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terça-feira, 8 de junho de 2010

Esqueceram do bebê

A partir de amanhã, motoristas que estiverem transportando menores de idade até 7 anos e seis meses sem a cadeirinha de segurança no veículo serão multados em R$ 191,54. E perderão 7 pontos na carteira de habilitação, por infração gravíssima. Com ampla divulgação da medida do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) na mídia, ninguém poderá alegar ignorância, pois desde que se tornou obrigatória por lei, em maio de 2008, com prazo de dois anos para o início de sua vigência, fiscalização e aplicação de penalidades, o tema vem sendo debatido publicamente. Em especial quando se fala sobre segurança no trânsito.
O grande problema, entretanto, não é a lei, sua aplicação ou penalidades. É, sim, o despreparo da maioria da população e a pouca importância que se dá a temas que envolvem questões básicas de sanidade - o trânsito é também uma questão de saúde pública - além e, principalmente, da velha mania de deixar tudo para a última hora. Daí tome correria às lojas e, como consequência, a falta do produto para pronta entrega. O que nos revela, conforme matéria publicada nesta Gazeta na edição do último domingo, um cenário mais assustador ainda: tem muita gente transportando menor de dez anos sem a devida preocupação com sua segurança, que a cadeirinha proporciona, nas suas diferentes versões conforme a idade e como prevê a resolução do Contran.
A própria indústria que produz o equipamento em questão também tem sua parcela de culpa, porque não trabalhou com o devido planejamento e pesquisas de mercado, que poderiam indicar necessidade ou não de aumentar a produção conforme a demanda para, dessa forma, garantir estoques de segurança; não apurou o potencial de consumo. E, numa hipótese mais drástica, vê no crescimento da procura pelo produto uma boa hora para inflacioná-lo. Ou seja, aplicar índices invisíveis numa possível correção de preços, obedecendo as regras de mercado. A chamada “lei da oferta e da procura”.
Como acontece com o álcool combustível, cujos valores por litro oscilam conforme o humor dos produtores, que gostam de fazer suas próprias regras.
E agora a cadeirinha é uma questão de necessidade para os pais, uma oportunidade de incremento nas vendas das lojas especializadas e um verdadeiro mico para as indústrias. Sentindo que não dá mais para protelar e nem se arriscar a uma invasão nos bolsos, os pais saíram à caça do “tesouro”, que desapareceu das minas. Quero dizer, das prateleiras das lojas, que já fazem lista de espera e culpam a indústria pelo desabastecimento, proporcionando um círculo vicioso, que só tende a aumentar nos próximos 30 ou 60 dias. Mesmo com todo o tempo (25 meses) oferecido para que a cadeia produtiva e os pais se adaptassem às novas regras.
Inversão clara do ditado popular, que diz que “cão com muitos donos morre de fome”. Neste caso tem comida de sobra. Faltou o cachorro! No caso, a cadeirinha!

Antonio Claudio Bontorim

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