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terça-feira, 1 de abril de 2014

Pouco melado também lambuza

O primeiro trimestre do ano já foi. O segundo começa hoje, primeiro de abril, e não há nada de mentira que se possa espalhar, nem de verdade para contestar. Apenas fatos, que mostram o quão difícil é a realidade, quando se deixa a esperança de lado. Expectativas que poderiam ser fundamentais à felicidade humana, mas que são constantemente frustradas pela classe política, que não se preocupa com o bem-estar daqueles que representam e, por vezes, jogam sua reputação por terra, quando mudam de lado. Está escrito na história. É exemplo vivo da falta de sintonia entre o poder, o se comprometer e, finalmente, o fazer.
Depositar confiança em determinada pessoa ou grupo é tal qual uma mola propulsora, a impelir a vontade coletiva às transformações que se fazem necessárias. É a complexa relação social, que dá ânimo e disposição para não esmorecer, diante das dificuldades e dos obstáculos naturais – ou não – quando há idealismo. E, principalmente, a prática diária em torno de um objetivo comum, a busca constante pela realização de sonhos, cujo beneficiário é o próprio cidadão, que não se cansa de acreditar e investir na lealdade, na sinceridade e na competência de outrem. Nesse caso aqueles que batem à sua porta com promessas celestiais, para depois se revelar mensageiros do caos, ao perceber que precisam mudar o discurso e a prática para sua própria sobrevivência no sistema.
Com raras exceções e casos isolados de lideranças fortes e dignas de assim serem chamadas, o que se nota, e se comprova a cada dia, é que grande parte dos políticos, ao assumir seus cargos, esquece-se da serenidade e se arremessa à soberba. E com tamanho engajamento nesse novo status, que a humildade dá lugar à arrogância. E se perde num discurso de campanha, quando o primeiro objetivo deveria ser o compromisso assumido com aqueles que nele depositaram sua fé mais autêntica. Vale lembrar, aos que assim agem, que a desconstrução de uma imagem é muito mais rápida que o tempo gasto com sua construção. E uma vez arranhada, dificilmente se faz cicatrizar e vai sangrando até se transformar em ferida crônica. Em alguns casos, pode levar à morte.
O poder, quando mal gerenciado pelo despreparo pessoal, é danoso. Principalmente para quem o exerce. Ele pode levar à tirania ou ao descrédito. A segunda opção é sempre a mais lógica. E é a primeira impressão, causada por essa incapacidade em se conduzir por suas próprias ideias, e pelas práticas distorcidas do conchavo, que vai marcar definitivamente seus simpatizantes. Os exemplos estão aí, às pencas e por todos os níveis do poder político. Basta olhar atentamente a essa prática, que se tenta impor como verdade, e a mentira que caracteriza o discurso. É fácil de distinguir. E subjuga a inteligência de cada um de nós. Tem muita gente se lambuzando nesse melado.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Vereadores merecem censura pública. No mínimo

Não dá para encerrar uma semana e iniciar outra sem lembrar dos tristes episódios envolvendo os vereadores Nilton Santos (PRB) e André Henrique da Silva, o Tigrão (PMDB), que transformaram o Plenário da Câmara numa verdadeira lavanderia de roupa suja. Tudo por conta do projeto que reduziu os descontos aos vereadores faltosos. Tigrão foi um dos signatários da proposta e acabou votando contra ela, que se indispôs o vereador-pastor. Daí para a troca de insultos foi apenas um empurrãozinho. A exaltação era visível de ambos os lados, e ninguém conseguia parar a troca de ofensas entre os dois vereadores. Até que a sessão foi suspensa pelo presidente em exercício, o vereador Luisinho da Casa Kühl (PSDB). Sem contar que houve “puxão de orelhas” naqueles que assinaram o projeto, e depois votaram contrários. A questão, entretanto, não é essa. Vale lembrar que tanto Nilson Santos como Tigrão trocaram insultos públicos, em plena sessão, e mereceriam, no mínimo, um voto de censura pública. E não dá nem para descaracterizar certa falta de decoro dos dois.

Resposta esperada

Dado a gravidade do momento, e com a devida isenção, penso que a Mesa Diretora, bem como o presidente da Casa, vereador Ronei Martins (PT), deveriam puxar o coro por uma punição aos dois “brigões”. A Corregedoria do Poder Legislativo está lá para isso. E nada melhor que uma ação exemplar, para apagar um pouco a falta de interesse da bancada situacionista em penalizar também seus pares.

Em medidas iguais
É imprescindível que essa Corregedoria, comandada pelo vereador José Eduardo Monteiro Júnior, o Jú Negão (PSB), que é governista – inclusive do próprio partido do prefeito Paulo Hadich – mostre que está acima de interesses partidários e de bancada, o que até agora não aconteceu. E tome como exemplo o caso do vereador Raul Nilsen Filho (PMDB), que, apesar de tudo, teve vistas grossas.

Instrumentos legais
Mesmo a discussão e o descontentamento do público presente ao auditório da Câmara, para acompanhar a sessão, não dão o direito, a quem quer que seja, de ofender esse ou aquele vereador, como fez um cidadão, que pediu para que as “meninas parassem de brigar”. Nesse caso sou, sim, favorável a uma ação, dentro da lei, contra esse “agressor”, que também deveria conhecer seus limites perante a instituição.

Para respeitar. E...
...ser respeitado. É sempre bom lembrar que, como cidadãos e eleitores, temos todo o direito de mostrar nossa desilusão com a classe política, através de cobranças e críticas. O que não se pode é, a pretexto de ideologias e ou siglas partidárias, partir para xingamentos, como se vê comumente pelas redes sociais. Há um limite estipulado pelo bom senso, e respeito é sempre bom e não faz mal a ninguém. Apenas engrandece.

Estar de olho neles
Amanhã acontece mais uma sessão ordinária na Câmara Municipal. E nada melhor que se preste atenção nas atitudes de cada vereador. O cidadão precisa acompanhar a cotidiano dos seus políticos e exigir respeito com seu voto.

Boas ideias existem
Querer e ter vontade política em fazer são o suficiente para pôr em prática qualquer ideia. E a prova disso foi dada na semana que passou. Na quinta-feira a Secretaria Municipal da Saúde anunciou uma parceria com a Santa Casa de Limeira, através do Hospital Ensino, para levar formandos até as unidades do Programa Saúde da Família (PSF). Isso nada mais é do que um projeto de humanização da medicina, que está seletiva em demasia. E uma oportunidade de dar conhecimento a esses futuros profissionais (15 ao todo) na carreira que abraçaram. Terão suas atividades monitoradas pelos médicos das unidades e estarão restritos a procedimentos específicos de aprendizado.

E que tenha sucesso
Trata-se de um proposta extremamente interessante e, se der os resultados esperados, com certeza trará melhoras ao sistema da saúde pública municipal. Levar o médico aonde há necessidade e falta dele para o atendimento da população, especialmente nos bairros, é de grande importância. Além de mostrar que a medicina é muito mais que consultórios elegantes com ar- condicionado. Enfim, vamos esperar os resultados.

Sem comemorações
Amanhã, 31 de março, o golpe militar que afundou o País numa sanguinária ditadura – só não pior que a da argentina de Jorge Rafael Videla – e governou o Brasil por 21 anos, completa 50 anos. Sem bolo. Mas com muitas velas, que devem ser acesas em honra aos mortos e desaparecidos vítimas da exceção e dos porões do regime. Mais que isso, é preciso um outro tipo de comemoração: a liberdade, conquistada às custas de muito sangue. Tenho muita esperança de que a história ainda vai mostrar tudo o que aconteceu entre 1964 e 1985, para que não volte a acontecer. Só não podemos esquecê-la.

Pergunta rápida
Por que os semáforos do Centro não funcionam durante o dia como funcionam à noite?

E o STF acertou
O relator do julgamento do mensalão tucano mineiro no STF, ministro Luís Carlos Barroso, foi muito feliz em seus argumentos e sua decisão – que foi acompanhada pela maioria, menos o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa – ao devolver o julgamento do ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) à primeira instância. Como cabe a quem não tem mais foro privilegiado, e como deveria ter acontecido no mensalão do PT. Gostaria, particularmente, de ver o mesmo peso e a mesma medida nesse caso, mas não dá para não julgar tecnicamente. O que Barroso fez e Barbosa não. Os pesos e medidas deveriam ter sido aplicados lá atrás.

Nota curtíssima
A decisão do STF, em relação a Azeredo, dará muito mais munição política ao PT.

Silêncio cúmplice
Ao contrário do que se viu - e muito se leu – quando do julgamento dos embargos infringentes a favor de alguns réus do mensalão, a decisão do STF de agora, de devolver à primeira instância a ação contra o ex-deputado e ex-governador mineiro tucano, não provocou a mesma ira nas redes sociais e nem sequer fez cócegas na mídia. Para quem se aprofunda nas teorias midiáticas e no papel da imprensa, vê-se nítida e claramente uma certa manipulação nas informações. É fato. É concreto, basta ver os exemplos e nenhuma contestação daqueles que silenciaram por completo.

Frase da semana
“Os tucanos gostam de ser guiados pela mídia”. Do jornalista Altamiro Borges, durante debate sobre a democratização da mídia, realizado na Câmara Municipal de Limeira. Na terça-feira, 25.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Puxão de orelhas
Vou contrariar o senso comum para concordar com o puxão de orelhas que o vereador Ronei Martins (PT), presidente da Câmara, deu nos seus pares na sessão da última segunda-feira, por conta de uma votação para reduzir o desconto por falta parlamentar.

Perdeu o crédito

Atendendo à ampla maioria dos vereadores, na hora da votação, alguns que foram signatários do documento acabaram votando “não”, contrariando o próprio posicionamento inicial. Quem não assinou – e Ronei foi um deles – não tinha obrigação do voto favorável. Quem assinou, porém, deu mostras de que não merece a mínima confiança, pelo gesto dúbio.

Correção de rota

Particularmente, entendo que o projeto está correto. Afinal, descontos dessa natureza devem ser proporcionais aos dias faltosos. Qualquer outro entendimento está fora da realidade. Todos os pedidos de benefícios, agora, com certeza, serão analisados com lupa.

Maniqueísmos...

Há uma nítida tentativa na Câmara, hoje, de jogar a opinião pública contra jornalistas e a imprensa, de uma maneira geral. Gesto grotesco e que dá mostras da falta de preparo político de parlamentares. E de quem não é capaz de conviver com a democracia e o contraditório.

É muito dinheiro

Não é o melhor momento para anunciar gastos de R$ 5,2 milhões com publicidade, como fez a Prefeitura, contorme matéria publicada por esta Gazeta ontem. A saúde pública mereceria mais atenção neste momento, com um tomógrafo de mais de R$ 1 milhão parado e possibilidade de encerramento das atividades do Laboratório Municipal de análises clínicas.

A última de hoje

Mais um secretário municipal é exonerado. Nivaldo Menezes, que ocupava a pasta da Cultura, Turismo e Eventos, dá lugar a Gláucia Bilatto. Reflexos, talvez (???) das trapalhadas do carnaval, entre outras deficiências, no gerenciamento da cultura. Em pouco menos de 15 meses, é a 7ª baixa no primeiro escalão. Cada vez mais complicado... 

terça-feira, 25 de março de 2014

Fiasco. A resposta da democracia

Em que pese o fisiologismo político desenfreado que corre por este País, em um toma lá dá cá, que vem de longe e assombra governo após governo, desde o retorno das eleições diretas presidenciais. Dos fichas-sujas, que mancham a política nacional e do alto índice de corrupção que não escolhe cor ideológica e nem sigla partidária, não há mais espaço para aventureiros nesta jovem democracia brasileira. E sempre que alguém levantar alguma bandeira contra a liberdade e as garantias individuais, invocando, mesmo que de forma saudosista, o retorno à ditadura ou a tomada do poder à força e longe dos preceitos republicanos e constitucionais, estará fadado a um humilhante fracasso. Desses de enfiar o rabinho no meio das pernas, como se diz na gíria popular e ficar bem quietinho num canto escuro qualquer, esperando essa vontade passar.
Marcada para o último dia 22, como a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade II (quem não se lembra da primeira, há exatos 50 anos, que jogou o Brasil na mais sanguinária ditadura de sua história), com direito a convocação pelas redes sociais, acabou marcada por um estrondoso fiasco, ao reunir 7 manifestantes no Obelisco do Ibirapuera, para levar carta aos militares, na sede do Comando da 2ª Região Militar, pedindo justamente o retorno aos chamados anos de chumbo. E, note-se, que o mesmo direito que a democracia garantiu a esses admiradores e saudosistas da ditadura, foi tirado daqueles que se manifestavam contra ao início do regime militar, lá em março de 1964. E, como consequência, levou boa parte de seus líderes e seguidores à tortura e morte nos porões dos órgãos da repressão que se iniciava à época. E é, por isso, que sempre afirmo e reafirmo, quando escrevo sobre esse tema, que a melhor forma de conhecer os inimigos da democracia é deixar que eles se manifestem. O adversário visível, palpável, é mais fácil de derrotar principalmente no campo das ideias.      
E foram derrotados, vergonhosamente derrotados sem a necessidade de perseguições, prisões, tortura e mortes. Foram derrotados pelos próprios argumentos, de fazer corar até mesmo Hitler ou Mussolini, ao tentar reescrever uma história, que ninguém vai apagar e muito menos deseja esquecer. E pelo descaramento em propor um novo golpe de estado, para moralizar a Nação. A restauração da verdade, que hoje expõe comandantes e comandados das atrocidades cometidas, sobre os 21 anos de domínio da farda e do coturno, em muito contribui, também, para que essas ideologias não encantem mais ninguém.  
Grandes vítimas da restrição da liberdade de expressão durante o regime militar – embora muitos deles tenham apoiado o golpe, em princípio – os meios de comunicação praticamente ignoraram o protesto e pouco – quase nenhum - espaço deram para os seus idealizadores. Mais uma prova de que a democracia faz muito bem ao País e não permitirá novas aventuras que possam comprometer todas as conquistas dos brasileiros, após a saída dos generais do poder. E a melhor resposta para isso foi esse fiasco, que reuniu não quatro, mas sete cavaleiros de um novo apocalipse. Somam-se aos primeiros – peste, guerra, fome e morte – mais três: ignorância, intolerância e arrogância.   

domingo, 23 de março de 2014

Omissão do poder público. Crime inafiançável

Um povo sem memória. Um povo sem história. Este foi o título do artigo que escrevi nesta coluna na última terça-feira (http://colunatextoecontexto.blogspot.com.br/2014/03/um-povo-sem-memoria-um-povo-sem-historia.html) e peço licença aos leitores para retomar o assunto, que não se esgota em si mesmo. Agora a notícia que choca, para dar continuidade a este debate. “Sem apoio há 2 anos, conselho pode parar”. A referência é ao Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Limeira (Condephali) e foi denúncia publicada nesta Gazeta, na última quinta-feira, em matéria da jornalista Renata Reis. É um triste retrato proporcionado pela omissão do poder público, que não dá o devido apoio profissional e logístico para que o Conselho possa atuar. O próprio Condephali é quem anuncia a paralisação das atividades, através de ofício ao Ministério Público (MP) e ao Poder Executivo, assinado por sua presidente, a arquiteta Juliana Binotti Pereira Scariato. Um descaso que vem desde a administração anterior.

Personagem central
E é justamente o poder público quem tem a maior responsabilidade sobre as ações de preservação desse patrimônio e o que menos faz nesse sentido. Não é exclusividade de Limeira, mas se espalha pela falta de vontade política. Está certa a arquiteta e presidente do Confephali em denunciar mais esse descaso, inclusive oficiando ao MP, que vem sendo o grande executor da inoperância de agentes públicos.

O chão como destino
Há um temor – e com bastante fundamento – que essa omissão do Poder Executivo acabe por dar o mesmo destino a imóveis sem tombamento, mas que estão no rol da história limeirense, a tantos outros que foram para o chão, como citou Juliana: a Machina São Paulo; casarões na área central e outros quase destruídos, como o Casarão do Tatu. Todos eles de valor histórico, social e econômico.

A iniciativa privada...
...como exemplo do interesse preservacionista deveria servir de estímulo ao poder público, que renega ações dessa natureza. O casarão onde hoje está o Espaço Cultural Engep, restaurado por iniciativa de empresários, quase foi demolido segundo a presidente do Condephali. Mas foi salvo a tempo. Enquanto isso, processos de tombamento estão parados sem que seja acesa uma luz no fim desse túnel. 

Alguém tem dúvida?
Fica muito claro que há total falta de sintonia entre a necessidade, a realidade que se está agora expondo, e o interesse numa solução. Ora, se há falta de atenção aos serviços básicos que um governo deve servir à população, como saúde e educação, só para citar dois dos mais criticados, não se deve esperar, muita preocupação se a história arquitetônica do Município está sendo demolida sem dó. Será que é tão difícil assim? 

Manifesto positivo
Parece que a prefeitura resolveu assumir seu papel. A Secretaria de Planejamento enviou nota à Gazeta – publicada na sexta-feira – afirmando que está aberta ao diálogo. Então, é aguardar a prática.

Na direção correta
Despertar o interesse de crianças para a atividade política é garantir a formação de cidadãos mais conscientes e, por que não afirmar também, de políticos mais engajados e alinhados com a ética e o interesse social. E nunca é tarde para começar; A iniciativa da Câmara Municipal, através da Escola Legislativa Paulo Freire, em criar uma cartilha focada nesse público, para levar a ele os conhecimentos sobre atividades parlamentares e da própria instituição, é louvável. Na quinta-feira o presidente da Casa, Ronei Martins (PT), lançou a cartilha “Por Dentro da Câmara” destinada a estudantes entre 5 e 13 anos. Contribuição importante na formação política desses jovens.

Uma causa nobre
O projeto é arrojado e, com certeza, receberá críticas daqueles que gostam de fomentar a descrença em vez de contribuir para a conscientização, tão importante para o futuro político do País. É uma ação que merece elogios e precisa ganhar o devido espaço e conquistar o interesse de todos. E independe, neste momento, de coloração partidária ou viés ideológico. É uma causa que todos deveriam abraçar. Até mesmo os críticos.

Na Petrobras, não
No cenário nacional a semana que passou também foi de muita controvérsia, acusações e defesas. E a Petrobrás pautou as discussões. Até mesmo FHC voltou à ribalta e se postou contrário a uma CPI para investigar a estatal brasileira. Ele destoou de todo o seu partido. Foi uma postura que sem dúvida se voltou mais ao efeito do que à causa. Porém, deixou uma dúvida: uma investigação aprofundada na Petrobras poderia ser risco a  seu governo também? Ninguém vai ficar sabendo. É, a curiosidade poderia matar o gato.

Pergunta rápida
Qual será o custo político que o PT terá que pagar por compor com o governo Hadich?

Está sem goleiro
A nova rodada da pesquisa do Ibope sobre a corrida presidencial no Brasil, a primeira de 2014, continua indicando Dilma reeleita em primeiro turno em todos os cenários. Seja contra o tucano Aécio Neves, o socialista Eduardo Campos e a ex-verde, Marina Silva. E numa simulação de segundo turno, a atual presidente venceria os três, só que Marina seria mais bem votada que os outros dois. Os índices se mantiveram iguais ao de novembro. Intenção é intenção e voto é voto, como diria um jogador de futebol. Só que o gol está cada vez mais livre para a petista. Se ela vai marcar é outra história.

Nota curtíssima
O mensalão, o do PT, está definitivamente fora da pauta do PSDB. É o efeito Azeredo.

Não foi desta vez
Para quem esperava pelo contrário, acabou não acontecendo. O prefeito Paulo Hadich (PSB) e seu vice, Lima (PT) não tiveram seus diplomas cassados, conforme pedia Lusenrique Quintal em ação por abuso de poder. Foram, porém, multados de 20.000 Ufirs (cerca de R$ 21.182). Comemoração discreta pelos lados da prefeitura e novo recurso por parte de Quintal, derrotado nas urnas por Hadich que, com certeza, não vai desistir de sua empreitada. Agora está nas mãos do TRE, que pode mudar essa decisão. A pendenga no tapetão está longe de terminar. E 2016 não está tão longe assim.

Frase da semana
“Jogaram ela que nem bicho”. De Alexandre Fernandes da Silva, marido de Claudia Silva Ferreira, arrastada por uma viatura da PM no RJ, após ser baleada e colocada no porta-malas. Segunda-feira, 17. No UOL Notícias-Cotidiano.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Só para variar...
...mais uma ocorrência contra o meio ambiente em Limeira. Desta vez uma empresa e um motel despejavam efluentes e resíduos – sólidos também – em área de manancial, no bairro dos Loiolas. Do motel, muito preservativo usado e etc., etc., etc.. É preciso pôr aviso nos quartos: “por favor senhores clientes, lugar de camisinha usada é no cesto do lixo”.

Para estatística
Este é o sexto crime contra a natureza detectado pelo Pelotão Ambiental da GCM em pouco mais de um mês. Ainda bem que a água que o limeirense consome é bem tratada.

O mau exemplo
Muito triste a posição dos vereadores, na sessão ordinária da Câmara Municipal, na última segunda-feira, por tentar jogar o pessoal do esporte radical, principalmente da Associação Delta, contra a imprensa por causa do Dia do Alpinista. Está na hora de muitos vereadores aprenderem a contextualizar críticas. Só que levam pelo lado pessoal. Eles se fazem de vítimas.

Que fique claro

Ninguém na mídia é contra homenagens e nem homenageados. Há, porém, uma crítica ao excesso dessas proposituras, enquanto há problemas sérios a serem resolvidos. E pelos discursos do vereador Aloízio Andrade (PT), dá-se a impressão de que Limeira é o primeiro município no ranking das melhores cidades do mundo. Menos, vereador, menos.

Muito lero-lero
Entre debates, a defesa acalorada dos alpinistas e o desagravo ao vereador petista, foram mais de 30 minutos de sessão. Depois é a imprensa que é nefasta.

A última de hoje
Democratização da mídia. É o novo tema a ser debatido pela Escola Legislativa Paulo Freire, da Câmara Municipal de Limeira. Palestrantes, os jornalistas Altamiro Borges, que edita o Blog do Miro, e do ex-global Luiz Carlos Azenha, que editava o blog Viamundo. Dia 25. Terça-feira, às 19h. No Plenário Vereador Vitório Bortolan. Em meio às críticas dos vereadores à imprensa limeirense, dará uma boa discussão.

terça-feira, 18 de março de 2014

Um povo sem memória. Um povo sem história

Enquanto a especulação imobiliária e o apego material consomem as origens de um povo,
transformando-as apenas em registros escritos para constar em apêndices históricos descritivos, vão privando as gerações futuras de conhecerem e interagirem com seu próprio passado. E isso não é desabafo de saudosista e nem tão pouco expressão que possa contrariar as expectativas do progresso, da evolução social, econômica e tecnológica, que hoje correm a uma velocidade inimaginável de um polo ao outro do Planeta. Trata-se de uma constatação de atos e fatos, que levam à degeneração do patrimônio, histórico e arquitetônico principalmente, que está intimamente inserido no dia a dia de cada um de nós, e que se perdem aos poucos, por falta de conscientização e pouca ação de autoridades nesse sentido.
Esta Gazeta trouxe, na edição do último domingo, uma confirmação do que relatei acima, em matéria da jornalista Daíza Lacerda (Tombamento de Imóveis Permanece Pendente), sobre a falta de tombamento definitivo de cerca de 36 imóveis históricos, que já têm proteção legal para isso, contemplada pelo Plano Diretor, revisado entre 2007 e 2008. Todos os processos estão empacados. Na falta de interesse dos próprios proprietários e na burocracia do poder público municipal, que repete uma conhecida ladainha, sempre que questionado.
Preservar um imóvel de interesse histórico, em área nobre, por exemplo, contraria muitos interesses. Em especial o da especulação imobiliária, como eu apontei no início desta análise, que não tem limite para sua ambição e o dos proprietários, pela sua sobrevalorização. São entraves que só podem ser resolvidos com vontade política e, principalmente, com a preocupação preservacionista, que não significa, como muitos pensam e afirmam, obstáculo ao desenvolvimento. Cultuar a história e tudo o que dela advém pode, sim, alavancar o crescimento de outras regiões, como alvos de investimentos, sem que se tenha que demolir um casarão para edificação de uma nova construção. O que promove, inclusive, a descentralização urbanística e o desafogo de áreas, pela concentração populacional ou comercial.
A Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, é um exemplo dessa descaracterização histórica. Símbolo do progresso da capital do Estado, não sobrou sequer um desses casarões ao longo de seu trajeto. E o simples fato de  falar em tombamento, à noite e na surdina, as máquinas demoliam um a um desses imóveis. Será que não poderiam conviver harmoniosamente no local? O interesse financeiro diz que não; a memória se transforma em amnésia.
Para concluir, história e progresso podem conviver, sim, de forma harmônica. E temos dois exemplos positivos de ações que mostram que o poder público pode, sim, interferir nesse processo. No final dos anos 1980 e início dos 1990, o então prefeito Paulo D’Andréa desapropriou o Palacete Levy e em 2004, Pejon “comprou” o prédio das indústrias Prada. Dois ícones da história limeirense. Caso isso não tivesse acontecido, ambos estariam no chão. Muita gente com dinheiro no bolso e as gerações futuras privadas de conhecer esses dois belos monumentos.