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domingo, 15 de dezembro de 2013

Liberdade de expressão, sim. Patrulha não...

Às vezes fica difícil para o colunista discernir entre os aspectos mais importantes daquilo que vai comentar. Principalmente porque as redes sociais, Facebook e Twitter entre as mais utilizadas, estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, possibilitando que muitos se tornem formadores de opinião, o que retira, de certa maneira, essa primazia da mídia convencional (emissoras de TV, rádio, jornais, revistas...), seja ela de grande, pequeno ou médio porte. Essas redes, que são sucesso planetário, estão dando vez e voz a muitos que dificilmente teriam a devida atenção em outros meios de comunicação e, de certa forma, garantem uma tribuna, cada vez mais cobiçada, além daqueles que querem emitir sua própria opinião, por políticos e partidos, que montam o próprio staff somente para esse tipo de ferramenta comunicacional. É preciso, entretanto, que essa onda não traga de volta a tão perigosa “patrulha ideológica”, pela qual pessoas ou grupos tentam impor sua linha de pensamento, sem respeitar o direito de o outro expressar sua opinião. Julgam-se acima de todas as sabedorias, para desacreditar ou inibir o contraponto.

Uma figura antiga
Para quem não se lembra, o termo “patrulha ideológica” foi utilizado – alguns garantem que ele foi o criador da expressão – pelo cineasta Kaká Diegues, em meados da década de 1970, quando dois de seus filmes – “Xica da Silva” e “Chuvas de Verão” – não alinhados politicamente ao momento conturbado pelo qual o país passava, foram mal recebidos pela crítica, que “pedia” uma cultura mais engajada.

Tema controverso
Para Diegues, essa patrulha era formada por militantes de esquerda, na imprensa e ligados ao clandestino Partido Comunista, que, segundo ele, queria impor um pensamento único cultural, voltado apenas às lutas propostas pela esquerda. Era óbvio que todo formador de opinião tinha papel fundamental na luta contra a ditadura e a censura, mas essa imposição também era uma forma de censurar o outro lado.

De volta ao futuro
Resolvi fazer este comentário justamente porque as redes sociais, que citei no início deste texto, estão promovendo o retorno desse patrulhamento. Com uma diferença de lado. Hoje os patrulheiros são ligados à direita – uma direita light, com vontade de ser esquerda – e da mesma forma como aconteceu no passado, não aceitam debater, senão apenas suas opiniões. Qualquer opinião contrária não vale.

Sem as patrulhas
Nunca gostei desse termo “patrulha”, pois a liberdade de expressão do pensamento é um direito constitucional. E o direito à discordância é fundamental para que o debate seja ainda mais proveitoso.

Polêmica do Natal
Na coluna de quinta-feira tratei do assunto, para mostrar como há desvios propositais de foco quando surge uma polêmica que envolve simpatizantes e antipatizantes a um determinado status. Estou falando do grande problema econômico, social e urbano, que se abateu sobre Limeira na semana que passou. Uma árvore de Natal. Desculpem-me pela ironia, a mesma que usei na quinta-feira, mas ainda há muita repercussão sobre a estética do ornamento natalino. Todos os graves problemas do Município foram esquecidos. Triste.

E não está nem aí
Como aquele deputado da frase “a opinião pública que se lixe”, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) faz o mesmo com Limeira. Que se lixem os interesses do Município. E a última prova disso foi a publicação do extrato do contrato para construção do novo presídio para Limeira. Será mesmo um CPP, que vai contra as necessidades e interesses técnicos da própria polícia e do Judiciário. O tucano, definitivamente, não respeita Limeira.

Estereótipo ético
O procurador da República Rodrigo de Grandis, o que engavetou dois pedidos de cooperação da Justiça no caso Alston (propinoduto dos trilhos tucano) reassumiu o inquérito, mesmo investigado por duas corregedorias. Seis suspeitos terão crimes prescritos em abril. A cobrança moral tucana serve para os outros. O resto é conversa de boteco.

Pergunta rápida
Qual será o próximo secretário municipal da administração Hadich a cair?

Situação caótica
Que me desculpem motociclistas e motoqueiros que respeitam as regras mais básicas do trânsito. Infelizmente vocês são uma minoria. E “grande” minoria mesmo. Pedestres desrespeitam a faixa exclusiva, motoristas invadem áreas de estacionamento especial, mas as motocicletas e seus pilotos estão batendo todos os recordes de falta de educação. E os que fazem disque-entrega dobram esses índices. Sinal vermelho, sinal de pedestre aberto e o avanço sobre os carros em cruzamento não são limite para eles. Tudo isso é um alerta para a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa. Um endurecimento, a favor da vida.

Nota curtíssima
José Serra está pronto. Prontíssimo para tirar o doce da boca de Aécio Neves. 

Hora do acerto
Na sexta-feira, 13, o AI-5 completou 45 anos. Em 2014, o golpe militar chega aos 50. Há duas lições, ainda, a serem tiradas desses dois tristes episódios, que fazem parte da história brasileira. Não repeti-los é a principal delas. A segunda é esclarece-los, às últimas consequências. Os trabalhos da Comissão da Verdade têm tudo para fazer isso. Só precisa de um pouco mais de coragem, e abrir toda a documentação da época ainda existente. Sem temer a farda e o coturno.

Frase da semana
"Nós não temos preocupação eleitoral. Temos preocupação é com a verdade. Esse é nosso compromisso”. Do governador Geraldo Alckmin (PSDB), sobre as investigações do propinoduto tucano. Quinta-feira, 12. Na EXAME.com

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O inferno astral
Se a administração Paulo Hadich (PSB) não vive de seus momentos mais favoráveis, a Câmara Municipal também passa por turbulências. Depois dos embates das CPIs, na sessão da última segunda-feira, a sede do Legislativo sofreu um apagão elétrico. Ficou literalmente no escuro. Sessão será retomada hoje.

Dedo na tomada
Pelo menos nenhum vereador levou choque elétrico. O motivo do apagão, que durou mais de 12 horas, foi um curto-circuito que derrubou o sistema de energia. Alguns mais exaltados disseram que foi sobrecarga no forno elétrico da pizzaria...

Falta de assunto
É muito triste, para não dizer frustrante, ver uma cidade com tantos problemas a serem resolvidos, criar uma polêmica inútil por causa de uma árvore de Natal (que de fato é um símbolo do mau gosto). Uma situação que mascara as reais deficiências do Município.

Na maré mansa
Personagem central nas redes sociais, a árvore - que está sendo chamada de guarda-chuva (entre outros adjetivos), envolve até discussões políticas, que a oposição ao prefeito tenta capitalizar. Com uma oposição dessas, aliás, a situação agradece. E, sinceramente, não há com que se preocupar mesmo.

Vai capengando
Assim como a atual administração caminha sem sair do lugar, na tentativa de engatar uma agenda positiva - e já tem alguma, sim - falta, à oposição, um projeto político para uma verdadeira postura de oposição. Ficar apenas votando não aos projetos do governo municipal é tiro na água, já que a maioria na Câmara é governista. E com tranquilidade para fazer inveja a qualquer um.

Davi... e Golias
A única exceção é o vereador José Roberto Bernardo, o Zé da Mix (PSD), que tem mostrado vontade e feito denúncias importantes. Ele, entretanto, é um só. Não há mais o que fazer, a não ser o que está fazendo. Os vereadores governistas vão continuar atropelando. Aqui o gigante vence...

A última de hoje
Limeira pode ter uma secretária da saúde itinerante...

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Sem tiros ou baionetas. Apenas papel e caneta

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” Esta foi, na semana passada, uma das frases mais compartilhadas nas redes sociais (e pela mídia, de uma maneira geral), após a morte de seu autor, o ex-presidente sul-africano e Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela, na quinta-feira. Não só pelo seu significado, mas pela força que tem – ou deveria ter - na realidade de todos os povos, é quase uma verdade incontestável. O quase, neste sentido, é uma figura de linguagem de uso muito particular, ao se levar em conta que a verdade absoluta está além da compreensão do ser humano. Sempre vai ficar faltando uma vírgula na sua interpretação.
Não deixa, entretanto, de ser uma expressão viva, real, daquilo que todos deveriam ter escrito, em letras douradas e permanentes, em suas consciências. Se assim não é, é por que ainda há alguma interferência, um ruído – como costuma-se dizer na comunicação – que embaça a sua clareza. Às vezes, uma névoa espessa e proposital, que inibe sua compreensão, pois a partir do momento em que o homem entende o que de fato a educação representa como ferramenta para a transformação da sua vida, ele estará dando um basta à ilusão patrocinada por aqueles que fizeram, um dia, o juramento de governar e legislar pelas causas nobres e pelo bem comum da sociedade. A educação revela o lado crítico do homem, que vai se indagar, sempre, sobre suas certezas, para aplacar as suas incertezas.
E essa consciência crítica é tudo que o mal governante não quer para o povo que governa.
É a educação que combate a alienação, princípio básico utilizado para a manutenção do poder. Quanto maior a ignorância, maior será o sucesso da tirania, das ditaduras, que ainda resistem à invenção da democracia. E das democracias perrengues, que apesar de elegerem seus políticos, continuam distantes das garantias às liberdades individuais, que caracterizam o grau de desenvolvimento – e de envolvimento também – de sua população. Não passa de grossa maquiagem, muito utilizada para esconder as rugas do envelhecimento - que acabam por promover essa indiferença aos problemas políticos e sociais – que sempre voltam a aparecer aos primeiros sinais de limpeza. Educação é a água e o sabão que vão lavar essa maquiagem, para expor a verdadeira face do atraso.
Este, entendo, é o sentido da frase de Mandela, que lutou contra o regime de segregação racial imposto ao seu próprio país – e por isso ficou 28 anos preso – por um regime de minoria branca, numa nação predominantemente formada por pretos. Uma verdadeira aberração cultural, que países colonizadores sempre tentaram, e ainda tentam, incutir àqueles que se permitem ser colonizados. Ou pelo poder bélico, ou pela ausência da “poderosa arma” citada pelo líder sul-africano: a educação.
Vivemos uma espécie de entressafra de líderes naturais, com a grandiosidade de raciocínio e a percepção das coisas mais simples a que um homem tem direito. Isso nos obriga a buscar, nos exemplos deixados por Nelson Mandela, a verdadeira compreensão da natureza humana. Ele conseguiu transformar o seu mundo. Quando conseguiremos transformar o nosso?   

domingo, 8 de dezembro de 2013

Tudo do mesmo. Nenhum diferencial que valha

Eu sou basicamente um otimista. Não ufanista. Com meus pensamentos alicerçados na utopia das coisas boas. Dos homens bons. Pena que essas coisas e esses homens não contribuem, em nada para, que esse sentimento avance e se concretize. E, novamente, tomemos a Câmara Municipal de Limeira e a atuação dos vereadores como exemplo didático, no sentido de mostrar a dinâmica do poder e suas relações com o povo. Pelo bem ou pelo mal. E a expectativa, positiva de um lado, é toda ela desmoronada, implodida mesmo, por um outro, mais sombrio e assustador. E o exemplo da semana passada foi muito claro e de uma didática extraordinária, quando das votações dos relatórios de duas CPIs, a da Dengue e do Aeroporto. E aí é que vem essa sensação de que nada mudou. Toda prática, criticada anteriormente, continua. Ela é apenas executada por outros personagens. O discurso da mudança morre onde começa o interesse pela preservação do status de comando das decisões. Então, vem a triste constatação de que o caminho é muito mais longo do que se supunha. Esqueça o passado. O que conta é o agora.

Amnésia seletiva
FHC mandou esquecer tudo o que escreveu. Lula buscou aliança com Maluf e, no exemplo caseiro, os eternos combatentes corrupção e da impunidade, dos discursos inflamados e moralizadores, estão passando por cima da própria ética, ao exercitar a conhecida teoria socrática, do “um peso, duas medidas”. Foi o que se viu nos relatórios das CPIs, encerradas na última terça-feira. O inferno e o paraíso.

Somos inocentes
Se a CPI do Aeroporto poderia representar a pá de cal na Era Félix e a CPI da Dengue atingiria, em cheio, o atual governo e alguns de seus assessores mais diretos, sem completar um ano de mandato, optou-se pela punição, na primeira, e a inocência – com um leve toque de “vamos fazer algo” – na segunda. A minoria, que sofreu muito ontem, virou a maioria algoz de hoje. Eis que nada, de fato, mudou.  

Evidências reais
Da mesmo forma como graves desvios de função foram constatados nas obras do aeroporto, demonstrando os erros cometidos, a questão da obscura nebulização de criadouros do mosquito da dengue também. Direcionamento, superfaturamento e serviços não realizados também ficaram evidentes. As contradições, nos vários depoimentos, ficaram muito claras. E nesse caso todos os bois também têm nomes.

O mesmo veneno
Assim como a oposição esperneia hoje, e com razão, e com razão a atual situação, antes oposição, também esperneava muito, no fim todos se equivalem na essência. O caráter é o poder nas mãos.

A política como...
...ela é. Vou me apropriar do título do boletim do jornalista Kenedy Alencar, da Rádio CBN, para mostrar um fato pitoresco. Na tarde da última quinta-feira, alguém fotografou água barrenta saindo das torneiras de Iracemápolis e, sem saber qual era o problema, alguns tucanos de carteirinha – o PSDB esteve no poder pelos últimos oito anos por lá – se alvoroçaram via redes sociais. Curioso disso tudo é que, quando interessa, um besouro vira um elefante. Era um problema técnico, conforme mostrou esta Gazeta em sua edição de sexta.

Fazendo as contas
O Ministério Público continua ativo por aqui. Na semana passada, viu mais uma ação contra o poder público ser acatada pela Justiça. Dessa vez, em uma acusação de improbidade administrativa contra o prefeito Paulo Hadich (PSB) e seu ex-secretário da Saúde, vereador Raul Nilsen Filho (PMDB). Não fiz cálculos e nem levantamentos, mas a impressão é que, nesse primeiro ano, Hadich já foi mais acionado que Félix no seu primeiro ano também.

E já ficou laranja
As últimas notícias da semana que passou, de que a Siemens – a empresa, e não diretores – assume que pagou propinas em São Paulo já podem ser consideradas um alerta laranja (sem trocadilhos, por favor) para o tucanato paulista. Não tarda e, logo mais, muda de cor. E para vermelho. As tentativas de desqualificar as denúncias começam a se perder pelos trilhos...

Pergunta rápida
E você, caro leitor e eleitor, já escolheu o sabor da pizza que vai pedir?

O grande irmão

O celebrado livro de George Orwell, 1984, há muito deixou de ser ficção. Hoje as redes sociais comprovam que o escritor inglês não errou em nada daquilo que previu em sua obra. Confesso que fico assustado quando leio manchetes como a publicada na sexta-feira pela Gazeta (‘Polícia vigiará rede social para chegar à balada ilegal’) pois, antes de revelar bom senso, mostram a falência do sistema e a ausência de políticas públicas destinadas à juventude. O combater, em vez de prevenir, pode até dar uma sensação de segurança, mas não é garantia de resolução do problema. É um combate ao efeito, não à causa.      
 
Nota curtíssima

Foi-se o homem. Ficaram seus ideais e suas conquistas. Nelson Mandela continua vivo.

A Fifa mandou
Entre quinta e sexta-feira foi proibido servir água de coco num resort da Costa do Sauípe. Não sei por que, mas me lembrou aquela música de Paulinho Soares: “O patrão mandou cantar com a língua enrolada. Everybody macacada. Everybody macacada. E também mandou servir uísque na feijoada. Do you like this, macacada? Do you like this, macacada? E ainda mandou tirar nosso samba da parada. Very good,macacada. Very good, macacada.”

Frase da semana
“Não se esqueça de que os santos são pecadores que continuam tentando”. Do ex-presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela, morto na noite da última quinta-feira. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

É para divulgar
Assim como alimento minhas críticas, quando é possível elogiar também o faço. Como a notícia de que Limeira é uma das 42 cidades pré-selecionadas para receber um curso de Medicina. Deu no Diário Oficial da União (DOU) e foi postado pelo vereador Ronei Martins (PT) em seu Twitter, com link para o Facebook.

Não perdeu a...
... a oportunidade. O vereador, um petista de carteirinha, não perdeu a oportunidade para elogiar a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Como é do conhecimento de todos, Dilma é candidata à reeleição e, Padilha, ao governo de São Paulo.

Na internet sim
Campanha eleitoral aberta. Declarada. Mas, como todos sabem, não infringe a legislação eleitoral, que permite sua antecipação pela web. E o Facebook e Twitter são duas ferramentas essenciais para 2014. E o PT, como ninguém, sabe usá-las com competência.

Baixou de tudo
Dois espíritos do passado baixaram nos vereadores – governistas, é claro - na terça-feira, durante a leitura dos relatórios das CPIs da Dengue e do Aeroporto. Levaram a ferro e fogo uma frase, cuja autoria – incerta – é atribuída ao jornalista e político Benedito Valadares, que foi governador de MG, mas muito repetida pelo então presidente Getúlio Vargas: “aos amigos tudo, aos inimigos os rigores da lei”…

Qual é o sabor?
Como escrevi em minha coluna de domingo, o forno governista confirmou a primeira pizza da atual temporada. Resta agora ao povo escolher qual será o sabor. A nova pizzaria será um dos temas de minha próxima coluna, coincidentemente, no domingo.

A última de hoje
As novas mídias se transformaram em excepcional garantia à liberdade de expressão. Os que não estão acostumados com isso ficam de cabelo em pé. O que me assusta nesse processo todo, entretanto, não é o livre expressar do pensamento, mas a intolerância disseminada nas redes, que leva a um sentimento de ódio exacerbado. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Pouco tempo para sentir saudades

A maioria dos políticos, os que têm cargos eletivos, caminham sempre na direção das grandes causas, mas não acertam sequer o caminho da própria casa. Essa metáfora ilustra bem muitas administrações públicas, que vivem correndo atrás de investimentos vultosos que lhes possam render popularidade, enquanto o básico vai sendo deixado de lado, porém, não menos visível, e compromete estratégias claras e objetivos declarados, para ganhar a aprovação da opinião pública e, dessa forma, concretizar um projeto político. A essência desse projeto, que deveria ser o bem-estar da população, fica apenas na vontade de perpetuação no poder. Apenas pelo poder.
Essa é uma afirmativa que revela uma Limeira desestruturada. E acaba por provocar, também, um isolamento da própria realidade municipal e, por que não dizer, da regional. Um contexto que se aplica muito bem aos atuais gestores, que infelizmente estão perdendo a oportunidade de mostrar – e provar – que o compromisso assumido perante os cidadãos era o da mudança, através de uma visão progressista e engajada, de um governo diferente de tudo o que havia passado por aqui até agora. Hoje o que se vê e ouve pela cidade é um forte sentimento de frustração, por que nada mudou e os mesmos problemas continuam na pauta da mídia. Situações antigas, que se tornaram presentes novamente, fazendo com que muitas pessoas comecem a demonstrar arrependimento e, nostálgicas, uma sensação de saudades de um passado recente, que já virou história e, por isso, não pode ser repetido. Que sirva, sim, de lição aos que vão chegando à idade da consciência, mas sem qualquer pedido de “bis”.
Os discursos são uma arma poderosa de dominação do eleitorado, mas que se não transformados em prática, são mais perigosos aos seus próprios autores, que no momento de prestar contas serão obrigados a conviver com um paradoxo clássico: o do comprometimento ter se transformado apenas em promessa. Só que o povo está cada vez mais cansado de promessas, que invariavelmente nunca são cumpridas. E está percebendo que tem nas mãos, também, o poder de mudar a situação sempre que for chamado a isso. Pode até parecer um pouco utópica a expressão desse tipo de pensamento, mas a lição, à qual me referi no parágrafo anterior, vai sendo ensinada diariamente, para quem quiser aprendê-la. Para não ganhar nota menor na prova final.
Se ainda há uma longa distância a ser percorrida até que o ideal – ou o mais próximo dele – seja alcançado, não dá mais para desacreditar nessa força transformadora, que é justamente a vontade popular. Concordem ou não, os teóricos de gabinetes e os muitos que já se acomodaram pelo status quo de algumas instituições em falência múltipla de órgãos.   
Governar em castelos, cercado de escudeiros fiéis e amáveis – para não ser deselegante - é fácil. É preciso deixar o trono de lado e caminhar pelas ruas, ao lado dos súditos, para entender seus anseios e conhecer suas necessidades. É isso que hoje está em falta em Limeira.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Uma segunda-feira cheia na Câmara Municipal

Já fiz, ao longo da semana que passou, alguns pequenos comentários sobre dois aspectos da atuação da Câmara Municipal de Limeira. Ambos, envolvendo situações completamente distintas, mas que não deixaram de mexer com o imaginário político da cidade. A primeira delas foi o comparecimento – e por si só é uma novidade – do prefeito cassado Silvio Félix (PDT) para depor na CPI do Aeroporto. O fato novo esteve, justamente, nessa aparição pública de Félix, em meio a tantas turbulências judiciais que o vêm acometendo e à sua família. O ex-prefeito em nada acrescentou, do que já não se sabe, à comissão que investiga o planejamento e os gastos com as obras do “futuro” aeroporto. Só que desta vez ele se dispôs a falar, o que já é um bom começo. E a mídia tem, sim, que dar cobertura ao acontecimento, ao contrário do que pregaram alguns, pois faz parte da história política limeirense e tudo o que se puder esclarecer sobre a “era Félix” é bem-vindo. O segundo aspecto é a aprovação de projeto do vereador André Henrique dos Santos, o Tigrão (PMDB), sobre a comercialização de carne moída previamente embalada.

Fora, bandejinha!
Há que se louvar a iniciativa do vereador Tigrão, pelo alcance de seu projeto, que agora é lei e vai à sanção do prefeito Paulo Hadich (PSB). Além de uma preocupação com a saúde pública, que deve vir em primeiro plano, trata-se de uma maneira eficaz de proteção ao consumidor e à economia popular, uma vez que esse consumidor não consegue controlar – e nem fiscalizar - a qualidade da carne vendida.

Respeito à saúde
Quando se fala em saúde pública, é preciso observar as condições de higiene no processo dessa carne moída e previamente embalada. Há tempos a Vigilância Sanitária vem realizando fiscalizações junto aos mercados e hipermercados da cidade, constatando muitos problemas. Inclusive divulgados por esta Gazeta. Quando o consumidor chega à gôndola, a bandeja está lá. A compra é feita no escuro.

Gato por lebre...
E no que diz respeito à economia popular, essa conta é mais simples, porém, não menos perniciosa. Se a embalagem está na gôndola, com rótulo e prazo de validade, a questão é saber que tipo de produto está sendo adquirido. Em muitos casos, apenas diz que é “carne de primeira” ou “carne de segunda”. Não traz, porém, qual é o corte moído. Ou se é uma mistura de tudo. É coxão-duro por patinho.

E pode demorar
Se por acaso a lei for sancionada, é evidente que a população terá que perder um pouco mais de tempo nas filas dos açougues, mas pelo menos poderá escolher o que vai levar para casa. Troca justa.

História antiga
A questão da higiene com produtos processados, em especial as carnes, é muito antiga. Ainda no início do Século XX, o jornalista Upton Sinclair, em seu livro “The Jungle” (“A Selva”), mostrava as péssimas condições de trabalho, e principalmente higiene, nos frigoríficos de Chicago. Em 2001, outro jornalista, também americano, Eric Schlosser, vai pelo mesmo caminho com seu livro “País Fast Food”, numa abordagem realista e não menos dura que Sinclair sobre o que está por trás das tradicionais redes de alimentação.

E está no forno
Já é possível sentir no ar um cheirinho leve, mas presente, de mozarela derretida com orégano no forno à lenha. Ao que tudo indica, a CPI da Dengue, que está apurando alguns contratos um tanto quanto pulverizados, parece já ter caminho certo: comemoração em uma pizzaria. A mesa, composta praticamente por governista, à exceção de José Roberto Bernardo, o Zé da Mix (PSD), rejeitou nova prorrogação e pedidos de acareação.

Outro relatório
Além de novas oitivas, por todas as contradições apresentadas nos depoimentos até aqui colhidos, o que seria possível, Zé da Mix pediu nova acareação entre alguns dos envolvidos, entre eles o ex-secretário de Saúde, que voltou à Câmara, Raul Nilsen Filho. Elementos e provas para isso havia. O oposicionista deve apresentar relatório apartado.

Pergunta rápida

Será que a velha e saborosa pizza está de volta à Câmara Municipal de Limeira?

Dor de cabeça...
...ou mais um capítulo de uma história mal contada? Assim é que é. A eleição municipal em Limeira foi em outubro de 2012. Teve um vencedor. O perdedor, porém, que nem a elegância de reconhecer o resultado das urnas teve, num primeiro momento, foi aos tribunais tentar reverter no chamado “tapetão”. Entre idas e vindas, vitórias e derrotas, a ação volta a Limeira para novas provas e depoimentos contra o eleito Paulo Hadich (PSB). O recomeço dessa história pode dar mais dor de cabeça ainda a Hadich. Se o novo capítulo pode beneficiar Lusenrique Quintal, o derrotado, é difícil prever. A novela vai continuar.

Nota curtíssima
A excelência da administração pública está em promover o bem comum. Sem locupletação.

Veneno é veneno
Quando estourou o escândalo do mensalão do PT, em 2005, véspera de ano eleitoral, PSDB e DEM foram cozinhando as denúncias até 2006, dizendo que fariam o presidente Lula sangrar até a última gota. Agora, 2013, véspera de ano eleitoral novamente, descobre-se o propinoduto dos trilhos do PSDB. Investigação evoluindo, o CADE anuncia que deixa para 2014 o processo contra as empresas do cartel. Lula não sangrou. E o PSDB, vai sangrar?

Frase da semana

"Enquanto a Black Friday nos Estados Unidos é um dia de negócios, no Brasil ele é conhecido como o dia da fraude". Da revista norte-americana Forbes, sobre as vendas brasileiras. Na sexta-feira, 29, no UOL Economia.