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terça-feira, 26 de maio de 2015

As mãos de uma reforma incerta



As pedaladas políticas – não as fiscais – do governo Dilma Rousseff (PT) estão fazendo surgir, ou melhor, emergir, um poder paralelo, que não é a oposição, mas a própria base governista, que já não se entende mais e, longe, de fechar com o poder executivo, estão apenas bancando os custos de seus próprios interesses. E que não são, com certeza, os interesses da nação brasileira. Apesar de o próprio PT não mais estar 100% com a presidente, o que não é nenhuma novidade, o protagonista maior das dores de cabeça presidencial é o PMDB. O partido do vice-presidente Michel Temer, parece estar se divertindo com as sandices do presidente da Câmara, o também peemedebista Eduardo Cunha e as teimosias de outro correligionário, Renan Calheiros, presidente do Senado. Como poder independente, como deve ser sempre o Legislativo e em qualquer circunstância, exerce o direito de aprovar ou barrar os projetos enviados à sua apreciação. É assim que funciona a República. É assim que deve ser na democracia. Estão no papel que lhes cabe neste momento, ou seja, a de forte marcação sobre o Palácio do Planalto, numa disputa por espaço no governo, que não passa de encenação política, para conseguir mais e mais cargos, entre primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto – e por aí vai – escalões. O que não é nenhuma novidade em se tratando do partido, que já teve grandes quadros, mas hoje padece de um fisiologismo que não tem comparativo na história da República e vive como parasita nos governos pelos quais transita, desde as prefeituras até Brasília, passando pelos estados da Federação. Isso, também, de velha e conhecida prática, já que o PMDB, há muito tempo, apesar de ser o maior partido do País, não consegue emplacar suas lideranças em voos mais altos. Contenta-se em ficar gravitando em volta das lâmpadas feito mariposas, como escreveu certa vez o genial Adoniram Barbosa em uma de suas maravilhosas composições. A questão é que as mariposas buscam apenas o calor e o brilho das luzes, enquanto o PMDB, no governo, busca satisfazer suas necessidades partidárias. Apenas isso.  
E já bateu, de muito, um recorde histórico na política brasileira. É o partido que mais esteve no governo desde a ascensão de José Sarney à Presidência da República, num misto de sorte e oportunismo, e enquadrou todos os governos por onde passou desde então. De FHC e Lula, dois mandatos cada um, e agora Dilma, em seu segundo mandato. Aboletaram do poder sem oferecer nada em troca na condução política da nação. E esse é o questionamento que deve ser feito hoje, já que Cunha e Calheiros se tornaram praticamente primeiros- ministros, num regime que nem parlamentarismo é. E tudo porque apenas querem empregar mais e mais aliados na já inchada máquina pública, que se tornou o governo federal. Onde não há mais espaços para tanto ministério, mas puro empreguismo, para atenuar as pressões da base aliada. Que cá entre nós, não é mais tão aliada assim. Triste é saber que são esses senhores que conduzirão a reforma política. Se ela de fato acontecer.

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