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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sai Ronei, entra...
...Nilton Santos. A posse da nova Mesa Diretora da Câmara, hoje às 10h, é um troca de nomes e posturas. E apesar dos arroubos de grandeza demonstrados pelo vereador do PRB, que assume, espera-se uma atuação comedida e voltada aos anseios da população.

Respeito ao óbvio
Que Nilton Santos, que é pastor de uma igreja evangélica fundamentalista, saiba, principalmente, diferenciar democracia de teocracia. Afinal este é um estado laico e religião é uma coisa e política é outra. Retrocesso é o que menos se deseja.

É sem cerimônias
Já, em Cordeirópolis, não há sessão formal para troca de direção no Legislativo, que acontece apenas quando um novo mandato se inicia. Em Iracemápolis, em sem divulgação, a troca é simbólica. Em Engenheiro Coelho, ninguém sabe, ninguém viu. Não se encontra político ou assessor para tratar do assunto. Acho que estão em férias.

Foi bom ou ruim?
Alguém sabe os números das vendas de Natal? Em Americana, sim. Queda de 6%, conforme divulgou na última segunda-feira, a Associação Comercial e Industrial do município, a ACIA. Por aqui só conheceremos esses números na primeira ou segunda semana de janeiro.

Ao que interessa
Como escrevi em meu artigo de terça-feira, há muita gente que ainda não se desapegou de 26 de outubro. E também não entendeu o que significa livre-arbítrio, que é o direito em concordar ou discordar de opiniões e posturas. Sejam elas quais forem. Ninguém é menor porque escolheu esse ou aquele candidato. E nem é melhor por sua escolha.

A última de hoje
E 2015 chegou. E, com ele, muitas mudanças. Ou continuidade do que já está institucionalizado. A hipocrisia, infelizmente, é uma doença crônica. E, como todas as enfermidades ela pode ser branda, grave ou gravíssima. Cravo na última modalidade para entender o momento pelo qual o País atravessa hoje. Tenho dito e escrito.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Nem ao céu; muito menos ao inferno

Não há quem não aposte, hoje, no caos para 2015. Há otimistas. Mas estes são sufocados pela voracidade dos pessimistas, que de hora em hora bate em tudo quanto é tecla para desenhar os mais obscuros cenários possíveis. Tanto na política quanto na economia. A grande mídia, que dá vez e voz aos pregoeiros da ingovernabilidade, não garante o mesmo espaço a quem ainda acredita numa saída possível e na retomada do processo natural da vida após as eleições de outubro. Nem tudo está tão ruim que não possa melhorar e nem tão cômodo, que não possa piorar. Talvez essa seja a perspectiva do governo federal em contrapartida ao recado que a oposição quer passar. Ambos estão corretos e errados ao mesmo tempo. O governo, a quem cumpre a obrigação de mostrar boa vontade e ações concretas; e a própria oposição, que não enxerga nada além do 26 de outubro e pretende (isso fica claro pelas reações de seus representantes) estender até onde puder o segundo turno do pleito eleitoral presidencial. E não falo em terceiro turno, não. Que não existe. Apenas ouso acreditar nas minhas próprias percepções para entender esse movimento de continuidade do que já passou. E pela forma como aconteceu, ainda não foi digerido pela derrota, que expõe essa indisposição.  É o continuar arrotando a própria azia.
É fato que o ano que se aproxima, e está a poucas horas de seu parto, não será nada fácil. Para ninguém. A questão política, que expus acima, é apenas uma das características a ser discutida em meio a tempestade que está por vir. Se depender de alguns será o verdadeiro dilúvio, mas não de água e sim de petróleo, que há alguns meses jorra manchando a imagem de uma das mais sólidas empresas do País, a Petrobras. Criou-se o estigma do “petrolão” – numa alusão ao mensalão petista, que já foi também dos tucanos – através dos sucessivos escândalos na administração da estatal, que veio à tona durante o processo eleitoral. Isso porque já se sabia do problema – e ele estava criado – muito antes de tudo acontecer. O falecido jornalista Paulo Francis já alertava lá atrás, ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso à frente da Presidência da República, que se extraía muito mais do que apenas óleo das plataformas e torres de prospecção. Agora virou mote para descredenciar o futuro. E não há nada de errado nessa previsão, se o próprio governo não assumir o problema e fizer um expurgo completo na direção da empresa, se quiser retomar a credibilidade. Teimosia é de que o País menos precisa neste momento, em que a presidente Dilma Rousseff (PT) está prestes a assumir seu segundo mandato.
E se as expectativas políticas não são boas e a economia está em frangalhos, independentemente de quem faça esse prognóstico, só há uma maneira de aliviar essa pressão. Trabalho sério, obstinado, e condução técnica do novo mandato, porém, sem deixar a política se desvalorizar. E se deteriorar. Dentro do papel que cabe a cada um, os opositores vão continuar no caminho que lhes foram determinados. É assim que funciona. E a situação precisa trilhar o seu, para que a população tenha uma jornada sem sobressaltos. Pelo sim e pelo não, a prática é bem diferente da teoria, mas é ela quem dita o que vamos ter em 2015, para que 2014 seja apenas o ano passado.  

domingo, 28 de dezembro de 2014

2014: um ano que insistem para não acabar

Mais alguns dias. Quatro, precisamente. Esse é o tempo que falta para o fim de 2014, sem dúvida um dos mais conturbados anos vividos pelos brasileiros. Em todos os sentidos. Quem pensou que as manifestações de junho de 2013 seriam o auge das transformações políticas e sociais do Brasil deve estar frustrado. Eu estou. Não fazia nem ideia do que o ano seguinte, este que agora se finda, reservava de novidades e surpresas. E não foi apenas os 7 a 1 sofridos pelo Brasil contra a Alemanha na Copa do Mundo da Fifa disputada por aqui, não. Estava ainda por estourar uma das mais graves crises no governo federal, o escândalo da Petrobras, ou “petrolão”, como insistem alguns, e, ao longo dos últimos meses, uma das maiores crises hídricas enfrentadas na região Sudeste, especialmente em São Paulo. Isso sem falar na eleição presidencial, essa sim ainda não finda, por conta daqueles que insistem num terceiro turno, ao não assimilar nova derrota nas urnas. Votos disputados e votos conquistados, que ao final deram a vitória – e reeleição – à presidente Dilma Rousseff (PT), sobre o senador tucano mineiro Aécio Neves. Que ainda causa azia ao PSDB.

Um ano esquisito
Mas vamos a 2014 e suas mazelas. O ano começava sobre a égide das eleições – quase gerais – e das expectativas em torno da Copa do Mundo, que seria disputada em terras tupiniquins. A polarização parecia, novamente, tomar conta das disputas entre PT e PSDB, mais uma vez. Dilma seguia tranquila, Aécio Neves não empolgava e a então terceira via, Eduardo Campos (PSB), não decolava.

A corrida eleitoral
Mesmo tendo Marina Silva (ex-PTe PV e que não conseguiu registrar seu partido, a Rede Sustentabilidade) como vice, o ex-governador de Pernambuco patinava nas pesquisas. A ex-senadora não conseguia transferir sua expressiva votação de 2010 – o que era esperado – para a chapa que então compunha com Campos. Ainda não oficializada, as candidaturas seguiam seu rumo.

Não correspondeu
Nesse espaço, entre a oficialização das candidaturas e o início da campanha eleitoral, veio a Copa. Começou bem, organização impecável, estádios cheios, contrariando todas as expectativas da barbárie que se anunciava, com manifestações e tudo o mais. Sucesso organizacional, fracasso dentro de campo. O Brasil foi goleado pela Alemanha por 7 a 1. Fim do sonho do hexacampeonato. Frustração nacional.

Caminho diferente
Finda a Copa, os prazos eleitorais indicavam início de campanha eleitoral. Um segundo semestre que mudaria os rumos do País, pelo menos temporariamente. Em agosto, no dia 13, em acidente de avião, em Santos, morre Eduardo Campos. Marina Silva assume a cabeça de chapa e começa a dar dor de cabeça. Deixa Aécio Neves na rabeira, e ameaça Dilma. A polarização parecia ter chegado ao fim.

Mudança de rumo

Tudo se encaminhava para uma disputa, em segundo turno, entre a petista e a pessebista, para desespero do tucanato. Marina, entretanto, escorregou nos debates, assumiu posturas progressistas, depois refutadas por ela própria por pressão religiosa e, na reta final, acabou desbancada por Aécio Neves, que enfrentou a presidente no segundo turno. E veio a mais sórdida campanha possível e imaginável.

Com unhas e dentes
Dilma e Aécio não fizeram campanha. Não debateram ideias e nem propostas. Preferiram se engalfinhar, transformando a campanha em rinha de briga. A campanha descambou para o desespero do tucano, que acabou levando a uma polarização perigosa, incentivando preconceitos entre classes sociais e criando a velha tática do bem contra o mal. O show de raiva e ódio, entretanto, não mudou o resultado final do pleito. 

O carro puxa o boi
Dilma Rousseff foi reeleita, mas a disputa ainda não acabou. Caminha agora sob os auspícios da Petrobras, que não para de revelar escândalos. Faz-se muito juízo de valor, sem que as provas venham à tona. As delações por enquanto não vieram a público, mas as especulações tomaram conta de tudo e de todos. Entre afirmativas e negativas, tudo ainda é sigiloso e, portanto, não permite elucubrações. De nenhum dos lados.

E que chegue logo
Enfim, 2015 se aproxima e já é um ano emblemático. Por mais que tentemos chegar a conclusões, elas não vêm. Há uma névoa a cobrir nossas visões, que só serão dissipadas quando ele de fato chegar. Política é política, e não tem previsão.

Pimentel e Dino...
Nos Estados da federação, apenas três surpresas. Em Minas Gerais, na Bahia e no Maranhão. Em Minas o petista Fernando Pimentel desbancou o tucano Pimenta da Veiga e impôs derrota histórica aos tucanos, na terra de Aécio Neves. Na Bahia, o petista Rui Costa virou espetacularmente sobre o democrata Paulo Souto e mantém o partido no poder. E, no Maranhão, o comunista Flávio Dino desbancou Lobão Filho e tirou a família Sarney do comando do Estado, depois de décadas de hegemonia. Essa foi, sem dúvida, a maior de todas as surpresas eleitorais do País. Nos demais Estados, a lógica acabou vencendo. O tucano Geraldo Alckmin teve vitória tranquila e, no Rio, Fernando Pezão manteve o PMDB no poder. E com apoio petista e também tucano.

E Miguel é federal
No âmbito local, o ano eleitoral também foi positivo. Pelo menos do ponto de vista da representatividade municipal. O vereador Miguel Lombardi (PR) foi eleito deputado federal, quebrando um jejum de mais de 20 anos sem representante na Câmara dos Deputados. Isso é uma outra história, que será contada a partir de fevereiro de 2015.

Xô, 2014... e logo!
Já para a administração de Paulo Hadich (PSB), o ano de 2014 foi conturbado e, com certeza, a torcida é para que ele acabe logo. Conclui meio mandato sem deslanchar e sem ter uma obra que possa chamar de sua. Entre anúncios e inaugurações, todas originárias da administração anterior. E algumas, ainda, sem previsão qualquer, como o prédio novo da biblioteca e o museu. E enfrentando situações vexatórias, como falta de material escolar básico, devido à falta de logística. Pelo menos não faltou ovo de Páscoa.

Ao apagar das luzes

À falta de sintonia entre a prática e a teoria publicitária explícita, que vem pautando os últimos atos do Poder Executivo, o Município padece de um marasmo crônico. Limeira assume definitivamente o parque de iluminação em janeiro de 2015, sem uma empresa contratada para cuidar do sistema. Nem conseguiu fazer aprovar a “taxa de luz” e assume o serviço com quatro eletricistas, para mais de 30 mil pontos de luz. Outro exemplo da falta de logística e iniciativa. Toda essa situação já era conhecida, mas ficou para a última hora. A expectativa não é das melhores e todas as possíveis falhas que deverão ocorrer serão culpa da população, que não apoiou a criação da chamada Cosip e dos vereadores, que protelaram a votação. Não há mais o que falar. Tudo o que precisava foi dito e alertado. Entrou por uma orelha e saiu por outra.

Pergunta rápida

E 2015? Vai ou racha?

Entre idas e vindas
Pode não ser uma retrospectiva completa, e muita coisa foi deixada para trás. Afinal, o espaço não comporta tantas críticas quanto se fazem necessárias. E, nos últimos tempos, nem mesmo elogios são possíveis para exaltar essa ou aquela ação do poder público. Vez ou outra, quando tudo parece que vai engrenar de vez, vem uma avalanche de questões improváveis e joga tudo por terra. O que se constrói não se sustenta, justamente pela falta de continuidade. E não é de hoje que tenho falado sobre isso. Enfim, pode ser até cansativo para o leitor a desproporcional diferença entre o positivo e o negativo. Mas é assim que a vida é. Quem sabe o ano novo não nos reserve boas surpresas. Esperança é o que não falta. Falta é ação concreta para mudar esse cenário.

Nota curtíssima
Que 2015 encerre, definitivamente, 2014. Um próspero ano novo a todos.

A frase do ano
“Em matéria de corrupção, os tucanos sofrem da mesma moléstia que acomete os petistas: cegueira”
. Do jornalista Josias de Souza, sobre o cartel dos trilhos e o “petrolão”. No Blog do Josias. Uol. Dia 5 de dezembro.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Tiroteio na base
Não. Não é atentando a bases de segurança, não. Mas convicta manifestação do vereador Ronei Martins (PT), que deixa a presidência da Câmara dia 31, sobre estudo para melhoria do transporte público urbano e que não foi considerado pelo Poder Executivo. Leia-se Secretaria da Mobilidade Urbana. A base governista se rebela?

Volta às raízes?
Em política o improvável é provável e vice-versa. Mas se a manifestação do petista pelas redes sociais, conforme esta Gazeta mostrou anteontem, for o início da atuação que o consagrou no governo Félix, aí sim, o prefeito Paulo Hadich (PSB) terá muitos problemas.

Vai? Não vou...
Há quem aposte no interesse do vereador em assumir a própria Secretaria de Mobilidade Urbana. O que ele nega. Uma negativa sem muita convicção e, com certeza, amparada na falta de atitude da Pasta com alguns problemas básicos do trânsito, mostrados diariamente pela imprensa.

Óleo no motor
Oficialmente na terça. Antecipado por esta Gazeta com exclusividade em fevereiro de 2013. Trata-se do anúncio da chegada da empresa Agropalma, para refinar óleo de palma em Limeira. É considerada a maior da América Latina. Espera-se, com isso, um azeitamento na engrenagem do desenvolvimento no Município.

Até obra tem
Que não seja uma nova Samsung. Ninguém viu e ninguém sabe para onde foi. Se é que veio algum dia.

A última de hoje
Quando esta coluna voltar, na próxima quinta-feira, já será 2015. Espero que 2014 tenha de fato acabado. Se depender da vontade política de alguns setores, 2014 vai até 2018. Ou 2015 termina antes. As apostas estão na mesa.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Nem a favor ou contra. Pelo equilíbrio

A atual Legislatura municipal fechou o ano, no último sábado, 20, com uma sessão extraordinária para aprovar, às pressas, duas alterações no código tributário municipal para que possam valer em 2015, ano já em trabalho de parto. Excluiu-se uma inconstitucionalidade, a cobrança de IPTU de chácaras e sítios (já pagam o Imposto Territorial Rural, ITR) graças a uma esclarecedora matéria publicada por esta Gazeta, de autoria da jornalista Érica Samara da Silva. Ao final, entre críticas de vereadores oposicionistas e até mesmo governistas, foram aprovados dois projetos, digamos, de largo espectro positivo. Enfim, cada um se utilizou das prerrogativas do próprio cargo que ocupa – e que deveriam ser sempre assim – para demonstrar a irritação com esse instituto chamado “urgência”. E também com proposituras que mereciam discussão mais ampla, em vez de poucos minutos de explicação, num sábado pela manhã, ao fechar das cortinas da primeira metade do mandato dos atuais vereadores. O que representa, também, o encerramento de um ciclo de comando para o início de outro. Sai Ronei Martins (PT) e seus pares da Mesa Diretora da Câmara para dar lugar a Nilton Santos (PRB), que traz consigo novos integrantes para dirigir os destinos do Legislativo local.
Essa introdução ao assunto foi necessária para retomar um artigo que escrevi neste mesmo espaço, no dia 22 de janeiro do ano passado, ao abrir dos trabalhos da “nova” Câmara, que havia experimentado grande renovação. “Sem o equilíbrio necessário” (http://colunatextoecontexto.blogspot.com.br/2013/01/sem-o-equilibrio-necessario.html) era o título do artigo. Que além de trazer as expectativas para o início de um novo governo com as garantias de tranquilidade ao Poder Executivo, pela ampla maioria que tinha na Casa (18 a 3) revelava um perigoso desequilíbrio de forças entre situação e oposição, o que foi mantido por estes dois anos. O rolo compressor de anos anteriores estava, novamente, em ação. O que não era – como não foi – bom para a própria administração. Como eu alertei, essa desigualdade comprometeu o desempenho do governo Paulo Hadich (PSB), pela falta de espírito crítico. Não houve a necessária fiscalização (como era de se esperar e já conhecida de outras oportunidades) e nem as devidas discussões, pois tudo o que vinha era aprovado em avalanche, ficando o dito pelo não dito. E deu no que deu. Hadich encerra metade do seu mandato em total descompasso com a população e desagradando a todos. Até mesmo sua própria base, que ao longo desses últimos 24 meses votou e referendou tudo sem contestar. Vinha do Poder Executivo, então era bom. Foi sempre de goleada.
Se ainda dispõe de uma zona de conforto dentro do Legislativo – Nilton Santos não fará aquela oposição pela qual os vereadores oposicionistas que votaram nele esperam – há indícios de que, desta vez, possa haver equilíbrio maior. E, dessa forma, mais discussão para, quem sabe assim, com um choque de realidade, o governo não desperte. É o que todos esperam, para tirar Limeira desse marasmo. A própria oposição também expôs suas fraquezas com “birras” desnecessárias e oportunistas, mas não fez nem cócegas na força situacionista, que agora pode começar a sentir um pouco o incômodo. O que é positivo ao processo político.      

domingo, 21 de dezembro de 2014

O que quer, de fato, o novo presidente da Câmara?

Desconversar é a arte de fazer política sem se comprometer ou comprometer intenções ocultas. Em política partidária, então, isso se torna obrigação àqueles que ascendem a cargos diretivos dentro de suas atribuições. Deixam-se claras muitas intenções, mas não se ensina o “pulo do gato”. Esconde-se em meio às negações e afirmativas parte da verdade. Às vezes a verdade por inteiro. É preciso entender o significado das entrelinhas para alcançar a razão daquilo que se pretende. Em bem articulada negociação, o vereador Nilton Santos (PRB) foi eleito presidente da Câmara de Limeira na sessão do último dia 15, impondo uma derrota à péssima articulação da base governista, que agora junta os cacos e busca argumentos possíveis – se é que existem – para justificar o pífio desempenho. Em meio à arrogância do prefeito Paulo Hadich (PSB), que impôs o seu candidato, Raul Nilsen Filho (PMDB), o pastor Nilton, como é conhecido, ofereceu à oposição o que ela queria, ou seja, banir o PT da Mesa Diretora. Outro despropósito. Mas que faz parte do jogo. E, em meio à insatisfação de parte da base partidária do próprio prefeito, deu-se o inesperado. Mas, nem tanto.

Hora de aparecer
Passado o primeiro impacto de uma surpreendente derrota (na visão dos governistas), coube ao novo presidente do Legislativo municipal, para o biênio 2015/2016 e que encerra a atual legislatura, buscar seu protagonismo. E ele foi atrás e buscou na imprensa a sua vitrine. Falou à mídia impressa e eletrônica e expôs seus projetos e ações, que não esconde suas intenções futuras.

O poder é só meu
À jornalista Érica Samara da Silva, desta Gazeta, proporcionou uma interessante entrevista e mostrou por que desbancou o próprio PT e adjacências. Ele não se perde na palavra – como bom pastor evangélico que é – e expõe suas ideias com assustadora clareza. É preciso buscar nas suas expressões faciais, que mudam a cada pergunta e resposta dada, aonde ele quer de fato chegar. 

É bem articulado

Sorrisos, simpatia extremada e sem se furtar às respostas aos questionamentos mais capciosos, o vereador começa a desfilar seus objetivos, mirando seu futuro político e seus interesses. Acompanhei, do meu posto de trabalho e sem perder a intimidade com a entrevista, embora dela não participasse, foi retirando minhas conclusões, para poder chegar com mais propriedade a essa análise.

Afirmação infeliz
O que mais me deixou perplexo, porém, longe das regalias que pretende dar a seus pares – como salário dobrado, por exemplo, entre as outras que desfilou com largo sorriso – foi sua percepção do trabalho do vereador. Ao afirmar que o vereador precisa ter melhor qualidade, mais conhecimento e, por isso, deve ser atraído por bons salários, o futuro presidente da casa está protagonizando um “apartheid” político.

Divisão de castas

Ao propor uma analogia com a iniciativa privada e afirmar que “ninguém com duas faculdades e uma carreira coroada” é mal remunerado, ele mostra um preconceito desnecessário. Não é a universidade e o conhecimento que fazem o homem, mas seu caráter e integridade. De nada vale um diploma universitário, sem honestidade. E é disso que a política nacional mais precisa hoje.

Mimos natalinos
O futuro presidente da Câmara está sendo corajoso em assumir publicamente essa proposta. Ele quer, provavelmente, agradar aos que nele votaram. Mesmo com todos os argumentos que tenha utilizado na entrevista concedida à jornalista, inclusive aquele de que o vereador não tem regalias, como cotas de combustível e carros, por exemplo, também são frágeis diante da realidade da maioria dos trabalhadores brasileiros.

Hora de refletir
E, ao se autoproclamarem trabalhadores do povo e pelo povo, os vereadores devem estar sujeitos às mesmas regras dos demais. Ou será que estou errado e essa diferenciada categoria tem, mesmo, que ter todos esses benefícios? Lembremos que, no passado, o vereador era um voluntário. Eleito, mas sem vencimentos pecuniários. Exercia o cargo pelo gosto pela política. Hoje virou profissão. E que profissão!

Virou profissão
Justamente sobre o tema, o professor e jurista Luiz Flávio Gomes dispõe de um site para esse tipo de discussão. Trata-se do http://fimdopoliticoprofissional.com.br/ que é muito interessante. Nos dá a exata dimensão de tudo o que estamos falando agora.

Eles merecem...
Na mesma linha, e continuando a falar sobre política, na semana que passou, só que na quarta-feira, 17, também os deputados elevaram seus vencimentos, que agora chegam a R$ 33,7 mil mensais, fora as regalias de praxe. Presidente da República, vice e ministros do STF também entraram na lista dos beneficiários. No caso dos parlamentares é um autoaumento, pois a decisão cabe somente a eles. São os únicos “profissionais” que podem elevar seus salários sem ter que pedi-lo a um patrão. Mesmo tendo milhões de patrões, já que são – pelo menos em tese – nossos empregados, pois seus salários saem dos nossos bolsos. Assim como os dos vereadores também. E não houve contestações. Mesmo dos que se autoproclamam éticos e fiscalizadores. O bolso é mesmo um órgão sensível do corpo humano. Tanto no prejuízo, como no lucro.

Mais que limpo
Triste ( mas dentro da lei) a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso do deputado Paulo Salim Maluf (PP). Ficha suja reconhecido pela Justiça Paulista e pelas condenações que já teve, o veterano deputado paulista foi liberado pelo TSE e poderá assumir seu mandato em 2015. A fria letra da lei, infelizmente, deve se sobressair à questão moral nesse caso pois, nem tudo o que é legal é moral. É preciso, com urgência, rever essa legislação. E deixar que a avacalhação tome conta de tudo.

A cota excedida
Não quer mesmo investir. Essa é a impressão que dá a cada aparição do governador reeleito, o tucano Geraldo Alckmin, quando o assunto é o abastecimento de água. Agora ele quer multa para quem aumentar o consumo de água em São Paulo. Já deu desconto para quem economiza, agora quer multar. Investimentos no sistema e reconhecimento da gravidade do problema passam longe de Alckmin, que insiste em não rever seus conceitos. E eu que pensei que, passadas as eleições, medidas duras seriam anunciadas após a  sua vitória, errei. E feio. Ele continua com a lenga-lenga de sempre. Com o famoso nhe-nhe-nhem do seu parceiro de partido, o ex-presidente FHC. Isso me lembra a história do apagão de energia, quando fomos obrigados a trocar nossas lâmpadas, para não exceder a cota de consumo proposta. No circo São Paulo, continuamos como palhaços.

Pergunta rápida

Quem vai “segurar” a onda para o prefeito a partir de agora na Câmara?

Foi pior a emenda
Saiu o relatório da Comissão de Ética da Câmara Municipal sobre a punição do vereador André Henrique da Silva, o Tigrão (PMDB). Foi divulgado na última sexta-feira pela vereadora-relatora do processo, Érika Tank (Pros), e recomenda dez dias de suspensão ao “nobre edil” (é antigo isso...), que será votado na primeira sessão ordinária da Câmara em 2015. Depois de tanto barulho chega a ser hilária tal decisão. Melhor seria, como já opinei neste espaço, a absolvição completa de Tigrão, pela irrelevância de seus atos. Neste caso sai mais arranhada em sua integridade a Comissão de Ética do que o próprio vereador punido. Para utilizar uma expressão de rede social, kkkkkkkkkkkkkk.

Nota curtíssima
Um feliz Natal a todos.

Frase da semana
“É preciso tornar o Legislativo atraente para pessoas com conhecimento”. Do vereador Nilton Santos (PRB), eleito presidente da Câmara, sobre o aumento salarial dos vereadores. Terça-feira, 16. Na Gazeta de Limeira.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Equação política
Articulação, zero. Negociação, zero. Imposição, 1000 e arrogância ao infinito. Ao somar o primeiro com o segundo item, para depois subtrair dos terceiro e quarto, o resultado será sempre negativo. Nilton Santos (PRB) é o novo presidente da Câmara.

Resultado ruim
O resultado pode até não ter sido tão ruim assim para o prefeito Paulo Hadich (PSB). Agora ele terá que barganhar pesado para neutralizar o efeito Nilton na Câmara. A oposição, por sua vez, continua dependendo do humor dos situacionistas, que navegam sempre a favor do vento. Se o Prada soprar forte, as velas da embarcação continuarão na mesma direção. O que deve acontecer a partir de 2015.

Causa e efeito

Ju Negão e Dinho, ambos do PSB, que havia deliberado apoio a Raul Nilsen Filho (PMDB), mas votaram contrário à decisão partidária, podem sofrer alguma consequência? Ferramentas e argumentos o partido tem para isso.

Cacos miúdos
O PT, partido da base de Hadich, é um racha só. A passividade da alta cúpula partidária é uma festa aos olhos da oposição, que esfrega as mãos por ter conseguido tirá-lo da Mesa Diretora. Será que a aposta na “fidelidade” do presidente eleito vai valer a pena?

E o salário, ó...
...deve ser de metro para cima. Pelo menos essa é a prioridade do eleito Nilton Santos para satisfazer seus eleitores na Casa. Agora é esperar a reação dos oposicionistas, que votaram nele. Se fosse o atual presidente, Ronei Martins (PT) a anunciar a medida? As redes sociais estariam embaladas nos xingamentos de praxe. Agora...

Tem mais ainda
Na coluna do próximo domingo estarei analisando melhor as opiniões do novo presidente da Câmara, na entrevista concedida à jornalista Érica Samara da Silva.

A última de hoje
O traidor foi, é e será sempre um traidor. Não importa de que lado esteja. O amigo de hoje será a vítima da traição de amanhã. E o amigo de ontem, um futuro aliado.