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domingo, 15 de junho de 2014

Perigo sobre duas rodas. Ou mera imprudência?

Na semana passada, mais precisamente na edição de domingo passado, esta Gazeta trouxe manchete estarrecedora do ponto de vista da segurança no trânsito. O número de acidentes envolvendo motociclistas e a quantidade de feridos que deles saíram. Ao todo 481 condutores se acidentaram entre janeiro e abril e, o que mais assusta, a média diária de acidentes: um a cada seis horas. Ou seja, quatro nas 24 horas do dia. Acidentes esses atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, que apresentou essas tristes estatísticas. A matéria, da jornalista Érica Samara da Silva, além de detalhar a gravidade da situação, apresentou os reflexos que cada acidente proporciona, na questão da saúde pública, mobilidade urbana, produtividade urbana e, principalmente, o desespero que envolve familiares dos acidentados. Segundo o Samu, a pressa é a grande vilã da história, mas há a imprudência e inexperiência do condutor também. E não é preciso ser expert no assunto para entender o escopo desses números. Basta circular diariamente pelas ruas da cidade para constatar o fato.

Cada um na sua
Por isso abri os meus comentários de hoje com o título da nota inicial da coluna, que enfatiza a imprudência dos  “motoqueiros”. Ou motociclistas? Boa parte dos acidentes envolvendo motos, e isso é uma grande verdade também, acontece por imprudência do próprio motorista, que desrespeita as paradas obrigatórias ou entra em rotatórias sem se atentar para o fluxo de tráfego. As consequências...

E é sempre atual
Quem acompanha a coluna Texto&Contexto percebe que esse tema é recorrente em meus comentários. Mesmo assim, nunca é demais insistir e sempre trazê-lo à tona, quando deparamos com informações tão tristes como as que envolvem acidentes com motocicletas, cuja estabilidade, por ser um veículo sobre duas rodas, é mínima. E sua condução deve ser muito mais cuidadosa ainda.

Agilidade burra
Como já quase fui “vítima” dessa imprudência – e de motoristas desatentos também – procuro ter a máxima atenção com a circulação de motos. Como veículo versátil, o próprio condutor não percebe o risco quando se aventura a “costurar” para chegar mais cedo. Infelizmente, para a maioria daqueles que pilotam nas ruas da cidade, não existem sinais de ‘pare’ ou o ‘vermelho’ dos semáforos. Principalmente os que fazem entregas.

O sistema falha
A conclusão disso tudo é lógica, pois, por mais que a haja imprudência e inexperiência de condutores, acredito que o problema é bem mais grave. Está na má formação do motorista, do motociclista pelas auto e moto-escolas. O processo para formar um maior número de pessoas legalmente aptas a dirigir ou pilotar é que é deficiente. É preciso repensar isso com urgência. E pensar na qualidade da formação, e não na quantidade.

O tirano e a lei
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, expôs sua conhecida aversão pelas opiniões contrárias das dele. Pisoteou a Constituição Federal e violou todas as regras do Direito brasileiro.

Está havendo Copa
Com acertos e desacertos. Atrasos e obras inconclusas, começou a Copa do Mundo da Fifa no Brasil. Entre mortos e feridos, apenas alguns arranhões, poucos manifestantes e o tradicional quebra-quebra de vândalos (não se deve confundi-los com os verdadeiros manifestantes) e a conhecida truculência e o despreparo das polícias para atuar em situação de conflito. E por incrível que pareça, enquanto a depredação de patrimônios públicos e particulares avança, não aparece um policial para conter os verdadeiros criminosos. Nas passeatas de rua a Polícia Militar está lá e produz cenas como a de um manifestante agarrado pelo pescoço, atirado ao chão e, enquanto seguro, vem outro policial e borrifa spray de pimenta em seus olhos propositalmente. Falar o quê?

O ponto negativo
Um momento que poderia se tornar histórico na abertura desta Copa foi tratado como secundário, e com pouca visibilidade. O projeto do neurocientista brasileiro, Miguel Nicolelis, criador de um exoesqueleto e que fez um paraplégico dar um passo e o “chute inicial”, que deveria sim, ser no círculo central do gramado e com o destaque que de fato merecia. Infelizmente nada disso aconteceu, e a entrada do ônibus com a seleção brasileira no “Itaquerão” foi mais importante para a mídia. Se fosse em qualquer outro país do mundo, a pesquisa do doutor Nicolelis seria destaque. Por aqui é o “complexo de vira-latas” que determina a importância ou não do momento. É questão cultural mesmo não valorizar as coisas boas que temos e mostrarmos para o mundo.

Esgoto da alma...
E o mais triste de tudo. Houve até quem fez piada preconceituosa com o momento, através das redes sociais. Para piorar a situação, há quem ache graça e até compartilhe.

Pergunta rápida
De que cor é a onda verde nos semáforos da região central de Limeira?

É censura prévia
E está valendo para as emissoras de rádio e TV a proibição em transmitir programa apresentado ou comentado por candidato escolhido em convenção às eleições de 2014. O prazo começou a correr no último dia 10 e faz parte do calendário divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo preceitos da legislação eleitoral vigente no País. Um dos tantos absurdos que a lei impõe, por falta de uma reforma política. Mesmo que o objetivo seja o mais nobre possível, que é o de evitar o favorecimento àqueles que dispõem de horários e programas radiofônicos e televisivos em detrimento aos demais candidatos. A legislação eleitoral brasileira precisa rejuvenescer. Rever conceitos.

Nota curtíssima
A vaia pública expressa o desagrado. A ofensa pura e simples espelha falha de caráter.

Frase da semana
“Nenhum governante pode gabar-se da realização da Copa no Brasil”. Do ex-jogador e tetracampeão mundial, hoje deputado federal, Romário, em artigo publicado no UOL Notícias-Opinião. Quinta-feira.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Há como piorar?
Não sou o primeiro – e também não serei o último – a afirmar que a base aliada de Paulo Hadich (PSB) está se perdendo. Pode-se negar o quanto puder, mas que há um desconforto com o Poder Executivo, isso é perceptível. Até mesmo entre os petistas, a maior bancada, já não há mais unanimidade. Se essa corda arrebentar...

É opção lógica 
Confesso que não estranhei a adesão de Hadich à campanha do tucano Geraldo Alckmin para o governo do Estado. Mesmo seu vice sendo do PT. Se fosse o contrário é que seria surpresa. Coisas da política.

A constatação
Está cada vez mais difícil de a administração municipal se explicar perante a população. Até mesmo o explicável se complica, cada vez que se tenta explicar as ações de governo.

Sorte presente
A situação só não é pior porque a oposição é falha, e tenta se colar nas frustrações do povo. Não tem ações concretas que a movam.

Pra lá de real
Para quem não acreditava que as manifestações iniciadas em junho do ano passado iriam muito além dos R$ 0,20 do Movimento Passe Livre (MPL), a prova está no resultado da pesquisa do Datafolha: 1/3 do eleitorado (cerca de 30%), não quer nem o PT e nem PSDB. Mesmo sem uma terceira via concreta, está ai uma oportunidade a quem ir por ela.

E vão engolir
Por isso petistas e tucanos descaracterizaram – ou pelo menos tentaram – as manifestações como resultado da insatisfação popular. As primeiras consequências são demonstradas pelo eleitorado. Em curto prazo resultaram nos R$ 0,20. A longo, prejuízo para muitos partidos políticos. A reforma se faz cada vez mais urgente.

A última de hoje
Logo mais, à tarde, começa a Copa do Mundo da Fifa no Brasil. Apesar de envolver uma paixão do brasileiro, o futebol, ela nada tem de popular. Muito pelo contrário. As arquibancadas foram feitas para uma minoria privilegiada, mas que vai lotar os estádios.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Cabeça, tronco e membros em decomposição

A partir de hoje “é permitida a realização de convenções destinadas à deliberação sobre coligações e à escolha de candidatos”. Está lá, no calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para este ano e atende ao artigo 8º da Lei nº 9.504/97. A legislação que regula as eleições no Brasil. Outras determinações importantes também têm o dia 10 de junho como ponto de partida, mas vou me ater à questão das coligações entre os partidos. E sem a devida afinidade ideológica ou de conteúdo programático, daqueles que encabeçam chapas majoritárias ou proporcionais. E muito menos os interesses éticos obrigatórios.
Uma disputa que não impede ninguém de procurar desafetos e até adversários viscerais, quando se está em jogo o poder, mas não o bem-estar coletivo, que faz parte das eternas juras de amor dos candidatos para com a população. O grande lance, hoje, é agregar quantidade e não qualidade. Pois é esta quantidade que vai determinar o tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, a menina dos olhos de todas as agremiações políticas. Uma equação política em que quanto mais minutos e segundos cada partido conquistar com seus aliados, neoaliados ou uniões fisiológicas de última hora, melhor será o desempenho eleitoral. Não acredito nessa transferência imediata de valores, e muito menos nos seus resultados práticos. O cuidado com a qualidade das alianças foi deixado de lado, o que possibilita o surgimento de aberrações eleitorais e de pouca confiabilidade.
Assim como fez com Fernando Haddad, prefeito eleito de São Paulo pelo PT, em 2012, Lula obrigou seu novo afiliado, o petista Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo, a apertar as mãos e sorrir para as câmaras na companhia de Paulo Maluf (PP), um dos subprodutos da ditadura militar. E inimigo mortal do próprio Partido dos Trabalhadores, em outras épocas. Saliente-se, também, que o próprio FHC e todo o ninho tucano já abraçaram Maluf. E da mesma forma foram criticados, pois juntaram numa mesma missão reféns a seus próprios algozes, como numa espécie perdão coletivo às práticas de um passado não muito distante. Em nome da governabilidade.
Outra aliança (e essa já sacramentada de muito tempo), a do PSDB com o Democratas, também é uma desvirtuação política, pela própria história dos cardeais tucanos, perseguidos, presos e exilados pelo regime militar, que também é a origem do DEM, saído das fileiras do extinto PFL, que por sua vez nasceu de ex-integrantes da antiga Arena, partido que dava sustentação ao golpe de 1964. Portanto, como se pode ver, ninguém pode atirar a primeira pedra e depois esconder a mão. Outra estranha coligação, que seria improvável à luz da razão, uniu a evangélica e ex-verde Marina Silva ao socialista Eduardo Campos. Só não explosiva, porque também fisiológica.
E por fora corre o PMDB, que de qualquer forma será governo. Tanto com Dilma – de quem é aliado e tem o vice-presidente – quanto com Aécio ou Campos, se porventura um deles for eleito, continuará no poder. Usará de sua força política de partido amplamente majoritário para fazer um novo refém. Como o foram FHC e Lula. Entre o bem, que pouco dura, e o mal, que nunca se acaba, enquanto faltar coragem para se fazer uma reforma política de grandes proporções, só haverá troca de letrinhas, pois o caldo continuará o mesmo, e a produzir o mau cheiro que o sistema político brasileiro criou.

domingo, 8 de junho de 2014

Enfim, chegamos. Mas como vamos nos sair?

Por mais mesquinhas ou hipócritas que possam parecer, as críticas são importantes para que erros sejam corrigidos. Ou, no mínimo, para que as consequências deles não se mostrem danosas. De junho de 2013 para cá, com a ascensão das manifestações populares, virou moda dizer que “não vai ter Copa” (o correto seria “haver”), cobrando-se saúde, educação e segurança “padrão Fifa”. Até há um movimento, que virou hashtag nas redes sociais, com esse nome. Difuso, sem lideranças, muita gente sem saber por que protesta, disfarçada em movimentos sociais, entrou na onda. Puro propósito de ganhar visibilidade para o momento posterior. Agora é só o nome mesmo que está em jogo, tentando viabilizar as futuras lideranças. As reivindicações apresentadas, sim, são autênticas e a mais pura expressão da realidade. A mistura dos interesses que estão por trás delas é que não são confiáveis. Mais quatro dias e o Brasil abre oficialmente a Copa do Mundo de Futebol da Fifa – e não do Brasil – e é a partir daí que se vislumbrará o alcance das manifestações. Vai haver Copa, sim.

O tema da pauta
Nos próximos 40 dias, entre o início e o fim do torneio mundial de seleções, todos os olhos estarão voltados para as 32 seleções, nas 12 cidades-sede e, por tabela, para a demonstração de forças dos manifestantes. Se agirão com racionalidade, ou se partirão para a violência. Mascarados ou não, todos, inclusive aqueles que assistirão aos jogos, devem ter seus direitos respeitados. É constitucional.

Um padrão real
Essa história do “padrão Fifa” não me parece bem dimensionada. Mesmo porque o único padrão que a Fifa conhece é o do desrespeito ao direito de ir e vir do cidadão, no país em que ela aporta. Se cobrado que os valores investidos em estádios – inclusive os particulares, como é o caso do Itaquerão – o sejam também na saúde, educação e segurança, do povo, esse seria um ponto de partida.

Agora não mais
Como já deixei claro em outros comentários que fiz sobre o tema Copa do Mundo, entendo que o tempo de protestar contra a sua realização passou do ponto, a partir do momento em que o País foi anunciado, com pompa, como sede do evento, lá em 2007. Ficaram lá os esforços para o entendimento da real situação do País, e do que representaria a Copa. E refletir até que ponto ela caberia nas dimensões sociais locais.

Para terminar...
O legado social, econômico e político que a Copa vai deixar ainda não dá para prever. Haverá saldos positivos e, com eles, virão os negativos também. Só não acredito num possível efeito eleitoral – nem para a situação e nem para a oposição – seja qual for o desempenho da seleção brasileira. Até porque se o governo está tentando tirar proveito, a oposição não está criticando, para não entrar em conflito com os torcedores-eleitores.

Mais porcentuais
Já que estamos falando em política, mais uma pesquisa do Instituto Datafolha à corrida presidencial mostra nova queda de Dilma. E de Aécio também. Já o socialista-verde Eduardo Campos despencou. É da sexta-feira, 6. Se Dilma cai, os dois principais candidatos oposicionistas caem também. Se ela sobe, ambos sobem juntos. Nem o tucano, e muito menos o ex-governador do Pernambuco, conseguem capitalizar a queda da petista. Um fenômeno a ser estudado.

Cadeia produtiva
A iniciativa privada cobra transparência do poder público. É o óbvio ululante. Aliás, é uma obrigação de quem administra o dinheiro do cidadão. Só que a iniciativa privada também prima pela falta dela. Dentre as mais fechadas está a indústria do suco de laranja. E quem nos deu o exemplo foi o professor da UFSCar, Luís Fernando Guedes Pinto, em palestra sobre as margens de comercialização no sistema agroindustrial do suco de laranja, na última quinta-feira, durante a Semana de Citricultura, em Cordeirópolis. O professor de economia apresentou uma equação de conversão de medidas, para explicar a falta de prestação de contas do setor, que ganha, não divulga quanto e a conta final fica para o produtor – que é mal remunerado – e para os consumidores finais, enquanto a indústria e o varejo ficam com os lucros.

Interesses difusos
É lamentável como as autoridades políticas se deixam influenciar por alguns setores da sociedade, em questões consideradas tabus e de alta sensibilidade. A Anvisa, por exemplo, voltou atrás – após ter autorizado – na liberação da importação de medicamento à base de canabidiol, o princípio ativo da maconha, para tratamento de epilepsia. A agência se deixou levar por interesses eleitorais do Planalto. Um outro retrocesso, também na área da saúde, foi a alteração de uma portaria que modificava a tabela do SUS para abortos legais. Desta vez, sob a influência de setores religiosos – tanto católicos como de várias denominações evangélicas – que se julgam no direito de decidir sobre a vida e a morte. Isso porque estamos no século XXI.

Sob a tutela da fé
É bom lembrar, sempre, que a saúde pública está muito além dos interesses de segmentos religiosos. E muito acima de qualquer grupo, que ao professar um credo, apenas quer tutelar o livre arbítrio. Este é um país laico, e assim deve continuar. A igreja não pode, nunca, se confundir com o estado e vice-versa. Foi-se o tempo em que essa igreja era o centro do universo.

Pergunta rápida
Até que ponto silenciar a imprensa é conveniente para encobrir a improbidade?

Idoso no trânsito
Confesso que fiquei assustado com uma situação que presenciei na última terça-feira, envolvendo o trânsito no Centro da cidade. O risco que pessoas idosas correm de sofrer atropelamentos em cruzamentos, onde há semáforos para pedestres. Um senhor, até com certa dificuldade em andar, foi entrando na faixa de pedestres e atravessando a rua, sem se dar conta de que o sinal estava aberto ao tráfego de veículos e sem mesmo olhar para o semáforo de pedestres. E o que impressiona mais ainda é que a maioria das pessoas idosas age dessa forma. E para completar esse quadro, e também o maior complicador, está o curto período de tempo que esses semáforos ficam abertos para pedestres. 

Nota curtíssima
Águas de Lindoia recebeu a seleção da Costa do Marfim. Limeira, o marfim nas costas.

Frase da semana
“Os protestos são o preço da democracia". Da presidente Dilma Rousseff (PT), durante jantar com correspondentes estrangeiros no Palácio da Alvorada. No UOL Notícias. Quarta-feira, 4.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

É inadmissível
Desinformação e alienação são parentes muito próximos. E principais multiplicadores da ignorância política, social, cultural e tudo o que se possa imaginar. É difícil, entretanto, para quem trabalha com comunicação, aceitar que em tempos de redes sociais e acesso fácil e rápido à informação, isso ainda continue acontecendo. É um paradoxo dos tempos atuais.

Primeira lição
Quando entrei para a universidade cursar jornalismo, bem na metade dos anos 1970, uma das primeiras lições que tínhamos era sobre a disseminação do boato. Como ele corre fácil, e chega rápido ao seu destinatário. Quase quatro décadas passaram, e nada mudou. Mesmo com a informação chegando em tempo real.

Exemplo claro
O grave problema de saúde que acometeu ao médico e vereador Raul Nilsen Filho – até este momento internado e sedado na UTI da Medical - é a prova de todas essas teorias. O número de pessoas propagando a morte do político é impressionante e lamentável. Muitos por desinformação, outros por alienação e, boa parte, por má índole mesmo.

O perigo é real
Ações na calada da noite foram, sempre, sinônimo de autoritarismo. É a triste memória de um passado não muito distante. O golpe militar, em 1964, o AI 5, em 1968 e o fechamento do Congresso, em 1977, enquanto Corinthians e Ponte Preta decidiam o Paulistão daquele ano são os exemplos mais conhecidos. A pressão sobre a imprensa é só uma consequência dessa brutalidade. A ânsia pelo poder não mede esforços e não conhece os limites para isso.

Ao nosso lado
É muito triste, em pleno século XXI, ainda ter que conviver com todas essas ameaças. E olha que estou falando sobre Limeira. E não sobre a situação nacional. Espero que todos tenham entendido o recado.

A última de hoje
#Vai ter Copa. Um dado curioso, divulgado ontem: ingressos para os jogos do Brasil e partidas em SP e RJ estão esgotados. E 80% desse total adquiridos por brasileiros. Provavelmente são os mesmos que criticam a realização do torneio e pedem educação e saúde padrão FIFA.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Matemática política não fecha balanço

Para ficar aceitável, o transporte público urbano precisa melhorar muito. Em qualidade, eficiência e comodidade aos usuários, que ainda sofrem com atrasos, ônibus lotados e, principalmente com a falta de abrigos decentes para garantir o mínimo de conforto para quem espera pela condução. E isso ainda está longe de acontecer em Limeira. Embora haja muita discussão, realização de audiências públicas para debater os rumos do setor e as reclamações do segmento mais interessado nessas melhorias, a população, a teoria não avança para a prática. Os serviços prestados pelas duas (?) concessionárias continuam ruins e sem perspectivas positivas. E o que é pior, sob a tutela do poder público, que teima em subsidiar as viações que operam no Município.
Na última sexta-feira, mais um capítulo dessa novela foi escrito e com certeza vai provocar polêmica e muitas críticas junto à opinião pública, pelas três resoluções aprovadas no Conselho Municipal de Desenvolvimento do Transporte Público: aumento nos subsídios às empresas, no valor das tarifas e a aplicação de três níveis tarifários: R$ 3,00 para quem não possui cartão e para o vale transporte; R$ 2,75 para quem tiver cartão do transporte, definido pelo próprio Conselho como “preço promocional” e 1/3 do valor total para estudantes, que passarão a pagar R$ 1,00 e não mais meia-passagem. Esse, talvez, o único ponto positivo dos três apresentados. E que já devem vigorar a partir deste mês, através de decreto do prefeito Paulo Hadich (PSB), mas que ainda está em estudos na Secretaria de Assuntos Jurídicos, para definir a necessidade, ou não, de projeto, a ser aprovado pelos vereadores.
Aumento no preço da passagem é exclusivo do Executivo. A questão do aumento nos subsídios às empresas, entretanto, deverá passar pelo crivo da Câmara Municipal, assim como a própria lei que instituiu o transporte subsidiado pelo poder público. Uma matemática estranha essa, pois o Município custeia parte dos serviços do transporte público, que não repassa à população as melhorias cobradas e há muito tempo reclamadas. E que deveriam ser fiscalizadas de forma eficaz, justamente por quem concede esse subsídio. E o que mais assusta é o valor do dinheiro público que será repassado às viações Limeirense e Rápido Sudeste. De R$ 486 mil para R$ 755 mil mensais, uma alta escandalosa de 55%, para não definir de outra forma. E isso em menos de um ano de a lei do subsídio ser aprovada pelo Legislativo municipal.  
Essa triste prática em subsidiar serviços ou produtos no Brasil é uma herança nefasta – e nesse caso nefasta mesmo – para garantir propaganda positiva e manter as rédeas do poder nas mãos de quem está nele. Não oferece, entretanto, a contrapartida necessária, a tão cobrada redução nos gastos do governo - o chamado custo Brasil - que, por si só, seria saneadora das contas públicas, sem a necessidade de bancar setores da iniciativa privada. Enquanto isso não acontecer, o dinheiro público continuará escoando pelos ralos e o contribuinte pagando por essa conta, através de uma carga tributária extorsiva e surreal. Na matemática política não há denominador comum e quem tenha coragem de praticá-la, nas quatro operações fundamentais. Os números nunca batem. 

domingo, 1 de junho de 2014

Educação ou caso de polícia? Difícil saber...

Depois de algumas semanas longe das páginas dos jornais e do noticiário em geral, a violência na rede pública de ensino volta, e com mais notícias ruins. Só para variar um pouco. Primeiro foi um pai e uma mãe que agrediram uma professora; depois a agressão entre alunas, que rendeu até recolhimento e custódia na Fundação Casa; mais adiante, novamente uma agressão e ameaças de mãe contra professora e, agora, tumulto em uma escola da rede estadual de ensino no final da tarde. Estou falando do tradicional Grupo Brasil, onde, na quarta-feira, um aluno arremessou uma pedra contra viatura da Polícia Militar, da Ronda Escolar, que monitorava a saída de alunos do período vespertino. Por sorte não acertou um policial que estava próximo, e nenhum popular que aguardava no ponto de ônibus. Apenas o veículo. O que mais choca é que tem sido recorrente essa situação, principalmente em razão do uso de entorpecentes. E nunca se consegue identificar os agressores, que se misturam à multidão. Impossível que a direção da escola não conheça tais alunos, a ponto de não identificá-los. Não o fazem por medo de ameaças, e por não terem o devido respaldo do próprio Estado.

Problema insolúvel
E esses casos tanto se repetem que se tornaram corriqueiros no ambiente escolar, onde o professor é desrespeitado, a direção da escola fica de mãos atadas e nas mãos de verdadeiras gangues e nenhuma atitude prática é tomada por quem deveria. Esconde-se, o quanto se pode, esse grave problema, como se debaixo do tapete coubesse tanto lixo. E se tem a impunidade como incentivadora da violência. 

A família e a escola
O mais grave é que, em muitos casos, a própria família prefere passar a mão na cabeça do agressor, empurrando toda a responsabilidade à escola. Se a formação familiar é deficiente ou distorcida, não é a instituição de ensino quem vai dar jeito. Principalmente por que não tem as ferramentas necessárias, nem profissionais especializados e, muito menos, a atenção das autoridades públicas. É fato.

Sem cozinha e fogão
E como se não bastasse a questão da violência, a estrutura precária em instituições de ensino também revela descaso da administração pública. E acaba virando notícia, ou até mesmo manchete na imprensa. Na Vila Piza, em quadra de esportes, sanitário virou cozinha. E, no Parque Hipólito, vazamento de gás e falta de fogão resultaram em apenas pão como merenda. Foram destaques nesta Gazeta.

A mídia que resolve
E o direito sagrado a uma educação de qualidade se transforma em problema, que a gestão pública não consegue enfrentar. Nesses casos comentados, tanto por parte do Estado como do Município. E esperar para resolver todas essas situações quando elas vêm a público é outra faceta negativa dos agentes públicos, que deveriam zelar pela comunidade. Enquanto ninguém denuncia, nada se faz.

Relação tumultuada
Debater educação é apaixonante, pois está na base de toda necessidade humana para o pleno desenvolvimento. Uma pena que os governos – e nesse caso, todos – não dão a ela a atenção que merece. É secundário, sempre.

Barbosa sai de cena
E o polêmico ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou sua aposentadoria. Amado por muitos e odiado por outros tantos, ele ainda poderia cumprir mais de 11 anos à frente do Supremo, até a compulsória. Esse anúncio, porém, é um claro sintoma de seu apego ao poder máximo, uma vez que ele teria obrigatoriamente que deixar a presidência da corte e, com isso, seria mais um. E ele definitivamente não gosta de ser mais um. E praticamente sedimenta seu futuro na política partidária. Neste ano ele não pode concorrer a mais nada, eleitoralmente falando. E abre as portas aos partidos que o desejam em suas fileiras. E tem, a seu favor, toda a popularidade e visibilidade que a condução do julgamento do mensalão lhe deu.

Está sendo bajulado
E nem bem anunciou que até o final de junho deixa o STF, Joaquim Barbosa já tem para onde ir. Basta escolher quem vai melhor bajulá-lo, se Aécio Neves ou Eduardo Campos. O senador e presidenciável tucano mineiro já entrou na disputa e tem como forte concorrente outro presidenciável, o ex-governador de Pernambuco, também candidato à Presidência. Alguém já escreveu, em algum lugar, que se Aécio for presidente o “Barbosão” será seu ministro da Justiça. Não é de estranhar que isso aconteça mesmo. Por hora, não sei se ele aceitaria o papel de mero coadjuvante...
Será que aceitaria??
Só não se tem notícia se o PT também tem interesse em contar com o apoio de Joaquim Barbosa. Com a palavra a presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição.

Pergunta rápida
Por que Ronaldo, o Fenômeno, resolveu abrir a boca só agora para criticar a Copa?

A tesoura foi afiada
Outro assunto que causou – e ainda vai causar – polêmica foram os cortes anunciados pela Prefeitura em licenças-prêmio e horas extras, além dos dez dias (1/3) das férias, que costuma comprar dos servidores. E essa contenção de despesas (?) tem um motivo: a arrecadação municipal, que não está dentro do esperado. É muito estranho, ainda na metade do ano, a administração acender a luz amarela sobre o orçamento. É muito cedo para fazer um anúncio dessa natureza, pois se o sinal de alerta já foi disparado e nem completamos o primeiro semestre, como será, então, o fechamento do ano? Alguma coisa nessa conta não está batendo. O jeito é esperar para ver.

Nota curtíssima
É assustadora a calmaria registrada nas últimas sessões da Câmara de Limeira.

Frankenstein político
Amarrar alianças para ter acesso a alguns minutos a mais na propaganda eleitoral faz parte do jogo político. E dos princípios republicamos. Agora, quando essas alianças reapresentem o que há de mais espúrio na política, vai contra qualquer princípio moral. Lula fez Fernando Haddad, então candidato à prefeitura paulistana, apertar a mão de Paulo Maluf, e era visível o constrangimento. Agora é a vez de Alexandre Padilha, candidato petista ao governo do Estado, passar pela mesma situação. Com as bênçãos de Lula, essa aliança deveria ser repudiada pelo próprio PT. Como não foi com Haddad, não o será com Padilha. A diferença entre esses dois cenários é que, neste ano, o alcance é estadual. Muitos petistas estão, mais uma vez, torcendo o nariz. É um jogo perigoso. 

Frase da semana
"Qual partido não gostaria de ter Barbosa em seus quadros?" Do presidenciável Eduardo Campos (PSB), sobre a aposentadoria do presidente do STF, Joaquim Barbosa. Na Folha de S. Paulo. Sexta-feira, 30.