Lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos; qualquer descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade. Essa é a definição clássica da palavra utopia. Está lá no dicionário Houaiss da língua portuguesa e para nós mais um sonho - é o que nos movimenta - que nos dá o tempero e gosto pela vida, desde o momento em que acordamos para a consciência. Quem nunca foi um utópico por natureza, não pode ser considerado um ser humano. Cotidianamente a exercemos, a espera que ela se torne, de fato, um caminho sem volta. A Pasárgada - quem não se lembra de Manuel Bandeira - que todos nós desejamos. Por alguns momentos e sentimentos manifestados, esse caminho se abre à nossa frente. E lá estamos nós, novamente, a percorrê-lo. Como se fosse a primeira vez, mesmo sabendo sobre todas a pedras que iremos encontrar pela frente. E ficamos tristes, quando encontramos aqueles que resolveram se sentar, acomodados na sua própria descrença.
Caminhar, sempre
Mais que uma quimera, penso que alcançamos um pouco dessa utopia a cada ação que praticamos. E estamos vendo, hoje, que é possível chegar bem perto dela, quando muitos resolvem se levantar e, ao deixar o comodismo de lado, continuar na caminhada. Penso que esse despertar (e sonho com ele) não seja apenas mensageiro do vento, que dispersa o som rapidamente. Que venha o vendaval.
Levantar e andar
Estou definitivamente abandonando as teorias institucionalizadas - políticas e sociais - e retomando minha versão sonhadora, aquela que tive lá atrás, mas se perdeu um pouco nessa descrença, à qual me referi no início deste texto. No estar constantemente acordado por medo de sonhar. Enfim, o exemplo que agora nos chega, provocativo, mostra-nos que não dormíamos, mas estávamos mortos.
Uma nova aurora
A devida dimensão do que as ruas estão falando hoje, não dá para mensurar neste momento e a força que possui. Nem para se afirmar que o caminho está definitivamente aberto e sem obstáculos à frente. Mas está, sim, se abrindo, desde que a população continue gritando, para acordar outras consciências que precisam deixar essa falsa zona de conforto proporcionada pela acomodação. O barulho provocado pelos manifestos que chegaram por aqui também é saudável. E necessário. É preciso, entretanto, não confundir utopia com ufanismo.
E como deve ser
Como não se deve, também, e isso é importante lembrar sempre, que manifestação e contestação não são vandalismo nem depredação. Os rostos tingidos de verde e amarelo devem prevalecer sobre as máscaras da covardia.
Impunidade? Basta
Posto isso para acordar nossa consciência, vamos aos fatos relevantes da semana que passou. Além da contínua reeducação nos valores das passagens do transporte público urbano, que avança a estados e municípios brasileiros desde o início dos protestos, a PEC 37, aquela que tentava calar o Ministério Público ante a corrupção e aos desmandos de agentes públicos travestidos de líderes políticos, foi rejeitada. E, principalmente, pela abertura de um canal de negociação direta dos movimentos com os três níveis de governos. Há, ainda, incrédulos, que manejando teorias, ainda tentam, e insisto nisso, menosprezar essa onda que chegou.
Recado bem dado
O Senado Federal também começou a agilizar algumas matérias e fez aprovar, também na semana passada, outro projeto, agora o que transforma corrupção em crime hediondo. Ora, se isso é possível agora, por que não foi antes? A resposta é simples: o medo das ruas. Senadores, deputados, governadores e a presidente da República perceberam que há uma nova ordem, que emerge daqueles que são os verdadeiros donos de cada um desses mandatos eletivos: os cidadãos no uso de seus títulos eleitorais. As vozes das urnas são vitais para todos eles.
2014 está por vir
Se no último domingo, aqui mesmo neste espaço, eu comentava sobre os propósitos das manifestações impulsionadas pelo Movimento Passe Livre (MPL), de São Paulo, agora é hora de contabilizar algumas vitórias. Singulares, mas carregadas de simbolismos. Ainda é preciso muito mais, porém, acredito - e o mais importante: voltei a acreditar com o coração também - que o grande momento será o ano de 2014. Se essa insatisfação popular chegar às urnas, muita coisa estará de fato em transformação. Não falo em partidos, mas na qualidade dos políticos.
No devido lugar
Uma coisa, porém, é certa. A espontaneidade desses novos movimentos de rua deve, definitivamente, empurrar a direita para dentro dos quartéis. Mostrar que não há espaço e nem clima para aventuras dos homens do coturno e, também, de uma minoria radical, cujo discurso ficou lá em 1917 e não soube acompanhar a transformação da sociedade. O bem-estar social deve estar acima desses aventureiros, que não perceberam, ainda, que foram derrotados. Há muito tempo.
Pergunta rápida
Qual será o próximo passo da oposição em Limeira?
Ficou mais fraca
Com a confusão gerada na Câmara Municipal, após a rejeição de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Paulo Hadich (PSB), obrigando o presidente da Casa, vereador Ronei Martins (PT) a encerrar a sessão da última segunda-feira prematuramente, a oposição acabou por dar um tiro no pé. Afirmei, na coluna da última quinta-feira, que isso possibilitaria a convocação da militância pró-Ronei, contra o qual seria lida outra denúncia para abertura de CP, o que acabou acontecendo. O clima se inverteu e as manifestações a favor do vereador ganharam o auditório da Câmara. CP rejeitada por unanimidade. Já a oposição...
Nota curtíssima
Com exceção de alguns vereadores, Hadich agora só tem uma oposição - mas nem tanto - concreta: as redes sociais.
Um ensinamento
Após os eventos da última semana na Câmara, o prefeito Paulo Hadich precisa tirar uma lição que ficou bem clara para todos: o governo tem que agilizar suas ações e parar de usar a administração anterior como desculpa. A população clama por melhorias em todos os setores do município. Ele precisa dividir mais com a sociedade os seus pensamentos. Abrir sua administração e desencastelar alguns de seus secretários, ainda refratários à imprensa. E resolver os problemas internos.
Frase da semana
"Servi ao PR em 1º lugar, depois ao SAAE". Renê Soares, ex-presidente do SAAE, durante depoimento em CPI na Câmara, que investiga irregularidades na autarquia. Na Gazeta de Limeira. Ontem.
domingo, 30 de junho de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Reflexão oportuna
A Comissão Processante (CP) para avaliar uma possível cassação do prefeito Paulo Hadich (PSB) foi sepultada, com direito a pá de cal e tudo mais. Por 15 votos a cinco. O cheiro dessa história é de um oportunismo político desesperado. E tudo o que é oportunista não resiste por muito tempo.
Agora se confirma
Na coluna Texto&Contexto do último domingo, 23, escrevi a seguinte nota: "Minha impressão. Num dado momento, na Câmara, o movimento parecia ganhar contornos partidários. Dá para refletir". Nos protestos da última segunda-feira tive a certeza disso. Deixou de ser popular, para ganhar cores político-partidárias. Basta acompanhar as manifestações pelas redes sociais. Maioria com profundas e explícitas ligações a partidos.
Cuidado necessário
Hoje os vereadores se reúnem, novamente, para finalizar leitura e votar o pedido de CP contra o presidente da Casa, Ronei Martins (PT). Se os manifestantes tumultuarem a sessão, perdem a razão. Mesmo porque, o espaço foi aberto às manifestações públicas. E no confronto entre militâncias, a do PT é muito melhor preparada e mais afeita a tudo isso.
O autor e sua obra
Foi corajosa, porém ridícula demais a defesa da PEC 37, apresentada no Plenário da Câmara, pelo autor da proposta, o deputado maranhense - olha só, é da terra do Sarney - Lourival Mendes (PTdoB), na noite em que ela foi derrubada. Estranho mesmo foi o voto a favor da PEC, conhecida como a "da impunidade", do deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE), que sempre se apresentou como arauto da ética e feroz combatente da corrupção. Pois é, nem tudo o que falo faço.
Sentido figurado
Quando o ex-nada saudoso presidente, general João Batista de Oliveira Figueiredo, cunhou sua célebre frase "prefeiro o cheiro dos cavalos, ao cheiro do povo", na verdade ele estava querendo dizer que tinha medo do povo. E muito medo. O que se comprova hoje.
A última de hoje
A presidente Dilma Rousseff (PT) atropelou a tudo e a todos com a proposta sobre uma constituinte exclusiva. Mas que ela enquadrou aliados e oposição, enquadrou. Provocou ódio, e trouxe o debate e mais bate-cabeças. Só não sei se ela premeditou tudo isso, mas colocou muita gente correndo atrás.
A Comissão Processante (CP) para avaliar uma possível cassação do prefeito Paulo Hadich (PSB) foi sepultada, com direito a pá de cal e tudo mais. Por 15 votos a cinco. O cheiro dessa história é de um oportunismo político desesperado. E tudo o que é oportunista não resiste por muito tempo.
Agora se confirma
Na coluna Texto&Contexto do último domingo, 23, escrevi a seguinte nota: "Minha impressão. Num dado momento, na Câmara, o movimento parecia ganhar contornos partidários. Dá para refletir". Nos protestos da última segunda-feira tive a certeza disso. Deixou de ser popular, para ganhar cores político-partidárias. Basta acompanhar as manifestações pelas redes sociais. Maioria com profundas e explícitas ligações a partidos.
Cuidado necessário
Hoje os vereadores se reúnem, novamente, para finalizar leitura e votar o pedido de CP contra o presidente da Casa, Ronei Martins (PT). Se os manifestantes tumultuarem a sessão, perdem a razão. Mesmo porque, o espaço foi aberto às manifestações públicas. E no confronto entre militâncias, a do PT é muito melhor preparada e mais afeita a tudo isso.
O autor e sua obra
Foi corajosa, porém ridícula demais a defesa da PEC 37, apresentada no Plenário da Câmara, pelo autor da proposta, o deputado maranhense - olha só, é da terra do Sarney - Lourival Mendes (PTdoB), na noite em que ela foi derrubada. Estranho mesmo foi o voto a favor da PEC, conhecida como a "da impunidade", do deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE), que sempre se apresentou como arauto da ética e feroz combatente da corrupção. Pois é, nem tudo o que falo faço.
Sentido figurado
Quando o ex-nada saudoso presidente, general João Batista de Oliveira Figueiredo, cunhou sua célebre frase "prefeiro o cheiro dos cavalos, ao cheiro do povo", na verdade ele estava querendo dizer que tinha medo do povo. E muito medo. O que se comprova hoje.
A última de hoje
A presidente Dilma Rousseff (PT) atropelou a tudo e a todos com a proposta sobre uma constituinte exclusiva. Mas que ela enquadrou aliados e oposição, enquadrou. Provocou ódio, e trouxe o debate e mais bate-cabeças. Só não sei se ela premeditou tudo isso, mas colocou muita gente correndo atrás.
terça-feira, 25 de junho de 2013
As assombrosas malhas das redes sociais
Qualquer pescador sabe o que significa malha de rede. Para quem não é, como eu, uma explicação bastante simples: trata-se do espaço que fica - dos menores aos maiores - entre os fios trançados, para cada tamanho de peixe. As mais comuns são as de cerco, de arrasto e tarrafas. Cada uma com sua própria característica e utilização diferentes. O objetivo é sempre o mesmo, trazer das águas aos barcos o maior número de peixes possível, entre as espécies desejadas.
Das redes que dão sustento ao pescador e suas famílias às redes sociais, que hoje têm circulação livre no espaço virtual, através da internet, as diferenças são apenas pontuais. O objetivo é apenas um, reunir o maior número, e com qualidade (cada uma em sua própria seara) daquilo que se está procurando. Ao pescador os peixes e às redes sociais, o homem. Pelas redes sociais, a pescaria se dá por todas as suas formas convencionais até então conhecidas, a de cerco ou de arrasto e até mesmo na tarrafeada. E tal qual na pescaria pelos rios e mares, nem sempre o que se pega tem a necessária qualidade para o que se está desejando.
Uma analogia bastante apropriada neste momento, tendo como pano de fundo os últimos e históricos acontecimentos que se espalharam e se espalham por todo o Brasil: as manifestações de rua, pelas melhorias nas condições de vida da população, contra a corrupção e a política, como vem sendo feita hoje. É que foram as redes sociais, em especial o Facebook, que emalharam milhares de brasileiros, levando-os às ruas para soltar um grito até então preso à garganta, o da hora da mudança. Foi um arrastão virtual, que tirou crianças, jovens, adultos e até idosos do conforto de seus lares para dar um chega aos desmandos, que se generalizaram pelo País. E que assustou, e ainda assusta, a classe política brasileira. E deve continuar assustando por muito tempo, a ponto de muitos ainda tentarem, em seus interesses puramente político-partidários, menosprezarem tal força. Isso é uma outra história, que será contanda depois.
Assim como na pesca predatória, que tudo carrega, as redes sociais também também têm seus desvios, trazendo em suas malhas os enroscos de fundo de poço. Não há como evitar. A conclusão é obvia. A extensão e força dessas redes vão além de mares nunca dantes navegados. E de fácil mensuração. O movimento que por aqui também aportou, trouxe números extraordinários, como os anotados pelo Facebook desta Gazeta. Um crescimento de visualizações, a partir da cobertura dos protestos, desde seu início, de mais de mil por cento. Entre os dias 14 e 20 de junho (dia das manifestações e que teve pico nas visualizações) foram 70.778, chegando às 88.366 no último dia 22. Em postagens que chegaram quase às 20 mil visualizações e mais de 500 compartilhamentos, cada uma. Essa rede ainda vai pescar muita gente, quer queiram ou não aqueles que estavam, até então, desacostumados a questionamentos. E desta vez o sociólogo Fernando Henrique Cardoso errou: não foi uma ondinha, como ele declarou logo na primeira semana dos protestos. Foi um tsunami, que abalou a estrutura da política brasileia. Não há como negar.
Das redes que dão sustento ao pescador e suas famílias às redes sociais, que hoje têm circulação livre no espaço virtual, através da internet, as diferenças são apenas pontuais. O objetivo é apenas um, reunir o maior número, e com qualidade (cada uma em sua própria seara) daquilo que se está procurando. Ao pescador os peixes e às redes sociais, o homem. Pelas redes sociais, a pescaria se dá por todas as suas formas convencionais até então conhecidas, a de cerco ou de arrasto e até mesmo na tarrafeada. E tal qual na pescaria pelos rios e mares, nem sempre o que se pega tem a necessária qualidade para o que se está desejando.
Uma analogia bastante apropriada neste momento, tendo como pano de fundo os últimos e históricos acontecimentos que se espalharam e se espalham por todo o Brasil: as manifestações de rua, pelas melhorias nas condições de vida da população, contra a corrupção e a política, como vem sendo feita hoje. É que foram as redes sociais, em especial o Facebook, que emalharam milhares de brasileiros, levando-os às ruas para soltar um grito até então preso à garganta, o da hora da mudança. Foi um arrastão virtual, que tirou crianças, jovens, adultos e até idosos do conforto de seus lares para dar um chega aos desmandos, que se generalizaram pelo País. E que assustou, e ainda assusta, a classe política brasileira. E deve continuar assustando por muito tempo, a ponto de muitos ainda tentarem, em seus interesses puramente político-partidários, menosprezarem tal força. Isso é uma outra história, que será contanda depois.
Assim como na pesca predatória, que tudo carrega, as redes sociais também também têm seus desvios, trazendo em suas malhas os enroscos de fundo de poço. Não há como evitar. A conclusão é obvia. A extensão e força dessas redes vão além de mares nunca dantes navegados. E de fácil mensuração. O movimento que por aqui também aportou, trouxe números extraordinários, como os anotados pelo Facebook desta Gazeta. Um crescimento de visualizações, a partir da cobertura dos protestos, desde seu início, de mais de mil por cento. Entre os dias 14 e 20 de junho (dia das manifestações e que teve pico nas visualizações) foram 70.778, chegando às 88.366 no último dia 22. Em postagens que chegaram quase às 20 mil visualizações e mais de 500 compartilhamentos, cada uma. Essa rede ainda vai pescar muita gente, quer queiram ou não aqueles que estavam, até então, desacostumados a questionamentos. E desta vez o sociólogo Fernando Henrique Cardoso errou: não foi uma ondinha, como ele declarou logo na primeira semana dos protestos. Foi um tsunami, que abalou a estrutura da política brasileia. Não há como negar.
domingo, 23 de junho de 2013
Considerações sobre uma "revolta" popular
Nestas últimas duas semanas venho acompanhando as manifestações públicas, que começaram a ocorrer pelo Brasil. A semente lançada ao solo pelo Movimento Passe Livre (MPL), em SP, que reivindica isenção nas tarifas do transporte coletivo para estudantes, mas nesse primeiro momento lutava pela não aplicação dos aumentos anunciados, tanto para o Metrô como para os ônibus urbanos, se espalhou pelo País, transformando em reação o descontentamento da população com os desmandos das administrações públicas, desde o governo federal, passando pelos Estados até chegar aos municípios. A revolta contida, e até então adormecida, entre nós. Procurei, nesse período, ler opiniões e comentários - favoráveis e contrários também - para fortalecer meu próprio pensamento. Procurei deixar de lado estudos teóricos sobre lideranças e movimentos sociais, justamente para não comprometer esse raciocínio e não torná-lo formal. E foi justamente essa falta de formalidade - melhor definindo, espontaneidade - que me atraiu desde o início. Há, entretando, um risco sério nesses movimentos, que é a infiltração indevida.
O novo movimento
Diferentemente do movimento Diretas Já, ocorrido entre 1983 e 1984, ainda na vigência de uma agonizante ditadura militar, e das manifestações pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, com a saída às ruas dos "Cara Pintadas", ambos com lideranças formais e políticas, a base desse recente processo é espontânea. Sem uma referência específica, de cunho personalista.
O caminho se abriu
Não há como negar que é difícil manter um movimento dessa natureza sob controle. Principalmente por seu caráter "apartidário", que pode ser um porta de entrada para oportunistas, principalmente da direita radical, do fascismo oculto nas bandeiras brasileiras que levam amarradas às costas. Um ação típica de um nacionalismo confuso, mas que neste momento também não interessa a ninguém.
Pensamento linear
Muitos teóricos, e com fortes componentes político-partidários, defendem que a ausência dessa liderança formal comprometerá os próximos passos desse movimento, pois acaba tornando difícil a interlocução com outros segmentos envolvidos e sua própria estrutura física. E pode provocar dispersão, na busca por novos objetivos. É possível, sim, tal arrefecimento. Principalmente se o movimento partir para o descontrole, como buscar novas bandeiras de luta de forma aleatória. Por isso, é preciso cuidado e atenção aos próximos passos.
Partidos ainda não
A negação e o desprezo com partidos podem indicar forte componente extremista, que foge das características de movimento popular e podem terminar em outras vertentes indesejáveis. Os partidos precisam mudar.
Explicação simples
Iguais em formação, pela preponderância de intelectuais e políticos afeitos ao pensamento ideológico, PSDB e PT - ou vice-versa - deixaram de ser adversários para se tornar inimigos. E inimigos fazem guerra. Adversários conversam. Estão preocupados apenas com a manutenção do status de poder, pelo qual ambos tentam a manutenção dos centros que governam e, preferencialmente, avançando sobre as trincheiras do outro. É justamente isso que enfraquece a estrutura partidária e faz com que o caminho fique aberto a certas aventuras políticas, indesejáveis no atual momento do País. E os aventureiros não faltam. Estão por aí, em qualquer lugar.
Cansaço; descrença
Pela lógica dos manifestantes, e isso é o que tenho sentido nesses últimos dias, ao evitar essa via, eles estão minando as forças partidárias e também políticas de governantes e legisladores. Uma forma de impor respeito e, daí para a frente, chamá-los ao diálogo. O desejo é desarmar essas forças institucionais, não para derrubá-las, mas para que possam conversar sem o objetivo de tomar para si o comando desses movimentos. Acredito que nem PSDB, PT, ou outros partidos mais ideológicos desejem isso agora. Por isso é a hora da mudança.
A insatisfação geral
Movidos até por propósitos e objetivos diferentes, o que caracteriza a espontaneidade desses movimentos, os protestos se alastraram e, aos poucos, vão tomando conta de muitos municípios. Em Limeira a mobilização reuniu milhares de pessoas e foi uma das mais pacíficas registradas até agora, nas várias regiões do País. Pequenas e esporádicas ações, movidas pela estupidez de poucos, não foram suficientes para estragar essa verdadeira festa da cidadania. Que começou pacífica e terminou da mesma forma, nas dependências da Câmara Municipal.
Sem partidarização
Uma ou outra tentativa de partidarizar os protestos, pelas redes sociais, não foram bem-sucedidas. O que não dá o direito a ninguém de proibir que esses militantes participem também. Uma ruptura na ordem democrática, agora, só tende a favorecer justamente a radicalização. Aquela que vai mascarada, depreda, não tem apreço às opiniões contrárias ou pretende descaracterizar a natureza dos protestos. Correntes conservadoras, que fazem do Hino Nacional apenas um escudo.
Pergunta rápida
Por que os organizadores do movimento não querem falar com a imprensa?
Silêncio barulhento
Uma coisa, porém, é certa. Todas essas manifestações que estão se espalhando rapidamente País afora, começam a causar incômodo aos agentes políticos, que têm procurado, na maioria da vezes, a via da omissão ou da fuga. Aqui em Limeira, por exemplo, a Prefeitura dispensou seus funcionários por volta das 16h e fechou suas portas. A única comunicação foi de que o Jornal Oficial do Município não circularia no dia seguinte (última sexta-feira, portanto). O prefeito Paulo Hadich (PSB) não emitiu nenhuma nota ou comentário que pudesse dar um indicativo de suas ações. Em algum momento, entretanto, tais agentes terão que assumir uma posição definida.
Nota curtíssima
Minha impressão. Num dado momento, na Câmara, o movimento parecia ganhar contornos partidários. Dá para refletir.
E no cara a cara...
... o presidente da Câmara, vereador Ronei Martins (PT) merece ser elogiado. Apesar de toda a hostilidade contra ele e os demais vereadores, se postou à frente do plenário e, com os demais sentados nas escadas, procurou o diálogo. E não permitiu a intervenção e nem ameaçou os manifestantes de retirada do local, como foi muito comum por aqui. A postura dos demais vereadores também não pode ser ingorada e entendida como sinal de diálogo. Aguardemos o próximo capítulo.
Frase da semana
"Temos que sair às ruas, só assim mudamos este país". De mulher, que estava acompanhada do marido e participava dos manifestos com uma camiseta contra a PEC 37. Na sexta-feira, 21. Na Gazeta de Limeira.
O novo movimento
Diferentemente do movimento Diretas Já, ocorrido entre 1983 e 1984, ainda na vigência de uma agonizante ditadura militar, e das manifestações pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, com a saída às ruas dos "Cara Pintadas", ambos com lideranças formais e políticas, a base desse recente processo é espontânea. Sem uma referência específica, de cunho personalista.
O caminho se abriu
Não há como negar que é difícil manter um movimento dessa natureza sob controle. Principalmente por seu caráter "apartidário", que pode ser um porta de entrada para oportunistas, principalmente da direita radical, do fascismo oculto nas bandeiras brasileiras que levam amarradas às costas. Um ação típica de um nacionalismo confuso, mas que neste momento também não interessa a ninguém.
Pensamento linear
Muitos teóricos, e com fortes componentes político-partidários, defendem que a ausência dessa liderança formal comprometerá os próximos passos desse movimento, pois acaba tornando difícil a interlocução com outros segmentos envolvidos e sua própria estrutura física. E pode provocar dispersão, na busca por novos objetivos. É possível, sim, tal arrefecimento. Principalmente se o movimento partir para o descontrole, como buscar novas bandeiras de luta de forma aleatória. Por isso, é preciso cuidado e atenção aos próximos passos.
Partidos ainda não
A negação e o desprezo com partidos podem indicar forte componente extremista, que foge das características de movimento popular e podem terminar em outras vertentes indesejáveis. Os partidos precisam mudar.
Explicação simples
Iguais em formação, pela preponderância de intelectuais e políticos afeitos ao pensamento ideológico, PSDB e PT - ou vice-versa - deixaram de ser adversários para se tornar inimigos. E inimigos fazem guerra. Adversários conversam. Estão preocupados apenas com a manutenção do status de poder, pelo qual ambos tentam a manutenção dos centros que governam e, preferencialmente, avançando sobre as trincheiras do outro. É justamente isso que enfraquece a estrutura partidária e faz com que o caminho fique aberto a certas aventuras políticas, indesejáveis no atual momento do País. E os aventureiros não faltam. Estão por aí, em qualquer lugar.
Cansaço; descrença
Pela lógica dos manifestantes, e isso é o que tenho sentido nesses últimos dias, ao evitar essa via, eles estão minando as forças partidárias e também políticas de governantes e legisladores. Uma forma de impor respeito e, daí para a frente, chamá-los ao diálogo. O desejo é desarmar essas forças institucionais, não para derrubá-las, mas para que possam conversar sem o objetivo de tomar para si o comando desses movimentos. Acredito que nem PSDB, PT, ou outros partidos mais ideológicos desejem isso agora. Por isso é a hora da mudança.
A insatisfação geral
Movidos até por propósitos e objetivos diferentes, o que caracteriza a espontaneidade desses movimentos, os protestos se alastraram e, aos poucos, vão tomando conta de muitos municípios. Em Limeira a mobilização reuniu milhares de pessoas e foi uma das mais pacíficas registradas até agora, nas várias regiões do País. Pequenas e esporádicas ações, movidas pela estupidez de poucos, não foram suficientes para estragar essa verdadeira festa da cidadania. Que começou pacífica e terminou da mesma forma, nas dependências da Câmara Municipal.
Sem partidarização
Uma ou outra tentativa de partidarizar os protestos, pelas redes sociais, não foram bem-sucedidas. O que não dá o direito a ninguém de proibir que esses militantes participem também. Uma ruptura na ordem democrática, agora, só tende a favorecer justamente a radicalização. Aquela que vai mascarada, depreda, não tem apreço às opiniões contrárias ou pretende descaracterizar a natureza dos protestos. Correntes conservadoras, que fazem do Hino Nacional apenas um escudo.
Pergunta rápida
Por que os organizadores do movimento não querem falar com a imprensa?
Silêncio barulhento
Uma coisa, porém, é certa. Todas essas manifestações que estão se espalhando rapidamente País afora, começam a causar incômodo aos agentes políticos, que têm procurado, na maioria da vezes, a via da omissão ou da fuga. Aqui em Limeira, por exemplo, a Prefeitura dispensou seus funcionários por volta das 16h e fechou suas portas. A única comunicação foi de que o Jornal Oficial do Município não circularia no dia seguinte (última sexta-feira, portanto). O prefeito Paulo Hadich (PSB) não emitiu nenhuma nota ou comentário que pudesse dar um indicativo de suas ações. Em algum momento, entretanto, tais agentes terão que assumir uma posição definida.
Nota curtíssima
Minha impressão. Num dado momento, na Câmara, o movimento parecia ganhar contornos partidários. Dá para refletir.
E no cara a cara...
... o presidente da Câmara, vereador Ronei Martins (PT) merece ser elogiado. Apesar de toda a hostilidade contra ele e os demais vereadores, se postou à frente do plenário e, com os demais sentados nas escadas, procurou o diálogo. E não permitiu a intervenção e nem ameaçou os manifestantes de retirada do local, como foi muito comum por aqui. A postura dos demais vereadores também não pode ser ingorada e entendida como sinal de diálogo. Aguardemos o próximo capítulo.
Frase da semana
"Temos que sair às ruas, só assim mudamos este país". De mulher, que estava acompanhada do marido e participava dos manifestos com uma camiseta contra a PEC 37. Na sexta-feira, 21. Na Gazeta de Limeira.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Por aqui também
Hoje há manifestação pública em Limeira. Os convites à participação, pelas redes sociais, chegam a todo momento. Que se siga o exemplo daqueles que querem fazer das ruas uma tribuna livre e democrática. Não um palco de guerra. Precisamos jogar nossas insatisfações para cima da incompetência política. Seja de que partido for.
Brado retumbante
O político que se encastela em sua arrogância e não ouve o que o povo está dizendo - ou tem a dizer - está fadado ao isolamento. A insatisfação é crescente, e se transforma em clamor. Não aprender com as lições já passadas, e exaustivamente repassadas, é um atestado de incompetência assinado e com firma reconhecida.
A semente é boa
Essa insastifação, plantada como semente durante as manifestações que avançam País afora, não tem mais volta. Vai, em algum momento ou outro, arrefecer, mas não se extinguir, pois foi colocada no coração do cidadão, que está cansado de não ter médico nos postinhos, de ver gastos estratosféricos em estádios e falta de escolas e hospitais, de ver o Estado fazer pouco caso com a educação pública e não conseguir combater a violência urbana e etc.. Os que agora menosprezam o movimento e suas lideranças são, infelizmente, aqueles que querem manter o monopólio do "eu". Esses se desesperam porque não têm controle partidário das ações. A espontaneidade que está alavancando os protestos por todo o Brasil precisa ser entendida como um recado de que o limite da paciência e o tempo estão esgotados.
A população pede
Limeira precisa acordar do marasmo. Do vácuo administrativo. Dia sim, dia não, a mídia traz um problema diferente, que muitas vezes vira manchete. Problemas com a saúde pública, obras da adminstração passada abandonadas e sem perspectivas de avanço, com explicações inaceitáveis e a mobilidade urbana comprometida por um trânsito sem solução, calçadas esburacadas e totalmente fora de padrões aceitáveis, problemas estes que vêm de longa da data, mas não eximem de responsabilidade a administração atual.
As pequenas obras
Se não se faz o básico, o que esperar do colossal? Uma administração pública se conhece por sua preocupação com o cotidiano do povo. Com obras que garantam o ir e vir, sem perigos, como o de uma calçada, que agora cedeu de vez, mas está há muito tempo sendo alvo de matérias na imprensa. Está numa das cabeceiras da ponte sobre o Ribeirão Tatu, na Avenida Araras e dá acesso à passarela de pedestres, próxima à indústria CP Kelco. É só passar pelo local para perceber o risco iminente. A qualquer momento, alguém vai se acidentar no local, e com gravidade. Com a palavra - se tiver alguma a dizer - a Secretaria de Obras.
A última de hoje
Alckmin e Haddad anunciaram, no final da tarde de ontem, a redução nas tarifas do metrô e nos ônibus. Um começo brilhante para uma nova era. Assim esperamos.
Hoje há manifestação pública em Limeira. Os convites à participação, pelas redes sociais, chegam a todo momento. Que se siga o exemplo daqueles que querem fazer das ruas uma tribuna livre e democrática. Não um palco de guerra. Precisamos jogar nossas insatisfações para cima da incompetência política. Seja de que partido for.
Brado retumbante
O político que se encastela em sua arrogância e não ouve o que o povo está dizendo - ou tem a dizer - está fadado ao isolamento. A insatisfação é crescente, e se transforma em clamor. Não aprender com as lições já passadas, e exaustivamente repassadas, é um atestado de incompetência assinado e com firma reconhecida.
A semente é boa
Essa insastifação, plantada como semente durante as manifestações que avançam País afora, não tem mais volta. Vai, em algum momento ou outro, arrefecer, mas não se extinguir, pois foi colocada no coração do cidadão, que está cansado de não ter médico nos postinhos, de ver gastos estratosféricos em estádios e falta de escolas e hospitais, de ver o Estado fazer pouco caso com a educação pública e não conseguir combater a violência urbana e etc.. Os que agora menosprezam o movimento e suas lideranças são, infelizmente, aqueles que querem manter o monopólio do "eu". Esses se desesperam porque não têm controle partidário das ações. A espontaneidade que está alavancando os protestos por todo o Brasil precisa ser entendida como um recado de que o limite da paciência e o tempo estão esgotados.
A população pede
Limeira precisa acordar do marasmo. Do vácuo administrativo. Dia sim, dia não, a mídia traz um problema diferente, que muitas vezes vira manchete. Problemas com a saúde pública, obras da adminstração passada abandonadas e sem perspectivas de avanço, com explicações inaceitáveis e a mobilidade urbana comprometida por um trânsito sem solução, calçadas esburacadas e totalmente fora de padrões aceitáveis, problemas estes que vêm de longa da data, mas não eximem de responsabilidade a administração atual.
As pequenas obras
Se não se faz o básico, o que esperar do colossal? Uma administração pública se conhece por sua preocupação com o cotidiano do povo. Com obras que garantam o ir e vir, sem perigos, como o de uma calçada, que agora cedeu de vez, mas está há muito tempo sendo alvo de matérias na imprensa. Está numa das cabeceiras da ponte sobre o Ribeirão Tatu, na Avenida Araras e dá acesso à passarela de pedestres, próxima à indústria CP Kelco. É só passar pelo local para perceber o risco iminente. A qualquer momento, alguém vai se acidentar no local, e com gravidade. Com a palavra - se tiver alguma a dizer - a Secretaria de Obras.
A última de hoje
Alckmin e Haddad anunciaram, no final da tarde de ontem, a redução nas tarifas do metrô e nos ônibus. Um começo brilhante para uma nova era. Assim esperamos.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Num país de insensatos...
...um simples ato de sensatez pode causar punição à coronel Cláudia Romualdo, da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Ela ousou desafiar uma liminar da Justiça - solicitada pelo governador mineiro Antônio Anastasia (PSDB) - e ordenou a seus comandados que fizessem um cordão de isolamento, deixando os oito mil manifestantes (segundo dados da própria PM-MG e confirmados por ela mesmo) protestarem, lá também, contra o aumento nas tarifas do transpote público, sem balas de borracha, bombas de gás ou spray de pimenta. Conclusão: ninguém se machucou, não houve depredação e a manifestação seguiu até seu final.
Por que estou repassando essa informação? Por uma simples questão de informação. É que talvez nem todos tiveram a oportunidade de ler a notícia, publicada no início da noite do último sábado nos principais portais noticiosos da internet e sem destaque nos telejornais da noite. A Copa das Confederações foi a pauta do dia (não que não merecesse), além dos desdobramentos da ação violenta das PMs paulista, do Rio de Janeiro e também do Distrito Federal, palco da abertura do torneio da Fifa. Então, não houve tempo para noticiar a sensata atitude da coronel mineira, que pode ser punida por desobediência a uma liminar.
Um exemplo que contraria tudo o que aconteceu durante toda a semana passada, que poderia muito bem ter norteado as autoridades em SP, RJ e Brasília. As tropas de choque das PMs paulista e carioca proporcionaram cenas de repressão, transformando os locais dos protestos nos palcos passados da ditadura militar, nas praças e ruas do final da década de 1960 e início de 1970, quando estudantes, artistas, intelectuais e políticos pediam mais liberdade. E coube ao DF, do governador Agnelo Queiroz (PT), encerrar a semana de violência policial, desta vez nas imediações do Estádio Nacional Mané Garrincha, também com tiros e bombas, pouco antes do jogo Brasil e Japão. É bom que fique bem claro que, nesses casos, o que menos importa é a coloração partidária dos três governadores (PSDB, PMDB e PT), mas as ações que protagonizaram como comandantes-em-chefe das PMs de seus Estados. O governador mineiro até que tentou se juntar a esses três, mas o bom senso da coronel Cláudia mostrou que é possível ter autoridade sem ser autoritário.
Aos poucos, parece que o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) começa a esboçar um mínimo desse bom senso, que nem ele, nem seu secretário de Segurança Pública, Fernado Grella e muito menos a PM, tiveram. É que a grande mídia também acabou por se render às provas, registradas pelos próprios jornalistas, de que foram os policiais que iniciaram os confrontos. Ninguém, em sã cansciência, é favorável a atos de depredações e vandalismo. Mas deve ser na mesmo proporção contrário à violência gratuita, que não revela comando nenhum, mas despreparo emocional. Espera-se que, finalmente, todos se rendam ao diálogo e à pacificação. E que tomem a atitude da coronel Claudia Romualdo, como parâmetro para ações futuras. Foi ela quem mostrou que isso é possível.
Por que estou repassando essa informação? Por uma simples questão de informação. É que talvez nem todos tiveram a oportunidade de ler a notícia, publicada no início da noite do último sábado nos principais portais noticiosos da internet e sem destaque nos telejornais da noite. A Copa das Confederações foi a pauta do dia (não que não merecesse), além dos desdobramentos da ação violenta das PMs paulista, do Rio de Janeiro e também do Distrito Federal, palco da abertura do torneio da Fifa. Então, não houve tempo para noticiar a sensata atitude da coronel mineira, que pode ser punida por desobediência a uma liminar.
Um exemplo que contraria tudo o que aconteceu durante toda a semana passada, que poderia muito bem ter norteado as autoridades em SP, RJ e Brasília. As tropas de choque das PMs paulista e carioca proporcionaram cenas de repressão, transformando os locais dos protestos nos palcos passados da ditadura militar, nas praças e ruas do final da década de 1960 e início de 1970, quando estudantes, artistas, intelectuais e políticos pediam mais liberdade. E coube ao DF, do governador Agnelo Queiroz (PT), encerrar a semana de violência policial, desta vez nas imediações do Estádio Nacional Mané Garrincha, também com tiros e bombas, pouco antes do jogo Brasil e Japão. É bom que fique bem claro que, nesses casos, o que menos importa é a coloração partidária dos três governadores (PSDB, PMDB e PT), mas as ações que protagonizaram como comandantes-em-chefe das PMs de seus Estados. O governador mineiro até que tentou se juntar a esses três, mas o bom senso da coronel Cláudia mostrou que é possível ter autoridade sem ser autoritário.
Aos poucos, parece que o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) começa a esboçar um mínimo desse bom senso, que nem ele, nem seu secretário de Segurança Pública, Fernado Grella e muito menos a PM, tiveram. É que a grande mídia também acabou por se render às provas, registradas pelos próprios jornalistas, de que foram os policiais que iniciaram os confrontos. Ninguém, em sã cansciência, é favorável a atos de depredações e vandalismo. Mas deve ser na mesmo proporção contrário à violência gratuita, que não revela comando nenhum, mas despreparo emocional. Espera-se que, finalmente, todos se rendam ao diálogo e à pacificação. E que tomem a atitude da coronel Claudia Romualdo, como parâmetro para ações futuras. Foi ela quem mostrou que isso é possível.
domingo, 16 de junho de 2013
Mais uma conta. E adivinhem quem vai pagar?
A ideia de um novo imposto, seja ele denominado taxa ou contribuição, nunca é bem recebida pela população. Pelo contribuinte, que terá que desembolsar seu dinheiro para custear esse ou aquele "novo" serviço público. A carga tributária é pesada demais e sempre que se busca o equilíbrio financeiro das contas públicas através do incremento da arrecadação, a pergunta é sempre a mesma: quanto isso vai custar? Essa é a notícia da semana. Foi manchete desta Gazeta da última quinta-feira, 13, e soa como algo antigo. Já tentado, porém, sem sucesso, em Limeira. Trata-se de um novo imposto, que pode ser cobrado junto com o IPTU, que pretende dividir os gastos com a iluminação pública do município com a população. É para 2014, ano em que a Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, determinou que as prefeituras serão as responsáveis pelo custeio de manutenção da iluminação pública. Essa "nova velha" ideia já tem cheiro de que vai sair do papel. Justamente quando se discute a redução da carga tributária e o governo federal desonera produtos e serviços para torná-los mais baratos. Ou menos caros.
Já assistimos a isso
Mesmo antes desse protocolo da Aneel, os municípios brasileiros - e Limeira entre eles - já conviveu com a possibilidade de o cidadão ter que pagar pela luz que acende no poste em frente de sua casa. Alguns até já cobram, mas por aqui, se tornou a maior saia justa que os vereadores já vestiram: a aprovação da cobrança da famigerada Contribuição para a Iluminação Pública (CIP), entre 2005 e 2006.
Aprova e desaprova
O então prefeito Silvio Félix, em início de mandato, enviou à Câmara, em regime de urgência urgentíssima, a tal lei que criava a CIP. A toque de caixa e sob o comando da vereadora Elza Tank, já falecida, os vereadores aprovaram a taxa, que teve repercussão negativa e muita pressão da iniciativa privada contra a proposta do Executivo. Félix foi "obrigado" a vetar a lei que voltou à Câmara.
Tiveram que engolir
Os mesmos vereadores que aprovaram o projeto da taxa de luz a mando do então prefeito, tiveram, na mesma velocidade da primeira votação, que manter o veto de Félix ao projeto aprovado por eles próprios. Com uma bancada submissa às suas vontades e caprichos - se é que entendem... - não restou outra saída à bancada governista, a não ser a de derrubar a lei. Valeram os esforços de entidades de classe e da própria opinião pública, que não aceitava mais esse custeio da máquina pública. Parece-me também que seria cobrado com o IPTU.
Argumentos reais
A diferença é que nessa nova etapa, o governo municipal tem mais argumentos para impor a "taxa de luz". Justamente o protocolo da Aneel, que repassa os gastos da iluninação pública para os municípios. Vamos pagar.
E enquanto isso...
Uma cratera em uma calçada, na cabeceira da ponte sobre o Ribeirão Tatu, próxima da CP Kelco, continua aberta e aumentando. Já foi notícia aqui nesta Gazeta, mas nenhuma providência foi tomada. Até a fita zebrada, de segurança, foi retirada. O buraco dificulta o acesso pela passarela de pedestre da ponte e não vai tardar acontecer um acidente grave por lá. Principalmente à noite, pois o local é de movimentação intensa e constante de pedestres. Inclusive de funcionários da indústria, que transitam entre o prédio administrativo e a fábrica. É nas pequenas ações, que constatamos as maiores incompetências do poder público.
Uma PEC paulista
Na semana passada voltou à tona a questão da Proposta de Emenda Constitucional, a PEC 37, que retira o poder de investigação do Ministério Público. Ela será votada no Congresso Nacional no próximo dia 26. Enquanto isso, por aqui, o deputado Campos Machado (PTB), também está tentando emplacar a chamada "PEC" paulista. Que também restringe a atuação de promotores públicos. Difícil entender o objetivo dos autores dessas propostas, num momento em que se busca o combate à corrupçãode agentes públicos, com cargos eletivos ou não.
Em números reais
Defensores da PEC 37, que entendem que investigações são exclusivas da polícia, não estão levando em conta a falta de capacitação técnica - e até desinteresse mesmo - da própria instituição em combater a corrupção, quando não conseguem nem resolver seus próprios casos. E fácil de provar com dados estatísticos: quantas investigações e apurações a polícia fez nesses últimos dez anos, inclusive apontando culpados, de casos envolvendo administradores públicos? A resposta parece ser igual a "zero". O MP, ao contrário, mostra essa competência.
Cadê o preparo??
Tem muita gente que ainda tem saudades dos anos de chumbo. Do tempo em que cassetete era muito utilizado contra os opositores do regime militar. As forças de segurança, infelizmente, ainda não perderam esse ranço autoritário, em especial a PM, que se perde em ações desastradas na hora de lidar com manifestações populares. Levando-se em conta apenas a dualidade ação-reação, o descontrole é maior ainda. É preciso saber distinguir o vandalismo do protesto.
Pergunta rápida
A quem de fato interessa os confrontos entre a PM e manifestantes?
Crianças birrentas
Entendo que há um erro estratégico - um pacto de burrice, mesmo - entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) no trato com as manifestações da última semana. Ao se mostrar intransigentes e fincar o pé em suas posturas de não dialogar, deram mais força ainda aos protestos. É como o pai que fala para um filho o que não deve fazer, que ele com certeza vai fazer. Faltou sensibilidade a ambos em não entender que quanto mais provocam o confronto, mais o movimento cresce. Começou com cerca de 500 pessoas e hoje já somam mais de cinco mil. E a tendência é só crescer.
Nota curtíssima
A saúde está se transformando rapidamente em fonte de manchetes na mídia. Há muito placebo nessa receita.
Se enfartar, espere
No mínimo curiosa. Assim pode ser definida a manchete desta Gazeta da última sexta-feira, 14: "Audiência na Justiça é mais rápida que consulta no SUS". Se uma audiência com réu preso ocorre no máximo em um mês, consultar-se com um cardiologista na rede pública tem espera de quatro meses. Vive-se num mundo surreal de relações surreais. E uma completa inversão de valores, que causa espanto até mesmo no mais pessimista. Mesmo porque otimista está virando peça de museu.
Frase da semana
"Tem um posto de saúde lá perto de casa, mas falta médico". De uma aposentada, que faz acompanhamento devido à hipertensão, e precisou procurar o PS da Santa Casa. Sexta-feira, 14. Na Gazeta de Limeira.
Já assistimos a isso
Mesmo antes desse protocolo da Aneel, os municípios brasileiros - e Limeira entre eles - já conviveu com a possibilidade de o cidadão ter que pagar pela luz que acende no poste em frente de sua casa. Alguns até já cobram, mas por aqui, se tornou a maior saia justa que os vereadores já vestiram: a aprovação da cobrança da famigerada Contribuição para a Iluminação Pública (CIP), entre 2005 e 2006.
Aprova e desaprova
O então prefeito Silvio Félix, em início de mandato, enviou à Câmara, em regime de urgência urgentíssima, a tal lei que criava a CIP. A toque de caixa e sob o comando da vereadora Elza Tank, já falecida, os vereadores aprovaram a taxa, que teve repercussão negativa e muita pressão da iniciativa privada contra a proposta do Executivo. Félix foi "obrigado" a vetar a lei que voltou à Câmara.
Tiveram que engolir
Os mesmos vereadores que aprovaram o projeto da taxa de luz a mando do então prefeito, tiveram, na mesma velocidade da primeira votação, que manter o veto de Félix ao projeto aprovado por eles próprios. Com uma bancada submissa às suas vontades e caprichos - se é que entendem... - não restou outra saída à bancada governista, a não ser a de derrubar a lei. Valeram os esforços de entidades de classe e da própria opinião pública, que não aceitava mais esse custeio da máquina pública. Parece-me também que seria cobrado com o IPTU.
Argumentos reais
A diferença é que nessa nova etapa, o governo municipal tem mais argumentos para impor a "taxa de luz". Justamente o protocolo da Aneel, que repassa os gastos da iluninação pública para os municípios. Vamos pagar.
E enquanto isso...
Uma cratera em uma calçada, na cabeceira da ponte sobre o Ribeirão Tatu, próxima da CP Kelco, continua aberta e aumentando. Já foi notícia aqui nesta Gazeta, mas nenhuma providência foi tomada. Até a fita zebrada, de segurança, foi retirada. O buraco dificulta o acesso pela passarela de pedestre da ponte e não vai tardar acontecer um acidente grave por lá. Principalmente à noite, pois o local é de movimentação intensa e constante de pedestres. Inclusive de funcionários da indústria, que transitam entre o prédio administrativo e a fábrica. É nas pequenas ações, que constatamos as maiores incompetências do poder público.
Uma PEC paulista
Na semana passada voltou à tona a questão da Proposta de Emenda Constitucional, a PEC 37, que retira o poder de investigação do Ministério Público. Ela será votada no Congresso Nacional no próximo dia 26. Enquanto isso, por aqui, o deputado Campos Machado (PTB), também está tentando emplacar a chamada "PEC" paulista. Que também restringe a atuação de promotores públicos. Difícil entender o objetivo dos autores dessas propostas, num momento em que se busca o combate à corrupçãode agentes públicos, com cargos eletivos ou não.
Em números reais
Defensores da PEC 37, que entendem que investigações são exclusivas da polícia, não estão levando em conta a falta de capacitação técnica - e até desinteresse mesmo - da própria instituição em combater a corrupção, quando não conseguem nem resolver seus próprios casos. E fácil de provar com dados estatísticos: quantas investigações e apurações a polícia fez nesses últimos dez anos, inclusive apontando culpados, de casos envolvendo administradores públicos? A resposta parece ser igual a "zero". O MP, ao contrário, mostra essa competência.
Cadê o preparo??
Tem muita gente que ainda tem saudades dos anos de chumbo. Do tempo em que cassetete era muito utilizado contra os opositores do regime militar. As forças de segurança, infelizmente, ainda não perderam esse ranço autoritário, em especial a PM, que se perde em ações desastradas na hora de lidar com manifestações populares. Levando-se em conta apenas a dualidade ação-reação, o descontrole é maior ainda. É preciso saber distinguir o vandalismo do protesto.
Pergunta rápida
A quem de fato interessa os confrontos entre a PM e manifestantes?
Crianças birrentas
Entendo que há um erro estratégico - um pacto de burrice, mesmo - entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) no trato com as manifestações da última semana. Ao se mostrar intransigentes e fincar o pé em suas posturas de não dialogar, deram mais força ainda aos protestos. É como o pai que fala para um filho o que não deve fazer, que ele com certeza vai fazer. Faltou sensibilidade a ambos em não entender que quanto mais provocam o confronto, mais o movimento cresce. Começou com cerca de 500 pessoas e hoje já somam mais de cinco mil. E a tendência é só crescer.
Nota curtíssima
A saúde está se transformando rapidamente em fonte de manchetes na mídia. Há muito placebo nessa receita.
Se enfartar, espere
No mínimo curiosa. Assim pode ser definida a manchete desta Gazeta da última sexta-feira, 14: "Audiência na Justiça é mais rápida que consulta no SUS". Se uma audiência com réu preso ocorre no máximo em um mês, consultar-se com um cardiologista na rede pública tem espera de quatro meses. Vive-se num mundo surreal de relações surreais. E uma completa inversão de valores, que causa espanto até mesmo no mais pessimista. Mesmo porque otimista está virando peça de museu.
Frase da semana
"Tem um posto de saúde lá perto de casa, mas falta médico". De uma aposentada, que faz acompanhamento devido à hipertensão, e precisou procurar o PS da Santa Casa. Sexta-feira, 14. Na Gazeta de Limeira.
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