Com as primeiras medidas anunciadas pelo prefeito Paulo Hadich (PSB), no último dia 17, pela sua conta particular no Facebook e pela imprensa no dia seguinte, sobre a crise hídrica e os primeiros decretos assinados no início da semana que passou, assume-se a gravidade que a situação realmente exige. Depois de todas as tentativas de garantir a “normalidade” a qualquer custo, e que não seriam necessárias ações mais contundentes, o poder público toma para si o controle da situação. Talvez com certo atraso, mas a tempo de rever conceitos e chamar a população a participar, de fato, nas decisões sobre economia e uso racional da água e busca por soluções que possam evitar o desabastecimento. Mesmo com toda a eficiência do mundo, a concessionária Odebrecht Ambiental também precisou se enquadrar e optar pela reserva técnica. Agora é preciso que o cidadão cumpra também o seu papel, de forma consciente e como o momento exige. O futuro não está tão longe assim, e o risco de um racionamento não pode ser descartado. Acertou o prefeito na receita, e se espera que todos sigam as indicações, para que não venhamos a ter efeitos colaterais danosos.
Uma luta de todos
Além de envolver a população nessa cruzada para que a escassez de água não seja tão sentida, o Município começa a chamar segmentos empresariais e lideranças locais à luta, impondo-lhes regras pontuais. E assim é preciso agir. Afinal, se minha torneira secar, com a do meu vizinho também acontecerá a mesma coisa. E se o uso for racional e equilibrado, todos poderemos usufruir dos bons resultados.
Egoísmo nefasssto
Apesar disso, ainda se percebe que nem todos acreditam na extrema gravidade que o momento nos apresenta. Que essa condição climática atípica possa, de fato, trazer algum tipo de efeito indesejado. Vale lembrar que já estamos vivendo sob esses efeitos, e que podem ser ainda mais drásticos, caso não compartilhemos dessas ações. Somos nós, humanos, nossos piores inimigos. Egoístas por natureza.
Mão no bolso dói
Embora defensor de um racionamento, mesmo que em pequenas doses, sou obrigado a concordar que a mão no bolso do contribuinte também vai doer, caso haja descumprimento das medidas contidas no decreto municipal. E deve ser uma investida rigorosa mesmo. Para que isso ocorra, entretanto, será preciso a ajuda dos limeirenses, com as devidas denúncias na presença de desperdício.
O fato e a notícia
E essas denúncias vêm acontecendo, porém, há um dado novo mostrado por esta Gazeta, em manchete da última sexta-feira: o aumento no consumo de água em Limeira, a partir do anúncio das medidas restritivas. A Odebrecht Ambiental registrou 8% de acréscimo no consumo de água, o que pode provocar medidas mais drásticas, como o racionamento, assumido agora pela própria concessionária.
Questão de saúde
A impressão que esse novo dado nos mostra é que já há gente armazenando água, daí o consumo mais elevado registrado nos últimos dias. E isso, muito mais que uma atitude egoísta, é perigosa. O armazenamento de forma indevida pode piorar a qualidade da água e, se em recipientes mal fechados, pode acelerar o processo de criação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. Esse é um risco sério, caso seja comprovado essa atitude de parte da população, preocupada com a falta de água.
Todos pela água
Mais uma vez, é o apelo ao uso consciente e racional da água que deve mover as ações da população neste momento. Neste caso, o poder público e a concessionária que opera o serviço de captação, tratamento e distribuição estão fazendo a sua parte – de forma bem feita, diga-se – e cabe ao cidadão fazer a sua. Nunca é tarde lembrar que são as ações do próprio homem as responsáveis pela situação que vivemos hoje.
E que chova logo
Há uma expectativa de que a chuva chegue o mais rápido possível. As previsões apontam para isso. Mesmo assim, e isso é importante destacar, a recuperação dos mananciais será demorada. E o mínimo que façamos já é uma contribuição.
É a hora do voto
Se a chuva está chegando, a hora do voto já chegou. Hoje todos nós, brasileiros, cidadãos e eleitores, estaremos voltando às urnas para decidir quem será o próximo presidente da República. Se teremos uma reeleita ou um eleito. Em alguns Estados, governadores também. Mais que uma simples ação de escolher entre um e outro - ou nenhum dos dois – e preciso pensar no que temos hoje e no que queremos para o depois. Analisar as propostas (que foram poucas, de ambos os lados) e ter a percepção de quem está melhor preparado ou até mesmo tem mais poder político para enfrentar os próximos anos, que prometem ser difíceis. E isso seja quem for o escolhido. O fato é que mais uma vez ficou a polarização entre duas correntes, que se repete há 20 anos. As lideranças envelheceram, mas ainda são a preferência do eleitorado.
Quase plebiscito
Muito se fala, e as críticas sobre essa polarização entre PT e PSDB são contundentes. O que não se tem, entretanto, é uma força capaz, ainda, de enfrentar essa situação e mostrar que é preciso mudar. Quem sabe em 2018. Por enquanto, a escolha é essa.
Sem derrotados
Hoje, quase 144 milhões de eleitores devem sacramentar o destino político da nação para os próximos quatro anos. E que o resultado, independentemente de quem favorecer, seja respeitado e aplaudido por todos. Afinal, numa democracia, é a maioria que vence.
O “não”, de novo
Outro reflexo aguardado no pós-eleição é o que diz respeito à crise hídrica no Estado de São Paulo. Não é questão de ser repetitivo, mas de chamar à realidade os envolvidos no problema, em especial o governador reeleito – e com larga margem - Geraldo Alckmin (PSDB). Infelizmente sua atuação, até aqui, tem sido um desastre e de uma irresponsabilidade memoráveis. Suas repetidas negações dessa crise, e seu discurso e preocupação em desmentir os técnicos envolvidos no assunto, são lastimáveis. Não dá para entender tamanha obsessão em negar o óbvio. Mesmo com tudo e todos – inclusive a Sabesp, que opera o sistema de água – mostrando que a situação é crítica. Nem mesmo a disputa eleitoral é motivo para isso. A própria Sabesp reconheceu ingerência política.
Pergunta rápida
Será que amanhã o governador Geraldo Alckmin decreta racionamento de água?
E de volta à casa
Amanhã deve ser um dia conturbado na Câmara de Limeira. Entre os assuntos a serem discutidos, uma bomba prestes a explodir: a situação do vereador André Henrique da Silva (PMDB), o Tigrão, e a instalação de uma possível comissão, que pode apenas advertir, suspender temporariamente e até mesmo cassá-lo, devido às suas indiscrições e ações intempestivas. Uma verdadeira “sinuca de bico” para todos os integrantes da Casa. E pelos interesses políticos que representa à própria divisão de poder, uma vez que hoje ele faz parte da bancada governista e seu suplente imediato, Bruno Bortolan (PMDB), deve acompanhar a oposição. Promete.
Nota curtíssima
Como nos mostra a sabedoria popular: se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.
Frase da semana
“Não retiro nada do que falei”. Catarina Albuquerque, relatora da ONU sobre a crise da água, que foi criticada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), após cobrar investimentos para o setor. Na Folha de S. Paulo. Sexta-feira, 23.
domingo, 26 de outubro de 2014
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Louvor ao talento
Emocionante a festa de entrega do Prêmio Gazeta de Literatura 2014, aos vencedores do concurso, que chega à sua 24ª edição. Mais que os 45 finalistas e nove vencedores, vale lembrar que todas as 600 redações pré-selecionadas são vencedoras. Uma festa que premia o conhecimento e a competência dos mestres que acompanharam seus alunos.
Detalhe animador
O que me chamou a atenção e mais me emocionou foi a juventude e a garra dos educadores, que traziam o orgulho estampado no rosto, a cada presença no palco da premiação. Talentos que precisam ser valorizados também.
Investir e garantir
A educação, sobre a qual tanto falam os candidatos em campanhas eleitorais, mas quando eleitos têm crises permanentes de amnésia, é o verdadeiro pilar da democracia, do crescimento humano e do desenvolvimento social e econômico de um povo. O Estado tem obrigação de valorizar seus professores com salários melhores, estruturas adequadas e principalmente segurança, para que possam exercer esse sacerdócio.
A negação doentia
Ainda estou à procura de uma explicação lógica, convincente e corajosa sobre o porquê de o governador reeleito, Geraldo Alckmin (PSDB), continuar negando a crise hídrica, contrariando o que, infelizmente, é uma realidade. Se for apenas uma questão política, como penso que é, trata-se da maior covardia de um governante com seu povo.
E na pauta do dia
É impressionante o que tem de administrador público tentando pautar a imprensa através de redes sociais. Às vezes se recusam a falar com jornalistas para, em seguida, postar a informação pedida em suas contas particulares. O Facebook que o diga...
A última de hoje
O vereador André Henrique da Silva (PMDB), o Tigrão, agora está recorrendo aos céus para não perder o cargo. Anteontem ele ligou no Programa Robson Cabrini, identificou-se e pediu uma oração, muito comum aos ouvintes do programa. Motivo da oração: manter seu mandato, que está correndo risco.
Emocionante a festa de entrega do Prêmio Gazeta de Literatura 2014, aos vencedores do concurso, que chega à sua 24ª edição. Mais que os 45 finalistas e nove vencedores, vale lembrar que todas as 600 redações pré-selecionadas são vencedoras. Uma festa que premia o conhecimento e a competência dos mestres que acompanharam seus alunos.
Detalhe animador
O que me chamou a atenção e mais me emocionou foi a juventude e a garra dos educadores, que traziam o orgulho estampado no rosto, a cada presença no palco da premiação. Talentos que precisam ser valorizados também.
Investir e garantir
A educação, sobre a qual tanto falam os candidatos em campanhas eleitorais, mas quando eleitos têm crises permanentes de amnésia, é o verdadeiro pilar da democracia, do crescimento humano e do desenvolvimento social e econômico de um povo. O Estado tem obrigação de valorizar seus professores com salários melhores, estruturas adequadas e principalmente segurança, para que possam exercer esse sacerdócio.
A negação doentia
Ainda estou à procura de uma explicação lógica, convincente e corajosa sobre o porquê de o governador reeleito, Geraldo Alckmin (PSDB), continuar negando a crise hídrica, contrariando o que, infelizmente, é uma realidade. Se for apenas uma questão política, como penso que é, trata-se da maior covardia de um governante com seu povo.
E na pauta do dia
É impressionante o que tem de administrador público tentando pautar a imprensa através de redes sociais. Às vezes se recusam a falar com jornalistas para, em seguida, postar a informação pedida em suas contas particulares. O Facebook que o diga...
A última de hoje
O vereador André Henrique da Silva (PMDB), o Tigrão, agora está recorrendo aos céus para não perder o cargo. Anteontem ele ligou no Programa Robson Cabrini, identificou-se e pediu uma oração, muito comum aos ouvintes do programa. Motivo da oração: manter seu mandato, que está correndo risco.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Crise hídrica. Facebook e contradições
As
redações dos meios de comunicação limeirenses foram tomadas de surpresa com uma
postagem do prefeito Paulo Hadich (PSB) em sua conta particular no Facebook, no
início da noite de sexta-feira, 17. Não fosse a gravidade da notícia e a necessidade
premente em torná-la pública de forma mais efetiva, passaria despercebida da
curiosidade jornalística e se tornaria mais uma amenidade na rede. Sem consequências.
O fato é que a informação postada, mais que um anúncio oficial, mas de forma
extraoficial, afetaria – como afetará – toda a população limeirense. E de forma
drástica. Tratava-se de uma confirmação do que todos já esperavam, mas ninguém
ainda tivera coragem de assumir: um provável - e já tardio - racionamento de água, devido à longa estiagem
e à baixa vazão dos mananciais que abastecem o Município. E, apesar da
excelência dos serviços prestados pela concessionária Odebrecht Ambiental, nada
credencia Limeira como um oásis de tranquilidade.
“A vazão do rio Jaguari diminuiu ainda mais. Se não chover até o início da próxima semana, começaremos a usar a reserva técnica. E, nesse caso, teremos que decretar o racionamento”, escreveu Hadich na sexta-feira. E o mais curioso é que esse anúncio extemporâneo corroborava uma crítica que fiz na coluna Texto&Contexto na Gazeta da última quinta-feira, 16, e que foi contestada pela concessionária, porém, não de forma pública, que queria entender o que eu tinha comentado num minúsculo tópico de quatro linhas (Um pote vazio). Acho que não preciso mais explicar o significado do que escrevi. Estava explícito no “post” do prefeito e, posteriormente, oficializado em reunião emergencial que ocorreu no último sábado entre todos os envolvidos nesse processo. Prefeitura, SAAE e a própria Odebrecht.
As questões técnicas e limitações do sistema hoje são tão importantes quanto as medidas práticas que já estão sendo tomadas. E devem mesmo ser adotadas, e com a urgência que a gravidade do problema requer. O que eu gostaria de chamar a atenção, entretanto, é sobre a forma encontrada para divulgar um fato tão contundente e que diz respeito à população de todo um município. Uma conta particular em rede social na internet. Nada contra o uso das redes sociais (Facebook e Twitter, entre as mais utilizadas), para promover a informação. Sou um entusiasta ferrenho das redes. E defensor dessas ferramentas, mesmo porque não há mais como negar a sua importância na comunicação social. Nada contra o direito de um homem público em cargo eletivo se valer disso para expor suas ideias e delas fazer uso para informar toda a comunidade que está afeta à sua atuação. É um dever de ofício. Apenas que, nesse caso, a notícia mereceria muito mais do que algumas palavras no Facebook. Deveria vir em forma de comunicado oficial, devidamente distribuído pela Prefeitura aos meios de comunicação, para que mais pessoas tivessem acesso, via noticiário na mídia impressa e eletrônica, para ampliar o alcance da informação. Ante as contradições até aqui expostas, Hadich acaba de assinar o decreto restringindo o uso de água que caracterize desperdício. Por que não o racionamento imediato? O momento exige uma ação drástica.
“A vazão do rio Jaguari diminuiu ainda mais. Se não chover até o início da próxima semana, começaremos a usar a reserva técnica. E, nesse caso, teremos que decretar o racionamento”, escreveu Hadich na sexta-feira. E o mais curioso é que esse anúncio extemporâneo corroborava uma crítica que fiz na coluna Texto&Contexto na Gazeta da última quinta-feira, 16, e que foi contestada pela concessionária, porém, não de forma pública, que queria entender o que eu tinha comentado num minúsculo tópico de quatro linhas (Um pote vazio). Acho que não preciso mais explicar o significado do que escrevi. Estava explícito no “post” do prefeito e, posteriormente, oficializado em reunião emergencial que ocorreu no último sábado entre todos os envolvidos nesse processo. Prefeitura, SAAE e a própria Odebrecht.
As questões técnicas e limitações do sistema hoje são tão importantes quanto as medidas práticas que já estão sendo tomadas. E devem mesmo ser adotadas, e com a urgência que a gravidade do problema requer. O que eu gostaria de chamar a atenção, entretanto, é sobre a forma encontrada para divulgar um fato tão contundente e que diz respeito à população de todo um município. Uma conta particular em rede social na internet. Nada contra o uso das redes sociais (Facebook e Twitter, entre as mais utilizadas), para promover a informação. Sou um entusiasta ferrenho das redes. E defensor dessas ferramentas, mesmo porque não há mais como negar a sua importância na comunicação social. Nada contra o direito de um homem público em cargo eletivo se valer disso para expor suas ideias e delas fazer uso para informar toda a comunidade que está afeta à sua atuação. É um dever de ofício. Apenas que, nesse caso, a notícia mereceria muito mais do que algumas palavras no Facebook. Deveria vir em forma de comunicado oficial, devidamente distribuído pela Prefeitura aos meios de comunicação, para que mais pessoas tivessem acesso, via noticiário na mídia impressa e eletrônica, para ampliar o alcance da informação. Ante as contradições até aqui expostas, Hadich acaba de assinar o decreto restringindo o uso de água que caracterize desperdício. Por que não o racionamento imediato? O momento exige uma ação drástica.
domingo, 19 de outubro de 2014
Promessa sem compromisso. Falta de conteúdo
Mais uma semana se fecha e se abre a última, antes do segundo turno da eleição presidencial. E em dez dias de propaganda eleitoral gratuita, entre a presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, e o candidato tucano (que quer tomar o Palácio do Planalto de volta para o PSDB), o senador mineiro Aécio Neves, ninguém conhece o programa de governo de nenhum dos dois. Além das acusações – e defesas – de ambos os lados, com Petrobras daqui, aeroporto de Cláudio dali, defesa de uma ética que só os dois mesmos conhecem, mas dão de costas para ela, o que mais imperou foi o “eu vou fazer”, “eu vou mudar”, “eu vou continuar” e etc., mas sem falar como conseguirão levar adiante tanta promessa sem compromisso. A briga pela manutenção e retomada do poder são os únicos discursos que o tucano e a petista desfilam pelas telas das TVs e alardeiam pelas emissoras de rádio. O resto é vácuo. Somente isso pode explicar os números das duas primeiras pesquisas eleitorais, tanto do Datafolha como do Ibope, em que ambos aparecem em empate técnico, pela margem de erro. Aécio está dois pontos numericamente à frente de Dilma.
Expectativa fria
Com a virada histórica do tucano no primeiro turno, exaltada em opiniões e análises, era de se esperar um arranque maior de Aécio entre uma pesquisa e outra, pelo próprio momento que o País atravessa. O que não aconteceu. E está, aliás, provocando um silêncio estranho entre seus partidários, que não estão comemorando nem mesmo pelas redes sociais. Aliás, a bola baixou para os dois lados.
Ponto por ponto
Esses números, pelo contrário, acentuam uma divisão sem precedentes nas campanhas eleitorais, desde que as eleições diretas foram retomadas. Até 2010 havia folga entre primeiro e segundo colocados. Parece que todos prenderam a respiração, à espera do próximo dia 26. E ninguém sabe quem vai gritar mais alto assim que os dados da última urna forem descarregados. Daí o silêncio desses dias.
FHC errou feio
A divisão está quase sacramentada. E não é entre classes sociais (ricos e pobres, como querem fazer valer nas peças publicitárias), regiões do País, e níveis de escolaridade. Atinge a todos indistintamente. O preconceito, que tratei nesta mesmo coluna no último domingo, está apenas na cabeça de alguns. E esses nem merecem atenção. E não é ele quem está proporcionando essa divisão. É a política partidária.
Os indecisos fiéis
Será, salvo acontecimento extraordinário que desestabilize qualquer uma das candidaturas, uma eleição decidida no dia. Os 6% de indecisos detectados na pesquisa Datafolha serão os responsáveis para apontar quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos a partir de 2015. E pelas viradas ocorridas no primeiro turno, não captadas pelas próprias pesquisas, exercício de futurologia, nem pensar.
Reflexos por aqui
Para o Município, ganhe Dilma ou Aécio, a perspectiva é de pouca mudança. Não vou dizer “nenhuma” mudança, pois Limeira conseguiu eleger seu próprio deputado federal: Miguel Lombardi (PR). Também não dá para jogar toda a responsabilidade sobre sua atuação na Câmara Federal, pois, como colegiado, a Casa tem outros 512 mais, também ávidos por conquistar ganhos para seu reduto eleitoral.
O lado de Miguel
Ao iniciar a nova Legislatura, em janeiro do ano que vem, é preciso ver para que lado vai Lombardi. Se vai compor com a bancada da situação – e neste caso não importa o vencedor do pleito presidencial – ou vai estar na oposição. O mais provável, dada sua conduta na Câmara Municipal de sempre estar na bancada majoritária, é que ele venha compor com a ala governista. Isso se houver uma, com ampla maioria.
Guinada à direita
Sem perder o raciocínio sobre apoios políticos, o governo de Paulo Hadich (PSB) já sente a diferença com o atendimento do Estado, governado pelo PSDB, a Limeira. Sua adesão ao tucano Geraldo Alckmin, com direito a outdoor e tudo mais, reflete na vinda do Poupatempo – já em funcionamento – e do Bom Prato, cujas obras de reforma do prédio onde vai funcionar tiveram início. O engraçado – ou curioso – dessa situação é justamente ser de tucanos limeirenses os maiores e mais virulentos ataques à administração de Hadich. A explicação para isso pode ser entendida como inoperância do PSDB local, que pouco fez – ou faz – para conseguir benefícios a Limeira. Por óbvios motivos políticos. Carlos Sampaio foi bem votado em Limeira. Thame não foi eleito...
Adesão perigosa
Outra questão política: Hadich foi eleito tendo como vice o petista Lima, e amparado por uma bancada forte do PT. Se ele “tucanou” de fato, vai ser difícil a convivência. A docilidade do Legislativo está por um fio. Vêm aí dois anos difíceis para o socialista.
A missão literária
Estaremos todos juntos, na terça-feira, 21, para celebrar as letras e o desenvolvimento do senso crítico. Serão conhecidos, às 20h, no Teatro Vitória, os vencedores do 24º Prêmio Gazeta de Limeira de Literatura.
O poder ausente
O problema da agressão a professores da rede pública de ensino, lembrado por esta Gazeta na última quarta-feira, 15, justamente o Dia do Professor, está praticamente incontrolável. É a dignidade dos mestres que está em jogo. E a integridade física e mental daqueles que assumiram a difícil tarefa de ensinar – educação é responsabilidade da família – por vocação e pensando no desenvolvimento sociocultural de crianças, jovens e adolescentes. A questão é que os professores não têm o devido respaldo do poder público, que prefere negar ou relativizar o problema. Em alguns casos, nem mesmo a direção das escolas apoia e prefere esconder o problema, convencendo as vítimas a não procurarem a polícia. Ou até mesmo a imprensa. O problema é grave.
Pergunta rápida
Qual é a real situação da crise hídrica no Estado de São Paulo?
Alta voltagem...
...e choque de interesses. O trocadilho é proposital. De um lado o prefeito Paulo Hadich, que insiste na cobrança da Contribuição para Iluminação Pública (CIP) e, do outro, a população e entidades classistas totalmente contrárias a mais esse tipo de imposto. Abaixo-assinados e movimentos de protesto estão sendo preparados pela oposição, que deverá ter adesão popular irrestrita. E amanhã deve chegar à Câmara o projeto que cria CIP e mais uma divisão à vista. Entre os próprios vereadores, como mostrou a Gazeta na última sexta-feira. Está praticamente meio a meio a intenção de votos para o projeto do Executivo. Até a base governista está rachada e há situacionistas convictos, sinalizando pela reprovação. Se a questão política pesar...
Nota curtíssima
No quesito agressão, há um rigoroso empate técnico entre Dilma e Aécio.
Frase da semana
“Presidencialismo é assim, é canelada. Mas acho que eles estão exagerando". Do governador Geraldo Alckmin (PSDB), sobre o debate entre Dilma e Aécio. Na Folha de S. Paulo, coluna Painel. Sexta-feira, 17.
Expectativa fria
Com a virada histórica do tucano no primeiro turno, exaltada em opiniões e análises, era de se esperar um arranque maior de Aécio entre uma pesquisa e outra, pelo próprio momento que o País atravessa. O que não aconteceu. E está, aliás, provocando um silêncio estranho entre seus partidários, que não estão comemorando nem mesmo pelas redes sociais. Aliás, a bola baixou para os dois lados.
Ponto por ponto
Esses números, pelo contrário, acentuam uma divisão sem precedentes nas campanhas eleitorais, desde que as eleições diretas foram retomadas. Até 2010 havia folga entre primeiro e segundo colocados. Parece que todos prenderam a respiração, à espera do próximo dia 26. E ninguém sabe quem vai gritar mais alto assim que os dados da última urna forem descarregados. Daí o silêncio desses dias.
FHC errou feio
A divisão está quase sacramentada. E não é entre classes sociais (ricos e pobres, como querem fazer valer nas peças publicitárias), regiões do País, e níveis de escolaridade. Atinge a todos indistintamente. O preconceito, que tratei nesta mesmo coluna no último domingo, está apenas na cabeça de alguns. E esses nem merecem atenção. E não é ele quem está proporcionando essa divisão. É a política partidária.
Os indecisos fiéis
Será, salvo acontecimento extraordinário que desestabilize qualquer uma das candidaturas, uma eleição decidida no dia. Os 6% de indecisos detectados na pesquisa Datafolha serão os responsáveis para apontar quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos a partir de 2015. E pelas viradas ocorridas no primeiro turno, não captadas pelas próprias pesquisas, exercício de futurologia, nem pensar.
Reflexos por aqui
Para o Município, ganhe Dilma ou Aécio, a perspectiva é de pouca mudança. Não vou dizer “nenhuma” mudança, pois Limeira conseguiu eleger seu próprio deputado federal: Miguel Lombardi (PR). Também não dá para jogar toda a responsabilidade sobre sua atuação na Câmara Federal, pois, como colegiado, a Casa tem outros 512 mais, também ávidos por conquistar ganhos para seu reduto eleitoral.
O lado de Miguel
Ao iniciar a nova Legislatura, em janeiro do ano que vem, é preciso ver para que lado vai Lombardi. Se vai compor com a bancada da situação – e neste caso não importa o vencedor do pleito presidencial – ou vai estar na oposição. O mais provável, dada sua conduta na Câmara Municipal de sempre estar na bancada majoritária, é que ele venha compor com a ala governista. Isso se houver uma, com ampla maioria.
Guinada à direita
Sem perder o raciocínio sobre apoios políticos, o governo de Paulo Hadich (PSB) já sente a diferença com o atendimento do Estado, governado pelo PSDB, a Limeira. Sua adesão ao tucano Geraldo Alckmin, com direito a outdoor e tudo mais, reflete na vinda do Poupatempo – já em funcionamento – e do Bom Prato, cujas obras de reforma do prédio onde vai funcionar tiveram início. O engraçado – ou curioso – dessa situação é justamente ser de tucanos limeirenses os maiores e mais virulentos ataques à administração de Hadich. A explicação para isso pode ser entendida como inoperância do PSDB local, que pouco fez – ou faz – para conseguir benefícios a Limeira. Por óbvios motivos políticos. Carlos Sampaio foi bem votado em Limeira. Thame não foi eleito...
Adesão perigosa
Outra questão política: Hadich foi eleito tendo como vice o petista Lima, e amparado por uma bancada forte do PT. Se ele “tucanou” de fato, vai ser difícil a convivência. A docilidade do Legislativo está por um fio. Vêm aí dois anos difíceis para o socialista.
A missão literária
Estaremos todos juntos, na terça-feira, 21, para celebrar as letras e o desenvolvimento do senso crítico. Serão conhecidos, às 20h, no Teatro Vitória, os vencedores do 24º Prêmio Gazeta de Limeira de Literatura.
O poder ausente
O problema da agressão a professores da rede pública de ensino, lembrado por esta Gazeta na última quarta-feira, 15, justamente o Dia do Professor, está praticamente incontrolável. É a dignidade dos mestres que está em jogo. E a integridade física e mental daqueles que assumiram a difícil tarefa de ensinar – educação é responsabilidade da família – por vocação e pensando no desenvolvimento sociocultural de crianças, jovens e adolescentes. A questão é que os professores não têm o devido respaldo do poder público, que prefere negar ou relativizar o problema. Em alguns casos, nem mesmo a direção das escolas apoia e prefere esconder o problema, convencendo as vítimas a não procurarem a polícia. Ou até mesmo a imprensa. O problema é grave.
Pergunta rápida
Qual é a real situação da crise hídrica no Estado de São Paulo?
Alta voltagem...
...e choque de interesses. O trocadilho é proposital. De um lado o prefeito Paulo Hadich, que insiste na cobrança da Contribuição para Iluminação Pública (CIP) e, do outro, a população e entidades classistas totalmente contrárias a mais esse tipo de imposto. Abaixo-assinados e movimentos de protesto estão sendo preparados pela oposição, que deverá ter adesão popular irrestrita. E amanhã deve chegar à Câmara o projeto que cria CIP e mais uma divisão à vista. Entre os próprios vereadores, como mostrou a Gazeta na última sexta-feira. Está praticamente meio a meio a intenção de votos para o projeto do Executivo. Até a base governista está rachada e há situacionistas convictos, sinalizando pela reprovação. Se a questão política pesar...
Nota curtíssima
No quesito agressão, há um rigoroso empate técnico entre Dilma e Aécio.
Frase da semana
“Presidencialismo é assim, é canelada. Mas acho que eles estão exagerando". Do governador Geraldo Alckmin (PSDB), sobre o debate entre Dilma e Aécio. Na Folha de S. Paulo, coluna Painel. Sexta-feira, 17.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Se fosse antes?
O relatório do corregedor da Câmara de Limeira, José Eduardo Monteiro
Jr. (PSB), o Jú Negão, que apurou as últimas estripulias do vereador
André Henrique do Santos (PMDB), o Tigrão, foi contundente. Embora com
atraso de quase dois anos, desde a primeira “escapadinha” do vereador
peemedebista com carro oficial.
Mão na cabeça
Até agora, e pela gravidade dos deslizes de Tigrão, a Câmara, tal qual
mãe que acha graça nos “malfeitos” do filho mimado, apenas passou a mão
na cabeça do vereador, corroborando para que os limites fossem
ultrapassados. E até com frequência. Talvez lá atrás, uma reprimenda
mais severa, tivesse estimulado o vereador a não escorregar mais.
Sem pizza, né?
Espera-se que o corporativismo do Legislativo não seja empecilho para
atitudes mais drásticas. E que precisam ser tomadas. Afinal, é a própria
reputação da Casa que está em jogo.
O bonde passou
O racha PT-PSB em Limeira chegou tarde demais. Pelo menos para o PT,
que perdeu a oportunidade de se firmar como partido competitivo, ao
aderir incondicionalmente ao governo municipal. Na Câmara, a defesa
ferrenha de tudo o que o Poder Executivo queria acabou levando a sigla
na mesma enxurrada de críticas. Foi do céu ao inferno em cada sim dos
vereadores petistas, sem qualquer contestação e fiscalização aos atos da
administração.
Um pote vazio
A crise hídrica paulista – paulista, sim, porque atinge todo o Estado –
precisa ser assumida pelas autoridades públicas e pela iniciativa
privada (no caso a Odebrecht Ambiental, em Limeira). A situação é
crítica, e é irresponsavelmente perigoso negá-la ou afirmar que tudo
está normal.
A última de hoje
O PSDB tem a síndrome da negação. Negou, negou e negou enquanto pôde o
risco de um apagão elétrico. Em 2001, no governo de FHC, ele veio e
levou o candidato tucano à Presidência à derrota. Agora Alckmin nega,
nega e nega a crise hídrica. Reeleito, apesar disso, ele continua
negando. E o pior, de forma irresponsavelmente perigosa. E eleitoreira.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
O que fazer todos sabem. Como fazer ninguém diz
Em quase uma semana de propaganda eleitoral gratuita para o segundo turno das eleições presidenciais, os eleitores brasileiros – excluindo correligionários e partidários de cada um dos candidatos – ainda estão órfãos de uma proposta de governo que tire o País do marasmo econômico (da inflação em alta e do fraquíssimo desempenho industrial), mas que mantenha os ganhos sociais conquistados até aqui. Tanto Dilma Rousseff (PT), que concorre à reeleição, quanto Aécio Neves (PSDB), têm o discurso na ponta da língua do que pretendem fazer para que o Brasil volte a crescer, mas preferem os ataques pessoais e a desconstrução do adversário em detrimento à apresentação dos programas de governo. Preferem se autoelogiar, baseados no “eu fiz e, portanto, vou continuar fazendo”, do que apresentar possíveis soluções para os problemas nacionais, que existem e não há mais negação capaz de ocultá-los. Nem mesmo através do discurso otimista da petista, e muito menos pelas previsões mais pessimistas do tucano.
Ambos preferem se apegar ao passado para tentar fazer com que o presente possa lhes garantir o futuro no poder. A retórica é clara e simples. Todos querem o filé, mas na hora de roer o osso o culpado é o adversário político. De qualquer um dos lados. Quem está na situação ou na oposição, tentando voltar ao status da primeira, encontra razões de sobra para se apegar apenas na propaganda e na imagem que ela lhes possa garantir na continuidade. Ou protagonizar a ruptura do modelo vigente. O jogo das palavras está encastelado na cabeça dos marqueteiros, que transformam os candidatos em produto de prateleira. Em algo que se vende como sabão em pó, mas não tem a eficiência na hora de padronizar a própria marca.
E o que é mais assustador, se levarmos em conta o direito ao livre arbítrio, é que neste segundo turno as opções se resumiram a apenas dois produtos. Um já bastante conhecido e o outro tentando ganhar o devido espaço – que um dia lhe pertenceu – na tentativa de atrair os consumidores. Nesse caso os eleitores, que ainda navegam à deriva, perdidos nas naus dos que ficaram pelo caminho e agora pretendem ancorar sua embarcação nos portos que restaram. Interesses que logo tomarão outra direção, assim que um dos barcos afundar. Se eu não quiser optar por nenhum deles, azar. Ou partir para o esculacho mesmo, votando branco ou nulo, o que não representa e nunca vai representar protesto ou contestação. E não há tempo hábil para uma decisão pensada, se os próprios candidatos não ajudam nessa decisão.
O fato é que todos sabem o que fazer, mas não dizem como. Ou não sabem mesmo, apresentando-nos uma propaganda mais enganosa do que a realidade nos permite absorver. E que acentua as semelhanças entre ambos os concorrentes em detrimento às diferenças, que poderiam dar algum alento de mudança estrutural. Não apenas na forma de construir o poder. E é justamente isso que o brasileiro menos quer.
Ambos preferem se apegar ao passado para tentar fazer com que o presente possa lhes garantir o futuro no poder. A retórica é clara e simples. Todos querem o filé, mas na hora de roer o osso o culpado é o adversário político. De qualquer um dos lados. Quem está na situação ou na oposição, tentando voltar ao status da primeira, encontra razões de sobra para se apegar apenas na propaganda e na imagem que ela lhes possa garantir na continuidade. Ou protagonizar a ruptura do modelo vigente. O jogo das palavras está encastelado na cabeça dos marqueteiros, que transformam os candidatos em produto de prateleira. Em algo que se vende como sabão em pó, mas não tem a eficiência na hora de padronizar a própria marca.
E o que é mais assustador, se levarmos em conta o direito ao livre arbítrio, é que neste segundo turno as opções se resumiram a apenas dois produtos. Um já bastante conhecido e o outro tentando ganhar o devido espaço – que um dia lhe pertenceu – na tentativa de atrair os consumidores. Nesse caso os eleitores, que ainda navegam à deriva, perdidos nas naus dos que ficaram pelo caminho e agora pretendem ancorar sua embarcação nos portos que restaram. Interesses que logo tomarão outra direção, assim que um dos barcos afundar. Se eu não quiser optar por nenhum deles, azar. Ou partir para o esculacho mesmo, votando branco ou nulo, o que não representa e nunca vai representar protesto ou contestação. E não há tempo hábil para uma decisão pensada, se os próprios candidatos não ajudam nessa decisão.
O fato é que todos sabem o que fazer, mas não dizem como. Ou não sabem mesmo, apresentando-nos uma propaganda mais enganosa do que a realidade nos permite absorver. E que acentua as semelhanças entre ambos os concorrentes em detrimento às diferenças, que poderiam dar algum alento de mudança estrutural. Não apenas na forma de construir o poder. E é justamente isso que o brasileiro menos quer.
domingo, 12 de outubro de 2014
De volta o velho preconceito. Somos brasileiros!
Nem bem o primeiro turno da eleição presidencial havia sido concluído, uma das pragas mais danosas que o ser humano cultiva, o preconceito, começou a pipocar nas redes sociais. E de boca em boca, por quem desconhece a extensão territorial e a diversidade cultural brasileiras. A exemplo do que ocorrera no pleito de 2010, uma enxurrada de mensagens, desta vez mais veladas e sempre apagadas em seguida, tentava caracterizar os eleitores de Dilma Rousseff (PT) de forma pejorativa, como se fossem a escória da sociedade e não tivessem o direito à escolha. Como se seus votos valessem menos que os de outros. Como se os nordestinos, o endereço principal desse preconceito, não fossem brasileiros. Vale lembrar que somos, sim, todos brasileiros de um Brasil de cultura rica e de uma multiplicidade socioeconômica impressionantes. E que, independentemente, do lugar (Estado ou município) em que estamos, os direitos – e os deveres – são os mesmos. Desde aquele que vive no extremo Sul do País até o habitante mais isolado em regiões inóspitas e, muitas vezes, de difícil acesso. Do doutor formado nas universidades ao sertanejo que habita as regiões mais pobres, o valor do voto é o mesmo. E deve ser respeitado.
Um desvio de rota
Trata-se (essa postura arrogante em pensar que por estarmos em determinado local somos melhores que os outros), da desconstrução da democracia e dos princípios republicanos, do direito à escolha. Do livre arbítrio para pensar diferente do que pensam tantos outros, que se julgam melhores que seus semelhantes. Um desvirtuamento da percepção do que o ser humano é capaz.
Iguais e diferentes
Infelizmente, nesse processo, há quem corrobore com esse tipo de pensamento. E o difunda de maneira irresponsável, levando até mesmo ao ódio entre os próprios iguais. E que acham graça nessa forma preconceituosa de pensar e agir. São os pobres de espírito e os desprovidos da capacidade de entender que são as diferenças que fazem a riqueza de uma nação. E a pluralidade de seu povo.
Lamentar, apenas
Nesse raciocínio, infelizmente, é que muitos avançam e cruzam o limite da razão. Ainda no dia 6, um dia pós a contabilização dos votos do primeiro turno, o ex-presidente, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, também embarcou na canoa da intolerância, ao tratar os eleitores do PT como “desinformados e que vivem em grotões”. E que são os mais pobres. Não me consta que esse voto não seja válido.
Desrespeito total...
Se foi no calor dos resultados, impensada ou não, a triste declaração de FHC, que pelo que foi e pelo que ainda é na história do Brasil, foi de uma infelicidade extrema. Desrespeita os 43.267.668 eleitores que escolheram Dilma, entre os quais, provavelmente, muitos deles, um dia já votaram nele próprio, quando retomou suas atividades políticas após o exílio forçado pela ditadura militar.
E quem é o eleitor?
Contra todo esse ódio, intolerância e preconceito, sugiro a leitura de um artigo publicado na Folha de S. Paulo, na última quarta-feira, 8, de autoria de Mariliz Pereira Jorge, cujo link publico a seguir. Desfaz todo esse barulho de roda de carroça na cabeça de alguns “letrados ignorantes” (ou seriam ignorantes letrados? http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2014/10/1529058-o-fim-do-eleitor-tipico.shtml Não custa perder alguns minutos com sua leitura.
Só para lembrar
Rui Barbosa, Thiago de Mello, João Cabral de Mello Neto, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Maria Betânia, Gal Costa, Chico Anysio, João Gilberto, Celso Furtado, Teotônio Vilela, Romero Britto, Gonçalves Dias, Castro Alves... Só para citar alguns, entre os séculos que se passaram. Alguém poderia me dizer qual é a origem desses nomes ilustres?
As coincidências
Em 2002, 800 empresas iriam embora do Brasil. Em 2006, o mensalão não saía da mídia; em 2010, escândalo envolvia Erenice Guerra, do gabinete de Dilma; em 2014, o escândalo dos doleiros e da Petrobras. Esqueci-me que é véspera de eleição...
E a emenda ficou...
...pior que o soneto. Aliás, acabou mesmo com a poesia toda. As duas tábuas encontradas obstruindo uma adutora de água no Centro de Iracemápolis, mostradas pela Gazeta de Limeira na quarta-feira, renderam mais que o esperado. Desta vez com o ex-prefeito Fábio Zuza (PSDB), rebatendo seu sucessor, Valmir Almeida (PT). Em matéria publicada na sexta-feira, também nesta Gazeta, Zuza disse que obras estão sujeitas a defeitos e, para ele, a atual administração não está fazendo mais que sua obrigação ao detectar os problemas. Obra inconclusa, com problema e sinal de má fiscalização, que por sinal é prova de incompetência. Pelo visto, ele também “não sabia de nada”. Zuza praticamente assumiu que houve uma falha. E gravíssima, diga-se.
É fácil de explicar
O fato é que nem Zuza e o PSDB estavam preparados para perder a eleição em Iracemápolis, em 2012. Aliás, Claudinho Cosenza era o favorito, e tudo estaria “em casa”. Esse é um grande erro do político, ou seja, subestimar a capacidade do adversário.
E corou o Pinóquio
Três dias após a reeleição do tucano Geraldo Alckmin para mais um mandato ao governo de SP, os técnicos da Sabesp, estatal paulista para as questões hídricas, anunciaram que falta água em São Paulo. As reservas do Cantareira estão a níveis históricos de baixa vazão. E, no mesmo dia, o próprio Alckmin desmentiu o que seus técnicos falaram. Venho escrevendo sobre a manipulação dessas informações desde o início da campanha eleitoral e, principalmente, afirmando que, passadas as eleições, a população começaria a perceber a realidade camuflada no interesse pelo voto. Alckmin vai se sustentar nessa mentira até o final do segundo turno. Se alguém ainda tinha dúvidas...
Pergunta rápida
Quem de fato está mentindo, a Sabesp ou o governador Geraldo Alckmin?
A grande virada
Se nem mesmo o PSDB acreditava mais em Aécio Neves, e no auge do crescimento de Marina Silva (PSB) acenou até com um possível apoio à então favorita nas pesquisas, o crescimento do senador mineiro, que agora aparece numericamente à frente de Dilma Rousseff (PT) pode ser considerado histórico. E não há como negar. Ele, que não saía dos 19% e chegou até a cair, quando Marina ascendeu ao posto de Eduardo Campos, acabou beneficiado pela incoerência da própria candidata socialista. Ela preferiu o corporativismo religioso ao programa de governo do próprio PSB, e teve forte queda. Suas contradições levaram Aécio onde ele está hoje. Se vai conseguir se manter sob o fogo cerrado do PT, é uma outra história. Neste momento o cenário lhe é favorável.
Nota curtíssima
O meu voto tem o mesmo valor do de qualquer outro brasileiro. Ele vale um voto.
Frase da semana
“Não é PSDB que está ganhando corpo, é o PT que está perdendo discurso”. Da jornalista Eliane Cantanhêde. Em sua coluna na Folha de S. Paulo. Sexta-feira, 10.
Um desvio de rota
Trata-se (essa postura arrogante em pensar que por estarmos em determinado local somos melhores que os outros), da desconstrução da democracia e dos princípios republicanos, do direito à escolha. Do livre arbítrio para pensar diferente do que pensam tantos outros, que se julgam melhores que seus semelhantes. Um desvirtuamento da percepção do que o ser humano é capaz.
Iguais e diferentes
Infelizmente, nesse processo, há quem corrobore com esse tipo de pensamento. E o difunda de maneira irresponsável, levando até mesmo ao ódio entre os próprios iguais. E que acham graça nessa forma preconceituosa de pensar e agir. São os pobres de espírito e os desprovidos da capacidade de entender que são as diferenças que fazem a riqueza de uma nação. E a pluralidade de seu povo.
Lamentar, apenas
Nesse raciocínio, infelizmente, é que muitos avançam e cruzam o limite da razão. Ainda no dia 6, um dia pós a contabilização dos votos do primeiro turno, o ex-presidente, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, também embarcou na canoa da intolerância, ao tratar os eleitores do PT como “desinformados e que vivem em grotões”. E que são os mais pobres. Não me consta que esse voto não seja válido.
Desrespeito total...
Se foi no calor dos resultados, impensada ou não, a triste declaração de FHC, que pelo que foi e pelo que ainda é na história do Brasil, foi de uma infelicidade extrema. Desrespeita os 43.267.668 eleitores que escolheram Dilma, entre os quais, provavelmente, muitos deles, um dia já votaram nele próprio, quando retomou suas atividades políticas após o exílio forçado pela ditadura militar.
E quem é o eleitor?
Contra todo esse ódio, intolerância e preconceito, sugiro a leitura de um artigo publicado na Folha de S. Paulo, na última quarta-feira, 8, de autoria de Mariliz Pereira Jorge, cujo link publico a seguir. Desfaz todo esse barulho de roda de carroça na cabeça de alguns “letrados ignorantes” (ou seriam ignorantes letrados? http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2014/10/1529058-o-fim-do-eleitor-tipico.shtml Não custa perder alguns minutos com sua leitura.
Só para lembrar
Rui Barbosa, Thiago de Mello, João Cabral de Mello Neto, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Maria Betânia, Gal Costa, Chico Anysio, João Gilberto, Celso Furtado, Teotônio Vilela, Romero Britto, Gonçalves Dias, Castro Alves... Só para citar alguns, entre os séculos que se passaram. Alguém poderia me dizer qual é a origem desses nomes ilustres?
As coincidências
Em 2002, 800 empresas iriam embora do Brasil. Em 2006, o mensalão não saía da mídia; em 2010, escândalo envolvia Erenice Guerra, do gabinete de Dilma; em 2014, o escândalo dos doleiros e da Petrobras. Esqueci-me que é véspera de eleição...
E a emenda ficou...
...pior que o soneto. Aliás, acabou mesmo com a poesia toda. As duas tábuas encontradas obstruindo uma adutora de água no Centro de Iracemápolis, mostradas pela Gazeta de Limeira na quarta-feira, renderam mais que o esperado. Desta vez com o ex-prefeito Fábio Zuza (PSDB), rebatendo seu sucessor, Valmir Almeida (PT). Em matéria publicada na sexta-feira, também nesta Gazeta, Zuza disse que obras estão sujeitas a defeitos e, para ele, a atual administração não está fazendo mais que sua obrigação ao detectar os problemas. Obra inconclusa, com problema e sinal de má fiscalização, que por sinal é prova de incompetência. Pelo visto, ele também “não sabia de nada”. Zuza praticamente assumiu que houve uma falha. E gravíssima, diga-se.
É fácil de explicar
O fato é que nem Zuza e o PSDB estavam preparados para perder a eleição em Iracemápolis, em 2012. Aliás, Claudinho Cosenza era o favorito, e tudo estaria “em casa”. Esse é um grande erro do político, ou seja, subestimar a capacidade do adversário.
E corou o Pinóquio
Três dias após a reeleição do tucano Geraldo Alckmin para mais um mandato ao governo de SP, os técnicos da Sabesp, estatal paulista para as questões hídricas, anunciaram que falta água em São Paulo. As reservas do Cantareira estão a níveis históricos de baixa vazão. E, no mesmo dia, o próprio Alckmin desmentiu o que seus técnicos falaram. Venho escrevendo sobre a manipulação dessas informações desde o início da campanha eleitoral e, principalmente, afirmando que, passadas as eleições, a população começaria a perceber a realidade camuflada no interesse pelo voto. Alckmin vai se sustentar nessa mentira até o final do segundo turno. Se alguém ainda tinha dúvidas...
Pergunta rápida
Quem de fato está mentindo, a Sabesp ou o governador Geraldo Alckmin?
A grande virada
Se nem mesmo o PSDB acreditava mais em Aécio Neves, e no auge do crescimento de Marina Silva (PSB) acenou até com um possível apoio à então favorita nas pesquisas, o crescimento do senador mineiro, que agora aparece numericamente à frente de Dilma Rousseff (PT) pode ser considerado histórico. E não há como negar. Ele, que não saía dos 19% e chegou até a cair, quando Marina ascendeu ao posto de Eduardo Campos, acabou beneficiado pela incoerência da própria candidata socialista. Ela preferiu o corporativismo religioso ao programa de governo do próprio PSB, e teve forte queda. Suas contradições levaram Aécio onde ele está hoje. Se vai conseguir se manter sob o fogo cerrado do PT, é uma outra história. Neste momento o cenário lhe é favorável.
Nota curtíssima
O meu voto tem o mesmo valor do de qualquer outro brasileiro. Ele vale um voto.
Frase da semana
“Não é PSDB que está ganhando corpo, é o PT que está perdendo discurso”. Da jornalista Eliane Cantanhêde. Em sua coluna na Folha de S. Paulo. Sexta-feira, 10.
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