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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Sem analgésico
Mesmo que tardias – e isso já comentei em outras oportunidades – as medidas adotadas pela Prefeitura no sentido do uso consciente da água parece que têm alcançado os resultados esperados. Apesar de tudo, o bolso ainda continua sendo o órgão mais frágil do ser humano. É só mexer nele que dói.

É só fiscalizar...
Exemplo interessante: o número de lava-rápidos que a Prefeitura fechou por irregularidades. Inclusive falta de documentação. Eis a prova ,mais que comprovada, de que ainda há deficiência na fiscalização municipal. Ou vistas grossas mesmo?

Perdeu o medo
O “racionamento” velado em São Paulo continua. E é fácil comprovar. O que mudou da pré-eleição para hoje é que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) não está desmentindo mais os números.

Nuvens pesadas
Previsão, como dizem os meteorologistas, é previsão. Com possibilidades de acertos e erros. Está na hora de acertar mais quando há indícios de chuva. Protelar sempre para o próximo final de semana esgota qualquer paciência.

Ecos da eleição
O resultado da eleição presidencial continua rendendo discussões. Nas redes sociais, pelo menos, a “xenofobia caseira” deu um arrego. Triste mesmo foi ver demonstrações de preconceito, intolerância e ódio partirem de pessoas com alto nível de escolaridade e conhecimento. Decepção com muita gente.

Números reais
A matemática é a melhor resposta. Só para mostrar aos mais “xenófobos”. Toda a região Nordeste rendeu, para Dilma Rousseff (PT), 18.975.063 votos, e as regiões Sul e Sudeste, 26.627.802 votos. Minha calculadora fez esse registro.

A última de hoje
Às vezes é preciso rever certos conceitos. Para que não se transformem em preconceitos. Do resto, todos nós conhecemos os detalhes. Só é preciso admitir.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Resumo da eleição: as lições que ficaram

Neste artigo de hoje vou meio que plagiar o tema descritivo do Prêmio Gazeta de Literatura, recém-encerrado, apenas trocando uma palavrinha: em vez de Copa, eleição. Embora muitos ainda acreditem que andam juntas, não foi o que se viu na campanha eleitoral deste 2014, ano também em que, nos meses de junho e julho, o País sediou o Mundial de futebol da Fifa. Se sobraram lições da Copa, muito bem exploradas por todos os participantes em suas redações e, de forma consciente, expostas à comunidade estudantil, produzindo reflexões interessantes para quem julgou os trabalhos, não foi diferente com as eleições. O pleito, que teve seu ápice no último domingo, com a recondução da petista Dilma Rousseff – com vitória apertadíssima sobre o tucano Aécio Neves – para mais quatro anos frente ao Palácio do Planalto, também deixou muitas lições. E em todos os sentidos. Vou citar duas. Do como fazer política, e do como não fazer também. E se fôssemos destacar esses dois caminhos, o “não fazer” ganharia estourado, sem margem de erro para mais ou para menos. Foi, infelizmente, o escolhido pelos dois candidatos, Aécio e Dilma, desde o primeiro turno, apenas com uma paradinha básica para desconstruir a socialista Marina Silva, que cresceu nas pesquisas e assustou a ambos. Isso, entretanto, faz parte de uma história recente, que mais à frente será muito discutida sobre todos os vieses que produziu.
“Campanha agressiva”, exclamou a candidata à reeleição, ao votar em Porto Alegre. “Campanha sórdida”, da mesma forma, expressou seu adversário, em Belo Horizonte. Um reconhecimento ao baixo nível dos ataques e contra-ataques um pouco tardio (um mea-culpa dos dois candidatos, talvez), que poderia ter sido evitado através de um debate propositivo e não de beligerância declarada. Como foi. Primeira lição fácil de aprender, mas que parece não entrar nas cabeças daqueles que querem manter, como também daqueles que querem reconquistar, o poder. Como se o mais importante fosse justamente garantir esse status (que ficou bem claro, principalmente pelo lado do PT) e demonstrado também pelo PSDB. E, nesse caso, a imprensa cumpriu de forma brilhante o seu papel ao mostrar diariamente esse clima de “guerra”, que se espera, agora, volte à civilidade através de atitudes sensatas dos dois grupos que polarizaram na reta final.
A segunda lição, de tão velha e surrada discussão, entendo ser a mais importante e que deve nortear as condutas daqui para frente: uma reforma política imediata, tão prometida quanto esquecida nas gavetas dos gabinetes palacianos, que possa devolver a credibilidade aos agentes públicos com cargos eletivos. Qualquer outro debate que não seja esse, significa dizer que está bom para todos os envolvidos e, então, até daqui a quatro anos. Essa sim, uma lição difícil, mas não impossível de ser ensinada e aprendida. A política partidária não pode ser pretexto para romper amizades e tampouco estimular o preconceito, o ódio e a intolerância. Um voto vale um voto. Não importa se do Sul, ou do Norte, do Sudeste, do Nordeste ou do Centro-Oeste. O livre arbítrio garante essa matemática. Ensinado está, resta fazer a lição de casa de forma correta.   

domingo, 26 de outubro de 2014

Ação do poder público e consciência popular

Com as primeiras medidas anunciadas pelo prefeito Paulo Hadich (PSB), no último dia 17, pela sua conta particular no Facebook e pela imprensa no dia seguinte, sobre a crise hídrica e os primeiros decretos assinados no início da semana que passou, assume-se a gravidade que a situação realmente exige. Depois de todas as tentativas de garantir a “normalidade” a qualquer custo, e que não seriam necessárias ações mais contundentes, o poder público toma para si o controle da situação. Talvez com certo atraso, mas a tempo de rever conceitos e chamar a população a participar, de fato, nas decisões sobre economia e uso racional da água e busca por soluções que possam evitar o desabastecimento. Mesmo com toda a eficiência do mundo, a concessionária Odebrecht Ambiental também precisou se enquadrar e optar pela reserva técnica. Agora é preciso que o cidadão cumpra também o seu papel, de forma consciente e como o momento exige. O futuro não está tão longe assim, e o risco de um racionamento não pode ser descartado. Acertou o prefeito na receita, e se espera que todos sigam as indicações, para que não venhamos a ter efeitos colaterais danosos.

Uma luta de todos
Além de envolver a população nessa cruzada para que a escassez de água não seja tão sentida, o Município começa a chamar segmentos empresariais e lideranças locais à luta, impondo-lhes regras pontuais. E assim é preciso agir. Afinal, se minha torneira secar, com a do meu vizinho também acontecerá a mesma coisa. E se o uso for racional e equilibrado, todos poderemos usufruir dos bons resultados.

Egoísmo nefasssto
Apesar disso, ainda se percebe que nem todos acreditam na extrema gravidade que o momento nos apresenta. Que essa condição climática atípica possa, de fato, trazer algum tipo de efeito indesejado. Vale lembrar que já estamos vivendo sob esses efeitos, e que podem ser ainda mais drásticos, caso não compartilhemos dessas ações. Somos nós, humanos, nossos piores inimigos. Egoístas por natureza.

Mão no bolso dói
Embora defensor de um racionamento, mesmo que em pequenas doses, sou obrigado a concordar que a mão no bolso do contribuinte também vai doer, caso haja descumprimento das medidas contidas no decreto municipal. E deve ser uma investida rigorosa mesmo. Para que isso ocorra, entretanto, será preciso a ajuda dos limeirenses, com as devidas denúncias na presença de desperdício.

O fato e a notícia
E essas denúncias vêm acontecendo, porém, há um dado novo mostrado por esta Gazeta, em manchete da última sexta-feira: o aumento no consumo de água em Limeira, a partir do anúncio das medidas restritivas. A Odebrecht Ambiental registrou 8% de acréscimo no consumo de água, o que pode provocar medidas mais drásticas, como o racionamento, assumido agora pela própria concessionária.

Questão de saúde
A impressão que esse novo dado nos mostra é que já há gente armazenando água, daí o consumo mais elevado registrado nos últimos dias. E isso, muito mais que uma atitude egoísta, é perigosa. O armazenamento de forma indevida pode piorar a qualidade da água e, se em recipientes mal fechados, pode acelerar o processo de criação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. Esse é um risco sério, caso seja comprovado essa atitude de parte da população, preocupada com a falta de água.

Todos pela água
Mais uma vez, é o apelo ao uso consciente e racional da água que deve mover as ações da população neste momento. Neste caso, o poder público e a concessionária que opera o serviço de captação, tratamento e distribuição estão fazendo a sua parte – de forma bem feita, diga-se – e cabe ao cidadão fazer a sua. Nunca é tarde lembrar que são as ações do próprio homem as responsáveis pela situação que vivemos hoje.

E que chova logo
Há uma expectativa de que a chuva chegue o mais rápido possível. As previsões apontam para isso. Mesmo assim, e isso é importante destacar, a recuperação dos mananciais será demorada. E o mínimo que façamos já é uma contribuição.

É a hora do voto
Se a chuva está chegando, a hora do voto já chegou. Hoje todos nós, brasileiros, cidadãos e eleitores, estaremos voltando às urnas para decidir quem será o próximo presidente da República. Se teremos uma reeleita ou um eleito. Em alguns Estados, governadores também. Mais que uma simples ação de escolher entre um e outro - ou nenhum dos dois – e preciso pensar no que temos hoje e no que queremos para o depois. Analisar as propostas (que foram poucas, de ambos os lados) e ter a percepção de quem está melhor preparado ou até mesmo tem mais poder político para enfrentar os próximos anos, que prometem ser difíceis. E isso seja quem for o escolhido. O fato é que mais uma vez ficou a polarização entre duas correntes, que se repete há 20 anos. As lideranças envelheceram, mas ainda são a preferência do eleitorado.

Quase plebiscito
Muito se fala, e as críticas sobre essa polarização entre PT e PSDB são contundentes. O que não se tem, entretanto, é uma força capaz, ainda, de enfrentar essa situação e mostrar que é preciso mudar. Quem sabe em 2018. Por enquanto, a escolha é essa.

Sem derrotados
Hoje, quase 144 milhões de eleitores devem sacramentar o destino político da nação para os próximos quatro anos. E que o resultado, independentemente de quem favorecer, seja respeitado e aplaudido por todos. Afinal, numa democracia, é a maioria que vence.

O “não”, de novo
Outro reflexo aguardado no pós-eleição é o que diz respeito à crise hídrica no Estado de São Paulo. Não é questão de ser repetitivo, mas de chamar à realidade os envolvidos no problema, em especial o governador reeleito – e com larga margem - Geraldo Alckmin (PSDB). Infelizmente sua atuação, até aqui, tem sido um desastre e de uma irresponsabilidade memoráveis. Suas repetidas negações dessa crise, e seu discurso e preocupação em desmentir os técnicos envolvidos no assunto, são lastimáveis. Não dá para entender tamanha obsessão em negar o óbvio. Mesmo com tudo e todos – inclusive a Sabesp, que opera o sistema de água – mostrando que a situação é crítica. Nem mesmo a disputa eleitoral é motivo para isso. A própria Sabesp reconheceu ingerência política.

Pergunta rápida
Será que amanhã o governador Geraldo Alckmin decreta racionamento de água?

E de volta à casa

Amanhã deve ser um dia conturbado na Câmara de Limeira. Entre os assuntos a serem discutidos, uma bomba prestes a explodir: a situação do vereador André Henrique da Silva (PMDB), o Tigrão, e a instalação de uma possível comissão, que pode apenas advertir, suspender temporariamente e até mesmo cassá-lo, devido às suas indiscrições e ações intempestivas. Uma verdadeira “sinuca de bico” para todos os integrantes da Casa. E pelos interesses políticos que representa à própria divisão de poder, uma vez que hoje ele faz parte da bancada governista e seu suplente imediato, Bruno Bortolan (PMDB), deve acompanhar a oposição. Promete.

Nota curtíssima
Como nos mostra a sabedoria popular: se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.

Frase da semana
“Não retiro nada do que falei”. Catarina Albuquerque, relatora da ONU sobre a crise da água, que foi criticada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), após cobrar investimentos para o setor. Na Folha de S. Paulo. Sexta-feira, 23.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Louvor ao talento
Emocionante a festa de entrega do Prêmio Gazeta de Literatura 2014, aos vencedores do concurso, que chega à sua 24ª edição. Mais que os 45 finalistas e nove vencedores, vale lembrar que todas as 600 redações pré-selecionadas são vencedoras. Uma festa que premia o conhecimento e a competência dos mestres que acompanharam seus alunos.

Detalhe animador
O que me chamou a atenção e mais me emocionou foi a juventude e a garra dos educadores, que traziam o orgulho estampado no rosto, a cada presença no palco da premiação. Talentos que precisam ser valorizados também.

Investir e garantir
A educação, sobre a qual tanto falam os candidatos em campanhas eleitorais, mas quando eleitos têm crises permanentes de amnésia, é o verdadeiro pilar da democracia, do crescimento humano e do desenvolvimento social e econômico de um povo. O Estado tem obrigação de valorizar seus professores com salários melhores, estruturas adequadas e principalmente  segurança, para que possam exercer esse sacerdócio.

A negação doentia
Ainda estou à procura de uma explicação lógica, convincente e corajosa sobre o porquê de o governador reeleito, Geraldo Alckmin (PSDB), continuar negando a crise hídrica, contrariando o que, infelizmente, é uma realidade. Se for apenas uma questão política, como penso que é, trata-se da maior covardia de um governante com seu povo.

E na pauta do dia
É impressionante o que tem de administrador público tentando pautar a imprensa através de redes sociais. Às vezes se recusam a falar com jornalistas para, em seguida, postar a informação pedida em suas contas particulares. O Facebook que o diga... 
 
A última de hoje
O vereador André Henrique da Silva (PMDB), o Tigrão, agora está recorrendo aos céus para não perder o cargo. Anteontem ele ligou no Programa Robson Cabrini, identificou-se e pediu uma oração, muito comum aos ouvintes do programa. Motivo da oração: manter seu mandato, que está correndo risco. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Crise hídrica. Facebook e contradições



As redações dos meios de comunicação limeirenses foram tomadas de surpresa com uma postagem do prefeito Paulo Hadich (PSB) em sua conta particular no Facebook, no início da noite de sexta-feira, 17. Não fosse a gravidade da notícia e a necessidade premente em torná-la pública de forma mais efetiva, passaria despercebida da curiosidade jornalística e se tornaria mais uma amenidade na rede. Sem consequências. O fato é que a informação postada, mais que um anúncio oficial, mas de forma extraoficial, afetaria – como afetará – toda a população limeirense. E de forma drástica. Tratava-se de uma confirmação do que todos já esperavam, mas ninguém ainda tivera coragem de assumir: um provável - e já tardio -  racionamento de água, devido à longa estiagem e à baixa vazão dos mananciais que abastecem o Município. E, apesar da excelência dos serviços prestados pela concessionária Odebrecht Ambiental, nada credencia Limeira como um oásis de tranquilidade.
A vazão do rio Jaguari diminuiu ainda mais. Se não chover até o início da próxima semana, começaremos a usar a reserva técnica. E, nesse caso, teremos que decretar o racionamento”, escreveu Hadich na sexta-feira. E o mais curioso é que esse anúncio extemporâneo corroborava uma crítica que fiz na coluna Texto&Contexto na Gazeta da última quinta-feira, 16, e que foi contestada pela concessionária, porém, não de forma pública, que queria entender o que eu tinha comentado num minúsculo tópico de quatro linhas (Um pote vazio). Acho que não preciso mais explicar o significado do que escrevi. Estava explícito no “post” do prefeito e, posteriormente, oficializado em reunião emergencial que ocorreu no último sábado entre todos os envolvidos nesse processo. Prefeitura, SAAE e a própria Odebrecht.
As questões técnicas e limitações do sistema hoje são tão importantes quanto as medidas práticas que  já estão sendo tomadas. E devem mesmo ser adotadas, e com a urgência que a gravidade do problema requer. O que eu gostaria de chamar a atenção, entretanto, é sobre a forma encontrada para divulgar um fato tão contundente e que diz respeito à população de todo um município. Uma conta particular em rede social na internet. Nada contra o uso das redes sociais (Facebook e Twitter, entre as mais utilizadas), para promover a informação. Sou um entusiasta ferrenho das redes. E defensor dessas ferramentas, mesmo porque não há mais como negar a sua importância na comunicação social. Nada contra o direito de um homem público em cargo eletivo se valer disso para expor suas ideias e delas fazer uso para informar toda a comunidade que está afeta à sua atuação. É um dever de ofício. Apenas que, nesse caso, a notícia mereceria muito mais do que algumas palavras no Facebook. Deveria vir em forma de comunicado oficial, devidamente distribuído pela Prefeitura aos meios de comunicação, para que mais pessoas tivessem acesso, via noticiário na mídia impressa e eletrônica, para ampliar o alcance da informação. Ante as contradições até aqui expostas, Hadich acaba de assinar o decreto restringindo o uso de água que caracterize desperdício. Por que não o racionamento imediato? O momento exige uma ação drástica.

domingo, 19 de outubro de 2014

Promessa sem compromisso. Falta de conteúdo

Mais uma semana se fecha e se abre a última, antes do segundo turno da eleição presidencial. E em dez dias de propaganda eleitoral gratuita, entre a presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, e o candidato tucano (que quer tomar o Palácio do Planalto de volta para o PSDB), o senador mineiro Aécio Neves, ninguém conhece o programa de governo de nenhum dos dois. Além das acusações – e defesas – de ambos os lados, com Petrobras daqui, aeroporto de Cláudio dali, defesa de uma ética que só os dois mesmos conhecem, mas dão de costas para ela, o que mais imperou foi o “eu vou fazer”, “eu vou mudar”, “eu vou continuar” e etc., mas sem falar como conseguirão levar adiante tanta promessa sem compromisso. A briga pela manutenção e retomada do poder são os únicos discursos que o tucano e a petista desfilam pelas telas das TVs e alardeiam pelas emissoras de rádio. O resto é vácuo. Somente isso pode explicar os números das duas primeiras pesquisas eleitorais, tanto do Datafolha como do Ibope, em que ambos aparecem em empate técnico, pela margem de erro. Aécio está dois pontos numericamente à frente de Dilma.

Expectativa fria
Com a virada histórica do tucano no primeiro turno, exaltada em opiniões e análises, era de se esperar um arranque maior de Aécio entre uma pesquisa e outra, pelo próprio momento que o País atravessa. O que não aconteceu. E está, aliás, provocando um silêncio estranho entre seus partidários, que não estão comemorando nem mesmo pelas redes sociais. Aliás, a bola baixou para os dois lados.

Ponto por ponto
Esses números, pelo contrário, acentuam uma divisão sem precedentes nas campanhas eleitorais, desde que as eleições diretas foram retomadas. Até 2010 havia folga entre primeiro e segundo colocados. Parece que todos prenderam a respiração, à espera do próximo dia 26. E ninguém sabe quem vai gritar mais alto assim que os dados da última urna forem descarregados. Daí o silêncio desses dias.

FHC errou feio
A divisão está quase sacramentada. E não é entre classes sociais (ricos e pobres, como querem fazer valer nas peças publicitárias), regiões do País, e níveis de escolaridade. Atinge a todos indistintamente. O preconceito, que tratei nesta mesmo coluna no último domingo, está apenas na cabeça de alguns. E esses nem merecem atenção. E não é ele quem está proporcionando essa divisão. É a política partidária.

Os indecisos fiéis
Será, salvo acontecimento extraordinário que desestabilize qualquer uma das candidaturas, uma eleição decidida no dia. Os 6% de indecisos detectados na pesquisa Datafolha serão os responsáveis para apontar quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos a partir de 2015. E pelas viradas ocorridas no primeiro turno, não captadas pelas próprias pesquisas, exercício de futurologia, nem pensar.

Reflexos por aqui
Para o Município, ganhe Dilma ou Aécio, a perspectiva é de pouca mudança. Não vou dizer “nenhuma” mudança, pois Limeira conseguiu eleger seu próprio deputado federal: Miguel Lombardi (PR). Também não dá para jogar toda a responsabilidade sobre sua atuação na Câmara Federal, pois, como colegiado, a Casa tem outros 512 mais, também ávidos por conquistar ganhos para seu reduto eleitoral.

O lado de Miguel
Ao iniciar a nova Legislatura, em janeiro do ano que vem, é preciso ver para que lado vai Lombardi. Se vai compor com a bancada da situação – e neste caso não importa o vencedor do pleito presidencial – ou vai estar na oposição. O mais provável, dada sua conduta na Câmara Municipal de sempre estar na bancada majoritária, é que ele venha compor com a ala governista. Isso se houver uma, com ampla maioria.

Guinada à direita
Sem perder o raciocínio sobre apoios políticos, o governo de Paulo Hadich (PSB) já sente a diferença com o atendimento do Estado, governado pelo PSDB, a Limeira. Sua adesão ao tucano Geraldo Alckmin, com direito a outdoor e tudo mais, reflete na vinda do Poupatempo – já em funcionamento – e do Bom Prato, cujas obras de reforma do prédio onde vai funcionar tiveram início. O engraçado – ou curioso – dessa situação é justamente ser de tucanos limeirenses os maiores e mais virulentos ataques à administração de Hadich. A explicação para isso pode ser entendida como inoperância do PSDB local, que pouco fez – ou faz – para conseguir benefícios a Limeira. Por óbvios motivos políticos. Carlos Sampaio foi bem votado em Limeira. Thame não foi eleito...

Adesão perigosa
Outra questão política: Hadich foi eleito tendo como vice o petista Lima, e amparado por uma bancada forte do PT. Se ele “tucanou” de fato, vai ser difícil a convivência. A docilidade do Legislativo está por um fio. Vêm aí dois anos difíceis para o socialista.

A missão literária
Estaremos todos juntos, na terça-feira, 21, para celebrar as letras e o desenvolvimento do senso crítico. Serão conhecidos, às 20h, no Teatro Vitória, os vencedores do 24º Prêmio Gazeta de Limeira de Literatura.

O poder ausente

O problema da agressão a professores da rede pública de ensino, lembrado por esta Gazeta na última quarta-feira, 15, justamente o Dia do Professor, está praticamente incontrolável. É a dignidade dos mestres que está em jogo. E a integridade física e mental daqueles que assumiram a difícil tarefa de ensinar – educação é responsabilidade da família – por vocação e pensando no desenvolvimento sociocultural de crianças, jovens e adolescentes. A questão é que os professores não têm o devido respaldo do poder público, que prefere negar ou relativizar o problema. Em alguns casos, nem mesmo a direção das escolas apoia e prefere esconder o problema, convencendo as vítimas a não procurarem a polícia. Ou até mesmo a imprensa.  O problema é grave.

Pergunta rápida
Qual é a real situação da crise hídrica no Estado de São Paulo?

Alta voltagem...
...e choque de interesses. O trocadilho é proposital. De um lado o prefeito Paulo Hadich, que insiste na cobrança da Contribuição para Iluminação Pública (CIP) e, do outro, a população e entidades classistas totalmente contrárias a mais esse tipo de imposto. Abaixo-assinados e movimentos de protesto estão sendo preparados pela oposição, que deverá ter adesão popular irrestrita. E amanhã deve chegar à Câmara o projeto que cria CIP e mais uma divisão à vista. Entre os próprios vereadores, como mostrou a Gazeta na última sexta-feira. Está praticamente meio a meio a intenção de votos para o projeto do Executivo. Até a base governista está rachada e há situacionistas convictos, sinalizando pela reprovação. Se a questão política pesar...

Nota curtíssima
No quesito agressão, há um rigoroso empate técnico entre Dilma e Aécio.

Frase da semana
“Presidencialismo é assim, é canelada. Mas acho que eles estão exagerando". Do governador Geraldo Alckmin (PSDB), sobre o debate entre Dilma e Aécio. Na Folha de S. Paulo, coluna Painel. Sexta-feira, 17.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Se fosse antes?
O relatório do corregedor da Câmara de Limeira, José Eduardo Monteiro Jr. (PSB), o Jú Negão, que apurou as últimas estripulias do vereador André Henrique do Santos (PMDB), o Tigrão, foi contundente. Embora com atraso de quase dois anos, desde a primeira “escapadinha” do vereador peemedebista com carro oficial.
 
Mão na cabeça
Até agora, e pela gravidade dos deslizes de Tigrão, a Câmara, tal qual mãe que acha graça nos “malfeitos” do filho mimado, apenas passou a mão na cabeça do vereador, corroborando para que os limites fossem ultrapassados. E até com frequência. Talvez lá atrás, uma reprimenda mais severa, tivesse estimulado o vereador a não escorregar mais.
 
Sem pizza, né?
Espera-se que o corporativismo do Legislativo não seja empecilho para atitudes mais drásticas. E que precisam ser tomadas. Afinal, é a própria reputação da Casa que está em jogo.
 
O bonde passou
O racha PT-PSB em Limeira chegou tarde demais. Pelo menos para o PT, que perdeu a oportunidade de se firmar como partido competitivo, ao aderir incondicionalmente ao governo municipal. Na Câmara, a defesa ferrenha de tudo o que o Poder Executivo queria acabou levando a sigla na mesma enxurrada de críticas. Foi do céu ao inferno em cada sim dos vereadores petistas, sem qualquer contestação e fiscalização aos atos da administração.
 
Um pote vazio
A crise hídrica paulista – paulista, sim, porque atinge todo o Estado – precisa ser assumida pelas autoridades públicas e pela iniciativa privada (no caso a Odebrecht Ambiental, em Limeira). A situação é crítica, e é irresponsavelmente perigoso negá-la ou afirmar que tudo está normal. 
 
A última de hoje
O PSDB tem a síndrome da negação. Negou, negou e negou enquanto pôde o risco de um apagão elétrico. Em 2001, no governo de FHC, ele veio e levou o candidato tucano à Presidência à derrota. Agora Alckmin nega, nega e nega a crise hídrica. Reeleito, apesar disso, ele continua negando. E o pior, de forma irresponsavelmente perigosa. E eleitoreira.