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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Encontros antecipados (ou quando a vida se quebra!)

Nunca estivemos, estamos ou estaremos preparados para a morte. Seja de que forma se nos apresente, ela é sempre trágica. Aceitá-la, então, é humilhante, pois nos reforça a sensação de impotência. De que nada podemos fazer. Nem mesmo buscar um atalho para passar ao seu lado e zombar de sua capacidade de arrebatamento. Não podemos mesmo, porque ela - a morte - faz parte da ordem natural do universo e da própria vida. É o desfecho de tudo, que tem início na concepção e vai, a cada dia de nossa existência, se aproximando mais de todo nós. Impossível não temê-la. E pensar nela diariamente é um fardo que carregaremos até, justamente, com ela nos encontrarmos. E nada consegue aplacar esse temor, senão a própria vida. E por mais paradoxal que seja, é assim mesmo que funciona.
Às vezes, e por circunstâncias evidentes, a morte assemelha-se a uma redenção. O descanso do guerreiro abatido em combate. Mesmo assim é inaceitável.
Quando, porém, a vida se quebra por antecipação, nos revoltamos. Indispomo-nos e transformamos a personagem central deste escrito em vilã. Em confessa, de um crime não comentido. Não explicação que jeito. Não consolo, que aplaque tamanha fragilidade. E nem lágrimas suficientes para lavar nossa alma. Então começam os questionamentos e queremos saber mais, e mais, e mais, como se isso fosse o alívio para todas as nossa dores. Não o é!
Confesso que estou assustado. E perplexo com as abruptas quebras, que estamos experimentando nesses momentos recentes e passados. Se às vésperas do feriado de aniversário de Limeira, perdemos João Ferraz, o início de dezembro, foi marcado para nós, da Gazeta, com uma tragédia sem precedentes, e que nos deixou um vácuo, pessoal e profissional, difícil de preencher. Foi-se Lucas Piffer. Enfim, são os solavancos diários da vida, que nos deixam frente a frente com o improvável, mas se não estivermos prontos para eles (e nesses casos dificilmente estamos), nossos órgãos se desprenderão de nós como frutas maduras, quando balançamos uma árvore carregada. Assim como as frutas se espatifam ao tocar o solo, sentimo-nos esfacelados com perdas pessoais. E em nosso corpo, a dor maior da perda se reflete no coração e nos confunde a mente. É o improvável, que ao se materializar no inevitável, obriga-nos a lidar com todas as possibilidades de sentimentos. Uns nos atormentando paulatinamente. Outros, tentando nos confortar e, ao mesmo tempo, nos fazer acreditar - instigando-nos - na continuidade da vida. Pois é, ela de fato continua.
Ninguém é obrigado a aceitar, acreditar, entender ou simplesmente duvidar de tudo isso. O verbo mais adequado, neste momento, é o dispor. E se dispor a enfrentar o que virá pela frente. É o que depende de nós neste momento. Descansem em paz. Mesmo que seus encontros tenham sido antecipados contra a própria vontade.

2 comentários:

mae100culpa disse...

Claudio um texto maravilhoso!
Realmente a morte é a única certeza que temos, mas tememos!.
O Lucas era alguém muito especial para mim. Amigo, padrinho, sempre presente em momentos importantes da minha vida e de minha pequena família. Deixou um vazio!. Abraços

Antonio Claudio disse...

É minha cara e querida amiga Luciana, o vácuo é enorme. A sensação é ruim... mas como disse no texto, a nossa convivência com ela, a morte, é diária. Queiramos ou não. Abraços.