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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Águas que já não rolam como antigamente

Apesar de todos os indicativos - e afirmativas enfáticas - de que a crise hídrica não chega a Limeira, a população deve estar atenta e racionalizar na utilização da água. Se há parâmetros técnicos e reservação suficientes para autorizar a concessionária Odebrecht Ambiental a levar esse otimismo aos limeirenses, nenhuma informação em contrário deve ser omitida. Mesmo porque a conscientização vem do princípio da verdade e não de interesses meramente corporativos e infalibilidade de prognósticos, uma vez que o Estado de São Paulo atravessa uma estiagem prolongada, que há décadas não se via. E, por menor que seja a probabilidade de o Município atravessar esse período sem racionamentos, o primeiro indício de alerta tem que se tornar público, para impactar de forma positiva o cidadão à necessidade do consumo consciente.
Se a própria concessionária já lançou um movimento para induzir o usuário ao não desperdício, o que é positivo e altamente necessário do ponto de vista prático e para que de fato a água não venha a faltar, a resposta da comunidade deve ser imediata. Pois é no esforço conjunto que se conquista os melhores resultados. Em todos os segmentos da sociedade. Isso por que se percebe que nem todas as pessoas estão devidamente alertadas – ou não preferem observar os alertas que a natureza tem passado nesses últimos meses – e continuam jogar água literalmente no ralo. Com a falta de chuva e o excesso de poeira acumulada, ainda é comum observar muita gente lavando a calçada com mangueiras em vez de usar a vassoura. Ou lavando carro em frente às suas casas, deixando a água escorrer enquanto ensaboam o veículo. E ainda há os que não acreditam que a água seja um recurso finito. A crescente degradação ambiental dá sinais claros para graves problemas de abastecimento num futuro não tão distante assim.
Em manchete publicada ontem pela Folha de S. Paulo, os indicadores são os piores possíveis. Já há em todo o Estado 2,1 milhões de pessoas em racionamento oficial de água, segundo o jornal, o que dá uma média de 1 para cada 20 habitantes sem o “precioso líquido”. Ou com interrupções diárias no fornecimento. E, mesmo assim a Sabesp continua insistindo que tudo está normal e não há racionamento oficial, o que é desmentido diariamente por moradores da própria capital paulista e de cidades também servidas pela estatal paulista. É um comportamento altamente reprovável, e de extrema irresponsabilidade, esbanjar um otimismo que não condiz com o que está sendo mostrado na prática. O interesse político eleitoral não deve, nunca, deixar em segundo plano o bem estar social, omitindo informações reais dessa grave situação. Isso, entretanto, é outra história, que será contada após as eleições de outubro.
Por enquanto fica o aviso, emitido pela natureza, de que ela não está para brincadeiras. E o esforço do homem para mantê-la em padrões aceitáveis reforça essa preocupação. O nosso legado é que vai determinar quando e como a escassez de água chegará a níveis insuportáveis.

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