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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

E quantos forem
Mais três pedidos de comissões processantes – duas contra vereadores (Ronei e Raul Nilsen) e uma contra o prefeito Paulo Hadich – foram votados em Plenário na Câmara Municipal. E os três arquivados¸ porque foram rejeitados. Será o destino, também, de tantos outros que vierem a ser protocolados.

Faltou interesse...
A CP contra o vereador Raul Nilsen Filho (PMDB) tinha fundamentos para ser aberta. Muito semelhantes àqueles que cassaram Edmilson Gonçalves (PSDC). O Ministério Público já concluiu investigação e pediu bloqueio de bens dos envolvidos, e a Câmara perdeu uma grande oportunidade de passar as acusações a limpo.

Sem fundamento
As outras duas, contra o presidente da Câmara e o prefeito, nada mais foram do que ofensas e ataques pessoais. Não sei se o autor tem prova documental de tudo o que escreveu e foi lido em plenário, por que se não tiver, pode lhe render dores de cabeça na Justiça. Principalmente pelos termos utilizados para atacar Ronei e Hadich. 

Bonde sem freio

O espetáculo protagonizado pelo vereador André Henrique da Silva, o Tigrão (PMDB), foi digno de uma ópera bufa. Ele não tem nenhuma obrigação de explicar seu voto. Acredito, no entanto, que nem mesmo ele tem noção do que fez na última segunda-feira. 

Tudo na mesma
E por falar em bonde sem freio, piorou muito o funcionamento dos semáforos na região central. O que já era ruim ficou pior ainda. E pelo visto serão mais três anos sem solução.

A última de hoje

Competência significa fazer o simples antes, para que as complexidades sejam abrandadas. Como nem mesmo o simples é feito, essa complexidade acaba mostrando a incompetência. Assim fica difícil. Muito difícil, como diria o humorista Geraldo Magela, que faz de sua deficiência visual motivo de suas próprias piadas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Em ano eleitoral, nada é por acaso

Poupatempo. Mudança de regime do presídio a ser instalado em Limeira, conforme queriam autoridades judiciárias e policiais. Restaurante Bom Prato, com refeições a R$ 1. Duplicação da Limeira-Engenheiro Coelho e terceira faixa na via Anhangüera, no perímetro municipal. Desses cinco benefícios anunciados pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para Limeira no último dia 18, enquanto assinava um convênio para o repasse de verbas da ordem da R$ 21 milhões à Santa Casa, os dois primeiros eram os mais aguardados pelos limeirenses. O Poupatempo, por exemplo, vinha sendo cobrado há anos, enquanto cidades vizinhas ganhavam suas unidades rapidamente. E a mudança da nova unidade prisional, de Centro de Progressão Provisória (CPP) para Centro de Detenção Provisória (CDP), bem mais recente, atende aos anseios do segmento da segurança pública e do Poder Judiciário, que vinham pressionando para isso. Os outros três também são muito bem-vindos, completando esse inesperado pacote de bondades do governo estadual para com o Município.
Há um provérbio muito conhecido, que diz que “de cavalo dado não se olha os dentes”, cujo significado diz que devemos sempre mostrar satisfação a um presente recebido, mesmo que não seja do nosso agrado. Questão de boa educação, mas que não nos impede de recusá-lo, mostrando que sinceridade também faz parte de relações civilizadas e que nunca devem causar mágoas, mas estreitar ainda mais esses níveis de relacionamento. Os anúncios feitos por Alckmin são, de fato, um cavalo ao qual não devemos mesmo olhar os dentes, pois são do agrado geral e há muito esperados. E não é um pangaré qualquer. É um verdadeiro puro-sangue, pelo alcance de seu galope. E que cruze, de fato e rápido, a linha de chegada.
Apesar do alcance e da importância das medidas confirmadas pelo governo estadual, e pessoalmente pelo governador, que há muito não dava as caras por aqui, não se pode, entretanto, deixar de levar em consideração um corriqueiro fato embutido nesses anúncios: 2014 é ano eleitoral e, cada um, à sua maneira, tentará capitalizar o que puder por suas pretensões. Basta lembrar que Alckmin concorre à reeleição e deve, obrigatoriamente, estar ao par das cobranças de seu súditos. O que causa desconfiança é a fórmula utilizada para concretização desses projetos, que se transformam em planejamento eleitoral estratégico, aproveitando-se justamente das necessidades da população. E isso não é exclusividade desse ou daquele político. Ou de determinado partido. Vem de cima para baixo, desde o governo federal até o municipal. Todos querem fazer, em apenas um ano, tudo o que tiveram oportunidade de realizar nos três anos inteiros que antecederam a eleição.
Se "antes tarde, do que nunca", nunca é tarde para agentes públicos em cargos eletivos mostrarem por que nada acontece por acaso, quando o interesse eleitoral se sobrepõe ao social. Assim como Aécio e Dilma, Alckmin já pôs seu bloco na rua. E os ritmistas devem apertar o passo daqui para frente, para garantir um final tranquilo de desfile, que será decidido em outubro.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Revendo posição
O vereador Ronei Martins (PT), hoje presidente da Câmara Municipal, precisa rever, com urgência, suas posições. Ídolo de um período histórico importante de Limeira, que o levou a uma votação também histórica, ele está deixando essa trajetória se perder por caminhos espinhosos, que podem dificultar sua volta. Ainda há tempo para isso. 

Vidas passadas
Desse mal também sofreram alguns ex-vereadores, como Elza Tank (falecida) e Eliseu Daniel, quando ocuparam a Presidência da Casa. Justamente por que deixaram de ser fiscalizadores, para se transformar em apêndice do Poder Executivo.  

Poder que muda
O exercício do poder é extremamente revelador. Ele mostra a capacidade que o ser humano tem para assimilá-lo. Ou não. Quando a humildade se transforma em arrogância, percebe-se claramente o despreparo para esse exercício. Esse é um mal que afeta partidos e políticos, indistintamente de suas tendências ideológicas ou cores partidárias.

É nitroglicerina
Tem tudo para ser explosiva a primeira sessão ordinária da Câmara de 2014, no próximo dia 27.

Mudar para quê?
Ao tirar vagas de estacionamento da Rua Carlos Gomes, ao lado do Bradesco, a Secretaria dos Transportes previa maior fluência no tráfego. Dificultou para todos, e não teve o resultado esperado. Agora não se vê um agente de trânsito, no local, para advertir quem continua estacionando, apesar da faixa amarela contínua. Uma ação depende da outra....

“Rolezinhos” ...
...ou “points’, a reunião de jovens em shoppings já atrai a atenção de sociólogos, antropólogos e juristas. Todos tentando entender – e explicar – esse movimento, que causa comoção e ódio ao mesmo tempo. É preciso que o poder público repense a juventude. Urgentemente.

A última de hoje
A partir de hoje, vou dar um descanso aos leitores. A coluna Texto&Contexto volta a ser publicada no próximo dia 28. Um curto período para recarga necessária de bateria, para enfrentar um ano de Copa de Mundo e de eleições. Tudo aqui no Brasil. Até lá.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Entre o discurso e a prática, o corporativismo

Não dá ainda para esperar mudanças, quando as semelhanças ficam mais evidentes do que as coincidências e o discurso muda de lado, conforme a conveniência. São exemplos que vêm de cima para baixo e desencadeiam um processo automático de atrelamento, difícil de reverter, comprometendo o necessário equilíbrio que deveria existir entre as forças políticas de um país, estado ou município. Entre oito e oitenta, a probabilidade de se ficar com a segunda opção é concreta, à mesma proporção do domínio de um determinado grupo sobre outro. É interessante notar como é tênue, quase inexistente, a linha que separa a situação e a oposição, quando a segunda se transforma na primeira. E vice-versa. Os papéis se invertem na prática, mas o discurso é igual. Em alguns casos, só muda mesmo de boca. Palavras por palavras vão fluindo e, pronunciadas em sentido e contexto, servem para fazer um exercício de imaginação com um simples fechar de olhos. O ouvinte não conseguirá distinguir de que lado o discurso está partindo, se não conhecer o timbre de voz de seu autor.
Com o fim da ditadura militar (e da unilateralidade da fonte oficial, que não permitia o contraditório, sob ameaças que todos já conhecem) e a retomada da democracia, a expectativa de um embate equilibrado simplesmente desceu pelo ralo, à medida em que os governantes também não queriam – como ainda não querem - ser contrariados ou ter suas prerrogativas postas em jogo. Se, com os generais no poder, a base aliada era composta por fardas e coturnos, na volta dos civis ao poder não mudou muito. Apenas as alianças partidárias trocaram o verde oliva por paletó e gravata. A prática, entretanto, continua a mesma.
De Sarney, que herdou o mandato de Tancredo Neves antes de sua posse como presidente eleito (ainda pelo voto indireto), aos poucos todos foram fomentando bases políticas obedientes, com uma briguinha aqui e uma discussãozinha lá, apenas por questões inerentes à própria vaidade humana, porém, sem comprometer seriamente seus governos. Prova disso é que o único a ter seu mandato questionado foi justamente Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente civil eleito pelo voto direto pós-ditadura, que, ao não cooptar o Poder Legislativo, ficou sem aliados e impedido de continuar, justamente pelo Congresso Nacional, onde ele não soube conduzir a prática da “boa vizinhança”, atendendo aos interesses de deputados e senadores da República.
Com a ascensão de Itamar Franco, entrou em cena a política do “toma lá, dá cá”, que não foi abandonada mais. Vieram Fernando Henrique Cardoso e Lula, com dois mandatos cada, e Dilma Rousseff, se preparando para o segundo, os quais, sem sobressaltos, souberam conduzir suas alianças à mais pura subserviência, das quais também ficaram reféns. Se os discursos foram acalorados e distintos em campanhas eleitorais acirradas, no trono do rei tudo se igualou. Deixaram as alianças ideológicas de lado para conquistar as fisiológicas, mais interessantes e de fácil domínio. 
Por isso não me surpreende mais que, aqueles que vociferavam contra as improbidades e defendiam ações éticas com a necessária ênfase, venham a público com a mesma prática que tanto abominavam. Como escrevi em minha coluna de domingo, o Ronei de ontem é o Zé da Mix de hoje. Discursos alinhados em tudo. Só houve uma troca de lado, ditada pelo corporativismo. Se fosse o contrário, seria a mesma lenga-lenga.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Cabeças cortadas, lagosta e galinha crua

Peço licença ao meu leitor, que está acostumado a me ver tratando de temas locais na maioria dos meus escritos, porém, não posso deixar de registrar um dos maiores absurdos, dos tantos que vemos, diariamente, da vida política deste país. Enquanto as redes sociais exibem filmes com cabeças cortadas dentro dos presídios do Maranhão e o sistema carcerário daquele Estado (feudo da família Sarney), caminha para o caos – se já não estiver nele – a governadora Roseana Sarney (PMDB) abriu licitação para compra de lagosta, camarão e outras iguarias para o Palácio do Governo, notícia que ganhou a mídia na última quarta-feira, após revelação da coluna Painel, da Folha de S. Paulo. E gerou, de imediato, um mal-estar político de proporções incalculáveis, a partir das redes sociais. Na quinta-feira, o constrangimento da notícia obrigou a filha de José Sarney a cancelar essa licitação. Enquanto isso, novas revelações davam conta da comida servida nos presídios de lá: arroz e galinha. Segundo os presos, crua. Uma situação surreal num estado surreal, dirigido por uma família muito real.  

Insulto à civilidade
Mais do que um desgoverno, essa situação revela como falta muito, ainda, a este país, para controlar as ações de alguns políticos, que se julgam – e agem como tal – donos dos destinos de cada cidadão. E dão de ombros à opinião pública, quando resolvem expor suas vontades. O Maranhão, por conta desse feudo que se tornou, é um Estados mais atrasados do Brasil. Seus indicadores sociais mostram isso.

Donatário Sarney

A família Sarney se tornou “dona” do Estado e, como tal, se sente muito à vontade para patrocinar aberrações dessa natureza. Em pleno Século XXI, o coronelato ainda impera naquela unidade da federação e, o que é pior, está longe de ter um fim, como aconteceu com o “carlismo” – adjetivo referente ao domínio do clã de Antônio Carlos Magalhães, o ACM. Lembra a antiga divisão das capitanias hereditárias.

A força midiática  
Mais uma vez está demonstrada a importância do papel da imprensa, que, quando bem intencionada e no cumprimento de seu verdadeiro papel, consegue restaurar o caminho da dignidade, usurpado por clãs medievais, que ainda compõem a estrutura política brasileira. Os Sarney, no Maranhão, são um exemplo clássico dessa postura. Para quem desdenha dessa força, esse é outro exemplo que entra para a história do jornalismo.  

Leitura oportuna
“Honoráveis bandidos – Um retrato do Brasil na Era Sarney”. Para quem quiser conhecer um pouco mais da história política maranhense, indico esse livro, de autoria do jornalista Palmério Dória.

E para finalizar...

... a história, uma outra licitação da Sarney governadora: uísque, caviar e champanhe. Dessa ainda não se tem notícia de cancelamento. Mas para destacar ainda mais o absurdo político deste país, José Sarney continua dando suas cartas no governo federal. E vamos rememorar: assumiu a presidência da República de graça, com a morte de Tancredo Neves. Antes foi capacho da ditadura militar. Depois passou pelo curto governo Collor e Itamar, nadou de braçada nos oito anos do tucano Fernando Henrique Cardoso, mais oito no governo Lula e agora completando o quarto, no governo Dilma. Que ninguém duvide que ele continuará no próximo governo. Seja quem for o eleito, Sarney fica.

Franguinho caro
Chega de Sarney, agora. Vamos retomar Limeira e suas contradições. E nem bem o ano começou e o governo de Paulo Hadich (PSB) já contabiliza uma nova e séria denúncia de sobrepreço na merenda escolar, agora municipalizada. Denúncia foi feita pelo vereador José Roberto Bernardo, o Zé da Mix (PSD), na última quinta-feira. Com direito a coletiva e tudo mais. Tem muita gente rindo à toa, nessa história toda.

Perdendo o senso
Há um porém. Os mais afoitos, cujos interesses são apenas políticos, e não o bem-estar do Município, já estão comemorando a denúncia sem dar chance ao contraditório. É bom lembrá-los de que que, até se chegar à condenação da merenda terceirizada de Félix, foi um longo caminho percorrido pelo Ministério Público e pelo Judiciário. Um pouco menos de empolgação, e pé no chão, também fazem parte do jogo político.

Pergunta rápida
A oposição política em Limeira tem, de fato, um líder que possa falar por ela?

Triste intolerância
Tenho acompanhado muitas discussões pela mídia convencional, e também nas redes sociais, especialmente as políticas, que invariavelmente terminam num ponto que todos nós, democratas e republicamos, mais repudiamos: a intolerância, que leva ao ódio. Pode-se discordar de tudo e de todos, de posicionamentos políticos e de coloração partidária ou ideológica. Não se pode, porém, a pretexto de um falso moralismo ou de uma ética fajuta, querer direcionar as opiniões, suprimindo de outrem o direito de também expressá-las. Tem muita gente que usa da hipocrisia para arrotar democracia. Não conseguem levar adiante o bom debate, quando confrontados com a inteligência.

Nota curtíssima
O vereador Zé da Mix, hoje, é o vereador Ronei Mantins, de ontem.

Ele irritou geral
O vereador Ronei Martins (PT), presidente da Câmara de Limeira, atraiu a ira de seus desafetos políticos ao assumir-se favorável à "vaquinha" proposta por familiares do ex-deputado José Genoino, para o pagamento da multa condenatória imposta pelo STF na questão do mensalão. Nunca se viu uma reação tão violenta, pela posição pública de um político. Por mais impopular que seja tal postura, Ronei não fugiu ao chamado de sua história de militância. Pode-se não concordar com ele, mas que foi corajoso, isso foi.

Frase da semana
“Contei 180 furos no meu filho”. Domingos Pereira Coelho, pai de um preso esfaqueado e decapitado no CDP de Pedrinhas, no Maranhão, em rebelião ocorrida em dezembro. Sexta-feira, 10, na Folha de S. Paulo.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Até que enfim...
...a Secretaria de Obras começou o trabalho de reparos na ponte sobre o Tatu, na Avenida Araras, que liga a Vila Glória ao Teixeira Marques. Durante mais de um ano, o risco de um grave acidente foi diário. Ainda bem que não aconteceu nada.

Não poupa nada
Espécie de escritório que reúne vários serviços, o Poupatempo municipal deixa o Centro Empresarial para se instalar no Pátio Office, torre comercial do Pátio Limeira Shopping. Já o Poupatempo estadual, aquele que facilita a vida do cidadão, continua fora de Limeira. É o "governo de São Paulo não fazendo o que tem que ser feito". Haja paciência.

Quem se habilita?
Já o PSDB local bem que poderia fazer gestões junto ao Palácio dos Bandeirantes, para que Limeira fosse tratada um pouco melhor pelo governo paulista. O que é lamentável é o partido – ou parte dele - adotar uma postura crítica, porém, sem propostas concretas.

É fácil complicar

Até agora não entendi a proibição para estacionar na Carlos Gomes, no lado direito, na calçada ao lado do Bradesco. Se foi para escoamento mais rápido do tráfego, lamento dizer que não funcionou. Só complicou, levando em consideração a falta de vagas no estacionamento rotativo da área central.

Lanterna na mão
Procura-se candidatos a deputado estadual e federal para Limeira, que sejam suficientemente civilizados para representar bem o Município. E não apenas partidos políticos. Nesse caso, os interessados contarão, sem dúvida, com o apoio da população.

A última de hoje
Já me decidi. Só volto às praias do litoral paulista depois que o governador decretar o fim do calor no verão. Ajudaria a controlar o consumo inesperado de água, amenizando assim a falta do precioso líquido. Tudo por culpa do calor...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sejam todos bem-vindos a 2014

O Brasil deve ter um ano atípico. Copa do Mundo de futebol e eleições (quase gerais) serão os ingredientes para um 2014 quente, que já vai pelos seus primeiros dias, esbanjando o forte calor do verão. E pode também ter uma receita ainda mais apimentada, se a esses dois eventos se misturarem doses de manifestação popular, que embora muitos torçam o nariz contra, não estão descartadas. Certamente, se vierem, terão conteúdo muito mais explosivo das que marcaram 2013, a partir daquele histórico mês de junho.
Se os pré-candidatos declarados e futuros interessados em concorrer a um cargo eletivo já estão nas ruas há muito tempo, a militância está cada vez mais disposta a não deixar barato toda e qualquer provocação, seja de que lado for. Encontrando os devidos desvios e brechas que a legislação eleitoral permite e abusando das redes sociais, que estão liberadas ao uso político-partidário, as disputas devem se concentrar mesmo entre o PT, hoje no comando do País, e o PSDB, que tem alvos cobiçados entre os governos estaduais. Verdadeiras joias, que serão disputadas avidamente pelos dois partidos. Uma capital federal e outras tantas unidades da federação, de importância política estratégica à hegemonia partidária. Um querendo entrar no terreiro do outro.
Se ainda é cedo para previsões, constata-se que os blocos de petistas e tucanos já saíram para a batucada e irão aproveitar até o último segundo para fechar o desfile dentro do limite que o tempo exige. E tendo cada um, em sua comissão de frente, duas incontestáveis lideranças nacionais. Fernando Henrique Cardoso, o FHC, que ao que tudo indica foi reabilitado pelo tucanato, e Lula, que nunca foi escondido pelos petistas. Será sem dúvida uma disputa à parte e que pode ofuscar até mesmo as suas duas principais estrelas, o candidatíssimo senador mineiro Aécio Neves (se Serra não roubar-lhe o brilho no último segundo do jogo) e a presidente Dilma Rousseff, que busca sua reeleição. Tudo são conjecturas, que a ciência política nos possibilita, com suas variáveis de erros e acertos. Isso sem contar que há, ainda, uma alternativa a essa rivalidade. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que corre como azarão. Assim como Luiza Erundina, então no PT, era contra Maluf, à prefeitura de São Paulo, em 1988. Esse, entretanto, ainda é um capítulo que começa a ser escrito. E Campos deve gravitar entre uma oposição light e o continuísmo petista, afinal, até há pouco ele fazia parte do governo, do qual não vai querer perder seus dividendos.
Volto agora ao ano atípico, que mencionei lá no início deste texto, e ao porquê dessa afirmação. Se nas duas eleições de Lula, e em uma de Dilma, o PSDB caminhava sem sobressaltos pela oposição, tendo como mote o questionamento da ética do petismo, neste ano isso não será possível, pois há um escândalo que envolve a base tucana paulista, que até agora o partido não tinha enfrentado. O chamado “trensalão”, ou “propinoduto dos trilhos”, originário de um cartel que se formou para obras e serviços no metrô e na CPTM. Com nomes e sobrenomes. Tem tudo para ser uma eleição com propensão ao mau cheiro. Ou não. Vai depender de quem ligar o ventilador primeiro.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Um ponto de luz no escuro túnel Limeira

Reconhecer falhas ou dificuldades é o primeiro passo para acertar no que se errou, e dar sequência ao que aconteceu de positivo. Se prevalecer essa teoria, Limeira deverá ter um ano melhor agora, em 2014. A entrevista concedida pelo prefeito Paulo Hadich (PSB), à jornalista Renata Reis, desta Gazeta, publicada no primeiro dia deste ano novo, pode ser uma referência importante na condução político-administrativa do Município. E confirma muito do que escrevi ao longo de 2013 sobre as ações – ou a falta delas – da nova administração municipal, que entra em seu segundo ano e precisa dar, de maneira definitiva, uma resposta à sociedade. Se Hadich de fato colocar em prática tudo o que falou na entrevista, que foi um balanço do primeiro ano de seu mandato, bom para ele e melhor ainda para a cidade. Suas respostas tiveram dois focos distintos, o da gestão pública, em si, e o político. Da gestão pública, ele deu algumas respostas interessantes sobre os projetos a serem desenvolvidos. Quanto à questão política, não foi muito diferente daquilo que todos costumam responder.

Sem lua de mel

Uma das afirmações de Hadich me chamou a atenção: a de que, para ele, não houve o ano de “lua de mel”, como costuma acontecer em início de novos mandatos. E ele tem razão nisso. Desde o início ele foi bastante castigado por seus adversários, que se mobilizaram de forma organizada, via redes sociais. Se na Câmara ele não teve nenhuma dificuldade, fora dela não escapou das críticas da oposição.

Foco ideológico
Na realidade, e se for levada em conta a tradição conservadora do limeirense, é possível identificar que houve a construção, mais de uma crítica ideológica do que propriamente voltada às reais necessidades do Município. A aliança com o PT, mesmo não impedindo sua eleição – com um vice-prefeito petista – não foi digerida por uma parcela bastante sólida do antipetismo. O resultado não poderia ter sido outro.

Tempo a favor
Tudo isso, entretanto, não justifica a paralisia do governo frente aos muitos problemas municipais, por conta e ordem da herança deixada pelo governo anterior, que não deve ter sido das mais interessantes, mas contornável. Mesmo que faça um governo exemplar, a oposição não vai parar. Uma guerra que faz parte do jogo político e, como ele mesmo disse, é preciso enfrentar. De preferência, com respostas práticas.

Muito positivo

O mais importante de tudo isso, entretanto, foi a disposição de o prefeito Hadich ter se aberto à imprensa para esse balanço. Se isso significar transparência, então 2014 tem tudo para ser “o ano”.

E foi no ponto

Foi muito feliz – no sentido de dar ênfase à informação - a manchete da Gazeta de Limeira de sexta-feira, 3; “Ano novo, velho problema: dano e prejuízo com chuva”. A matéria, de uma página inteira, da jornalista Daíza Lacerda – com a parceria de leitores, que enviaram fotos à Redação - mostrou uma situação que se repete a cada ano, durante a temporada dos temporais. Passa ano, entra ano, o cenário é sempre o mesmo. Ruas alagadas, pessoas ilhadas, casas invadidas e muita destruição por toda a cidade. Sem uma saída adequada ou infraestrutura que garanta o escoamento das águas, o resultado é bastante conhecido dos limeirenses e, principalmente, dos administradores públicos.

Não é de um só
E esse tipo de problema não é de responsabilidade de um só. Desse ou daquele prefeito e, por isso, a crítica precisa ser bem pensada. Creditar os estragos sempre à administração em curso é de uma imbecilidade sem tamanho. É preciso lembrar daqueles administradores que vieram lá atrás e nada fizeram para melhorar, um pouco que seja, essa infraestrutura contra as águas de janeiro. Ou de qualquer outro mês.

Vi tudo de perto
Minha militância na imprensa limeirense vem desde 1980. Daquele período até agora, muita promessa e pouquíssimas obras. De Memau a Zovico, passando por Jurandyr Paixão, Paulo D’Andréa – de qual governo fiz parte – Pedrinho Kühl, Pejon e Félix, os discursos foram se repetindo e a chuva, evidentemente, não parou. E não adianta tentar se justificar. As provas são visíveis. Todos têm sua parcela de culpa.

Pergunta rápida
O que será mais fácil, o Brasil ganhar a Copa ou Dilma se reeleger?

Ano de pouca ...
... folga. Pois é, em 2014, apesar de o excesso de dias parados continuar, não dará muito descanso a quem gosta de um bom feriado. Dos 14 existentes (sendo dois municipais), o único prolongado será o da Semana Santa, que emendará a Sexta, 18, à segunda-feira, 21, dia de Tiradentes. Outros, como dia 7 de setembro, 12 de outubro, 2 e 15 de novembro, cairão no sábado ou domingo. Os demais quarta ou quinta-feira. O carnaval, apesar de ser – mas não ser oficial – para alguns até é possível emendar. Os jogos da Copa do Mundo não deverão proporcionar períodos extras de folga, a não ser por vontade do próprio segmento produtivo. E as eleições são sempre aos domingos.

Nota curtíssima
Que em 2014 os puxa-saquistas juramentados deixem o bonde andar...

Diferença? Não.
Para quem gosta de criticar o fisiologismo dos outros, nada como um dia após o outro. No desespero, o PSDB tenta de tudo para ganhar aliados e, pasmem, alia-se até ao inimigo. Na sexta-feira, 3, o governador Eduardo Campos (PSB), candidatíssimo à Presidência da República, anunciou a troca de secretários, com alguns tucanos compondo o primeiro escalão. No banco da frente, o deputado Sérgio Guerra, ex-presidente da sigla de Aécio Neves, também candidatíssimo ao Planalto. Uma pergunta: quem vai abrir mão e do quê?

Frase da semana
"Estragou tudo e ficou muita lama para lavar". Da dona de casa Nilva Silva Chaves, que teve sua casa tomada pela água, no primeiro dia do ano, após a forte chuva da tarde. Sexta-feira, 3. Na Gazeta de Limeira.