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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Serviços públicos: eficiência às avessas

Os serviços públicos, como o próprio nome já diz, são aqueles oferecidos publica e gratuitamente à população, têm a marca da ineficência. E quando buscam ser eficazes tropeçam na incompetência de administradores despreparados tecnicamente, porém, politicamente atuantes. E independentemente da cor partidária, à qual esteja ligado, quanto mais alto o escalão, pior ele é. Com raras, raríssimas exceções. Do atendimento nas creches municipais, passando pelo ensino fundamental e médio, que é da competência estadual, a situação é caótica hoje. Faltam vagas nos municípios e sobra empurra-empurra para passar o aluno de ano letivo, sem mesmo ter o aprendizado suficiente para isso. No setor da saúde, apesar do exemplar serviço que é o SUS, de responsabilidade do governo federal, a dificuldade para  marcar uma consulta ou internação hospitalar é diretamente proporcional à baixa remuneração que o serviço oferece aos profissionais e instituições, que dele dependem.
Só para citar dois exemplos, nas três esferas de governo. Salvam-se, nesse quesito, e aí por competência de seus dirigentes, as universidades públicas. Sejam as estaduais ou federais. Mesmo com as investidas desnecessárias dos governos que as mantêm. Se hoje Limeira tem um segundo câmpus da Unicamp - a Faculadade de Ciências Aplicadas (FCA) - a conquista deve ser creditada ao então reitor, José Tadeu Jorge, que preferiu não esperar as ações do governador Geraldo Alckmin e levou adiante o empreendimento. Que não venha político chamar para si a responsabilidade da conquista, que é lorota. E das boas. O investimento público no serviço prestado ao cidadão, hoje - saúde, educação e segurança - é ínfimo se comparado ao gasto político, utilizado para controlar o poder.
Se a análise partir para a preservação do patrimônio público, então, aí beira ao caos. O abandono é marca registrada em parques municipais, escolas públicas e muitas outras repartições, que de tempos em tempos são maquiadas, apenas para receber a autoridade competente. Autoridade, que o sábio e impagável Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, costumava ironizar, quando dizia como esses senhores de terno se apresentavam: "eu sou otoridade". Mesmo não levando em conta a sanha da população pela depredação, o que falta mesmo é segurança e fiscalização, outras competências desse poder público, carentes de profissionais, em qualidade e quantidade, para zelar pelo dinheiro arrecadado de impostos. É preferível investir no acerto político nos altos escalões, onde apadrinhados - boa parte deles de competência duvidosa - desfilam de forma pomposa e soberana, a personificação de uma realeza emburrecida pela arrogância e prepotência, que lhes são características.
Nesse perído pré-eleitoral assiste-se ao mesmo filme, que vem de longe, com personagens já conhecidos e outros nem tanto, apregoando eficiência e transparência à máquina pública. Alguém se lembra quantas vezes já ouviu essa mesma promessa? Os erros e vícios se repetem. Corrigi-los, que é bom, nada.

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