Pages

domingo, 15 de junho de 2014

Perigo sobre duas rodas. Ou mera imprudência?

Na semana passada, mais precisamente na edição de domingo passado, esta Gazeta trouxe manchete estarrecedora do ponto de vista da segurança no trânsito. O número de acidentes envolvendo motociclistas e a quantidade de feridos que deles saíram. Ao todo 481 condutores se acidentaram entre janeiro e abril e, o que mais assusta, a média diária de acidentes: um a cada seis horas. Ou seja, quatro nas 24 horas do dia. Acidentes esses atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, que apresentou essas tristes estatísticas. A matéria, da jornalista Érica Samara da Silva, além de detalhar a gravidade da situação, apresentou os reflexos que cada acidente proporciona, na questão da saúde pública, mobilidade urbana, produtividade urbana e, principalmente, o desespero que envolve familiares dos acidentados. Segundo o Samu, a pressa é a grande vilã da história, mas há a imprudência e inexperiência do condutor também. E não é preciso ser expert no assunto para entender o escopo desses números. Basta circular diariamente pelas ruas da cidade para constatar o fato.

Cada um na sua
Por isso abri os meus comentários de hoje com o título da nota inicial da coluna, que enfatiza a imprudência dos  “motoqueiros”. Ou motociclistas? Boa parte dos acidentes envolvendo motos, e isso é uma grande verdade também, acontece por imprudência do próprio motorista, que desrespeita as paradas obrigatórias ou entra em rotatórias sem se atentar para o fluxo de tráfego. As consequências...

E é sempre atual
Quem acompanha a coluna Texto&Contexto percebe que esse tema é recorrente em meus comentários. Mesmo assim, nunca é demais insistir e sempre trazê-lo à tona, quando deparamos com informações tão tristes como as que envolvem acidentes com motocicletas, cuja estabilidade, por ser um veículo sobre duas rodas, é mínima. E sua condução deve ser muito mais cuidadosa ainda.

Agilidade burra
Como já quase fui “vítima” dessa imprudência – e de motoristas desatentos também – procuro ter a máxima atenção com a circulação de motos. Como veículo versátil, o próprio condutor não percebe o risco quando se aventura a “costurar” para chegar mais cedo. Infelizmente, para a maioria daqueles que pilotam nas ruas da cidade, não existem sinais de ‘pare’ ou o ‘vermelho’ dos semáforos. Principalmente os que fazem entregas.

O sistema falha
A conclusão disso tudo é lógica, pois, por mais que a haja imprudência e inexperiência de condutores, acredito que o problema é bem mais grave. Está na má formação do motorista, do motociclista pelas auto e moto-escolas. O processo para formar um maior número de pessoas legalmente aptas a dirigir ou pilotar é que é deficiente. É preciso repensar isso com urgência. E pensar na qualidade da formação, e não na quantidade.

O tirano e a lei
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, expôs sua conhecida aversão pelas opiniões contrárias das dele. Pisoteou a Constituição Federal e violou todas as regras do Direito brasileiro.

Está havendo Copa
Com acertos e desacertos. Atrasos e obras inconclusas, começou a Copa do Mundo da Fifa no Brasil. Entre mortos e feridos, apenas alguns arranhões, poucos manifestantes e o tradicional quebra-quebra de vândalos (não se deve confundi-los com os verdadeiros manifestantes) e a conhecida truculência e o despreparo das polícias para atuar em situação de conflito. E por incrível que pareça, enquanto a depredação de patrimônios públicos e particulares avança, não aparece um policial para conter os verdadeiros criminosos. Nas passeatas de rua a Polícia Militar está lá e produz cenas como a de um manifestante agarrado pelo pescoço, atirado ao chão e, enquanto seguro, vem outro policial e borrifa spray de pimenta em seus olhos propositalmente. Falar o quê?

O ponto negativo
Um momento que poderia se tornar histórico na abertura desta Copa foi tratado como secundário, e com pouca visibilidade. O projeto do neurocientista brasileiro, Miguel Nicolelis, criador de um exoesqueleto e que fez um paraplégico dar um passo e o “chute inicial”, que deveria sim, ser no círculo central do gramado e com o destaque que de fato merecia. Infelizmente nada disso aconteceu, e a entrada do ônibus com a seleção brasileira no “Itaquerão” foi mais importante para a mídia. Se fosse em qualquer outro país do mundo, a pesquisa do doutor Nicolelis seria destaque. Por aqui é o “complexo de vira-latas” que determina a importância ou não do momento. É questão cultural mesmo não valorizar as coisas boas que temos e mostrarmos para o mundo.

Esgoto da alma...
E o mais triste de tudo. Houve até quem fez piada preconceituosa com o momento, através das redes sociais. Para piorar a situação, há quem ache graça e até compartilhe.

Pergunta rápida
De que cor é a onda verde nos semáforos da região central de Limeira?

É censura prévia
E está valendo para as emissoras de rádio e TV a proibição em transmitir programa apresentado ou comentado por candidato escolhido em convenção às eleições de 2014. O prazo começou a correr no último dia 10 e faz parte do calendário divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo preceitos da legislação eleitoral vigente no País. Um dos tantos absurdos que a lei impõe, por falta de uma reforma política. Mesmo que o objetivo seja o mais nobre possível, que é o de evitar o favorecimento àqueles que dispõem de horários e programas radiofônicos e televisivos em detrimento aos demais candidatos. A legislação eleitoral brasileira precisa rejuvenescer. Rever conceitos.

Nota curtíssima
A vaia pública expressa o desagrado. A ofensa pura e simples espelha falha de caráter.

Frase da semana
“Nenhum governante pode gabar-se da realização da Copa no Brasil”. Do ex-jogador e tetracampeão mundial, hoje deputado federal, Romário, em artigo publicado no UOL Notícias-Opinião. Quinta-feira.

0 comentários: