentadores contumazes da mídia, alguns personagens dessa recente história política estão reclusos. Alguns arriscam palpites e até dão pitacos onde não são chamados, mas o entusiasmo e a eloquência deram lugar ao recato. A verdade é que parecem estar se escondendo de algo que está por vir.

A última de hoje
Mesmo apeado do cargo pela cassação, Félix é alvo da Justiça novamente. E pode ser por improbidade administrativa, por não cumprir o Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público - quando era prefeito - sobre passagem entre condomínios. Decisão judicial aponta omissão em relação ao TAC.

terça-feira, 13 de março de 2012

Acessibilidade já. Ou inclusão comprometida

A acessibilidade ainda é um grande entrave à inclusão. Os portadores de necessidades especiais - pessoas que têm algum tipo de deficiência - são os mais atingidos e estão em luta constante, para que tenham suas condições atendidas. Este não é um problema restrito apenas a Limeira, embora o foco dessa análise é justamente este município, pois é aqui que vivemos e desenvolvemos nossas atividades sociais e profissionais. E é aqui, também, que nos deparamos com situações cotidianas extremamente preocupantes, quando se fala em dar condições a essa parcela da população, que paga impostos, tem profissão e convívio social e todos os direitos constitucionais garantidos integralmente. A mais corriqueira delas, e um exemplo clássico, é o desrespeito às vagas de estacionamento de uso exclusivo.
Então por que a questão se torna recorrente, sempre que se depara com algum tipo de constrangimento ou dificuldade implícita no urbanismo do município? A resposta é simples e direta: falta empenho do poder público e também da iniciativa privada - esta um pouco mais consciente - em proporcionar de fato a esse grupo de cidadãos, o que as lei lhes faculta. Situações que poderiam ser resolvidas rapidamente, às vezes ficam empacadas na falta de vontade política. Quando não na mais odiosa das relações humanas: o preconceito.
Na edição do último domingo, em matéria da jornalista Renata Reis, esta Gazeta tocou num ponto fundamental ao pleno exercício da cidadania, dificultado pela falta de adequação de instalações nas escolas, que recebem as seções eleitorais. Justamente a falta de acessibilidade para que portadores de deficiências possam exercer o direito ao voto. À escolha de seus próprios governantes. Uma questão já debatida, mas ainda sem solução em 23 estabelecimentos do município, a maioria deles da rede estadual, principalmente por se tratarem de construções antigas e inadequadas. Ou seja, lá atrás, apesar de o problema já existir, a situação era pior ainda. Construía-se à vontade e sem a preocupação de que existe, sim, um grupo representativo, que precisa ter acesso facilitado. Que precisa de condições especiais para ter esse direito atendido.
Para suavizar um pouco esse caminho cheio de barreiras físicas, e que já poderiam fazer parte do passado, o promotor eleitoral, João Francisco de Sampaio Moreira, lembra que eleitores que se enquadrem nessa situação podem transferir seus títulos às seções que se enquadrem nos melhores níveis de acessibilidade. E aponta os locais onde o problema existe. Se não é o ideal, traz à consciência de todos que a situação é grave e precisa de mais atenção das autoridades públicas. Essa é só uma ponta nesse iceberg de preconceitos. A base, que é maior e mais dura de ser quebrada, ainda está intacta e representa um grande atraso nas relações humanas. Hoje dá-se um passo, que pode parecer pouco, porém, ninguém consegue caminhar sem fazer o primeiro movimento.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Rescaldo necessário após um dia tempestuoso

Depois de intermináveis três meses de raios, trovões e tempestade política, Limeira aos poucos vai retomando seu rumo e os debates voltam a se diversificar na midia. As manchetes históricas, que se seguiram dias a fio e tiveram seu ápice no dia 25 de fevereiro, estão dando lugar à discussão, novamente, de temas sociais e dramas locais, que também marcam a vida do município e dos limeirenses. Que ninguém pense, entretanto, que o debate político encerrou ou que os personagens desse enredo tomaram outros caminhos em suas vidas. Encerrou um capítulo carregado de obscuridade e que vai precisar de muita luz, ainda, para que a transparência tome conta e todos os fatos apontados sejam elucidados. É que para quem viveu nesse turbilhão, que teve início lá naquele 24 de novembro de 2011, essa calmaria assusta um pouco. Mas é gratificante e muito bem-vinda. Mas se depois da tempestade vem a bonança (para alguns a ambulância), é preciso então curtir esse momento e buscar justamente essa retomada. Se não houver nenhum intercurso nesse caminho, o resultado final é previsível. Com cheiro de limpeza.

Abril chega logo
Quando digo que encerrou um capítulo, é preciso lembrar que a história ainda não acabou. Mesmo porque abril está chegando e, com o mês que tem seu primeiro dia consagrado à mentira, inicia-se oficialmente o calendário eleitoral, agora com prazos diários e contados, para aqueles que pretendem - e vão - se lançar à disputa pelas vagas às câmaras municipais e aos cargos de prefeito por todo o País.

E vai pegar fogo
E como Limeira está inserida nesse contexto, só que com uma nova contextualização política, é bom lembrar que o debates devem se acirrar além da conta por aqui. Que ninguém espere pétalas de rosas, mas espinhos e muita erva daninha, tentando retomar os espaços perdidos. E no grito. E prevejo, por parte de alguns, com muita baixaria, apesar da grande lição de civilidade e cidadania dada pelo povo.

Alcance é incerto
Um debate, entretanto, deverá ganhar contornos de dramaticidade. O alcance da Lei da Ficha Limpa, validada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Há, ainda, dúvidas jurídicas sobre esse ou aquele nome. A decisão deverá queimar muitos neurônios. E vaidades também.

Vai dar trabalho
O PT de Limeira, que ainda não deslanchou devido ao seu caráter sindical, tem na figura isolada do vereador Ronei Martins sua grande estrela. E para fazê-la brilhar mais ainda, é preciso escolher bem o lado. Saber compor e apostar todas as fichas na sua reeleição que, se bem conduzida, pode aumentar a bancada petista na Câmara, que terá 21 vereadores na próxima legislatura. Como eu disse, vai ter que saber com quem posar para as fotografias.

Elogio sonhado
Os semáforos de Limeira, em especial da área central, estão todos sincronizados, o tráfego de veículos fluindo como deveria, fazendo com que o trânsito tenha considerável melhora, em todos os sentidos. Tanto para motoristas como para pedestres. Então acordei, e caí da cama. No sinal vermelho.

Um pé no SAC...
Valendo desde primeiro de dezembro de 2008, a Lei do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), continua sendo desrepeitada por bancos, operadoras de telefonia celular, TVs a cabo e cartões de crédito, entre outras atividades, que vivem do telemarketing. Em especial nos horários noturnos. E a insistência continua a mesma. Assunto para o Procon e para o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor).

Ainda como antes
Moradores do Parque dos Sabiás, na Via Jurandyr Paixão, continuam indignados com a situação do local. Em especial nos acessos e nos buracos abertos no asfalto, que continuam sem nenhuma manutenção. Carros e ônibus têm que subir pela contramão, causando riscos. Só não está pior porque as chuvas deram uma trégua. Moradores do condomínio não sabem mais a quem reclamar.

Pergunta rápida
Onde está o poste agora?

Se você quer ler
Para quem gosta do tema, tem relação com ele ou simplesmente se sente atraído por um bom trabalho gráfico, minha sugestão de hoje é Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil, da pesquisadora Elaine Ramos. O livro, com 700 páginas e mais de 15 mil ilustrações, traz trabalhos a partir do ano de 1808. São capas de revistas, como uma de O Cruzeiro, de 1949, que traz Carmem Miranda; pôsteres de filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1964, e cartaz do filme Morte e Vida Severina, de 1977, até publicidade da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Está sendo considerado o maior levantamento da evolução gráfica nacional no País.

Eu Recomendo!
Quem não se lembra da estonteante loura Bo Derek? Ela está no filme que vou sugerir hoje. Trata-se do Mulher Nota 10 (10, EUA-1979), com direção de Blake Eduwards, que traz outro grande ídolo da época, Dudley Moore. O elenco é composto ainda pela excepcional Julie Andrews, além de Robert Webber, Dee Wallace-Stone, Sam J. Jones, Brian Dennehy, Max Showalter e Rad Daly. O filme narra a história de um compositor de sucesso, uma noiva a caminho da igreja. Ele fica obcecado por ela, e estar com ela passa a ser a meta da sua vida, apesar de ter uma sólida relação com uma renomada cantora e atriz. Uma busca, que vai lhe provocar uma estranha reação. Duração: 122 minutos e riso garantido, para uma comédia que mostra como uma mulher pode mudar a vida de um homem.

Frase da semana
"Parece viver em outra dimensão. Falta traquejo com a educação". De Fernando Haddad, sobre as críticas do tucano José Serra ao Enem, em artigo publicado em o Estado de S. Paulo, no último dia 8. Na Folha.com-Poder, sexta-feira, 9.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Sem condições
Há bairros, em Limeira, com atraso de entrega de correspondência que chega a dez dias, denunciam carteiros, que pedem contratações. Eles falam em pressão por excesso de horas extras, trabalho aos finais de semana e até em feriados. Citam, inclusive, os bairros mais afetados por esses atrasos: Campo Belo, Regina Bastelli, Santa Eulalia, Ernesto Kuhl, Lagoa Nova, São Lourenço, Ipanema, Roseira, Graminha, Antonio Simonetti, Bartolomeu Grotta, Santa Adélia e Águas da Serra.

Sem estrutura
Acontece que os Correios se tornaram uma empresa multifuncional, transformando-se em agência bancária, de expedição de documentos, loja de vendas de CDs e outros produtos e, com isso, parece estar se esquecendo da função básica para a qual foi criada: entrega de correspondências. De quaisquer espécies. Posso atestar, por experiência própria, que até no centro da cidade há atraso nas entregas. Uma empresa pública que já foi símbolo de eficiência, diga-se.

O uso correto
A força das redes sociais é inegável. A capacidade mobilizadora das postagens no Facebook e Twitter é um fato concreto. Pena que ainda há muita gente que não sabe usá-las corretamente. As incorreções ortográficas e gramaticais matam as mensagens.

Agora, só dois
Pelos cálculos que fiz e mostrei na coluna da última quinta-feira, assim que foram anunciadas as primeiras exonerações no secretariado do prefeito cassado Silvio Félix, outros três secretários deveriam deixar o cargo. De forma espontânea, ou exonerados mesmo. Com a queda de Siddhartha Carneiro Leão, tira mais um. Então, pela lógica matemática, faltam apenas dois.

Não aprende...
José Serra tem tanto medo de prévia interna no PSDB, para escolha de candidatos, que se ele for o único concorrente acaba chegando em segundo lugar.

A última de hoje
A cassação de Silvio Félix ainda é assunto em conversas de bastidores, e mesmo públicas. Tem muita gente - políticos ou não - que continua comemorando. Na terça-feira tive uma conversa interessante com uma personalidade do meio, que, pelo semblante e colocações, estava de corpo e alma lavados. Sorriso aberto.

terça-feira, 6 de março de 2012

Uma história que precisa ser recontada

No próximo mês de abril, o País começa a passar a limpo um dos períodos mais negros de sua história política: a ditadura militar, entre 1964 e 1985, responsavel por 475 mortos, dos quais 163 ainda estão desaparecidos. Isso, quase 30 anos depois do fim dos anos de chumbo. Será finalmente instalada, a Comissão da Verdade, instituída pelo governo federal, para apurar as mortes ocorridas nesse período. Ainda pairam muitas dúvidas, mas a certeza é de que o Brasil só vai conseguir respirar uma democracia de fato, assim que todas as respostas forem conhecidas. Doa na consciência de quem doer.
Ainda resta uma mácula nesse processo todo. Apesar do nome forte, a Comissão da Verdade não tem poder punitivo e nem de recomendação, para que os verdadeiros culpados possam prestar contas à Justiça. Mesmo sem esse poder, e sabendo dos efeitos da anistia "ampla, geral e irrestrita", assinada no governo do general João Figueiredo (último militar a comandar a Nação) militares da reserva se insurgem contra essa investigação e, acobertados ou amparados por clubes militares e outros interesses, põem sob suspeita esse exercício de cidadania, que, espera-se, seja praticado na sua plenitude. É preciso dar, em especial às famílias que ainda não puderam sepultar os seus mortos, o conforto necessário de, ao menos, saber o que aconteceu e qual o paradeiro de cada um deles. Se insurgem, alguns generais de pijama, pois sabem que se encontram entre eles, ainda, muitos dos responsáveis pelo terrorismo de Estado, que tomou conta da Nação a paritr daquele 31 de março. E não querem manchar a farda, que deveriam honrar na proteção do cidadão, e não eliminando-os, porque pensavam diferente.
É fato que todas as versões oficiais da época já estão sendo confrontadas. Várias foram modificadas e a verdade vem garantindo um reparo, pelo menos financeiro, por parte do próprio Estado, num reconhecimento aos crimes cometidos por agentes públicos em nome da segurança nacional e, pasmem, da democracia. Entre as versões já desmistificadas, está a do suicídio do jornalista Vladmir Herzog nos porões do Doi-Codi. Outra, que começa a ser recontada, é a da captura e morte de Carlos Marighella, executado pelos comandados do então delegado Sérgio Armando Paranhos Fleury, que armaram a farsa para simular improvável reação.
Muita gente ainda resiste à história, acreditando que do outro lado havia apenas assassinos e sequestradores. É irrefutável, porém, que se eles assim agiam é porque foram empurrados para essa condição, pois estavam alijados de participar e contestar o golpe e o regime, pela via política, nas tribunas do Congresso, na mídia - que sofria censura rigorosa - e outros meios legais de participação popular. Se, diferente de Argentina, Uruguai e Chile, por aqui os torturadores e seus superiores não chegarão aos tribunais, espera-se que suas identidades se tornem públicas. É preciso, de uma vez por todas, recontar a história através de seus verdadeiros personagens.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Ainda há tempo para um ato de desapego

Os poucos mais de dez meses para o fim deste mandato, e defenestrado do poder pela Câmara, o prefeito cassado, Silvio Félix (PDT), tem tempo para, num ato de desprendimento. De desapego exagerado ao poder e, simplesmente, renunciar aos recursos judiciais para voltar à Prefeitura. Os motivos são mais que óbvios. E o primeiro e mais importante deles é a falta de apoio total da população e de entidades classistas, que queiram o não, Félix e aliados, são o alicerce de sustentação de qualquer político. A criar esse clima de desconfiança, o ex-prefeito pode ficar totalmente à deriva, caso queira retornar, e o que é pior, deixar o município à deriva, sem comando forte ou confiança, principalmente do investidor. Por isso é importante que ele reflita sobre sua própria condição e volte suas forças à defesa processual de seus familiares e à sua também. O Ministério Público será implacável e agora terá liberdade para agir contra Félix. E a Justiça não cor partidária, lobbies ou notoriedade de advogado. A Justiça julgará conforme as provas colhidas na ação dos promotores do Gaeco. Que parecem ser irrefutáveis e finais.

Limeira merece
Depois dessa turbulência política e que uniu cidadãos e entidades em coro uníssono, o município merece respeito. Um respeito que deve vir, principalmente, da parte do prefeito cassado. Ele precisa refletir e pensar que os cidadãos lhe deram o poder. Na reeleição, garantiram-lhe mais de 80% dos votos e, agora, estão lhe tirando esse mesmo poder, pela desconfiança gerada a partir das ações do Ministério Público.

Foi a pá de cal...
Remar contra a maré é desperdiçar energia, que poderia ser gasta de outra forma. É hora de superar ressentimentos e perceber que a solução foi a melhor possível para Limeira. E, agora, é preciso ir à luta pelo amplo direito de defesa e, provar na Justiça, sua inocência. Em anúncio de primeira página nos jornais, na quinta-feira, várias entidades de classe se manifestaram de forma dura e objetiva. Pela transparência.

Uma onda forte
Não é mais marolinha política. Nem complô ou perseguição de adversários invejosos. A onda de moralização e pela ética na política avança por muitos municípios da região. Começou por Campinas, segue por Indaiatuba, atingiu Limeira como um tsunami e segue, invadindo as praias. Agora de Americana e Santa Bárbara do Oeste. Cidadãos estão no limite da tolerância. Um ótimo sinal. E que venha outubro, para que se complete a limpeza.

Cadê a merenda?
As denúncias que esta Gazeta trouxe nos últimos dias, sobre a questão da merenda escolar, só comprova o teor explosivo de uma licitação que começou errada, continuou suspeita e merece ser auditada a fundo pelo novo governo municipal. Das panelas podem sair muito mais que o arroz e feijão. Sapos, cobras e lagartos devem estar neste triste cardápio, que desde que teve início, lá em 2005, está sob suspeita e com inúmeras ações judiciais, envolvendo todos aqueles que participaram desse negócio. Ações já com condenações. E agora, como explicar mais essa triste notícia. Com a palavra o silencioso secretário da Educação, Antonio Montesano Neto. Se quiser ou tiver algo a falar...

Matar no ninho
Onda de racismo no esporte nacional. Mais uma vez no vôlei da superliga masculina e novamente em Minas Gerais. Em 2011 houve ofensas homofóbicas e agora pela cor da pele de um jogador. Punição? Nenhuma. Nem da primeira vez e, parece, nem agora. É preciso cortar o mal pela raiz. Antes que cresça mais ainda.

Situação crítica
Leitor alerta este colunista sobre problemas com asfalto no entorno do conjunto esportivo do colégio São José, na Capitão Bernardes e na rua 7 de Setembro antes de chegar ao Mercadão, além da Cunha Bastos, em frente de um posto de combutível. Ele diz que a qualidade do asfalto é muito ruim e espera uma explicação do secretário de Obras. Todos esperam, meu caro. Todos esperam.

Palpite simples
Vereadores que votaram contra a orientação de seus partidos, no episódio da cassação do prefeito Silvio Félix (PDT), não serão punidos pelas suas agremiações.

Pergunta rápida
Você acredita que Limeira terá eleitores suficientes para uma eleição municipal em dois turnos ainda neste ano?

Se você quer ler
Lançado em 2005 no Brasil, é o primeiro romance do psicoterapeuta e professor Irvin D. Yalon, que consegue mesclar elementos reais com ficção. Trata-se do livro Quando Nietzsche chorou, obra que apresenta personagens históricos, como Josef Breuer, dos pais da psicanálise e um dos grandes amigos de Freud (Sigmund) e o filósofo Friedrich Nietzsche. No enredo, Yalon promove um encontro fictício entre Breuer e Nietzsche, e através desse encontro é desenvolvido um novo método terapêutico, mais tarde chamado de psicanálise. O autor mostra que através do diálogo as pessoas conseguem acessar suas mais íntimas emoções.

Eu Recomendo!
Um dos filmeis mais dramáticos sobre as ditaduras latino-americanas, sob a ótica dos Estados Unidos e dirigido pelo grego Costa-Gavras. Trata-se de Desaparecido, Um Grande Mistério (Missing, EUA-1982). Com roteiro do próprio Gavras, Thomas Hauser (autor do livro), Donald Stewart, esse drama é estrelado por Jack Lemmon, Sissy Spacek, Melanie Mayron, John Shea, Charles Cioffi, David Clennon, Joe Regalbuto, entre outros. E narra uma história real, de um corajoso americano, na busca de informações sobre um filho desaparecido após um golpe militar no Chile, comandado pelo general Augusto Pinochet, que viria a se tornar um dos mais sanguinários ditadores do Cone Sul. Foi vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado e indicado a outras três categorias. 122 minutos.

Frase da semana
"Não há razão para conversas com Silvio. Ele ficou aqui por sete anos e nunca interferi em seu governo. E vice-versa". O prefeito Orlando José Zovico (PDT), durante a primeira coletiva de imprensa, após sua posse no cargo em definitivo após cassação do titular, o também pedetista, Silvio Félix. Quarta-feira, 29, na Gazeta.

Bom começo...
...mas confesso que esperava uma reforma do secretariado mais profunda. Aliás, esperava mais secretário com coragem para renunciar de forma incondicional para dar mais liberdade ao prefeito Orlando José Zovico (PDT), que também deveria empunhar a caneta com mais força e firmeza.

Outros quatro
Com a exoneração de Bicudo, da pasta de Turismo e Eventos, pelas minhas contas, outros três secretários deveriam, obrigatoriamente, pedir para sair ou então serem exonerados pelo prefeito. E com auditorias pesadas em suas pastas. Todos eles comprometidos com o governo Félix e com históricos não tão transparentes assim.

Educação zero
O advogado José Roberto Batóchio indignou Limeira. A ira que se aplacou sobre ele é fácil de entender, pela sua arrogância e falta de educação com o povo limeirense. Como advogado, ele cumpriru seu trabalho e foi pago. Muuuuuuuiiiiito bem pago para isso. Só não consegui reverter a situação de Félix. O resto é prosa.

Dizer o que??
A vereadora Nilce Segalla (PTB) deve ser investigada na Corregedoria da Câmara, por quebra de decoro, conforme mostrou esta Gazeta, na terça-feira. Como ela é a corregedora, será substituída por outro vereador. Para quem estava acostumada a dar ordens e falar duro com seus oponentes, vai agora tomar do próprio remédio.

Português claro
A palavra da vez, hoje, é decoro. Conform mostra o novo dicionário Houaiss da língua portuguesa, decoro é um substantivo masculino e significa: recato no comportamento; decência; acatamento das normas morais; dignidade, honradez, pundonor; seriedade nas maneiras; compostura; postura requerida para exercer qualquer cargo ou função, pública ou não. Qualquer coincidência é mera semelhança.

A última de hoje
Não é minha seara, mas vou comentar. A que se resumiu a seleção brasileira de futebol. Um bando de pseudo-estrelas, com pinta de roqueiros - que me perdoem os roqueiros pela comparação - e pensam que sabem jogar. Comando frouxo, numa confederação corrupta. Vexames em 2013 e 2014. Mico par todos nós.