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domingo, 16 de novembro de 2014

Se 2014 está indo embora, que venha 2015

A eleição já passou. Novembro chegou e, com ele, a espera pela chegada do fim de ano revela as expectativas de todos, e em todos os segmentos. No político, conta mais o início de 2015 do que propriamente o fechamento de 2014. Não haverá transmissão de cargo, apenas o reinício de um novo mandato à presidente Dilma Rousseff (PT), que com certeza não será nada fácil. Para ser suave nessa análise, será de enormes desafios, tanto técnicos como dentro da própria esfera política, que terá um peso ainda maior, devido ao crescimento da aposição e, mais que tudo, da oposição dentro do próprio governo, que se encarna no PMDB e também no PT, partido da própria presidente. Briga de gigantes, para estabelecer hegemonia e poder. O maior desafio, entretanto, será na economia e, por enquanto, não dá para analisar, por que o novo ministro da Fazenda, que substituirá Guido Mantega, ainda não foi escolhido. Apenas um nome, que agita os mercados de tal forma, pode transformar a tempestade em bonança. Ou em tsunami. Um nome, que não pode entrar no jogo de empurra dos partidos da base aliada, mas sim por sua capacidade técnica   

Compasso de espera
A questão é que essa indefinição política mexe com toda a conjuntura socioeconômica e, principalmente, daqueles que estão em ritmo de espera para poder investir ou não. E o reflexo de tudo isso concentra-se no comércio, que é a grande estrela deste período, considerado uma verdadeira mina de ouro para os empresários do setor. E também oportunidades dentro do próprio mercado de trabalho.

O bom... e o melhor
As entidades que representam o setor também não conseguem se entender quanto aos números. Uns, mais otimistas, esperam repetir ou até crescer sobre 2013, mas há pessimistas, também, que estão retardando suas próprias expectativas, para não dar um passo em falso. Se o marasmo em que se encontra a economia nacional pautar esse dinâmico setor, os pessimistas saem na frente. Então...

É preciso definição
O movimento ainda é de avaliação e oportunidades. Se há um atraso na busca por reforçar seus times de vendas para as festas de Natal e ano novo, não há desconsolo total, e isso é bom. Talvez o grande mote para dar o start nessa movimentação seja, de fato, a definição em torno de quem vai gerir a economia do País de 2015 em diante. Um pouco mais de sensibilidade do governo é a deixa.

E tem que ser logo

Para fazer o País correr, em vez apenas de andar, é preciso que o combustível seja de ótima qualidade. E na avaliação de especialistas, passa justamente pela escolha do novo ministro da Fazenda a arrancada para um novo tempo de prosperidade. Fazer jogo político e de acomodação só emperra todo esse processo. Seria um sinal de boa vontade e, principalmente, de fortalecimento da economia.

Olho no consumo
Em Limeira também há um compasso de espera, e talvez até uma prudência exagerada, no segmento comercial. O de varejo, que atende o consumidor direto, está no “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”. Como se trata de um setor que tem na criatividade sua melhor competência, está nas mãos dos empresários e dos próprios trabalhadores a garantia do sucesso. Com ou sem crise econômica. 

Aposta  necessária
O que move todo esse mercado do consumo direto, entretanto, é a capacidade industrial que estagnou e vai perdendo nutrientes diariamente. Alie-se a isso a pouca – ou nenhuma – capacidade de o Município atrair novos investimentos e a equação se fecha. E nesse caso não há milagres, mas soluções técnicas e de ordem estrutural, o que não impede a busca pelas criativas. Que pode ser um diferencial, pelo menos, neste período  

Sempre bem-vindo
Iracemápolis acaba de anunciar uma nova empresa. Uma fábrica de telhas, que investiu R$ 14 milhões e vai investir mais. São 90 empregos, 80 dos quais para iracemapolenses. Os números não são espetaculares, mas  positivos. Limeira nem isso consegue. 

Exemplo às avessas
Quando as fotos conseguem expressar o seu próprio conteúdo, o texto é apenas um acessório. E esta, do repórter-fotográfico JB Anthero, da Gazeta, é uma delas, cujo significado traduz total imprudência.  A Prefeitura de Limeira, através da Secretaria de Mobilidade Urbana, deu início a um projeto de instalação de grades de proteção aos pedestres nas calçadas. Outros 30 pontos também deverão receber os gradis. A primeira etapa aconteceu na calçada da escola Professora Flora de Castro Rodrigues. Na tarde de quinta-feira, ao se dirigir ao local para fotografar a novidade, que se tornou matéria jornalística, o flagrante foi muito feliz, do ponto de vista do profissional, e infeliz, ao mostrar tamanha falta de consciência do pedestre. Enquanto a maioria trafegava pela calçada, um senhor se arriscava andando pela rua, ao lado da grade.

Descuido perigoso
A foto, estampada na primeira da edição da sexta-feira, e com destaque, nos remete aos constantes apelos à consciência do cidadão, que se arrisca quando poderia estar protegido. Tal qual o pedestre que atravessa uma rodovia movimentada, a poucos metros de uma passarela. Cena comum na Limeira-Piracicaba ou via Anhanguera.

Uma razão ausente
A atitude desse cidadão, que talvez até se identifique com a foto, reflete a falta de educação no trânsito, tal qual o motorista que dirige alcoolizado ou mesmo falando ao celular. É um risco desnecessário que, a despeito de toda a exploração da mídia, não deixa de ser presenciado constantemente pelas ruas e avenidas da cidade. O que não é, com certeza, exclusividade de Limeira. Se o poder público é cobrado por ações que garantam a segurança da população, o mínimo que se espera é retribuição com consciência.

Com chapéu alheio
Na última quarta-feira, o prefeito Paulo Hadich (PSB) exibiu em sua página pessoal do Facebook uma foto sua e pequeno texto sobre as obras de acesso ao Shopping Nações, cujas obras “encontravam-se em ritmo acelerado”. Era a informação. Na realidade se trata de uma retomada de obra iniciada pelo próprio shopping, que vai servir ao acesso.

Abandono sem fim
O dinheiro público infelizmente não tem dono mesmo. A não ser o próprio contribuinte, que “investe” em impostos, taxas e contribuições, que dificilmente retornam em seu próprio benefício. E Limeira é rica nesses exemplos. Depois de mostrar o abandono do Palacete Levy, que sediou por mais de três décadas a Câmara Municipal e onde morou a primeira prefeita do País, Maria Tereza de Barros Camargo, agora é a vez do que restou a Machina São Paulo, espaço que tem projeto e obra iniciada, mas está abandonado e terá, segundo a Prefeitura, nova destinação. Falta apenas explicar o que vai acontecer com o dinheiro já investido nas obras, que começaram lá atrás. E os cofres públicos...

Pergunta rápida
Quem é, de fato, oposição ao governo, o PSDB ou o próprio PT?

Consciência zero
Não é só o poder público que deve zelar pelo próprio patrimônio. A população também deve ter papel fundamental na fiscalização e bom uso dos próprios públicos, uma vez que se trata de um bem comum. Já citei, em nota anterior, que é fácil cobrar responsabilidade do poder público. Difícil é assumir a responsabilidade que leva à cidadania plena. O banheiro público da Praça Toledo Barros, bastante criticado por usuários de uma maneira geral, foi totalmente reformado e entregue no início da última semana e, nem um dia se passou, e já estava danificado pela ação humana. Uma válvula de descarga quebrada e uma torneira destruída, interditadas para o uso, conforme mostrou também esta Gazeta na última sexta-feira. Qual é o objetivo de tamanho vandalismo?

Nota curtíssima
A viúva Porcina da política é o PMDB, aquele que sempre é, sem nunca ter sido.

Frase da semana
"Lava Jato poderá tirar do Brasil imagem de 'república das bananas'". Do jurista Walter Maierovitch, sobre as prisões de empresários envolvidos no caso Petrobras. No UOL Notícias-Política. Sexta-feira, 14.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Está na berlinda
A Câmara de Limeira não vive seu melhor momento. Terá que votar o projeto da Contribuição para Serviços de Iluminação Pública (Cosip), sobre o qual vários vereadores sinalizam que votarão contra. Vive a expectativa do caso Tigrão e, agora, tem vereador com acusação de assédio moral.

E nos bastidores

Na questão da Cosip, uma fonte de livre circulação no Legislativo me garantiu que essa história de se opor à cobrança, inclusive de vereadores da base de Hadich, é apenas jogo de cena. E que, na hora do voto, a nova “taxa” passa. É esperar para ver.

Novo presidente
Os outros problemas, como o do Tigrão e do assédio moral, devem mesmo ficar para a nova mesa diretora da Câmara. Apesar de toda a pressão por punições exemplares, devem ser mais algumas pizzas que irão para o forno.

Se a moda pega...

...parece ter chegado a Limeira. Essa história de queimar ônibus para protestar contra ações policiais é um modismo de péssimo gosto. Exemplos copiados de grandes centros, onde o Estado não consegue o controle da situação. Nem mesmo preventivo.

De novo, as redes

Um dia após o incidente registrado no Santa Adélia, as redes sociais “bombaram” com incrível boataria, que se espalhou mais rápido que o fogo. A rapidez com que os internautas compartilham essas informações é assustadora. Ninguém mais se preocupa em checar as informações ou sua origem. O clique é instantâneo.

A última de hoje

Ainda sobre os ataques aos ônibus em Limeira, foi muito estranho o comportamento e o silêncio da Prefeitura. Nem o prefeito Paulo Hadich (PSB) e a secretária de Mobilidade Urbana, Andréa Soares se manifestaram. Ninguém está entendendo esse silêncio. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O custo e o benefício do bom planejamento

Apesar da longa e dolorosa estiagem, que está obrigando administradores públicos e empresas de saneamento a ações restritivas e, por vezes, impopulares¸ é sempre bom ler notícias de investimentos contra enchente, o lado negativo da chuva. E o estudo sobre áreas de risco e o desenvolvimento de projetos básicos de intervenções necessárias às correção desses problemas, são o ponto de partida para qualquer prática que possa aliviar o sofrimento, que o excesso de água também pode causar. E, para que isso ocorra de forma programada e seja viabilizado na prática, o planejamento é fundamental para obter resultados positivos nesse processo. E o sucesso de intervenções dessa natureza passa, primordialmente, pelo reconhecimento da causa, que precisa ter seus efeitos reduzidos por ações concretas e opções viáveis às suas realizações. E, principalmente, recursos financeiros disponíveis.
Parece-me – e essa foi a primeira impressão que tive ao ler sobre o tema – que o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Limeira e muito bem detalhado, em manchete desta Gazeta do último domingo, contempla essas necessidades. No caso do limeirense, que há anos sofre com enchentes quando elas vêm, que atingem áreas bastante conhecidas nas mais diversas regiões do Município, o diagnóstico já é conhecido, faltando agora a prescrição do melhor remédio para o seu tratamento. Com os pontos críticos listados e muito bem descritos na matéria da jornalista Daíza Lacerda, o PMRR já tem projetadas as soluções, há muito pedidas pela população. Especialmente aquela que vive nessas áreas de risco.
Outras administrações públicas, ao longo de um período de 30 anos, e que passaram por grandes enchentes – inclusive com destruição e mortes – sempre optaram em remediar com soluções pontuais e localizadas. Só que esperavam a chuva chegar para depois correr atrás da enxurrada, quando já havia levado tudo o que encontrava pela frente. Não me recordo, pelo menos nessas últimas três ou quatro décadas, de nenhum prefeito que tenha apresentado um plano, como esse agora, detalhado pelo presidente do SAAE, Osmar da Silva Júnior. Como Limeira perdeu muito investimento público pela ausência de projetos básicos, espera-se, agora, que com o PMRR, esmiuçado da forma como foi, haja uma mudança de direção e tudo caminhe para a segunda parte do programa, que é a busca pelo dinheiro necessário às obras, avaliado pela própria autarquia, em torno de R$ 19 milhões. Espera-se, no mínimo, que não seja mais um projeto engavetado e tenha sucesso na sua execução. No papel ele já está. Agora é preciso que se transforme em realidade. Ou melhor, em obras efetivas e que contribuam definitivamente para a melhora da qualidade de vida do limeirense. Afinal, a prevenção sempre tem o melhor custo-benefício, mais do que qualquer remediação. E todos sabem muito bem disto.

domingo, 9 de novembro de 2014

Mesma história de sempre. Explicações, idem

Reportagem publicada por esta Gazeta na última quinta-feira, de autoria da jornalista Érica Samara da Silva, transformada na manchete da edição, dá-nos um “exemplo” daquilo que não é um “bom exemplo”. A deterioração do Palacete Tatuibi, que abrigou a Câmara Municipal por mais de três décadas e, posteriormente, alguns órgãos públicos, é tão visível como inaceitável é a explicação do poder público para tamanho descaso. Não foi a primeira e nem será a última abordagem sobre aquele imóvel, que já foi residência da família de Trajano de Barros Camargo, o dr. Trajano, pioneiro na industrialização do Município, com esse conteúdo. A casa, outrora símbolo político, abrigou também a primeira mulher prefeita do Brasil, justamente a esposa do dr. Trajano, Maria Tereza de Barros Camargo, hoje não passa de um amontoado de lixo, sujeira, pichações e trincas pelas paredes. Um cenário que remonta a filmes de gangues que brigam por domínio de território. Cada um fazendo uma marcação diferente. E, mais uma vez, as explicações não convencem. São repetições do que já sabemos.

É preciso insistir
Não é possível que as autoridades públicas, aquelas que têm a obrigação de zelar pelo próprio patrimônio, ainda mais quando tem caráter histórico comprovado (se eu estiver enganado que me corrijam), fiquem omissas e amparadas em desculpas recorrentes. Se há dificuldades em enfrentar o problema – e acredito que elas existam mesmo – a busca por soluções práticas é o melhor caminho. É preciso respostas.

Não sai do lugar
Mais triste ainda – pelo menos de cruel sinceridade – é a Prefeitura reconhecer a falta de ações, no sentido de evitar a deterioração do prédio. Admitir que a atual administração nada fez é um bom começo. Foge da lengalenga do “estamos buscando soluções; há dificuldades burocráticas”, mas não a exime das responsabilidades. A situação só piora. E, com certeza, maiores serão os obstáculos para corrigi-la.

Está. Não está??
As contradições nas explicações que a própria Prefeitura deu à jornalista são visíveis. E demonstram a total falta de sensibilidade para com o problema. “O prédio não está em risco e está sendo monitorado”, afirmou o Executivo, por meio de nota. Mas as rachaduras, portas e janelas quebradas e até mesmo a sujeira no interior do “palacete” demonstram justamente o contrário. É preciso agir logo.

Imagens fortes
Outra contradição. Se não há riscos estruturais e mesmo funcionais, por que então insistir que o prédio não está em condições, no momento, de receber novamente qualquer serviço público? E tome abandono. Quanto às pichações e ações de vandalismo, a informação é de que ronda da Guarda Civil Municipal pode ser acionada. Fotografias mostram justamente o contrário.

Repetir e repetir
Quanto às questões que envolvem andarilhos e usuários de drogas, a informação da nota oficial é de que o local está no cronograma de abordagem do Ceprosom. Porém, acho que já ouvi isso antes. Em outras matérias de igual teor. “Será feita a abordagem esta semana”, diz. E quantas semanas já se passaram desde as reportagens anteriores. Colchões, cobertores, etc., continuam por lá. 

E vem de longe...
É preciso, entretanto, fazer justiça e reconhecer que o problema não é da atual administração do ponto de vista do seu início, ou seja, as que passaram também nada fizeram. Trata-se de uma herança que vem sendo dividida entre essas gestões públicas, sem que haja uma ação efetiva para resolver o problema. Empurrar com a barriga virou prática política. Independentemente de quem esteja no poder.

A cereja do bolo
Só para fechar esse raciocínio, mais uma informação interessante. Enquanto prédios públicos se deterioram ou são subutilizados (como o novo da biblioteca), a Prefeitura vai pagar, até o fim do ano, R$ 4,3 milhões em alugueis para terceiros.

Falta cidadania
Se na maioria das vezes o poder público não cumpre com o seu papel e ignora suas responsabilidades, a população – ou boa parcela dela – também não dá exemplos concretos ao exercício da cidadania. A crise hídrica tem sido um bom teste. Muitos simplesmente empurram, literalmente, com um rodinho, a água pelo ralo. Não sei se por ignorância mesmo, ou por pura falta de consciência. Mesmo com as denúncias, multas e campanhas explicativas, tem gente que ainda continua desperdiçando. E são os mesmos que irão, posteriormente, criticar o próprio poder público pelo problema. Que é grave, e não há indícios de resolução a curto prazo. A chuva chega, espera-se que ela fique, mas acaba indo embora para mais um período de estiagem. Por isso é preciso que todos se engajem nessa batalha, com a utilização racional e controlada da água.

Outros exemplos
As ruas de Limeira também entram no mapa da falta de consciência do cidadão. Não é raro ouvir reclamações sobre veículos abandonados – ou deixados – pelas ruas da cidade, muitas vezes dificultando a passagem de outros veículos e até mesmo causando riscos a motoristas e pedestres.

Espaço de todos
Vale lembrar que ruas são espaços públicos. Não são depósito ou garagem. Só para constar: na Avenida Araras, que apesar de ser chamada como tal é bem estreita, há uma carroceria de carreta, sem o cavalo, deixada há meses quase na esquina com a Praça Adão Duarte. A via é de grande movimento, inclusive de ônibus, e aquele mostrengo é um transtorno onde se encontra. Não é peça velha, mas está lá. Os fiscais do Município bem que poderiam dar uma passadinha por lá. E remover aquele estorvo.

Sem reclamações
Está funcionando, e bem, o sistema semafórico na rotatória do Viaduto Antônio Feres, conhecido como Viaduto da Ford. Motoristas e pedestres, que reclamaram e criticaram muito, abriram mão da zona de conforto e entenderam a importância daquele controle. Disciplina é bom. E prática. 

O velho problema
Já nas ruas centrais, parece que está distante o sincronismo dos semáforos. Faz tempo que não comento nada por aqui, mas sempre é bom dar uma relembrada às autoridades do trânsito. Com exceção dos corredores das ruas Boa Morte e Dr. Trajano – e às vezes na Barão de Campinas também – que têm quase uma “onda verde”, as demais ainda dão muita dor de cabeça aos motoristas. Somando também a imprudência, a falta de educação e o desleixo dos motoristas e pedestres, a situação fica ainda mais complicada. Como escrevi acima, se o poder público falha em muitos setores, muitos cidadãos também dão sua contribuição para o agravamento de certos problemas.

Pergunta rápida
Se Maomé não vai à montanha, a montanha vem mesmo até Maomé?

Espírito cidadão
Hoje a Gazeta de Limeira abre mais uma Copa Gazeta, na categoria Menores. Um incentivo à formação de crianças e jovens, que procuram no esporte a base para seu futuro. É mais um exemplo positivo e uma contribuição efetiva deste jornal à cidadania. Assim como foi – e vem sendo há mais de duas décadas – o Prêmio Gazeta de Literatura, encerrado no último dia 21 de outubro com a premiação dos vencedores. E que trouxe, justamente, um tema relativo ao futebol (“Resumo da Copa – as lições que ficaram”), incentivando o despertar de um pensamento crítico sobre uma situação real vivida pelo País, que foi a Copa do Mundo da Fifa. Essa feliz união entre educação, cultura e esporte fortalece ainda mais a participação deste veículo de comunicação na formação da sociedade limeirense. 

Nota curtíssima
Nenhum eleitor pode ter seu voto menosprezado. Independentemente de quem ele tenha votado.

Frase da semana
"Aqui tem muita coisa que estimo". Da idosa da Vila Queiroz, de cuja residência a Prefeitura retirou, através de mandado judicial, mais de 100 toneladas de coisas que ela guardava. Na Gazeta de Limeira. Sexta-feira, 7.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Intolerância 100%
Passadas quase duas semanas da eleição presidencial, a intolerância e o ódio não arrefeceram entre as duas partes litigantes. Os protagonistas fazem política, mas os personagens secundários é que contribuem para isso. E as redes sociais são a maior prova disso. É preciso desarmar os espíritos, e um respeitar o direito do outro.

Ninguém é do...
...bem. Muito menos do mal, como propagam os mais exaltados. São dois lados que fizeram suas escolhas. Cada um com sua responsabilidade. Isso se chama livre arbítrio.

Ainda falta algo
Seria cômico. Mas é trágico. São justamente os que disseminam esse ódio pela internet, hoje, e se valem da liberdade de expressão, os mesmos que ontem exerciam e aplaudiam a censura. Viúvas e órfãos da ditadura militar, que não aprenderam com o exemplo da história.

Um novo começo
E não demorou muito, não. Na edição do último domingo fiz um balanço no pós-eleitoral sobre os desafios do prefeito Paulo Hadich (PSB) e sua base. E agora, a confirmação. Vereadores, entre eles alguns pesos-pesados da situação, começam a cobrar algumas faturas. Como mostra claramente a matéria da jornalista Erica Samara da Silva, sobre as cobranças ao Executivo. E foi rápido.

Era de esperar
A lua de mel entre Hadich e sua base está, hoje, mais para divórcio. E vou chutar na direção do gol: a postura do atual presidente da Câmara, o petista Ronei Martins, deve ser diametralmente oposta nos dois últimos anos da atual Legislatura. É quase gol.

A última de hoje
A oposição, com o Partido Republicano, assumiu o controle do Senado dos Estados Unidos nas eleições realizadas na última terça-feira. E manteve a maioria na Câmara de Representantes. Lá o voto não é obrigatório. Ninguém morreu por isso, e o mundo não acabou.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Utopia? Vamos chamar de agenda positiva

Não se tem conhecimento, neste país, de qualquer tipo de aliança entre políticos de partidos adversários que possa traçar um caminho onde situação e oposição sigam juntas pelo bem comum. O que é muito mais complexo ainda em se tratando de política, uma vez que as lideranças de maior expressão de cada segmento envolvido não aceitam negociar, senão sob seus próprios argumentos. E ninguém abre mão de uma vírgula sequer, em seus manuais, que possa proporcionar ou direcionar um entendimento. Não significa aceitação e muito menos adesão de um grupo ao outro, mas pontos comuns de seus programas que poderiam se complementar em benefício de todos. E do crescimento do País. O debate, diferentemente de outros países com maior grau de desenvolvimento, não sai do entorno do umbigo dos caciques partidários, que veem em qualquer tipo de aproximação uma negação à própria condição de seu status. Ou de situação ou de oposição. Os discursos podem até confundir a opinião pública, mas a prática desmente qualquer boa intenção, da qual, como se diz no popular, o inferno está cheio.
Ceder em questões pontuais e reconhecer que ambos os lados têm soluções viáveis e até parecidas para os graves problemas que o Brasil enfrenta neste momento, não significa capitular. Muito menos abrir mão dos princípios elementares que regem cada partido político. Afinal, são apenas adversários e não inimigos (penso...). Nem deve ser encarado como fraqueza do governo ao admitir que enfrenta dificuldades e menos ainda soberba da oposição, como se só ela tivesse as respostas a todas as perguntas ou o direito a arrestar par si a única forma de conduta ética possível. Trata-se de um preceito básico à garantida da civilidade. Arrefecer os ânimos e pensar na cidadania como esteio a qualquer governo seria oportuno neste momento em que a insatisfação toma conta da nação, mas mesmo assim optou pela manutenção do atual modelo de governo. Seria, talvez, um voto de confiança que traz embutido em seu significado a expressão que marcou aquele junho de 2013: mudança. E urgente. Não há senhores da verdade nesse processo, mas a responsabilidade para arejar o sistema político nacional. Sem que ninguém perca sua identidade.
É possível partir dessa premissa para chegar a um denominador comum? Sim. Resposta curta e grossa, que passa pelo alinhamento de ideias – não de poder – para espantar o tradicional “nós vencemos” sobre o “vocês perderam”. Posso até parecer utópico, mas se PT e PSDB abrissem mão da beligerância instalada a cada processo eleitoral em favor de um protagonismo maior – e não seria aliança incondicional – estariam dando um grande passo para erradicar o fisiologismo, que ainda continua sendo o grande entrave a qualquer reforma que se faça necessária. E nada melhor para essa configuração do que a elaboração de uma agenda positiva e propositiva, visando ao presente e futuro do País. O que só será possível se as vaidades forem deixadas de lado. Não é pedir muito, acredito.

domingo, 2 de novembro de 2014

A política como ela é. Sem tirar e nem por

Passadas as eleições, seus resultados e consequências, que embalam as expectativas da população para 2015, quando Dilma Rousseff (PT) começa seu segundo mandato, é preciso voltar um pouco à realidade política local. Se a administração Paulo Hadich (PSB), parece ter encontrado um pouco – eu disse um pouco – de objetividade, com algumas obras importantes em andamento, como a do piscinão – ou bacia de contenção, em sua denominação técnica – do Tiro de Guerra, por exemplo, uma nova batalha está no ar. Paira sobre as cabeças de todos aqueles que compõem a base governista, para garantir governabilidade, um insustentável clima de animosidade, embora todos corram com desmentidos e adulações. Se a situação de crise hídrica deu um descanso nas críticas ao governo municipal, que tem, sim, tomados decisões acertadas (apenas tardias) e está demonstrando rigor nas ações necessárias, o ambiente político está conturbado. E deve ficar ainda mais carregado daqui para frente, com alguns embates em andamento e que interessam diretamente ao comando do Edifício Prada. E as previsões são pouco alentadoras no sentido de contorná-los.    

Os enfrentamentos
O que até agora parecia fácil para o Poder Executivo,  com uma oposição frágil e desconexa, centralizada em um ou outro vereador e sem lideranças externas locais, pode ter alguns complicadores, se levados em conta os últimos acontecimentos envolvendo a base aliada de Hadich na Câmara. O primeiro deles, e que vai dar muita dor de cabeça, é o caso do vereador André Henrique da Silva, o Tigrão (PMDB)

Uma troca indigesta
Situacionista, com alguns rompantes de oposição, Tigrão é um número importante na bancada governista. E a Comissão de Ética instalada para avaliar sua conduta recente, e até mesmo passada, pode levá-lo à cassação. Se isso vai acontecer, é difícil prever qual será o resultado das investigações. Há interesses outros em jogo, que apenas a falta de decoro do vereador. Há substituições nada palatáveis ao Prada.

É matemática pura
Há um conflito ético em jogo. Como há, também, uma preocupação maior ainda, caso o peemedebista seja cassado. Seu suplente, o também peemedebista Bruno Bortolan, deverá compor com a oposição. E, na matemática, um número a mais pode desequilibrar a balança. Mesmo porque há muitos descontentes, que poderão se distanciar do governo e, dessa forma, adeus conforto na hora das votações.

Caminhos opostos?

Embora o próprio PT esteja na defesa quase intransigente da atual administração municipal – e perdeu muito com isso, politicamente falando – é claro o desconforto entre o atual presidente da Câmara, Ronei Martins, e o prefeito. Notou-se, em aparições recentes, um certo distanciamento entre ambos, que nem deu para disfarçar. E as eleições estadual e federal foram a gota d’água da tempestade.

Diferencial político
De um lado o vice, Antonio Carlos Lima, do PT, fazendo campanha para Padilha e Dilma e, de outro, o prefeito, alinhado com Alckmin e Aécio. Difícil não se incomodar com isso. E de ambos os lados. Em 2015 será eleito um novo presidente da Câmara, e todos os seus pares. Ronei volta à sua cadeira no plenário e seu posicionamento, a partir daí, é uma incógnita. Se optar pela independência, é mais dor de cabeça ainda.

De alta voltagem
Tem ainda votação da taxa da iluminação, batizada pomposamente de Contribuição para Serviços de Iluminação Pública, de sigla não mesmo pomposa (Cosip). Como será votada no pós-eleição e ainda neste ano (até pode ser que passe), mas as mágoas com certeza não se apagarão. E pode não ser com tanta folga assim, como foram outros projetos polêmicos da atual administração. É preciso ver se vale o desgaste.

Pinceladas iniciais
Como estamos fazendo ilações no campo político, há uma grande probabilidade de tudo isso não acontecer e continuar como está. Um quadro pré-pintado. Ampla maioria governista, rolo-compressor e tudo mais. Mas que 2015 será explosivo, isso será.

Serão anos difíceis
O próximo ano não será exclusivo em turbulências locais. O que aguarda a presidente reeleita Dilma não são tapetes vermelhos, pétalas de rosas e afagos. Ela será obrigada a um jogo de cintura política que, infelizmente, não é o seu forte. A convivência com o Congresso não será nada fácil. Ou melhor, com o PMDB, partido da base aliada, mas de um virulência implacável. Um verdadeiro parasita que se aboletou do poder e manteve refém FHC, Lula e a própria presidente neste seu primeiro mandato, que está chegando ao fim. E seria da mesma forma, caso o tucano Aécio Neves tivesse vencido as eleições. Sem lideranças nacionais, o partido do vice-presidente (que ironia...) se garante através de chantagens e do “é dando que se recebe”, para permanecer no comando. Puro fisiologismo.

Na própria família

É preciso reconhecer, também, que o PT hoje é refém do próprio PT. E Dilma terá que acomodar seus correligionários e ceder às pressões partidárias, caso queira governar. Ou então partir para o enfrentamento e, quem sabe, contar com a oposição.

Mais semelhanças
O maior problema da política nacional é que a palavra conciliação não existe no vocabulário de nenhuma liderança política. De nenhum partido, porque os interesses corporativos se sobrepõem aos da própria nação. É tudo do mesmo.

Isentando as redes
E por falar em intolerância¸ as redes sociais continuam exímias difusoras do preconceito e do ódio. Ou mau uso dessas ferramentas, que são território livre. Ninguém deve atingir seu semelhante moralmente, tendo como pano de fundo o direito à livre expressão do pensamento. Os meios legais para um ressarcimento a ataques morais ainda são difusos e ficam à mercê de uma decisão individual, uma vez que o Código Penal brasileiro não contempla crimes praticados através da internet. A não ser os já conhecidos: injúria, calúnia e difamação, cujas penas nem sempre são proporcionais à gravidade do crime cometido. O que não se deve é, entretanto, culpar as redes sociais por seu mau uso, cuja responsabilidade é de quem as utiliza. Falta de consciência.

Pergunta rápida
Por que o ser humano ainda é refém da intolerância?

Reconhecer o erro
As eleições passaram, mas os ânimos continuam acirrados. Ainda há uma parcela considerável de pessoas que não baixaram a guarda, para apostar no pior. Defino-os como desinformados que não conseguem fazer o uso da matemática básica, e somar dois mais dois para chegar a quatro. Insistem em suas teorias conspiratórias, para não reconhecer o recado das urnas. Que se deram a vitória ao PT deixaram um claro recado de insatisfação. E mais que continuar com a “campanha eleitoral” como se fosse prorrogação de um jogo, deveriam investir no reconhecimento da própria falha. Mais que a conhecida competência petista, houve uma enorme e recorrente incompetência tucana. Uma reavaliação de postura faria muito bem para esse entendimento.

Os números finais
Outro reflexo aguardado no pós-eleição é no que diz respeito à crise hídrica no Estado de São Paulo. Não é questão de ser repetitivo, mas de chamar à realidade os envolvidos no problema, em especial o governador reeleito – e com larga margem - Geraldo Alckmin (PSDB). Infelizmente sua atuação, até aqui, tem sido um desastre e de uma irresponsabilidade memoráveis. Sua repetida negação dessa crise, e seu discurso e preocupação em desmentir os técnicos envolvidos no assunto, são lastimáveis. Não dá para entender tamanha obsessão em negar o óbvio. Mesmo com tudo e todos – inclusive a Sabesp, que opera o sistema de água – mostrando que a situação é crítica. Nem mesmo a disputa eleitoral é motivo para isso.

Nota curtíssima
O escândalo da Petrobras e a crise hídrica paulista sumiram das pautas na mídia.

Frase da semana
“Devo, não nego. Pagarei quando puder”
. De Ricardo Coutinho (PSB), reeleito ao governo da Paraíba, ao recorrer à presidente Dilma Rousseff (PT), para ajudá-lo. Na Folha de S.Paulo. Sexta-feira, 31.