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domingo, 24 de agosto de 2014

O poço sem fundo continua sendo escavado


A expressão é conhecida. “Poço sem fundo”. E significa que em nenhum momento ele vá encher o suficiente para que a água comece a subir e venha à tona. Ou empurre o que está embaixo para cima. Esse é bem o momento vivido pelas áreas de educação e transporte público em Limeira. Quando se pensa que o buraco foi interrompido, a terra se move e ele continua sendo escavado. Sempre a uma profundidade maior ainda. Foi o que aconteceu nesta semana e mostrado em manchete por esta Gazeta na quarta-feira, 20: “Material escolar está em falta na rede municipal de ensino”. O que seria normal no burocrático processo de compras do poder público, não fosse esse suprimento o mais básico possível e que jamais poderia faltar. Giz para lousa e papel sulfite entre eles. E cujas compras devem ser planejadas. E, com certeza, não estão sendo. Pior de tudo isso é o silêncio desse mesmo poder público, que apenas responde com evasivas – já manjadas – que são o mais claro sintoma da falta de planejamento. Da irresponsabilidade mesmo. Como se não fossem obrigados a prestar contas à população.

Na fila de espera
Há, entre esses materiais, aqueles que não chegam há mais de um ano às unidades da rede pública de ensino. O lápis de cor é um exemplo. E essa denúncia não é peça de ficção da mídia. São os próprios gestores educacionais que relatam essa falta ou a remessa em volume reduzido. A resposta dada naquele momento: a pasta iria fazer um levantamento para apurar a situação.

Atestado assinado

E não há respostas possíveis para tamanho desleixo. Culpar contratos em andamento e a morosidade dos trâmites que envolvem a aquisição de produtos mediante licitação é, no mínimo, uma declaração de incompetência. Assinada e com firma reconhecida. É uma prova clara de que o processo administrativo está truncado. Falta condução e, por isso, o bate-cabeças.

E é dinheiro do...
...contribuinte; que fique bem claro. E não bastasse a inépcia dessa situação, esquecem-se, os gestores municipais e servidores do povo, que o balanço deve ser apresentado de forma transparente. Porque é o povo quem paga a conta no final. Inclusive dos salários desses agentes públicos, sejam eles comissionados ou funcionários de carreira. Os concursados.

Melindres à parte
Cômico, se não fosse trágico, é ver a distância que separa o servidor público do público, quando ele não cumpre suas funções. Há, em todos os guichês de atendimento nos órgãos governamentais uma pequena placa onde se lê, que ofender ou maltratar funcionário público é crime previsto em lei. Então a negligência, que acompanha muitos desses servidores, também deveria ser crime. Previsto em lei.

Desculpas demais
Para concluir. Quando não há explicação lógica, não há desculpa possível capaz de abrandar a incompetência. E o sintoma dessas trombadas entre jogadores de um mesmo time se tornam mais evidentes, a partir da cobrança de quem faz parte da própria equipe. Vereadores da base governista, até agora ausentes de toda essa discussão, começam a pôr a mão na ferida, que de tão aberta está duro cicatrizar.

É bufunfa demais
Outro tema que abordei no texto de abertura desta coluna, foi sobre o transporte público. No último domingo, comentei sobre o serviço, cada vez pior e ganhando mais subsídio do poder público municipal.
É muita grana...

Tem música no ar
Não pretendia comentar mais sobre o tema, mas na última semana, mais precisamente na quinta-feira, a bomba estourou, conforme mostrou a Gazeta, em manchete: Supersubsídio é alvo de investigação do MP. E com uma agravante comprometedora. O próprio promotor de Defesa do Patrimônio Público de Limeira, Luiz Alberto Segalla Bevilacqua, está enxergando indícios fortíssimos de enriquecimento ilícito, violação dos princípios que regem a administração pública e prejuízo ao erário no repasse de numerário às viações, conforme denúncia do vereador José Roberto Bernardo, o Zé da Mix (PSD). Situação que pode resultar em apuração de improbidade administrativa. Ei, você aí, me dá um dinheiro aí...

Péssima qualidade

A dúvida que fica nem é tanto sobre o repasse do subsídio, por si só, imoral – mas que parece legal – e aviltante. Mas sobre a qualidade do transporte público urbano, que as duas empresas (?), Viação Limeirense e Rápido Sudeste, oferecem ao usuário em troca do dinheiro que vêm recebendo. A se levar em conta as reclamações, os problemas registrados quase diariamente pela mídia, o serviço continua como sempre esteve: ruim.  Se contra fatos não há argumentos, que os senhores fiscais de jornalistas levem os problemas tratados diariamente pela imprensa a seus superiores (se é que os têm), dando respostas aos reclamos da população, e não detratem os profissionais que só estão cumprindo suas funções de denunciar e não bajular.

O tempo não para
Uma vez que acabei de falar em imprensa, jornalistas e a mídia de uma maneira geral, a Secretaria de Comunicações da Prefeitura deveria começar a liberação de releases em horários mais compatíveis com o expediente diário dos órgãos de comunicação. Principalmente daqueles que têm seu “dead line” obrigatório, como jornais diários. Muito material que poderia ser aproveitado está chegando apenas à noite. Há algum ruído atrapalhando essa comunicação.

Pergunta rápida
Por que Geraldo Alckmin (PSDB) não fala a verdade sobre a crise hídrica em SP?

Eu sou a verdade
Marina Silva, que herdou a vaga à disputa pela Presidência da República de seu companheiro de partido, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), que morreu recentemente em acidente aéreo, começa a impor seu estilo. Centralizadora, a ex-senadora do PT, está mudando a cara da campanha, arrastando parceiros que militaram com ela no PV para postos chaves na coordenação. Começa, também, a colecionar como desafetos amigos direto de Campos, militantes históricos do próprio PSB. O que não é bom para ela e muito menos para a chapa socialista, que hoje ocupa o segundo lugar nas pesquisas eleitorais. Marina não vai arredar pé de suas posições. Como fez quando saiu do PV. Isso é perigoso.

Nota curtíssima
Tudo que o Brasil não precisa é democracia pautada pela religião. O Estado é laico.

Frase da semana
“Pesquisa agora só vale depois do Sete de Setembro”.
Do presidenciável tucano Aécio Neves, pedindo serenidade a seus aliados com as pesquisas. Na coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Sexta-feira, 22.

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