Interessante. Curioso. Elucidativo e talvez o mais fiel retrato das preocupações que envolvem o trabalho dos vereadores limeirenses na busca por notoriedade, ao tentarem agradar a determinado setor profissional ou segmento social. Tudo para manter na mídia seus representantes. Mesmo que por uma exposição desnecessária de imagem. Por vaidade mesmo.
Defino assim o excelente texto da jornalista Érica Samara da Silva, em reportagem publicada por esta Gazeta, em manchete, no último domingo (‘Falta’ calendário para datas criadas pelos vereadores), que mostra o exagero - em meio a muitos acertos - de homenagens desnecessárias, proporcionadas pela Câmara Municipal. Celebrações que, apesar de serem transformadas em leis, muitas delas jamais saem do papel à prática, mesmo porque não há datas nesse calendário (já tomadas por tantas comemorações), que fica reduzido a poucos dias. Inclusive quantificadas pela jornalista, com números e porcentagens, que beiram ao delírio. Mas são reais e matematicamente delimitadas. Oficiais. São dados públicos e não há como escondê-los. E não há contestação possível, perante tantas evidências.
Os números representam uma explosão desses projetos a partir dos anos 2000, 143 leis nos últimos 14 anos contra apenas 14, desde 1956 quando foi criada a primeira até 1999. E dão mostras do que um Legislativo submisso ao Executivo pode fazer. Ou deixa de fazer. Principalmente a partir de 2005, quando o prefeito Silvio Félix (PDT) teve as rédeas da Casa nas mãos, e agora com Paulo Hadich (PSB), muito mais forte ainda nesse domínio e com folga na maioria entre os situacionistas, pouco se vê de fiscalização aos atos do Poder Executivo, função primeira dos vereadores. Assim como as legislaturas anteriores foram cobradas por essa submissão (garantindo carta branca ao prefeito), a atual, agora com 21 eleitos, também deixa a desejar e esquece-se que a população a qual representam tem interesses distintos e outras prioridades – como saúde, educação, segurança, habitação, para citar algumas – que acabam sendo substituídas por dias e semanas comemorativas, que pouco representam para a vocação do Município.
Ninguém é contra que se preste homenagens e nem mesmo que se instituam semanas de conscientização sobre temas de momento e também de interesse social. O que se questiona é a perda de tempo que isso acarreta. E, muitas vezes, podem até ser utilizadas para acobertar às reais deficiências da administração pública. À ineficácia da máquina política, tão danosa aos anseios de toda a comunidade. Pois quando um legislador se preocupa em criar o dia internacional do homem, do skatista, do alpinista, da pesca, da família afro-brasileira (já não existe o Dia da Consciência Negra?) entre tantos outros inusitados, por que não dizer pitorescos, a melhoria no transporte público anda devagar, faltam remédios na rede pública, as vagas em creches não atendem à demanda e aí por diante. Só para citar as maiores críticas da população, transformadas cotidianamente e matérias jornalísticas e divulgadas pelos meios de comunicação. Consciência e respeito não se instituem por lei.
terça-feira, 4 de março de 2014
domingo, 2 de março de 2014
Caiu na rede? Pode acreditar, é um candidato
Que os candidatos a cargos eletivos descobriram o uso das redes sociais como mobilizadores da opinião pública, ninguém mais duvida. Se em 2010 os então presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), travaram uma “briga” virtual das mais interessantes pelo Twitter, agora em 2014 o Facebook ditará o tom das campanhas pela internet. E como território livre da legislação eleitoral, porém, não do Código Penal, os candidatos já investem pesado nessas plataformas, inclusive no Twitter, novamente, e os gastos deverão ser da ordem de R$ 35 a R$ 40 milhões, com profissionais especializados. Isso sem contar com a mobilização de militantes¸ que há muito já estão desfilando as caras e as propostas de seus candidatos preferidos. Dizem os experts que a comunicação virtual poderá eleger, ou não, um candidato, se utilizada de forma adequada, que faça chegar aos eleitores, como forma de apresentação de cada um dos postulantes ao governo federal e aos estaduais, sem contar também com todos aqueles que disputam cargos legislativos.
Com moderação
Como escrevi na abertura desta coluna, fica claro que, por estar livres das leis que regem o processo eleitoral, as redes sociais ficam, na ausência de uma legislação específica para a internet, à mercê do Código de Processo Penal – que prevê crimes de calúnia, injúria e difamação – e que poderá ser acionado em casos de abuso. Como se vê, diariamente, nas postagens de alguns mais exaltados.
Deve pegar geral
E os provedores de internet, bem como as empresas que controlam essas redes de comunicação virtual, também não estão livres de sanções legais, se infringirem artigos da legislação vigente que tipifiquem os crimes previstos, como os que citei acima. Se é difícil controlar a militância, os responsáveis por esse segmento de campanha precisam controlar os mais afoitos, para evitar danos às campanhas.
O exemplo atual
Só para ilustrar essa análise, a Gazeta trouxe, em sua edição de sexta-feira, 28, uma medida cautelar impetrada pela Câmara Municipal contra um perfil no Facebook, o Limeira Amada, provavelmente falso, ou um “fake”, como se diz na gíria do internauta, para identificar o autor da página, que vem desfilando, há um mês, conteúdo difamatório contra a instituição. Ainda na sexta, o perfil não estava mais disponível.
Doença crônica...
O anonimato é sempre um ato de extrema covardia. Esconde sempre um crítico – ou criminoso, mesmo - que não tem coragem de mostrar a cara para dizer e escrever o que pensa, e prefere se ocultar por trás desses “fakes”. E, com o início de período eleitoral, esse tipo de ação tende a ganhar força. Apesar de falso, normalmente conta com a simpatia de muita gente, que acaba por abastecer o conteúdo conforme seu interesse.
Ficam as pegadas
Ao apagar qualquer página ou perfil, no Facebook, o usuário apenas o retira do ar, deixando de torná-lo público, mas os dados continuam sendo administrados pela rede e podem ser acessados a qualquer momento.
Fora de controle?
A GCM e o Pelotão Ambiental flagraram, em um mês, cinco crimes ambientais praticados contra nascentes e cursos d’água, que são represados aleatoriamente para suprir propriedades particulares. Um índice bastante alto, que indica uma total despreocupação – talvez até desconhecimento – com as consequências de atitudes dessa natureza. O trato egoísta do ser humano com a natureza impressiona. A falta de consciência ambiental deve, sim, alertar as autoridades e nelas incutir cada vez mais a noção de vigilância. O Planeta, que tem respondido com dureza à degradação do meio ambiente, dá sinais de paciência esgotada. As mudanças climáticas são exemplo disso.
Parece ter ardido
Diz o ditado que pimenta nos olhos dos outros é refresco. Parece que agora começa a arder, também, nos outros olhos. A absolvição, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para oito condenados na Ação Penal 470, o mensalão do PT, do crime de quadrilha, não repercutiu nas redes sociais, quando do início do julgamento, como grande espetáculo midiático que foi e fez a oposição, em especial o PSDB, vibrar com cada condenação.
Explicação óbvia
Sem a mesma repercussão que teve o mensalão petista, o mensalão mineiro também está na berlinda agora. Com o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que renunciou ao mandato para evitar constrangimentos ao presidenciável Aécio Neves e tentar se livrar da exposição pública no STF. Após o anúncio da absolvição, o silêncio nas redes foi sepulcral. Na vidraça, os próprios tucanos que comemoram, desta vez ficaram quietos.
Pergunta rápida
Onde está a isonomia da Corregedoria da Câmara nos casos Zé da Mix e Ronei?
Devo, não nego...
...pago quando puder. Esse é o lema adotado pelo PSDB, que foi sacudido, na semana passada, por uma incômoda ação judicial por dívida de campanha. O marqueteiro Luiz Gonzales cobra, na Justiça, R$ 8,7 milhões ainda referentes à campanha presidencial do tucano José Serra, em 2010. O próprio partido reconhece que é devedor, mas agora está preocupado com outra campanha, a do presidenciável Aécio Neves. Gonzales não está na jogada, mas ainda tem outro crédito com o tucanato: parte da dívida da campanha de 2006, do então concorrente ao Planalto, Geraldo Alckmin. Para um partido que tem o discurso afinado com o choque de gestão, esse descontrole interno é preocupante.
Nota curtíssima
O silêncio, às vezes, é muito mais barulhento do que a explosão de cem bombas.
A festa dos ratos
A saída, quase certa, do ministro-presidente Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF) está provocando alvoroço entre os condenados do mensalão. Se já ganharam a absolvição pelo crime de quadrilha, em voto da maioria dos ministros em Plenário, agora estão na expectativa da defecção de Barbosa, para tentarem anular o julgamento. Em que pese todo o tom político do julgamento, se isso acontecer, será a desmoralização do Judiciário. Barbosa deve mesmo partir para a carreira política.
Frase da semana
“É uma tarde triste para o STF”. Do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, questionando a absolvição de condenados do mensalão do crime de quadrilha. Quinta-feira, 27. Na Folha de S. Paulo.
Com moderação
Como escrevi na abertura desta coluna, fica claro que, por estar livres das leis que regem o processo eleitoral, as redes sociais ficam, na ausência de uma legislação específica para a internet, à mercê do Código de Processo Penal – que prevê crimes de calúnia, injúria e difamação – e que poderá ser acionado em casos de abuso. Como se vê, diariamente, nas postagens de alguns mais exaltados.
Deve pegar geral
E os provedores de internet, bem como as empresas que controlam essas redes de comunicação virtual, também não estão livres de sanções legais, se infringirem artigos da legislação vigente que tipifiquem os crimes previstos, como os que citei acima. Se é difícil controlar a militância, os responsáveis por esse segmento de campanha precisam controlar os mais afoitos, para evitar danos às campanhas.
O exemplo atual
Só para ilustrar essa análise, a Gazeta trouxe, em sua edição de sexta-feira, 28, uma medida cautelar impetrada pela Câmara Municipal contra um perfil no Facebook, o Limeira Amada, provavelmente falso, ou um “fake”, como se diz na gíria do internauta, para identificar o autor da página, que vem desfilando, há um mês, conteúdo difamatório contra a instituição. Ainda na sexta, o perfil não estava mais disponível.
Doença crônica...
O anonimato é sempre um ato de extrema covardia. Esconde sempre um crítico – ou criminoso, mesmo - que não tem coragem de mostrar a cara para dizer e escrever o que pensa, e prefere se ocultar por trás desses “fakes”. E, com o início de período eleitoral, esse tipo de ação tende a ganhar força. Apesar de falso, normalmente conta com a simpatia de muita gente, que acaba por abastecer o conteúdo conforme seu interesse.
Ficam as pegadas
Ao apagar qualquer página ou perfil, no Facebook, o usuário apenas o retira do ar, deixando de torná-lo público, mas os dados continuam sendo administrados pela rede e podem ser acessados a qualquer momento.
Fora de controle?
A GCM e o Pelotão Ambiental flagraram, em um mês, cinco crimes ambientais praticados contra nascentes e cursos d’água, que são represados aleatoriamente para suprir propriedades particulares. Um índice bastante alto, que indica uma total despreocupação – talvez até desconhecimento – com as consequências de atitudes dessa natureza. O trato egoísta do ser humano com a natureza impressiona. A falta de consciência ambiental deve, sim, alertar as autoridades e nelas incutir cada vez mais a noção de vigilância. O Planeta, que tem respondido com dureza à degradação do meio ambiente, dá sinais de paciência esgotada. As mudanças climáticas são exemplo disso.
Parece ter ardido
Diz o ditado que pimenta nos olhos dos outros é refresco. Parece que agora começa a arder, também, nos outros olhos. A absolvição, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para oito condenados na Ação Penal 470, o mensalão do PT, do crime de quadrilha, não repercutiu nas redes sociais, quando do início do julgamento, como grande espetáculo midiático que foi e fez a oposição, em especial o PSDB, vibrar com cada condenação.
Explicação óbvia
Sem a mesma repercussão que teve o mensalão petista, o mensalão mineiro também está na berlinda agora. Com o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que renunciou ao mandato para evitar constrangimentos ao presidenciável Aécio Neves e tentar se livrar da exposição pública no STF. Após o anúncio da absolvição, o silêncio nas redes foi sepulcral. Na vidraça, os próprios tucanos que comemoram, desta vez ficaram quietos.
Pergunta rápida
Onde está a isonomia da Corregedoria da Câmara nos casos Zé da Mix e Ronei?
Devo, não nego...
...pago quando puder. Esse é o lema adotado pelo PSDB, que foi sacudido, na semana passada, por uma incômoda ação judicial por dívida de campanha. O marqueteiro Luiz Gonzales cobra, na Justiça, R$ 8,7 milhões ainda referentes à campanha presidencial do tucano José Serra, em 2010. O próprio partido reconhece que é devedor, mas agora está preocupado com outra campanha, a do presidenciável Aécio Neves. Gonzales não está na jogada, mas ainda tem outro crédito com o tucanato: parte da dívida da campanha de 2006, do então concorrente ao Planalto, Geraldo Alckmin. Para um partido que tem o discurso afinado com o choque de gestão, esse descontrole interno é preocupante.
Nota curtíssima
O silêncio, às vezes, é muito mais barulhento do que a explosão de cem bombas.
A festa dos ratos
A saída, quase certa, do ministro-presidente Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF) está provocando alvoroço entre os condenados do mensalão. Se já ganharam a absolvição pelo crime de quadrilha, em voto da maioria dos ministros em Plenário, agora estão na expectativa da defecção de Barbosa, para tentarem anular o julgamento. Em que pese todo o tom político do julgamento, se isso acontecer, será a desmoralização do Judiciário. Barbosa deve mesmo partir para a carreira política.
Frase da semana
“É uma tarde triste para o STF”. Do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, questionando a absolvição de condenados do mensalão do crime de quadrilha. Quinta-feira, 27. Na Folha de S. Paulo.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Bloco do Já Era
Qualquer tentativa de a prefeitura tentar se explicar quanto ao atraso e disponibilização de verbas às escolas de samba e blocos de Limeira agora é irrelevante. Uma das festas mais populares do Brasil, o carnaval limeirense reflete aquela velha e conhecida marchinha: “ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí…”
Boato corrente
Alimentar expectativas com falsas promessas ou com seu cumprimento tardio, com prazo de validade vencida, foi um tiro no pé. Espera-se agora, que a Secretaria Municipal da Cultura, responsável pela área, não pague a escolas de samba de fora para desfilar em Limeira, como acreditam alguns integrantes dos blocos e escolas locais. Se isso se confirmar, mais uma vez estará comprovada a falta de planejamento dessa administração.
Máscara negra
E o sentimento geral se reflete na marchinha composta por Zé Keti: “Quanto riso, oh, quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão...”
E no embalo...
...do carnaval, alguns vereadores continuam produzindo suas pérolas que, com certeza, entrarão para os anais da história política limeirense. Depois a imprensa é que é nefasta.
Tudo empatado
O Ministério Público de Brasília diz que aconteceu uma feijoada na Papuda (DF) para os presos do mensalão do PT. Já em Minas, os tucanos comemoram com muita marmelada a renúncia do deputado Eduardo Azeredo (agora ex), réu no mensalão mineiro, para livrar o senador tucano Aécio Neves, candidato presidencial, de constrangimentos. Com isso, o discurso do PSDB pela ética na política vai para o ralo.
A última de hoje
Os problemas no transporte público urbano continuam. O trânsito não se acerta com seus semáforos. A saúde pública vai mal, com denúncias constantes... Parece, entretanto, que há coisas mais importantes. Como o alpinismo, por exemplo. Dizer o quê?
Qualquer tentativa de a prefeitura tentar se explicar quanto ao atraso e disponibilização de verbas às escolas de samba e blocos de Limeira agora é irrelevante. Uma das festas mais populares do Brasil, o carnaval limeirense reflete aquela velha e conhecida marchinha: “ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí…”
Boato corrente
Alimentar expectativas com falsas promessas ou com seu cumprimento tardio, com prazo de validade vencida, foi um tiro no pé. Espera-se agora, que a Secretaria Municipal da Cultura, responsável pela área, não pague a escolas de samba de fora para desfilar em Limeira, como acreditam alguns integrantes dos blocos e escolas locais. Se isso se confirmar, mais uma vez estará comprovada a falta de planejamento dessa administração.
Máscara negra
E o sentimento geral se reflete na marchinha composta por Zé Keti: “Quanto riso, oh, quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão...”
E no embalo...
...do carnaval, alguns vereadores continuam produzindo suas pérolas que, com certeza, entrarão para os anais da história política limeirense. Depois a imprensa é que é nefasta.
Tudo empatado
O Ministério Público de Brasília diz que aconteceu uma feijoada na Papuda (DF) para os presos do mensalão do PT. Já em Minas, os tucanos comemoram com muita marmelada a renúncia do deputado Eduardo Azeredo (agora ex), réu no mensalão mineiro, para livrar o senador tucano Aécio Neves, candidato presidencial, de constrangimentos. Com isso, o discurso do PSDB pela ética na política vai para o ralo.
A última de hoje
Os problemas no transporte público urbano continuam. O trânsito não se acerta com seus semáforos. A saúde pública vai mal, com denúncias constantes... Parece, entretanto, que há coisas mais importantes. Como o alpinismo, por exemplo. Dizer o quê?
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
As incertezas de um ano eleitoral
Todas as pesquisas indicam e, nem mesmo a queda da popularidade de Dilma Rousseff (PT), reverteram, ainda, o quadro que a oposição tanto teme: a reeleição em primeiro turno da presidente e a continuidade da hegemonia petista no governo federal, pelo menos pelos próximos quatro anos. Esse é o quadro de momento, mas tudo leva ao mesmo caminho que, se continuar nesse tom, não será diferente quando outubro chegar. O maior problema enfrentado pelo senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), potenciais adversários de Dilma, é justamente a falta de discurso, que convença os eleitores que de fato eles são alternativas de mudança, conforme apregoam, se nem mesmo sabem o que de fato querem dizer com isso.
Que a disputa ficará entre esses três nomes – embora a recém-socialista Marina Silva ainda seja a opção mais viável a levar a eleição para um segundo turno – ninguém tem dúvidas. Como não pode ser descartada uma aliança entre o próprio PSDB e PSB, que esbarra, porém, na vaidade tanto de Aécio, como de Campos, que deliram com a possibilidade de chegar ao Palácio do Planalto. E com a base aliada do governo em guerra declarada, tudo se tornaria mais fácil, caso houvesse interesse de fato para entender os anseios da população, refletida nos números das recentes pesquisas. O que não acontece. Situação que reflete os apontamentos da presidente do Ibope, Márcia Cavallari, em entrevista ao jornal espanhol El País, com a autoridade que o cargo lhe permite, quando afirma que “os brasileiros desejam mudança, mas não a veem representada na oposição”. É esse sentimento que mantém a vantagem de Dilma Rousseff na corrida presidencial, e até porque há indicativos, por parte dos próprios candidatos, de que não se antenaram ainda com as novas aspirações dos brasileiros.
O pessebista Campos, assim que colocou o bloco na rua, afirmou que sua proposta era de reforçar as conquistas dos governos Lula e Dilma, colocando apenas um complemento que reflete esse continuísmo. “O Brasil quer mais”, tem afirmado o governador pernambucano, até o ano passado aliado incondicional do governo federal. Ele joga todas as suas fichas que a aliança com Marina, provável a vice de sua chapa, possa transferir-lhe os votos da ex-senadora verde, que também já passou pelo petismo. E não deixa de acenar com uma possível aliança aos tucanos num segundo turno. Sua volatilidade ideológica, entretanto, o descredencia para ser o verdadeiro representante de uma mudança.
O tucano Aécio Neves, por sua vez, até agora não apresentou propostas reais para o País. Ele tem apostado na desconstrução da administração do PT e acenado para a continuidade dos programas sociais que deram certo nesses quase 12 anos. E dá mostras de que vai repetir os oito anos de FHC, quando começa a montar sua equipe, ressuscitando figuras do antigo governo, como Armínio Fraga, José Roberto Mendonça de Barros, entre outros. Ora, se o discurso é o da mudança, então é preciso arejar o projeto de governo. Continuar o que está dando certo é uma obrigação de qualquer governo. O que não se vê, porém, é a novidade, tão esperada por todos. O modelo petista talvez esteja se esgotando, mas a julgar pelo comportamento daqueles que acenam com a mudança, ele vai continuar por mais quatro anos.
Que a disputa ficará entre esses três nomes – embora a recém-socialista Marina Silva ainda seja a opção mais viável a levar a eleição para um segundo turno – ninguém tem dúvidas. Como não pode ser descartada uma aliança entre o próprio PSDB e PSB, que esbarra, porém, na vaidade tanto de Aécio, como de Campos, que deliram com a possibilidade de chegar ao Palácio do Planalto. E com a base aliada do governo em guerra declarada, tudo se tornaria mais fácil, caso houvesse interesse de fato para entender os anseios da população, refletida nos números das recentes pesquisas. O que não acontece. Situação que reflete os apontamentos da presidente do Ibope, Márcia Cavallari, em entrevista ao jornal espanhol El País, com a autoridade que o cargo lhe permite, quando afirma que “os brasileiros desejam mudança, mas não a veem representada na oposição”. É esse sentimento que mantém a vantagem de Dilma Rousseff na corrida presidencial, e até porque há indicativos, por parte dos próprios candidatos, de que não se antenaram ainda com as novas aspirações dos brasileiros.
O pessebista Campos, assim que colocou o bloco na rua, afirmou que sua proposta era de reforçar as conquistas dos governos Lula e Dilma, colocando apenas um complemento que reflete esse continuísmo. “O Brasil quer mais”, tem afirmado o governador pernambucano, até o ano passado aliado incondicional do governo federal. Ele joga todas as suas fichas que a aliança com Marina, provável a vice de sua chapa, possa transferir-lhe os votos da ex-senadora verde, que também já passou pelo petismo. E não deixa de acenar com uma possível aliança aos tucanos num segundo turno. Sua volatilidade ideológica, entretanto, o descredencia para ser o verdadeiro representante de uma mudança.
O tucano Aécio Neves, por sua vez, até agora não apresentou propostas reais para o País. Ele tem apostado na desconstrução da administração do PT e acenado para a continuidade dos programas sociais que deram certo nesses quase 12 anos. E dá mostras de que vai repetir os oito anos de FHC, quando começa a montar sua equipe, ressuscitando figuras do antigo governo, como Armínio Fraga, José Roberto Mendonça de Barros, entre outros. Ora, se o discurso é o da mudança, então é preciso arejar o projeto de governo. Continuar o que está dando certo é uma obrigação de qualquer governo. O que não se vê, porém, é a novidade, tão esperada por todos. O modelo petista talvez esteja se esgotando, mas a julgar pelo comportamento daqueles que acenam com a mudança, ele vai continuar por mais quatro anos.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima...
Limeira foi riscada do mapa dos investimentos. O Município está estagnado e com ressaca pela falta de lideranças políticas. Está num “pit stop” que dura mais de dois anos, sem perspectivas de boas notícias. O último grande anúncio, o da Samsung, que até hoje não foi explicado se era real ou apenas marketing da administração anterior, simplesmente foi esquecido e não se vê, por parte da prefeitura, qualquer interesse em retomar o debate. Em dar uma satisfação à população, que perdeu a esperança e está decepcionada com a condução atual da administração pública e da política. Ainda em início de mandato, precisamente no dia 1º de maio, o prefeito Paulo Hadich (PSB) viajou pela Ásia, enquanto a cidade carecia de um líder presente e, até agora, não há qualquer indício de que essa estada tenha trazido – ou vá trazer – benefícios reais de ordem econômica e social. A falta de continuidade e a demora na tomada de decisões contribuem ainda mais para esse clima de incertezas, que tomou conta de tudo e de todos. Falta planejamento e sobram cabeçadas.
Samba dos bons
Ao me apropriar de um pequeno trecho – talvez o mais significativo - da música composta por Paulo Vanzolini, Volta por cima, como título da nota que está abrindo a coluna deste domingo, apenas estou expressando o meu sentimento, como de todo e qualquer cidadão limeirense, de que é possível retomar o caminho, que foi perdido em algum momento. Está posto o retrato da nossa realidade.
E não desanima...
Vejo como único empecilho para essa retomada de caminho, a não materialização do discurso em realidade. Fala-se, projeta-se e teoriza-se demais. É bem verdade que a teoria é o início da prática, mas para isso é preciso que se chegue até ela, sem medo de errar. Quando se busca o acerto, mesmo cometendo erros, é sinal de que alguma coisa está sendo feita. É desse sentimento que o povo precisa.
Esperança existe
E a população, em sua maioria e que não tem ligações partidárias, mas afetivas com sua cidade, também espera por essa retomada de ações concretas e objetivas. A oposição está no seu papel de propagar – e às vezes provocar o caos - mas o cidadão comum vive na expectativa mais qualidade de vida, o que sem dúvida só vai acontecer se o poder público fizer o seu papel. Se os agentes políticos fizerem o papel que lhes cabe agora.
Uma dívida paga
E conforme esta Gazeta anunciou em sua edição da última sexta-feira, finalmente os animais vão ser transferidos para o novo zoológico, no Horto Florestal. A área foi liberada para o funcionamento e a Secretaria do Meio Ambiente faz o cronograma de transferência. Isso após quatro anos de espera, desde o anúncio da mudança. Ponto positivo para a atual administração, que cumpre agora promessa da anterior.
Precisa aproveitar
Como a oposição está enfraquecida e até mesmo as redes sociais e os movimentos contrários ao PT não tiveram eco de suas críticas, a hora é propícia para tirar Limeira desse marasmo político. Agora, ou nunca.
Soco no estômago
E o que parecia o calvário da administração Hadich pode estar se transformando em paraíso. E um nocaute na oposição, encabeçada pelo candidato derrotado Lusenrique Quintal (PSD). Na sexta-feira, 21, o Ministério Público Eleitoral, apesar das instruções das provas, a promotora substituta, Debora Bertolini Ferreira Simonetti, não viu o abuso denunciado e solicitou a improcedência da ação que pedia a cassação do prefeito e seu vice, Antônio Carlos Lima (PT). A sentença da Justiça Eleitoral deve ser conhecida nesta semana. Está nas mãos da juíza eleitoral, Daniela Mie Murata Barrichello. Se ela corroborar com a tese da Promotoria, a oposição vai se enfraquecer de vez.
Deve se preocupar
O vereador José Roberto Bernardo, o Zé da Mix (PSD) precisa pôr as barbas de molho, apesar de não as ter. A acusação contra seu assessor, Valmir Caetano, se comprovada, é séria demais e pode ter consequências terríveis. Na própria Câmara há exemplos, envolvendo vereadores de gestões passadas, pegos em situações semelhantes. Os nervos estão à flor da pele. E o nervosismo tem tomado conta do Gabinete do vereador.
Na alça de mira
Apesar da ampla maioria na Câmara, e mesmo com possíveis defecções – o vereador André Henrique dos Santos, o Tigrão (PMDB) está quase fora do bloco situacionista e Nilton Santos está insatisfeito – o presidente da Câmara, vereador Ronei Martins (PT), também deve se preocupar com a denúncia do jornalista Thiago Gardinali, braço direito de Quintal. Denúncia que pode ter, sim, alguma consistência. É esperar para ver.
Pergunta rápida
Por que a oposição está menos barulhenta?
E não pegou bem
A renúncia do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu do mensalão tucano mineiro e prestes a ser julgado no Supremo Tribunal Federal, foi o assunto da semana que passou. Ele tenta, dessa forma, voltar à justiça comum e livrar seu partido e o candidato à presidência da República, senador Aécio Neves, dos mesmos constrangimentos que os petistas tiveram. Ninguém é ingênuo o suficiente para creditar a renúncia ao próprio Azeredo. E o mais engraçado é que ele fez despencar por terra todo o discurso de seu partido, quando afirmou que o “STF não julga, apenas condena”. E corrobora com a tese dos petistas condenados. Por essa, nem mesmo o FHC esperava.
Nota curtíssima
A atitude de Azeredo mostra fragilidade e certa artificialidade na ética tucana.
Números cruéis
Segundo pesquisa feita por alunos do curso de publicidade propaganda da Faculdade Anhanguera, e publicada por esta Gazeta, na manchete da sexta-feira, 21, “82% dos entrevistados pouco acompanham os trabalhos da Câmara Municipal. É puro reflexo da realidade política brasileira. Embora haja exceções, a maioria está na vala comum. Há um abismo entre as discussões que ocorrem entre os vereadores e as reais necessidades da população. Daí o desinteresse. O que é ruim para a própria democracia...
Frase da semana
“A oposição não tem a habilidade desses astros do futebol, nem talento”. Do ministro do Esporte Aldo Rebelo, comparando políticos que criticam a Copa do Mundo. Na IstoÉ, edição 2308, do último dia 19.
Samba dos bons
Ao me apropriar de um pequeno trecho – talvez o mais significativo - da música composta por Paulo Vanzolini, Volta por cima, como título da nota que está abrindo a coluna deste domingo, apenas estou expressando o meu sentimento, como de todo e qualquer cidadão limeirense, de que é possível retomar o caminho, que foi perdido em algum momento. Está posto o retrato da nossa realidade.
E não desanima...
Vejo como único empecilho para essa retomada de caminho, a não materialização do discurso em realidade. Fala-se, projeta-se e teoriza-se demais. É bem verdade que a teoria é o início da prática, mas para isso é preciso que se chegue até ela, sem medo de errar. Quando se busca o acerto, mesmo cometendo erros, é sinal de que alguma coisa está sendo feita. É desse sentimento que o povo precisa.
Esperança existe
E a população, em sua maioria e que não tem ligações partidárias, mas afetivas com sua cidade, também espera por essa retomada de ações concretas e objetivas. A oposição está no seu papel de propagar – e às vezes provocar o caos - mas o cidadão comum vive na expectativa mais qualidade de vida, o que sem dúvida só vai acontecer se o poder público fizer o seu papel. Se os agentes políticos fizerem o papel que lhes cabe agora.
Uma dívida paga
E conforme esta Gazeta anunciou em sua edição da última sexta-feira, finalmente os animais vão ser transferidos para o novo zoológico, no Horto Florestal. A área foi liberada para o funcionamento e a Secretaria do Meio Ambiente faz o cronograma de transferência. Isso após quatro anos de espera, desde o anúncio da mudança. Ponto positivo para a atual administração, que cumpre agora promessa da anterior.
Precisa aproveitar
Como a oposição está enfraquecida e até mesmo as redes sociais e os movimentos contrários ao PT não tiveram eco de suas críticas, a hora é propícia para tirar Limeira desse marasmo político. Agora, ou nunca.
Soco no estômago
E o que parecia o calvário da administração Hadich pode estar se transformando em paraíso. E um nocaute na oposição, encabeçada pelo candidato derrotado Lusenrique Quintal (PSD). Na sexta-feira, 21, o Ministério Público Eleitoral, apesar das instruções das provas, a promotora substituta, Debora Bertolini Ferreira Simonetti, não viu o abuso denunciado e solicitou a improcedência da ação que pedia a cassação do prefeito e seu vice, Antônio Carlos Lima (PT). A sentença da Justiça Eleitoral deve ser conhecida nesta semana. Está nas mãos da juíza eleitoral, Daniela Mie Murata Barrichello. Se ela corroborar com a tese da Promotoria, a oposição vai se enfraquecer de vez.
Deve se preocupar
O vereador José Roberto Bernardo, o Zé da Mix (PSD) precisa pôr as barbas de molho, apesar de não as ter. A acusação contra seu assessor, Valmir Caetano, se comprovada, é séria demais e pode ter consequências terríveis. Na própria Câmara há exemplos, envolvendo vereadores de gestões passadas, pegos em situações semelhantes. Os nervos estão à flor da pele. E o nervosismo tem tomado conta do Gabinete do vereador.
Na alça de mira
Apesar da ampla maioria na Câmara, e mesmo com possíveis defecções – o vereador André Henrique dos Santos, o Tigrão (PMDB) está quase fora do bloco situacionista e Nilton Santos está insatisfeito – o presidente da Câmara, vereador Ronei Martins (PT), também deve se preocupar com a denúncia do jornalista Thiago Gardinali, braço direito de Quintal. Denúncia que pode ter, sim, alguma consistência. É esperar para ver.
Pergunta rápida
Por que a oposição está menos barulhenta?
E não pegou bem
A renúncia do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu do mensalão tucano mineiro e prestes a ser julgado no Supremo Tribunal Federal, foi o assunto da semana que passou. Ele tenta, dessa forma, voltar à justiça comum e livrar seu partido e o candidato à presidência da República, senador Aécio Neves, dos mesmos constrangimentos que os petistas tiveram. Ninguém é ingênuo o suficiente para creditar a renúncia ao próprio Azeredo. E o mais engraçado é que ele fez despencar por terra todo o discurso de seu partido, quando afirmou que o “STF não julga, apenas condena”. E corrobora com a tese dos petistas condenados. Por essa, nem mesmo o FHC esperava.
Nota curtíssima
A atitude de Azeredo mostra fragilidade e certa artificialidade na ética tucana.
Números cruéis
Segundo pesquisa feita por alunos do curso de publicidade propaganda da Faculdade Anhanguera, e publicada por esta Gazeta, na manchete da sexta-feira, 21, “82% dos entrevistados pouco acompanham os trabalhos da Câmara Municipal. É puro reflexo da realidade política brasileira. Embora haja exceções, a maioria está na vala comum. Há um abismo entre as discussões que ocorrem entre os vereadores e as reais necessidades da população. Daí o desinteresse. O que é ruim para a própria democracia...
Frase da semana
“A oposição não tem a habilidade desses astros do futebol, nem talento”. Do ministro do Esporte Aldo Rebelo, comparando políticos que criticam a Copa do Mundo. Na IstoÉ, edição 2308, do último dia 19.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Trabalho árduo
Desde 2005, quando Silvio Felix (PDT) assumiu o Poder Executivo, quem mais trabalhou foi o Ministério Público (MP). Abertura de inquéritos, que resultaram em ações civis – ou não – que chegaram ao Judiciário e deram início ao calvário do pedetista até a sua cassação.
Não deu trégua
E quem esperava que, com a ascensão de Paulo Hadich (PSB) ao poder junto com o PT, essa situação mudaria, uma triste surpresa. O MP não teve refresco e continuou com sua missão de fiscalizar, que deveria ser da Câmara e, desde o ano passado, as denúncias não param de chegar, para novos inquéritos e ações.
Para a plateia
Só para ilustrar, um pouco de história. Paulo D’Andréa, prefeito por três vezes, enfrentou apenas um problema em todo esse período. Foi na última gestão (1989-1992). Ele foi parar na delegacia de polícia por conta de ter removido três árvores (espécies não nativas) para o início da construção do Paço, onde hoje funciona o Museu da Joia, o Teatro Nair Bello e o Centro de Formação dos Professores. Por conta de uma denúncia da ONG PreservAção.
E de passagem
Jurandyr Paixão, também prefeito por três vezes, sofreu uma ou duas ações, se não me falha a memória, e a mais conhecida foi a da logomarca de sua penúltima administração, um JP, de Jurandyr Paixão, estilizado em forma de duas setas. E Pedrinho Kuhl (PSDB) teve contra si uma ação que até hoje o incomoda, envolvendo a FIA-USP. Quem puder, por favor, que me corrija se erro nos números.
Segue o jogo...
Apesar de serem acontecimentos em diferentes épocas da história política local, servem, sim, como comparativo. Se o MP ganhou mais poderes de fiscalização, aumentou também o tamanho da onda de corrupção que assola este país. Virou tsunami. E vem mais por aí.
A última de hoje
Na última sessão da Câmara, ninguém chamou a imprensa de nefasta ou exigiu diploma de jornalista. Sinal de civilização. Apenas o presidente Ronei Martins (PT) apontou, de forma generalista, seu dedo para “segmentos da mídia”, sem identificá-los. Afinal, ele pode, mais adiante, precisar desse “segmento”.
Desde 2005, quando Silvio Felix (PDT) assumiu o Poder Executivo, quem mais trabalhou foi o Ministério Público (MP). Abertura de inquéritos, que resultaram em ações civis – ou não – que chegaram ao Judiciário e deram início ao calvário do pedetista até a sua cassação.
Não deu trégua
E quem esperava que, com a ascensão de Paulo Hadich (PSB) ao poder junto com o PT, essa situação mudaria, uma triste surpresa. O MP não teve refresco e continuou com sua missão de fiscalizar, que deveria ser da Câmara e, desde o ano passado, as denúncias não param de chegar, para novos inquéritos e ações.
Para a plateia
Só para ilustrar, um pouco de história. Paulo D’Andréa, prefeito por três vezes, enfrentou apenas um problema em todo esse período. Foi na última gestão (1989-1992). Ele foi parar na delegacia de polícia por conta de ter removido três árvores (espécies não nativas) para o início da construção do Paço, onde hoje funciona o Museu da Joia, o Teatro Nair Bello e o Centro de Formação dos Professores. Por conta de uma denúncia da ONG PreservAção.
E de passagem
Jurandyr Paixão, também prefeito por três vezes, sofreu uma ou duas ações, se não me falha a memória, e a mais conhecida foi a da logomarca de sua penúltima administração, um JP, de Jurandyr Paixão, estilizado em forma de duas setas. E Pedrinho Kuhl (PSDB) teve contra si uma ação que até hoje o incomoda, envolvendo a FIA-USP. Quem puder, por favor, que me corrija se erro nos números.
Segue o jogo...
Apesar de serem acontecimentos em diferentes épocas da história política local, servem, sim, como comparativo. Se o MP ganhou mais poderes de fiscalização, aumentou também o tamanho da onda de corrupção que assola este país. Virou tsunami. E vem mais por aí.
A última de hoje
Na última sessão da Câmara, ninguém chamou a imprensa de nefasta ou exigiu diploma de jornalista. Sinal de civilização. Apenas o presidente Ronei Martins (PT) apontou, de forma generalista, seu dedo para “segmentos da mídia”, sem identificá-los. Afinal, ele pode, mais adiante, precisar desse “segmento”.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
A motosserra como consciência ambiental
É extremamente preocupante os dados apresentados por esta Gazeta, em manchete, no último domingo, sobre os pedidos de remoção de árvores em Limeira. São, conforme as informações da Secretaria do Meio Ambiente, em matéria da jornalista Karla Gigo, 35 solicitações diárias. E o que é mais assustador ainda, segundo o biólogo Rogério Mesquita, diretor do Departamento de Áreas Verdes, é a constatação dos motivos relacionados às remoções: sujeira na calçada, causada pela queda de folhas e flores, e cidadãos que procuram a sombra para estacionar seus veículos. É bom lembrar que calçadas e ruas são de uso público e pleitear a retirada de uma árvore para que o vizinho não mais estacione no local é uma falta de sensibilidade para com o meio ambiente, que está bastante degradado em Limeira. E faz muito tempo. Assim como em outras cidades também.
O Município, que já foi considerado um dos mais arborizados do País, entre as décadas de 1970 e 1980, hoje é carente do verde proporcionado pela vegetação urbana. O processo de comprometimento da saúde de muitas espécies, que é, esse sim, motivo para que sejam removidas, é muito mais visível que a reposição das plantas arrancadas. E quando essa reposição existe, a ação de vândalos – ou mesmo de moradores das áreas replantadas – impede o bom desenvolvimento das mudas. O que é um crime ambiental, assim como a poda por conta própria, sem notificação à Prefeitura, que também não leva ao criminoso nenhuma punição, devido à falta de fiscais e mesmo de uma participação mais engajada da própria população, denunciando esses atos de depredação.
A consciência ambiental, hoje, está mais nas ações de grupos organizados, muitas vezes hostilizados pela própria sociedade e tachados de inimigos do progresso, e nas atuações de órgãos públicos – que são muito tímidas em relação ao que deveria ser – que tentam mostrar os benefícios de que quanto mais verde melhor. E que folhas, flores e sombra são características desse verde e não representam incômodo nenhum. Não é sujeira, mas uma reciclagem natural de cada árvore, que se renova a cada estação climática.
O Planeta vive uma escassez de florestas – principalmente os países de clima tropical, como o Brasil - exploradas pelo extrativismo sem controle de madeira e pelo agronegócio, que provoca queimadas em extensas áreas de mata natural, que nada respeita e também não faz a devida reposição das áreas desmatadas (a recém-aprovada legislação ambiental brasileira contemplou essa degradação, ao facilitar a ação dos grandes produtores e pecuaristas). E a questão local, no que diz respeito aos números apresentados por Mesquita, é um mero reflexo dessa falta de conscientização, muito mais preocupada com a urbanidade de pedra do que com um simples exemplar de uma árvore que, entre outros benefícios, contribui com a dosagem de agentes poluentes na atmosfera, melhoria climática e, por consequência, com a própria saúde do ser humano. Talvez se o cidadão canalizasse seus esforços para cobrar ações efetivas do Poder Público, em vez de pedir poda de árvores, estaria contribuindo de forma efetiva para melhorar a sua qualidade de vida.
O Município, que já foi considerado um dos mais arborizados do País, entre as décadas de 1970 e 1980, hoje é carente do verde proporcionado pela vegetação urbana. O processo de comprometimento da saúde de muitas espécies, que é, esse sim, motivo para que sejam removidas, é muito mais visível que a reposição das plantas arrancadas. E quando essa reposição existe, a ação de vândalos – ou mesmo de moradores das áreas replantadas – impede o bom desenvolvimento das mudas. O que é um crime ambiental, assim como a poda por conta própria, sem notificação à Prefeitura, que também não leva ao criminoso nenhuma punição, devido à falta de fiscais e mesmo de uma participação mais engajada da própria população, denunciando esses atos de depredação.
A consciência ambiental, hoje, está mais nas ações de grupos organizados, muitas vezes hostilizados pela própria sociedade e tachados de inimigos do progresso, e nas atuações de órgãos públicos – que são muito tímidas em relação ao que deveria ser – que tentam mostrar os benefícios de que quanto mais verde melhor. E que folhas, flores e sombra são características desse verde e não representam incômodo nenhum. Não é sujeira, mas uma reciclagem natural de cada árvore, que se renova a cada estação climática.
O Planeta vive uma escassez de florestas – principalmente os países de clima tropical, como o Brasil - exploradas pelo extrativismo sem controle de madeira e pelo agronegócio, que provoca queimadas em extensas áreas de mata natural, que nada respeita e também não faz a devida reposição das áreas desmatadas (a recém-aprovada legislação ambiental brasileira contemplou essa degradação, ao facilitar a ação dos grandes produtores e pecuaristas). E a questão local, no que diz respeito aos números apresentados por Mesquita, é um mero reflexo dessa falta de conscientização, muito mais preocupada com a urbanidade de pedra do que com um simples exemplar de uma árvore que, entre outros benefícios, contribui com a dosagem de agentes poluentes na atmosfera, melhoria climática e, por consequência, com a própria saúde do ser humano. Talvez se o cidadão canalizasse seus esforços para cobrar ações efetivas do Poder Público, em vez de pedir poda de árvores, estaria contribuindo de forma efetiva para melhorar a sua qualidade de vida.
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