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terça-feira, 19 de maio de 2015

Com ondas favoráveis só é preciso saber nadar



Por mais que tente, de todas as formas e pelos vários caminhos a percorrer, a oposição política em Limeira não consegue se encontrar e nem propor um palanque próprio que possa, lá na frente, chegar à igualdade de forças e ser uma alternativa aos que estão descontentes com a situação. E como tem gente descontente e que só faz crescer a legião dos desesperançados a cada tropeço, à falta de ação e ao marasmo, que aqui se instalou nos últimos dois anos. E pouco mais. Nem mesmo as trombadas dos aliados do atual governo municipal e a falta de liderança servem de estímulos àqueles que estão do outro lado. Esmeram-se, alguns, em buscar apenas as barras do Ministério Público e dos tribunais, sem, no entanto, propor algo novo. Há excesso de vontade política, mas falta de objetividade nas propostas. As tentativas de desgastar a administração municipal, por empenho solitário do vereador José Roberto Bernardo (PSD), não é a estratégia mais adequada e nem a melhor saída para mostrar os erros que vêm sendo cometidos pelos altos do Edifício Prada. Acaba se transformando em denuncismo sem propósito, e vai desgastar mais a imagem do denunciante do que do denunciado. Imagem, nesse caso, que já está desgastada por ocasião da votação do aumento salarial dos vereadores. E por aí afora.
O vereador, entretanto, não está sozinho. Ele representa o grupo que foi derrotado por Paulo Hadich (PSB) em 2012, mais precisamente Lusenrique Quintal, mas que não consegue se firmar como oposição forte e atuante. As tentativas de desestabilizar – e até mesmo desmoralizar – o atual ocupante do Poder Executivo até agora resultaram em nada. Vê-se que a opinião pública está atenta e desestimulada com a política e com o governo municipal, mas não se percebe proveito para a oposição, que vai ao embalo dos muitos erros cometidos, mas também não proporcionam situações que possam se parecer com acertos. É tudo do mesmo. Apenas o que muda é o lado de cada um. Tudo isso centrado na vaidade pessoal, que não permite acordos entre os setores descontentes. E apesar de ainda haver tempo disponível para decisões e pelo consenso – o que hoje, a meu ver, está longe de acontecer – não se pode subestimar esse tempo. E cada dia passado é uma oportunidade perdida e, quando chegar a hora, a oportunidade foi desperdiçada. Como ainda há tempo para que o próprio governo reverta a rejeição e o descontentamento da população. Os oponentes de Hadich não podem descartar tal possibilidade. Pois ela existe e é real. O prefeito se não está nadando de braçadas, não parece estar se afogando, como muitos pensam e apostam. Vai no ritmo que dá, mas pode chegar nos metros finais sem adversário.
Por outro lado, há nomes como do ex-vereador e quase deputado Mario Botion (PEN) e do recém-aceito ao PSDB, Eliseu Daniel dos Santos, que podem vir a ser competitivos, mas ainda isolados e sem o devido consenso dentro dos próprios grupos que representam. Pelo menos essa é a impressão que se tem pela pouca visibilidade que eles têm na mídia, por enquanto. O recado é simples, e é conveniente passá-lo neste momento. Pois a distância que separa o hoje das próximas eleições, a cada dia se encurta. Esperar pela reta final nem sempre é a melhor estratégica em política.

domingo, 17 de maio de 2015

Ação, reação e uma necessária investigação



O Ministério Público (MP) entrou na briga sobre o aumento na tarifa de água em Limeira, proposto pela Odebrecht Ambiental e autorizado pelo Ares-PCJ. Os 20,27% estourou no MP, que agora começa a investigar o reajuste, que passará a valer a partir de junho. Fala-se, sempre, em equilíbrio financeiro, mas o desequilíbrio nunca é mostrado. Em todo setor público as concessionárias de serviços sempre usam esse argumento, para realinhar seus preços e repassá-los ao consumidor, que é obrigado a arcar com mais despesas senão, mesmo sendo um serviço essencial, acaba punido com cortes no abastecimento. E nesse caso não há diferenciação, de quem cobra a tarifa, se é calote ou dificuldade financeira do contribuinte. Entram todos no mesmo tacho e sem perdão. Assim, é importante o trabalho da Promotoria de Defesa do Consumidor em investigar, para que tudo fique claro e se prove, de fato, que esse reajuste é necessário. E se não poderia ter sido menor. Como empresa privada a concessionária quer lucro – o que é natural e faz parte da teoria capitalista – exorbitar, entretanto, é punir o contribuinte, que não se aguenta mais com tantas taxas e impostos.

Por todos os senões
Um dos pontos dessa investigação, e que é de extrema importância também, é saber o que o poder concedente, no caso a Prefeitura, tem a dizer sobre isso. Pelo que percebi ao longo dessas discussões, o Poder Executivo esteve sempre ausente de qualquer debate. Pelo sim ou pelo não. E os serviços e obrigações da concessionária? Estão sendo feitos a contento? Ela cumpre com o acordado?

A defesa do público
Pela seriedade e trabalho competente, que realiza sempre que é chamado a intervir, o promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua conduzirá com rigor todas essas investigações para, no fim, propor alguma ação favorável ou contrária. O usuário do serviço, que hoje é tratado como consumidor, não pode ficar descoberto de qualquer defesa que se faça necessária para ter seu direito resguardado.

Dever. Igual direito
Mesmo porque se há o dever de assumir a conta no final, o cidadão tem o direito de saber como está sendo investida a taxa que paga pelo serviço. Apesar de ser prestado pela iniciativa privada, por assim dizer, é um serviço público e tem que corresponder com todas as expectativas. O que ninguém pode negar que até este momento está sendo feito. Mas não se pode abdicar da razoabilidade.

E que se vá a fundo
Se, no final das investigações, ficar comprovada a necessidade de um porcentual dessa natureza, o próprio MP reconhecerá essa situação. Porém, se houver brechas para reduzir o tamanho desse reajuste – afinal os serviços públicos são reajustados pela inflação do período – que assim o seja. Em nome do equilíbrio financeiro também do contribuinte. Que é quem paga todas as contas. Sempre.

Mais dor de cabeça
E quando a questão é financeira, ninguém está isento de problemas. Agora é a questão da saúde que vem à tona, através da Defensoria Pública, que mostra que a Prefeitura descumpre 42% de ordens judiciais para entrega de remédios. É número expressivo.

Início, meio e fim...
Vale lembrar – e isso está deixando a Secretaria da Saúde na berlinda – que ordem judicial é assim: cumpra-se. Caso contrário... E é muito comum, também e de vez em sempre, a reclamação da falta de medicamentos na rede pública. É um círculo vicioso que não tem fim. Mas todos sabem onde começa. Na má gestão dos recursos públicos.

É oito, 80 ou... 880
Limeira não é Itu, mas vive uma gigante confusão, quando o assunto é iluminação pública. Agora de responsabilidade da prefeitura, mas ainda com toda culpa da Elektro pela atual situação, há bairros que vivem na penumbra, com poucas luzes acesas nos postes, outros na escuridão completa e, alguns, pasmem, no brilho diuturno de suas luzes acesas. E tudo comprovado. Pelas reclamações e denúncias da população e constatações in loco, como fez na semana que passou esta Gazeta. Perspectivas?

Transparência legal
As obras do piscinão seguem. Em ritmo não muito rápido, mas seguem. A implantação do chamado canteiro social, com uma tenda, na Avenida Piracicaba, onde moradores e comerciantes das regiões afetadas pelas interdições – e população de uma maneira geral – recebem informações foi uma ideia que merece elogios. Afinal, a obra é importante e os limeirenses precisam conhecê-la a fundo. Boas ideias são sempre bem-vindas.

Mobilidade ameaçada
O dinheiro anunciado às vésperas da eleição presidencial no ano passado para Limeira, através do Ministério das Cidades, ainda não chegou. Os cerca de R$ 41 milhões prometidos não saíram de Brasília e está atrasando obras importantes no Município. Erros técnicos na documentação apresentada pela prefeitura, segundo o Ministério, é que estariam emperrando a liberação das verbas. Esse filme já é velho conhecido por aqui. Muitos financiamentos públicos já foram perdidos ou atrasados por erros em projetos ou documentação. O que é uma lástima.

Pastelão na Câmara
O Congresso Nacional viveu uma semana cheia. Com vitórias e derrotas da presidente Dilma Rousseff (PT) em suas propostas de ajuste fiscal e, sobretudo, com muita confusão e discussão entre parlamentares e até mesmo atitudes de manifestantes nas galerias. Numa cena inédita, porém, nada elogiosa: um sindicalista chegou a abaixar as calças e mostrar o traseiro ao Plenário. Apesar de tudo, os parlamentares mereceram.

É hora de se mostrar
Lula começa a agitar um pouco mais o cenário político com suas aparições e reuniões com parlamentares e políticos, tentando apagar o fogo que vem queimando as relações entre o Legislativo e o Executivo. Como cidadão e ex-presidente, é um direito que lhe assiste. Só que está na hora, porém, de ele vir a público, chamar uma entrevista coletiva e se explicar e responder todas as dúvidas que vem sendo lançadas sobre sua conduta.

Verdades e mentiras
Se ele vai conseguir, ou não, é uma outra história. O ex-presidente, entretanto, precisa sair do casulo e falar tudo o que sabe e o que não sabe também, das situações e denúncias que estão lhes sendo imputadas. Se ficar no silêncio, para parecer consentimento com tudo o que vem sendo falado e escrito.

Pergunta rápida
Qual será a próxima pérola a ser apresentada na Câmara Municipal?

História para contar
Esta Gazeta chega, hoje, aos seus 84 anos de existência, firmando-se como um dos mais comprometidos e sérios órgãos da imprensa limeirense, cuja história e tradição vêm contribuindo de forma profissional às fronteiras do conhecimento. Órgão da mídia impressa, que contribuiu, contribui e contribuirá ainda mais, com o desenvolvimento de Limeira e região onde atua, como Cordeirópolis, Iracemápolis e Engenheiro Coelho, que são os municípios que seu noticiário abrange. Plural na sua diversidade de opiniões que nela são publicadas diariamente, esta é a Gazeta de Limeira.

Nota curtíssima
O Brasil vive um parlamentarismo com dois primeiros ministros e uma rainha órfã.

Frase da semana
“Aaaamada amaaante, aaaamada amaaaante...”, da doleira Nelma Kodama, cantando Roberto Carlos, durante depoimento aos deputados da CPI da Petrobrás, ao explicar sua relação com o também doleiro Alberto Youssef. Na terça-feira, 12. Em Curitiba, PR.

quinta-feira, 14 de maio de 2015



Parecer técnico...
...nunca pode ter conotação política. Assim não entenderam os vereadores Farid Zaine (Pros), Nilton Santos (PRB), Totó do Gás (PSB) e Érika Tank (Pros), que votaram contrário ao parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), pela reprovação das contas de Félix de 2011. O parecer, entretanto, foi mantido pela maioria dos vereadores.

Ruim para Félix
Apesar de todo o périplo pelos gabinetes da Câmara, o ex-prefeito não conseguiu reverter a situação e agora terá complicações com a Justiça Eleitoral. Mais ainda...

E faltou atenção
A campanha do agasalho deste ano, infelizmente, foi muito mal divulgada. Houve a cerimônia de abertura, com certa pompa política, mas só isso. Faltou divulgar os principais locais onde estariam as caixas coletoras de doações. Eu, pelo menos, não vi nada neste sentido. Fica a sugestão.

O elo mais forte
Limeira está entre os municípios que mais elevaram a tarifa de água no Estado de SP. Perde, apenas, para a cidade de Itu. E foi tema de matéria da Folha de S. Paulo. Penso que até o Procon, órgão de defesa do consumidor, possa ser acionado. É preciso, com certeza, repensar esse índice, exorbitante e fora da realidade. Mesmo a despeito dos custos operacionais levados em consideração na hora de propor a nova tarifa.

De outros tempos
A mobilidade urbana de Limeira está, há muito, comprometida. E pelo andar da carruagem – não é trocadilho, não – não se vislumbra solução em curto prazo para o problema. Volto a insistir: a secretária Andrea Júlia precisa dar um passeio de carro pelo Centro. O problema, infelizmente, vem de outras más gestões que passaram pela pasta.

A última de hoje
Um país que transforma bandidos em heróis não pode cobrar seriedade de ninguém. Vai ter que conviver com o escárnio e a teatralidade de uma senhora, Nelma Kodama, que mostrou os bolsos traseiros e cantou música de Roberto Carlos durante depoimento em CPI em Brasília. E riu, a valer, na cara de todos os brasileiros.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Vício e falta de caráter estão na origem



Deputados que se sentem ameaçados nas investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, já se movimentam para barrar – ou pelo menos tentar – um segundo mandato do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Acuados e insuflados pelo presidente da Câmara Federal, o peemedebista Eduardo Cunha (um dos citados), parlamentares, liderados pelo deputado Paulo Pereira (SDD), o Paulinho da Força, autor da proposta, já estão recolhendo assinaturas para uma emenda nesse sentido, que se aprovada evitaria a recondução de Janot ao cargo e as investigações poderiam ganhar um novo rumo. Tão esdrúxula quanto a proposta, é a argumentação de Paulinho da Força, de que “o Ministério Público Federal (MPF) precisa de uma oxigenação, porque o procurador-geral já estaria viciado”.  Viciado em quê? Em ter a coragem de citar nomes de parlamentares implicados em documentos do escândalo? Se há um interesse tão grande em investigar todos os políticos envolvidos, até ex-presidentes e a atual presidente, Dilma Rousseff (PT), deputados e senadores não estão imunes a isso. E também devem ser punidos, caso se comprovem as denúncias, que ainda têm um longo caminho pela frente para chegar às necessárias condenações dos culpados.
A proposta, me parece, tem um vício, sim, mas de origem. Parte de um Parlamento desgastado pelas próprias atitudes de seus integrantes, que têm sede de imputar crimes aos outros, mas não aceitam que se julguem seus próprios. E quem mais, além do próprio Cunha, não estaria por trás dessa indecência? Paulinho é só um mensageiro de luxo, um leva-e-traz, que defende os interesses de seu patrão, o presidente da Câmara, e seus próprios. Mesmo porque de inocente, ou coerente, ele não tem nada. Além desse vício na origem, a conduta duvidosa do proponente é muito conhecida nos meios políticos e fica difícil entender essa preocupação, que não seja com o próprio umbigo. Se fosse um Parlamento sério, interessado em chegar à verdade necessária e tão esperada, não se importaria com as investidas de Janot contra seus integrantes. Pelo contrário, chamaria para si o exemplo de que – como ficou conhecida e desgastada essa frase – seria preciso “cortar da própria carne”. Pelo bem dos interesses nacionais. Só que não é o que parece.
Até onde pode prosperar essa iniciativa, ridícula e corporativista, vai depender, é evidente, deles próprios, os deputados. Que gostam de legislar apenas em causa própria, quando são envolvidos em denúncias. Se há políticos isentos dessa compreensão de autoproteção e que estão dispostos a dar continuidade nas investigações, sem se amedrontar por suas consequências, é preciso que se manifestem de imediato. Ou então simplesmente assinem a proposta, cuja lista já corre pela Câmara. E o mais triste e chocante de tudo isso são esses senhores, que estarão à frente de uma reforma política. Se ela acontecer. É o caráter que deve moldar o homem, para que o homem não molde o próprio caráter às suas conveniências.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Do Calcinado Agreste ao Inferno Verde

As andanças de um universitário paulista pelos sertões do Piaui, suas conversas com o escritor Cândido Carvalho Guerra e um livro recuperado

Em 1978 participei do Projeto Rondon, Operação Nacional PRO-20, no distante município de Corrente, do Piauí. Mais distante ainda por que tínhamos que subir até Teresina, a capital do Estado para, posteriormente, descer até o sul, no sertão piauiense. Era preciso fazer parada obrigatória por lá, mesmo por que não havia estrada que chegasse até Corrente, pelo norte de Pernambuco, o que seria bem mais próximo.
Foi uma das últimas operações nacionais do Projeto Rondon, naqueles moldes, à região. Mesmo por que estávamos indo para lá, para aliviar a barra do projeto, por que um ano antes, em 1977, os universitários paulistas que lá estiveram, se perderam no planejamento e deixaram muitas jovens grávidas, o que comprometeu a imagem do Projeto Rondon, ainda uma instituição militarista e resquício da ditadura, para prover a falta de investimentos e serviços nos municípios mais longínquos e menos desenvolvidos do país.
Durante os trinta dias que lá estivemos, de janeiro a fevereiro daquele ano, tivemos problemas. Eu e outro universitário, um estudante de Economia da Unicamp, quase fomos expulsos do Rondon, por que questionávamos as ações que não nos eram permitidas realizar.
Foram momentos tensos, resolvidos pela coordenação da operação, mas que não apagaram o intuito apenas propagandista da iniciativa. Enfim, foi uma experiência das mais proveitosas que tive. Em todos os sentidos. Desde o de reforçar minha oposição ao regime militar e sua atitude clientelista até a minha própria formação profissional e, principalmente, minha posição de questionar veementemente a tudo do qual eu discordava. Mas toda experiência, mesmo que contrária às nossas ideologias, é e deve ser encarada como indispensável à nossa formação humana. E foi o que aconteceu.
Fiz essa pequena introdução para relatar uma das mais incríveis experiências que tive, durante todo aquele mês de janeiro em Corrente. Além da aproximação do povo, extremamente receptivo, mesmo por tudo o que aconteceu no ano anterior, a acolhida que tivemos foi muito boa. Não criamos vínculos, por que o tempo era curto, mas fizemos amizades interessantes e reveladoras. No meu caso, uma especial: a do escritor Cândido Carvalho Guerra, à época com 57 nos de idade - quase o meu tempo de vida hoje - com quem conversava quase todos os finais de tarde, após o jantar no hotel contratado para nos oferecer as refeições, quase defronte à sua residência. Rua Desembargador Amaral, se não me falha a memória, mas era uma das principais da cidade, longa, e que passava pela agência do Banco do Brasil. Ali, sentados em cadeiras na varanda ou no interior de uma ampla sala, discutíamos sobre literatura e política e, também de nossas percepções sobre o mundo. Ele com sua experiência e vivência, além do profundo conhecimento do sofrimento do nordestino e uma vasta cultura e eu, jovem, idealista, mas interessado também em dar minha contribuição para acabar com a situação pela qual passava a maioria dos brasileiros, em especial aquela região do país, à qual saúde e educação, principalmente, eram artigos de luxo e só levadas às castas mais nobres daqueles municípios, paupérrimos, muitos, mas cujo povo era, apesar de sofrido, trabalhador. Ao contrário do que se espalha, hoje, pelas redes sociais (impensáveis à época), no mais odioso ranço de intolerância e preconceito.
Enfim, tivemos longas e proveitosas conversas. Fiz, inclusive, uma longa entrevista com ele, cujos originais devem estar perdidos por alguma das minhas gavetas. Ou, talvez, nem existam mais. E, durante uma das primeiras conversas, ganhei dele um livro de sua autoria, “Do Calcinado Agreste ao Inferno Verde”, onde ele relata a saga de dois homens que deixam o município de Curimatá que, por coincidência é sua terra natal, para tentar a vida e ganhar dinheiro em outras paragens, para o sustento da família. Não vou contar a história toda, mas sim a do livro. Trouxe para cá o livro autografado e com dedicatória, datada de janeiro de 1978, depois de lê-lo com carinho, ainda durante as noites no alojamento do Projeto. Trouxe-o e guardei como verdadeira relíquia, até emprestá-lo a um amigo ainda na universidade, o qual, infelizmente não me retornou mais o exemplar.
Em recente conversa com minha filha, Lia, lembrei-me do livro e do nome e pedi-lhe que o procurasse em algum site de compras. E ela achou. Um único exemplar, numa livraria do Rio de Janeiro. Comprei-o imediatamente. Por R$ 19,00 e mais as taxas de envio. Livro que me foi entregue, via Correio, uma semana depois. Desgastado pelo tempo, mas não menos atrativo. E com uma dedicatória. Não era meu exemplar, mas parei de respirar quando li o primeiro nome, começava com Antônio, assim como o meu. Cândido Carvalho Guerra dedicou-o ao escritor Antônio Leite Pessoa e a data do autógrafo era 6/4/1980. Li-o novamente. E muito mais rápido que a primeira vez e também com outro entendimento. O que me trouxe à lembrança aquele 1978, distante já 37 anos, e as conversas noturnas que tive com Cândido Carvalho Guerra, que se ainda estiver vivo está com 94 anos. Quem sabe.
Consegui contanto com um jornalista, de lá, Alessandro Guerra, o mesmo sobrenome do escritor, do portalodia.com e em breve diálogo solicitei-lhe alguma informação. E mesmo se tinha algum parentesco com ele. Ainda estou esperando um retorno sobre a consulta. Quanto a essa história, resolvi compartilhá-la nesta página. Quem sabe alguém, em algum lugar, tenha notícias de Cândido Carvalho Guerra. Qualquer uma que seja, já que ele também faz parte de minha história.

domingo, 10 de maio de 2015

Vontade política e trabalho eficiente. É possível!



A aprovação da lei que permite regularizar 70 mil imóveis em Limeira, aprovada na última segunda-feira pelos vereadores – e mostrada como manchete desta Gazeta na quarta – é um exemplo raro de competência. Coordenado pelo secretário de Obras, Alex Marques Rosa (que arrancou elogios até mesmo da oposição), o trabalho que originou a nova lei mostra quanto o chamado jeitinho, que invariavelmente origina a corrupção, tem suas raízes muito mais fundas do que se imagina. Para ganhar espaço aqui, uma cobertura ali e áreas construídas fora dos padrões da engenharia e do Plano Diretor, muita gente não se preocupa com as irregularidades e se julga acima de qualquer suspeita. E a cidade cresce desordenadamente e, nesse caso, não há controle urbanístico. O pagamento de multa e a apresentação de um projeto para regularização daquilo que foi concebido de forma incorreta ou foi sendo modificado às escondidas, para economizar alguns trocados, são necessários. O cidadão que cobra o poder público e quer ver seus direitos garantidos tem, obrigatoriamente, que cumprir com seus deveres. E para isso há regras e padrões que precisam ser obedecidos.

Fazer o certo, antes
Por que o título do texto acima? É simples. Há, hoje, e com razão, um consenso de que o serviço público é deficiente e dificilmente atende aos interesses da população. Correto. Na maioria das vezes é assim. Mas é preciso lembrar que, e também na maioria das vezes, o contribuinte é que tem sua parcela de culpa, quando quer levar certas vantagens. Fazer o certo é obrigação de ambas as partes.

Acertar os ponteiros
A competência não tem ideologia e partido político. Ela é uma condição básica para quem se dispõe a realizar alguma coisa. Nesse caso mostrada pelo secretário Alex Rosa, cujo trabalho vai, com certeza, trazer muitos benefícios ao Município. A mesma competência que o poder público deverá ter, agora, para divulgar os procedimentos técnicos para o início das ações necessárias às regularizações.

E por que não antes?
Pelo sim ou pelo não, e não é crítica, mas apenas uma constatação, Limeira começa a se transformar num canteiro de obras. Por todos os quadrantes do município há homens e máquinas trabalhando. O que é bom. Há, entretanto, uma reflexão importante a ser feita nesse sentido: o mínimo que se espera é que essas obras venham para ficar e não apenas para constar de peças publicitárias, sem serem concluídas.  

Sem coincidências...
Estou fazendo essa colocação, porque até agora, com raras exceções, não havia um padrão consistente da administração pública em gerir o Município. Era tudo jogado ao sabor do vento. Também é questão de competência. Que não seja jogo eleitoral.

Mosquito esperto
Depois da dengue, agora é a zika. E o culpado também é o Aedes aegypti. Ainda não há casos registrados em Limeira, mas a atenção é importante. Ainda desconhecido da maioria, esse novo vírus deve preocupar tanto quanto outro qualquer. E o combate à doença começa com o trabalho preventivo em possíveis criadouros do mosquito.

Prevenção e atenção
E por falar em dengue e as 16 mortes confirmadas até agora, a estancada nos casos, pelo menos aparente, é uma boa notícia. O que está vindo de confirmação são casos já notificados. Isso não significa, entretanto, que se deva baixar a guarda. É uma estupidez sem tamanho se isso ocorrer. Como a prevenção é o melhor caminho, tanto o poder público, quanto a população, não devem esmorecer.

O futuro como meta
Apesar da epidemia ocorrida neste ano e que desde janeiro assusta a população, a prefeitura e a Secretaria da Saúde não divulgaram nenhum plano para que isso não volte a ocorrer nessa proporção no próximo ano e que possa evitar uma nova epidemia. Pelo menos pouco se fala – ou falou – sobre isso até agora. Se a informação e a conscientização são os melhores caminhos, está na hora de começar.

Pesquisa necessária
Após o anúncio do aumento no preço da tarifa de água, o limeirense deve se preocupar com mais um, que está no gatilho. Trata-se do pedido de reajuste da passagem do transporte coletivo urbano, conforme esta Gazeta mostrou na última quarta-feira. A questão não é tanto o aumento em si, mas a qualidade do serviço em Limeira. Apesar dos subsídios e tudo o mais. Basta perguntar ao usuário se ele está satisfeito.

É de vento em popa
O anúncio do início das obras de construção da fábrica da Mercedes-Benz, em Iracemápolis, é uma ótima notícia, não só para o município, mas para toda a região. Se a montadora cumprir, de fato, com o que está prometendo, Limeira também receberá os impactos positivos desses investimentos.

Foi sem ter chegado
Muito diferente, por exemplo, do pomposo anúncio feito pela Samsung, lá no governo de Sílvio Félix (PDT), que não teve resultado prático algum. Prometiam-se mundos e fundos e o que restou foi apenas uma área terraplenada e que até hoje suscita dúvidas sobre sua veracidade. Os milhares de empregos e os altos investimentos foram um sonho passageiro. E o mais triste de tudo isso é que ninguém sabe de nada; não viu nada e fica tudo por isso mesmo. Um dia, quem sabe.

Mistérios. Mistérios
E faz muito tempo que Limeira não tem uma grande notícia em investimentos industriais. De grande porte, mesmo. Como Piracicaba, com a Hyundai; Iracemápolis, com a Mercedes e Itirapina com a Honda. Há algo de muito podre no berço da citricultura nacional, que não faz sentido. O Município tem a melhor localização geográfica possível, malha viária com as principais rodovias do estado, saneamento de qualidade, mas falta alguma coisa. Está na hora de descobrir.

As verdades ocultas
Na realidade há muitas lendas sobre esse assunto, que remontam à década de 1970. De obstruções de setores empresariais, que não queriam concorrência e nem disputa por profissionais, que representasse possíveis melhorias salariais. Lendas que se transformaram em histórias reais.

Pergunta rápida
O que, de fato, atravancou um desenvolvimento mais acentuado de Limeira.

Desabafo necessário
A educação parece prioridade zero neste País. Depois do anúncio da falta de dinheiro para continuar bancando o Fies e da triplicação do fundo partidário, ficamos de fato no escuro. Nos estados, como São Paulo e Paraná, por exemplo, os governos tratam professores com o maior desprezo possível. Usando de violência física e psicológica. E mentem nas questões salariais, incorporando bônus aos ganhos salariais. As universidades estaduais paulistas estão à míngua e não há luz no fim do túnel. O que há é um verdadeiro descaso. Infelizmente ambos os lados têm defensores. Infelizes.

Nota curtíssima
Não é possível defender a ética e a transparência, quando se esconde atrás de máscaras.

Frase da semana
“Não tem ninguém mais ferido do que eu”. Do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), sobre a ação da PM contra os professores, durante manifestação em Curitiba. Na Folha de S. Paulo – Poder. Sexta-feira, 8.