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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Equívoco claro
Não há voto perdido, voto em candidato de fora e tudo mais que se escreve ou se comenta como justificativa para a não eleição de candidatos locais. Parece-me um bairrismo exagerado e fora de propósito, repetido há várias eleições. Movimentar-se eleger candidato local é louvável. Chorar sobre o leite derramado é perda de tempo.
 
Voto soberano
Há de se lembrar, para isso, que o voto é individual, intransferível e está na consciência de cada eleitor. Mesmo votos brancos e nulos precisam ser analisados sobre outro contexto e não sobre a ótica do erro. Se há algo errado é com o sistema político e com os próprios políticos e não com o eleitor, que merece respeito com suas escolhas. 
 
Facultativo, sim
São, infelizmente, os reflexos da obrigatoriedade do voto. Amadurecer é preciso.
 
Nem erros ou...
...acertos. Como costumo escrever sempre em meus comentários e quando expresso minhas opiniões, nada pode ser dado como certo quando o assunto é uma eleição. Analiso e, conforme o cenário, faço minhas próprias projeções. Só que, como numa peça teatral, o cenário muda a cada ato. Os institutos de pesquisa que o digam.
 
E vai começar
Vem aí a propaganda eleitoral gratuita para o segundo turno. No caso do Estado de São Paulo, só para presidente da República. Terá 1% de conteúdo programático e 99% de desconstrução. Tanto de Dilma para com Aécio, quanto de Aécio para com Dilma. Vai ser de entupir qualquer rede de esgoto. A democracia não merece isso.
 
A última de hoje
O prefeito de Iracemápolis, Valmir Almeida (PT) não está imune a críticas. Como qualquer político ou administrador público. Com certeza, porém, não foi ele quem deixou uma tábua interrompendo uma adutora de água no centro da cidade, sob uma rua asfaltada, como mostrou ontem a Gazeta. Tem bico grande nessa história.  

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Temos deputado. O que esperar dele?

Depois de duas décadas Limeira tem, novamente, um deputado federal eleito com votos majoritários de limeirenses. E com suas origens também locais. Um resultado que parecia impossível, devido ao excesso de candidatos na disputa e mais os de fora que aqui aportaram. Mesmo sem expressiva votação, mas o suficiente para garantir uma cadeira na Câmara Federal, o vereador Miguel Lombardi (PR), puxado por Tiririca na proporcionalidade dos votos e o número de cadeiras garantido pelo coeficiente eleitoral, quebrou esse desconfortável jejum de representatividade. O Município bateu na trave com o candidato mais votado, também em Limeira, para deputado estadual, o ex-vereador Mario Botion (PEN), que perdeu a vaga por apenas 92 votos. Mesmo assim, é preciso conter o entusiasmo e recolher um pouco os aplausos, porque agora começa uma nova etapa, que se sabe será das mais difíceis, na qual apenas uma andorinha terá que se juntar às demais, para garantir que o voo pode ser,de fato, alto. O parlamento é outro e Lombardi terá que se sobressair sobre seus novos parceiros, para garantir que sua eleição não tenha sido em vão, e faça um trabalho profícuo. E que, de fato, representará os avanços tão esperados por todos nós, numa casa legislativa que há anos não contava com ninguém da cidade por lá.
Independentemente de ideologia ou coloração partidária, a população limeirense – a que nele confiou e a parcela que optou por outros candidatos também – espera ansiosa para acompanhar a atuação de “Miguelzinho”, como é conhecido por aqui, em Brasília. E mais que isso, deverá cobrá-lo, mesmo sabendo que ele é apenas uma voz a ser ouvida, em meio outras 500 que lá estarão também representadas. A euforia não pode se sobrepor à razão, mesmo quando o coração aparente felicidade. E é justamente nesse ponto que devemos abraçar a realidade e pensar no que poderá ser feito daqui para frente. Como é preciso louvar o mérito da conquista, pois é do conhecimento de todos – e nesse caso não é necessário ser especialista – o grau de dificuldade para se chegar a um patamar como esse. É essa consciência que deve nortear, obrigatoriamente, o trabalho do vereador Miguel Lombardi, que a partir de 2015 terá, pelos próximos quatro anos, sua cadeira cativa no parlamento federal e precisa se preparar para isso. Principalmente por que lá ele não contará com pares tão conhecidos e previsíveis, como aqueles que hoje fazem assento na Câmara Municipal. Essa é, sem dúvida alguma, a primeira dificuldade que deverá superar para que tenha uma jornada vitoriosa no Planalto Central. Tanto quanto a que já conquistou por aqui.
O ex-prefeito, eleito deputado federal na década de 1980, Jurandyr Paixão, costumava dizer que ele era só mais um, em meio a tantos outros, e aqui ele estava entre os seus e sempre em evidência. Tanto que para cá voltou para se eleger prefeito, mais uma vez, e ter sua notoriedade e autoridade (de que tanto gostava) de volta.
Espera-se que, 20 anos depois, Lombardi não seja tomado pelo mesmo sentimento - que trouxe Paixão  de volta - e tenha ofuscado esse momento pelo qual tanto lutou. E pelo qual faz exatos 20 anos que os limeirenses lutam. Sua jornada não será fácil. Assim como conquistou seu espaço por aqui, terá que brigar muito mais por elem de agora em diante. Se tiver levado tudo isso em conta quando se candidatou, tem chances de se sair bem. Caso contrário...

domingo, 5 de outubro de 2014

Apesar de tudo, vamos ao exercício da cidadania

Dizem que cada eleição começa quando a última termina. Afinal, neste país de políticos profissionais – há exceções, e muitas – o que mais se se considera, transformada em prioridade, é justamente a preocupação em manter-se no poder ou chegar até ele. Nesse processo todo, porém, é a vontade do cidadão que, no final, vai prevalecer. Seja pela continuidade ou alternância entre as correntes ideológicas e partidárias, quem decide é sempre o eleitor. Se impulsionado pelo marketing de cada candidato ou por convicções próprias, é o “sim” de cada um de nós nas urnas eletrônicas que vai transformar o candidato em eleito. É uma prerrogativa inalienável da cidadania. Por isso é fundamental que estejamos preparados para essa escolha. É o nosso futuro que estaremos depositando, em confiança, nas mãos de quem vamos eleger. E a consciência deve ser nossa maior arma, embora muitos tiros que disparamos acertam o alvo errado e, consequentemente, colocamos em risco esse futuro. Faz parte do jogo. Entre erros e acertos, sempre se aprende uma lição nova para a próxima aula.

Sempre se aprende
Finalmente é chegada a hora de mostrarmos se aprendemos com os erros passados. É preciso levar em conta, também, que muitos foram os acertos. Enfim, se estamos respirando um processo eleitoral grandioso há algum tempo, não faltou, nesse período, oportunidades para o aprendizado. E agora vamos exercê-lo integralmente, para que desta vez erremos menos do que na aula anterior.

Uma conversa séria
É preciso juntar tudo isso, e trazer para o ambiente local essa expectativa. Muito se falou, e não faltou espaço para isso nos meios de comunicação. Se parecemos repetitivos em nossas análises, é por que a responsabilidade cresce junto com a preocupação sobre nossas escolhas. Não podemos nos alienar, deixar o bonde da história passar para nos arrepender depois, quando não há mais tempo hábil.

Decisão importante
Todas as opiniões são importantes, e devem ser tratadas com respeito. O pensamento não deve ser linear e nem buscar por uma unanimidade impossível, e nada saudável também. Mas é preciso que todos os pingos estejam postos corretamente nos “is”. Depois disso, cada um deve saber que caminho tomar. Mais que um direito é uma obrigação, e que assim seja. Mesmo que não haja nenhum caminho.

O barco é de todos
Durante todo esse período eleitoral, venho me utilizando deste espaço para, ao expor minha opinião, dar uma pequena contribuição para o processo político em questão. Afinal, somos seres eminentemente políticos e não podemos renegar esse plano que a nós foi destinado. Sem esquecer, jamais, para que não se transforme em arrogância, que o meu voto vale tanto quando o de qualquer outro cidadão.  

Nossos candidatos
Limeira, a exemplo de outros municípios, tem seus próprios candidatos que buscam mandatos legislativos na Assembleia Estadual e na Câmara Federal. O voto exclusivo em cada um deles não deve ser tomado como regra, mas sim considerado pela representatividade do próprio Município que, infelizmente, há muito não temos. Não que isso represente maior ou menor força. Mas será uma voz a ser ouvida.

Parte de um todo
Não se pode confundir um deputado, seja estadual ou federal, com executor de obras, como muitos tentam nos convencer em suas propagandas eleitorais. Não o são, como também, sozinhos, nada poderão fazer. Mas podem legislar – como o próprio nome define – por causas locais, a partir do momento em que se inserem na realidade do Estado e do País. E o Município está dentro dessa realidade. Daí a importância.

É preciso acertar...

Se hoje é o dia, aproveitá-lo da melhor maneira possível é, muito além de um direito, um dever para conosco mesmos. Para isso é preciso levar em consideração que somente daqui a quatro anos poderemos corrigir o erro cometido por nossa própria escolha. 

Denunciar. Sempre
De volta à realidade do nosso cotidiano, esta Gazeta mostrou, em manchete na última sexta-feira, como aposentados estão sendo, cada vez mais, vítimas de golpes. Golpistas profissionais (ladrões disfarçados e bem vestidos) e até mesmo agindo dentro do que a lei permite, aproveitam-se da necessidade de cada um. Exploram a boa vontade e, às vezes, a inocência desses idosos, em benefício próprio ou de instituições financeiras para atrair uma clientela diferenciada e apta a lhes garantir o retorno financeiro. O que é pior ainda, pois agem dentro da lei, bastando para isso o consentimento e assinatura de contratos nunca explicados como deveriam. E quais benefícios e obrigações trazem neles embutidos. Uma extorsão, com a cumplicidade da lei.

Situação vulnerável
Os casos de golpes contra aposentados relatados na edição da última sexta-feira da Gazeta, corroborados por testemunhas, são chocantes e tristes. Atingem uma parcela considerável da população. Um alerta ao qual todos devem se atentar.

Exploração branca
Outra situação mostrada também por esta Gazeta, também na sexta-feira, que se não é um golpe, no mínimo é uma atitude deliberada e mal intencionada. Trata-se do cartão com desconto para o usuário do transporte público. Se a tarifa paga em dinheiro, na catraca, custa hoje R$ 3, aquela que o usuário utiliza, quando adquire um cartão na concessionária, custa R$ 2,75. Ou seja, R$ 0,25 a menos por passagem, que no final do dia, utilizada por quatro vezes, corresponde a R$ 1 de economia e, ao final de três dias, o valor de uma tarifa inteira. O sistema de integração, que garante troca de ônibus sem nova tarifa, também está longe da divulgação necessária. Com a palavra, e se tiverem respostas convincentes, a própria Prefeitura e as empresas de ônibus. 

Pergunta rápida
Quantos candidatos estão, de fato, preparados para o exercício legislativo?

Quem é o pai? E...
...o padrasto? Com a chegada do Poupatempo assistimos a uma guerra de DNAs, no mínimo ridícula e desnecessária. Cada um dos lados – o do governo do Estado e seu séquito e Prefeitura de Limeira – arvorou-se em chamar para si a paternidade da chegada do serviço, como se isso fosse mais importante do que o próprio órgão estadual. Uma estupidez que só pode ser explicada pelo interesse político partidário, que contamina tudo e todos. Conhecido pela sua eficiência e pelos ótimos serviços que presta (em sendo um órgão público) o Poupatempo é muito mais importante que o seu pai, seja ele quem for. Uma pena que a pequenez rançosa de uma política velha ainda norteie o discurso do atraso.

Nota curtíssima

Que a consciência seja o guia de cada cidadão neste domingo de eleições.

Frase da semana
“Mafalda está cada vez mais atual”. Do cartunista Joaquím Salvador Lavado, o Quino, sobre sua personagem, que a tudo e todos questionava, ao completar 50 anos do quadrinho. Na Folha de S. Paulo. Quinta-feira, 2.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Triste espetáculo
O protagonismo que o vereador André Henrique dos Santos, o Tigrão (PMDB), tenta exercer com atitudes polêmicas e frases de efeito reflete uma ingenuidade (reconhecida por ele) imensa. Culpar a imprensa é tentativa inútil de mostrar seu despreparo ao cargo.

Sem sobressaltos
Não fosse o fato Tigrão, notícia constante, a Câmara Municipal está levando em banho-maria as sessões nesse período eleitoral. Ninguém quer se comprometer com nada. Nunca houve calmaria tão grande pelos lados do Legislativo. Os vereadores-candidatos não querem se comprometer.

A ajuda do Prada
Até o prefeito Paulo Hadich (PSB) resolveu dar um tempo. A anunciada contribuição para a iluminação pública – CIP – só vai para a apreciação dos vereadores após as eleições. As chances de ser aprovada será muito maior.

Coisa bem antiga
Enquanto isso, o marketing pessoal de Hadich é cada vez mais escancarado pela Secretaria de Comunicações. Um retrocesso na maneira de divulgar um político, que remonta, por baixo, 40 anos atrás. Lugar-comum dos prefeitos que descobriram a comunicação como ferramenta importante junto à opinião pública.

Risos e lágrimas
E já que o assunto é marketing político, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) têm empate cravado num quesito: falta de carisma. Nenhum dos três se sustenta pela própria imagem.

A última de hoje
Entre os não eleitores de Dilma Rousseff (PT) e principalmente os que odeiam o partido e a candidata, o Nordeste é o grande vilão e responsável pela petista estar à frente nas pesquisas. O Datafolha desmente esses dados e mostra que o preconceito é a pior das mazelas do ser humano: Dilma vence em todas as cinco regiões do País.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Uma lição fácil de aprender. Quem se habilita?

Na reta final do período eleitoral, uma dúvida ainda atazana a cabeça do brasileiro. Do eleitor que se prepara para ir às urnas no próximo domingo: a indecisão para escolher candidatos a deputado federal e estadual. Se alguns nomes se cristalizam com alta probabilidade de ser eleitos – até podendo repetir votações expressivas, como é o caso de Tiririca – nos bastidores os partidos fazem os cálculos e esperam por seus puxadores de votos, para medir a força da representatividade que terão na próxima legislatura. E é justamente essa insensibilidade com as necessidades de um Poder Legislativo forte, atuante, mas extremamente enfraquecido pelas lideranças políticas, que almejam apenas medir o poder de barganha que terão lá na frente, aliada ao excessivo número de candidatos, é que leva a essa indefinição, ainda porcentualmente alta. É o interesse corporativo que predomina, relegando a segundo plano a importância das competências e de gente de fato preparada para o exercício desses cargos, fundamentais ao desenvolvimento social, político e econômico de uma nação.   
As plataformas de cada concorrente à Assembleia Legislativa ou Câmara Federal, se analisadas pelo que eles apresentam no horário eleitoral gratuito, em seus folders e “santinhos” e nos cartazes, bandeiras e faixas expostas em cada esquina, são incrivelmente semelhantes entre si. Como se fizessem parte de um único projeto. E lançam-se à disputa como se fossem propostas inéditas e de exclusiva paternidade política. Muitos – a maioria, sem medo de errar na afirmação – desconhecem qual é a verdadeira função de um deputado e as implicações legais que isso lhes confere. Entendem tão pouco do trabalho legislativo, que misturam as atribuições, que são de exclusiva responsabilidade legal do próprio Poder Executivo. Em resumo, não se preparam, nem teórica e praticamente, para o cargo que aspiram conquistar. A alegação é sempre a mesma: “vou ser deputado para trazer mais educação, saúde, segurança, moradia...”, e tudo o que vemos diariamente, como se o simples fato de serem eleitos os cacifem para tal empreitada.
Quem acompanhou as entrevistas que esta Gazeta realizou com cada candidato que se dispôs a falar e, dessa forma, ter seu espaço na mídia, pôde perceber como eles sabem pouco sobre aquilo que podem ou não fazer como legisladores. Esqueceram-se do principal: explicar como pretendem legislar, já que essa é a prerrogativa primeira de um parlamentar. Uma ou outra exceção, de políticos já afeitos e no exercício das funções legislativas, se sobressaiu na apresentação de ideias. Os demais, infelizmente, exibiram um despreparo assustador. O que reflete, sim, na percepção do eleitorado na hora de escolher um candidato. O fato é que a cinco dias das eleições, temos apenas um amontado de números e siglas, que não refletem necessariamente a vontade popular. Não traduzem os anseios de um eleitor cansado, que para demonstrar esse descontentamento, acaba votando no imponderável. O resultado todos nós conhecemos, por lições passadas mal aprendidas. 

A reta final se aproxima e a democracia agradece

Mais uma semaninha completa e todos nós, brasileiros, estaremos diante das urnas para exercer nossa maior responsabilidade como cidadãos. Escolher quem vai nos representar na assembleias legislativas, Câmara Federal e Senado; aqueles que guiarão os destinos dos Estados e o dirigente máximo do País. Ao longo deste período eleitoral, que começa a se transformar em eleição de fato, cada um e à sua maneira deu (e está dando) sua contribuição para que o resultado do pleito seja o que melhor represente a vontade popular. E contra isso não há argumentos. Ideologias e partidos à parte, a imprensa vem dando mostras de um grande amadurecimento no tratamento aos candidatos e às siglas as quais defendem. Mesmo espaço editorial na mídia impressa é garantido a todos, assim como o tempo nas emissoras de rádio e TV, fora do horário eleitoral obrigatório. E não poderia ser diferente, a partir do momento em que a defesa da democracia e da liberdade de expressão são ingredientes imprescindíveis a essa prática. As exceções à regra não ofuscam a lisura desse processo.
 
Necessário preparo
Ao longo desses últimos meses o eleitor vem assistindo a um desfile de nomes e propostas, que deverão ser analisados com cuidado e com a devida atenção que o momento exige. Muito além da aparência e das ideias que representam, é preciso perguntar se estão preparados para a importância do cargo que estão disputando. E se conhecem, de fato, o significado dessa responsabilidade.
 
Seriedade; projetos
Outro fator importante para que possamos escolher um candidato - que nos represente com dignidade e que seja fiel a seus princípios políticos - é a percepção de seriedade que ele traz consigo. E para isso é preciso estar atento àquilo que anunciam e aos compromissos que assumem, em suas aparições-relâmpago nas propagandas eleitorais. É importante analisar o conjunto da obra e suas consequências. 
 
O espaço garantido
Ao longo da oficialização das candidaturas, esta Gazeta tem mantido postura isenta e importante, no sentido de dar vez e voz a todos. Sempre com o mesmo espaço de texto, tamanho de foto na proporção igual dos candidatos e a divulgação das propostas de cada um que já frequentou as páginas do jornal. Seja local ou de fora da cidade – faz parte da democracia – não se furtou a recebê-los de forma justa.
 
Informar e formar
E esse é, sem dúvida, o princípio básico da atuação dos meios de comunicação e dos profissionais que neles militam. Como agentes da informação e formadores da opinião pública, a missão de cada um de nós, jornalistas, é apresentar o fato e deixar que o leitor e, nesse caso o eleitor, tire suas próprias conclusões. Não é necessário – nem ético – abrir ou incentivar voto nesse ou naquele candidato. 
 
É a vez do cidadão
O caminho – e todas as suas variantes – foi aberto para que cada um possa escolher o seu. E é justamente nessa escolha que reside a maior responsabilidade de cada um de nós. Não pode ser a esmo e muito menos por simpatia ou benesses prometidas, mas pela competência que cada postulante demonstra e pelas atitudes que possam defini-los como aptos a merecer a nossa confiança. 
 
Dia de faxina geral
É preciso – e imprescindível – não cair na tentação de fazer do voto um instrumento de barganha. Os resultados dessas escolhas, como a experiência e a prática nos mostram, é danosa a todos. O único beneficiado é o mau político, que forma um agente público descompromissado com sua maior obrigação, que é zelar pelo bom funcionamento das instituições. E, principalmente, descompromissado com os princípios republicanos.
 
Consciência e voto
Se tudo isso não sensibilizar o eleitor, ainda há tempo para uma reflexão. Toda uma semana pela frente, para um exame minucioso dessa mistura política. Para se livrar, principalmente, da pregação ao voto útil. Ele não existe. É argumento dos derrotados. 
 
Tempo para mudar
Na última quinta-feira, um grupo de entidades – 42 ao todo – da sociedade civil esteve reunido para tentar resgatar a representatividade política de Limeira. Sem assumir candidaturas ou partidos, o manifesto “Limeira acima de tudo”, que já foi slogan do governo do ex-prefeito Waldemar Mattos Silveira, o Memau, tenta chamar à responsabilidade o eleitor limeirense para os candidatos locais. Principalmente após a divulgação da pesquisa Gazeta/Limite Consultoria, que mostrou a intenção de quase 50% do eleitorado local em votar em políticos de fora. Empresários e dirigentes de entidades assumiram esse compromisso, que é louvável e merece respeito. Só não sei se há tempo hábil para esse trabalho, devido à proximidade das eleições. 
 
Vaidade e...política
A ideia é boa. O entrave, entretanto, está no número de candidatos locais, pois muitos estão pouco se importando se serão eleitos ou não. Estão pensando apenas no futuro político, e se utilizando dessas eleições como balão de ensaio. O que é uma pena. 
 
Máquina azeitada
Não tem jeito mesmo. De uma forma ou de outra, independentemente de partido, a máquina administrativa será sempre usada por quem está no poder, e pensa em nele continuar. Luta para isso. Na última quinta-feira foi dada a largada para o início das obras de duplicação da Limeira-Mogi Mirim (SP 147). Há muito reclamada como forma de conter a onda de acidentes violentos e as sucessivas mortes, a obra tem início a poucos dias da eleição, na qual o governador Geraldo Alckmin (PSDB) concorre à reeleição. Ele, por lei, não pode estar presente, mas teve sua dose de propaganda garantida. Isso me fez lembrar da duplicação da Limeira-Piracicaba. Que foi palanque de outro tucano, Mário Covas. Interessante. Muito interessante mesmo.
 
Pergunta rápida
Com quantos SMSs se ganha uma eleição?
 
Na mesma linha...
Só para não perder o hábito e para mostrar que tudo isso é uma enorme coincidência, outra obra de importância capital teve início há pouco mais de 20 dias. Também do governo do Estado, e viária. Trata-se da duplicação do restante da SP 304, que liga Piracicaba a São Pedro e, da mesma forma como a Limeira-Mogi Mirim, useira em provocar mortes em acidentes. Reclamada há mais de 20 anos e, à época, tendo tucanos à frente das prefeituras das três cidades, só agora, mais uma véspera eleitoral, ela é iniciada. A obra, para quem conhece o trecho, é fundamental. É a ética política que se põe em dúvida com essas decisões. Quem pode atirar a primeira pedra?
 
Nota curtíssima 
A maquiagem deve ser usada apenas para corrigir pequenas falhas. Não grandes erros.
 
Frase da semana
“Eles embolsam a grana da genialidade e descansam até a próxima eleição”. Do ex-ministro Antônio Delfin Neto, sobre o trabalho dos marqueteiros políticos. Em artigo na Folha de S. Paulo. Quarta-feira, 24
Torre de Babel
Está difícil a comunicação entre as próprias secretarias municipais. Principalmente quando são instadas a dar alguma explicação de denúncia evidente e, necessariamente, envolve mais de uma pasta. O que um fala o outro não sabe e por aí vai.
 
(Des) integração
Por incrível que possa parecer, a situação fica mais complicada ainda, quando há uma resposta inicial, um desmentido no meio e uma interrogação final. Integração é o quesito que falta entre alguns secretários municipais. Corporativamente falando é fundamental para o bom funcionamento de qualquer sistema administrativo.
 
E...vade retrum
Tem secretário municipal que foge da imprensa como o diabo foge da cruz. Não há exorcismo que dê jeito. Nem água benta, estaca e alho resolve.
 
Elogios também
Para não dizer que não falei das flores, mas falando... as primeiras impressões que o novo sistema de segurança municipal, a chamada Muralha Digital, está causando em quem o conhece é só de elogios. Há, sim, competências que devem ser aproveitadas e muita gente competente na administração atual. Basta deixá-los trabalhar sim. 
 
Muito blábláblá
O que estraga, mesmo, são o discurso e a teoria. O primeiro é bem articulado e reflete na segunda, que traz com propostas interessantes. Mas a prática fica em segundo plano. E aí lasca tudo.
 
A última de hoje
O auto-elogio é uma prática antiga de agentes políticos com cargos eletivos. Com isso tentam camuflar todos os problemas, transformando-os em obras imaginárias. Política antiga a afeita aos velhos e conhecidos “coronéis” sem farda, que tentam passar imagem de competência e austeridade. Coisa antiga, mas ainda em uso...