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domingo, 30 de junho de 2013

Um caminho sem volta ou apenas uma utopia?

Lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos; qualquer descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade. Essa é a definição clássica da palavra utopia. Está lá no dicionário Houaiss da língua portuguesa e para nós mais um sonho - é o que nos movimenta - que nos dá o tempero e gosto pela vida, desde o momento em que acordamos para a consciência. Quem nunca foi um utópico por natureza, não pode ser considerado um ser humano. Cotidianamente a exercemos, a espera que ela se torne, de fato, um caminho sem volta. A Pasárgada - quem não se lembra de Manuel Bandeira - que todos nós desejamos. Por alguns momentos e sentimentos manifestados, esse caminho se abre à nossa frente. E lá estamos nós, novamente, a percorrê-lo. Como se fosse a primeira vez, mesmo sabendo sobre todas a pedras que iremos encontrar pela frente. E ficamos tristes, quando encontramos aqueles que resolveram se sentar, acomodados na sua própria descrença.

Caminhar, sempre
Mais que uma quimera, penso que alcançamos um pouco dessa utopia a cada ação que praticamos. E estamos vendo, hoje, que é possível chegar bem perto dela, quando muitos resolvem se levantar e, ao deixar o comodismo de lado, continuar na caminhada. Penso que esse despertar (e sonho com ele) não seja apenas mensageiro do vento, que dispersa o som rapidamente. Que venha o vendaval.

Levantar e andar
Estou definitivamente abandonando as teorias institucionalizadas - políticas e sociais - e retomando minha versão sonhadora, aquela que tive lá atrás, mas se perdeu um pouco nessa descrença, à qual me referi no início deste texto. No estar constantemente acordado por medo de sonhar. Enfim, o exemplo que agora nos chega, provocativo, mostra-nos que não dormíamos, mas estávamos mortos.

Uma nova aurora
A devida dimensão do que as ruas estão falando hoje, não dá para mensurar neste momento e a força que possui. Nem para se afirmar que o caminho está definitivamente aberto e sem obstáculos à frente. Mas está, sim, se abrindo, desde que a população continue gritando, para acordar outras consciências que precisam deixar essa falsa zona de conforto proporcionada pela acomodação. O barulho provocado pelos manifestos que chegaram por aqui também é saudável. E necessário. É preciso, entretanto, não confundir utopia com ufanismo.  

E como deve ser
Como não se deve, também, e isso é importante lembrar sempre, que manifestação e contestação não são vandalismo nem depredação. Os rostos tingidos de verde e amarelo devem prevalecer sobre as máscaras da covardia.

Impunidade? Basta
Posto isso para acordar nossa consciência, vamos aos fatos relevantes da semana que passou. Além da contínua reeducação nos valores das passagens do transporte público urbano, que avança a estados e municípios brasileiros desde o início dos protestos, a PEC 37, aquela que tentava calar o Ministério Público ante a corrupção e aos desmandos de agentes públicos travestidos de líderes políticos, foi rejeitada. E, principalmente, pela abertura de um canal de negociação direta dos movimentos com os três níveis de governos. Há, ainda, incrédulos, que manejando teorias, ainda tentam, e insisto nisso, menosprezar essa onda que chegou.

Recado bem dado
O Senado Federal também começou a agilizar algumas matérias e fez aprovar, também na semana passada, outro projeto, agora o que transforma corrupção em crime hediondo. Ora, se isso é possível agora, por que não foi antes? A resposta é simples: o medo das ruas. Senadores, deputados, governadores e a presidente da República perceberam que há uma nova ordem, que emerge daqueles que são os verdadeiros donos de cada um desses mandatos eletivos: os cidadãos no uso de seus títulos eleitorais. As vozes das urnas são vitais para todos eles.

2014 está por vir
Se no último domingo, aqui mesmo neste espaço, eu comentava sobre os propósitos das manifestações impulsionadas pelo Movimento Passe Livre (MPL), de São Paulo, agora é hora de contabilizar algumas vitórias. Singulares, mas carregadas de simbolismos. Ainda é preciso muito mais, porém, acredito - e o mais importante: voltei a acreditar com o coração também - que o grande momento será o ano de 2014. Se essa insatisfação popular chegar às urnas, muita coisa estará de fato em transformação. Não falo em partidos, mas na qualidade dos políticos.

No devido lugar
Uma coisa, porém, é certa. A espontaneidade desses novos movimentos de rua deve, definitivamente, empurrar a direita para dentro dos quartéis. Mostrar que não há espaço e nem clima para aventuras dos homens do coturno e, também, de uma minoria radical, cujo discurso ficou lá em 1917 e não soube acompanhar a transformação da sociedade. O bem-estar social deve estar acima desses aventureiros, que não perceberam, ainda, que foram derrotados. Há muito tempo.

Pergunta rápida
Qual será o próximo passo da oposição em Limeira?

Ficou mais fraca
Com a confusão gerada na Câmara Municipal, após a rejeição de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Paulo Hadich (PSB), obrigando o presidente da Casa, vereador Ronei Martins (PT) a encerrar a sessão da última segunda-feira prematuramente, a oposição acabou por dar um tiro no pé. Afirmei, na coluna da última quinta-feira, que isso possibilitaria a convocação da militância pró-Ronei, contra o qual seria lida outra denúncia para abertura de CP, o que acabou acontecendo. O clima se inverteu e as manifestações a favor do vereador ganharam o auditório da Câmara. CP rejeitada por unanimidade. Já a oposição...

Nota curtíssima
Com exceção de alguns vereadores, Hadich agora só tem uma oposição - mas nem tanto - concreta: as redes sociais.

Um ensinamento
Após os eventos da última semana na Câmara, o prefeito Paulo Hadich precisa tirar uma lição que ficou bem clara para todos: o governo tem que agilizar suas ações e parar de usar a administração anterior como desculpa. A população clama por melhorias em todos os setores do município. Ele precisa dividir mais com a sociedade os seus pensamentos. Abrir sua administração e desencastelar alguns de seus secretários, ainda refratários à imprensa. E resolver os problemas internos.  

Frase da semana
"Servi ao PR em 1º lugar, depois ao SAAE". Renê Soares, ex-presidente do SAAE, durante depoimento em CPI na Câmara, que investiga irregularidades na autarquia. Na Gazeta de Limeira. Ontem.

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