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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

É para divulgar
Assim como alimento minhas críticas, quando é possível elogiar também o faço. Como a notícia de que Limeira é uma das 42 cidades pré-selecionadas para receber um curso de Medicina. Deu no Diário Oficial da União (DOU) e foi postado pelo vereador Ronei Martins (PT) em seu Twitter, com link para o Facebook.

Não perdeu a...
... a oportunidade. O vereador, um petista de carteirinha, não perdeu a oportunidade para elogiar a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Como é do conhecimento de todos, Dilma é candidata à reeleição e, Padilha, ao governo de São Paulo.

Na internet sim
Campanha eleitoral aberta. Declarada. Mas, como todos sabem, não infringe a legislação eleitoral, que permite sua antecipação pela web. E o Facebook e Twitter são duas ferramentas essenciais para 2014. E o PT, como ninguém, sabe usá-las com competência.

Baixou de tudo
Dois espíritos do passado baixaram nos vereadores – governistas, é claro - na terça-feira, durante a leitura dos relatórios das CPIs da Dengue e do Aeroporto. Levaram a ferro e fogo uma frase, cuja autoria – incerta – é atribuída ao jornalista e político Benedito Valadares, que foi governador de MG, mas muito repetida pelo então presidente Getúlio Vargas: “aos amigos tudo, aos inimigos os rigores da lei”…

Qual é o sabor?
Como escrevi em minha coluna de domingo, o forno governista confirmou a primeira pizza da atual temporada. Resta agora ao povo escolher qual será o sabor. A nova pizzaria será um dos temas de minha próxima coluna, coincidentemente, no domingo.

A última de hoje
As novas mídias se transformaram em excepcional garantia à liberdade de expressão. Os que não estão acostumados com isso ficam de cabelo em pé. O que me assusta nesse processo todo, entretanto, não é o livre expressar do pensamento, mas a intolerância disseminada nas redes, que leva a um sentimento de ódio exacerbado. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Pouco tempo para sentir saudades

A maioria dos políticos, os que têm cargos eletivos, caminham sempre na direção das grandes causas, mas não acertam sequer o caminho da própria casa. Essa metáfora ilustra bem muitas administrações públicas, que vivem correndo atrás de investimentos vultosos que lhes possam render popularidade, enquanto o básico vai sendo deixado de lado, porém, não menos visível, e compromete estratégias claras e objetivos declarados, para ganhar a aprovação da opinião pública e, dessa forma, concretizar um projeto político. A essência desse projeto, que deveria ser o bem-estar da população, fica apenas na vontade de perpetuação no poder. Apenas pelo poder.
Essa é uma afirmativa que revela uma Limeira desestruturada. E acaba por provocar, também, um isolamento da própria realidade municipal e, por que não dizer, da regional. Um contexto que se aplica muito bem aos atuais gestores, que infelizmente estão perdendo a oportunidade de mostrar – e provar – que o compromisso assumido perante os cidadãos era o da mudança, através de uma visão progressista e engajada, de um governo diferente de tudo o que havia passado por aqui até agora. Hoje o que se vê e ouve pela cidade é um forte sentimento de frustração, por que nada mudou e os mesmos problemas continuam na pauta da mídia. Situações antigas, que se tornaram presentes novamente, fazendo com que muitas pessoas comecem a demonstrar arrependimento e, nostálgicas, uma sensação de saudades de um passado recente, que já virou história e, por isso, não pode ser repetido. Que sirva, sim, de lição aos que vão chegando à idade da consciência, mas sem qualquer pedido de “bis”.
Os discursos são uma arma poderosa de dominação do eleitorado, mas que se não transformados em prática, são mais perigosos aos seus próprios autores, que no momento de prestar contas serão obrigados a conviver com um paradoxo clássico: o do comprometimento ter se transformado apenas em promessa. Só que o povo está cada vez mais cansado de promessas, que invariavelmente nunca são cumpridas. E está percebendo que tem nas mãos, também, o poder de mudar a situação sempre que for chamado a isso. Pode até parecer um pouco utópica a expressão desse tipo de pensamento, mas a lição, à qual me referi no parágrafo anterior, vai sendo ensinada diariamente, para quem quiser aprendê-la. Para não ganhar nota menor na prova final.
Se ainda há uma longa distância a ser percorrida até que o ideal – ou o mais próximo dele – seja alcançado, não dá mais para desacreditar nessa força transformadora, que é justamente a vontade popular. Concordem ou não, os teóricos de gabinetes e os muitos que já se acomodaram pelo status quo de algumas instituições em falência múltipla de órgãos.   
Governar em castelos, cercado de escudeiros fiéis e amáveis – para não ser deselegante - é fácil. É preciso deixar o trono de lado e caminhar pelas ruas, ao lado dos súditos, para entender seus anseios e conhecer suas necessidades. É isso que hoje está em falta em Limeira.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Uma segunda-feira cheia na Câmara Municipal

Já fiz, ao longo da semana que passou, alguns pequenos comentários sobre dois aspectos da atuação da Câmara Municipal de Limeira. Ambos, envolvendo situações completamente distintas, mas que não deixaram de mexer com o imaginário político da cidade. A primeira delas foi o comparecimento – e por si só é uma novidade – do prefeito cassado Silvio Félix (PDT) para depor na CPI do Aeroporto. O fato novo esteve, justamente, nessa aparição pública de Félix, em meio a tantas turbulências judiciais que o vêm acometendo e à sua família. O ex-prefeito em nada acrescentou, do que já não se sabe, à comissão que investiga o planejamento e os gastos com as obras do “futuro” aeroporto. Só que desta vez ele se dispôs a falar, o que já é um bom começo. E a mídia tem, sim, que dar cobertura ao acontecimento, ao contrário do que pregaram alguns, pois faz parte da história política limeirense e tudo o que se puder esclarecer sobre a “era Félix” é bem-vindo. O segundo aspecto é a aprovação de projeto do vereador André Henrique dos Santos, o Tigrão (PMDB), sobre a comercialização de carne moída previamente embalada.

Fora, bandejinha!
Há que se louvar a iniciativa do vereador Tigrão, pelo alcance de seu projeto, que agora é lei e vai à sanção do prefeito Paulo Hadich (PSB). Além de uma preocupação com a saúde pública, que deve vir em primeiro plano, trata-se de uma maneira eficaz de proteção ao consumidor e à economia popular, uma vez que esse consumidor não consegue controlar – e nem fiscalizar - a qualidade da carne vendida.

Respeito à saúde
Quando se fala em saúde pública, é preciso observar as condições de higiene no processo dessa carne moída e previamente embalada. Há tempos a Vigilância Sanitária vem realizando fiscalizações junto aos mercados e hipermercados da cidade, constatando muitos problemas. Inclusive divulgados por esta Gazeta. Quando o consumidor chega à gôndola, a bandeja está lá. A compra é feita no escuro.

Gato por lebre...
E no que diz respeito à economia popular, essa conta é mais simples, porém, não menos perniciosa. Se a embalagem está na gôndola, com rótulo e prazo de validade, a questão é saber que tipo de produto está sendo adquirido. Em muitos casos, apenas diz que é “carne de primeira” ou “carne de segunda”. Não traz, porém, qual é o corte moído. Ou se é uma mistura de tudo. É coxão-duro por patinho.

E pode demorar
Se por acaso a lei for sancionada, é evidente que a população terá que perder um pouco mais de tempo nas filas dos açougues, mas pelo menos poderá escolher o que vai levar para casa. Troca justa.

História antiga
A questão da higiene com produtos processados, em especial as carnes, é muito antiga. Ainda no início do Século XX, o jornalista Upton Sinclair, em seu livro “The Jungle” (“A Selva”), mostrava as péssimas condições de trabalho, e principalmente higiene, nos frigoríficos de Chicago. Em 2001, outro jornalista, também americano, Eric Schlosser, vai pelo mesmo caminho com seu livro “País Fast Food”, numa abordagem realista e não menos dura que Sinclair sobre o que está por trás das tradicionais redes de alimentação.

E está no forno
Já é possível sentir no ar um cheirinho leve, mas presente, de mozarela derretida com orégano no forno à lenha. Ao que tudo indica, a CPI da Dengue, que está apurando alguns contratos um tanto quanto pulverizados, parece já ter caminho certo: comemoração em uma pizzaria. A mesa, composta praticamente por governista, à exceção de José Roberto Bernardo, o Zé da Mix (PSD), rejeitou nova prorrogação e pedidos de acareação.

Outro relatório
Além de novas oitivas, por todas as contradições apresentadas nos depoimentos até aqui colhidos, o que seria possível, Zé da Mix pediu nova acareação entre alguns dos envolvidos, entre eles o ex-secretário de Saúde, que voltou à Câmara, Raul Nilsen Filho. Elementos e provas para isso havia. O oposicionista deve apresentar relatório apartado.

Pergunta rápida

Será que a velha e saborosa pizza está de volta à Câmara Municipal de Limeira?

Dor de cabeça...
...ou mais um capítulo de uma história mal contada? Assim é que é. A eleição municipal em Limeira foi em outubro de 2012. Teve um vencedor. O perdedor, porém, que nem a elegância de reconhecer o resultado das urnas teve, num primeiro momento, foi aos tribunais tentar reverter no chamado “tapetão”. Entre idas e vindas, vitórias e derrotas, a ação volta a Limeira para novas provas e depoimentos contra o eleito Paulo Hadich (PSB). O recomeço dessa história pode dar mais dor de cabeça ainda a Hadich. Se o novo capítulo pode beneficiar Lusenrique Quintal, o derrotado, é difícil prever. A novela vai continuar.

Nota curtíssima
A excelência da administração pública está em promover o bem comum. Sem locupletação.

Veneno é veneno
Quando estourou o escândalo do mensalão do PT, em 2005, véspera de ano eleitoral, PSDB e DEM foram cozinhando as denúncias até 2006, dizendo que fariam o presidente Lula sangrar até a última gota. Agora, 2013, véspera de ano eleitoral novamente, descobre-se o propinoduto dos trilhos do PSDB. Investigação evoluindo, o CADE anuncia que deixa para 2014 o processo contra as empresas do cartel. Lula não sangrou. E o PSDB, vai sangrar?

Frase da semana

"Enquanto a Black Friday nos Estados Unidos é um dia de negócios, no Brasil ele é conhecido como o dia da fraude". Da revista norte-americana Forbes, sobre as vendas brasileiras. Na sexta-feira, 29, no UOL Economia.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Em baixa
O prefeito cassado Silvio Félix (PDT) anda tão em baixa com a mídia, que dá para contar nos dedos, com a mão fechada, quem se lembrou que no último domingo, dia 24, fez dois anos que ele foi preso junto com familiares e assessores. Este colunista não lembrou.

Ainda ele
Vamos deixar dessa forma: ele até que estava tranquilo durante o depoimento na CPI do Aeroporto, na última segunda-feira, na Câmara. Mas seu sorriso, captado pelas lentes do repórter fotográfico JB Anthero e publicado nesta Gazeta, era do mais puro nervosismo.

As críticas
Félix não foi muito direto, mas não deixou de alfinetar a administração Paulo Hadich (PSB). Principalmente no quesito não continuidade de algumas obras de sua administração. E, neste caso, sou obrigado a concordar com ele. A “nova” biblioteca municipal é um exemplo.

Espertinho

O ex-presidente do SAAE, Renê Soares, tentou induzir a Justiça ao erro, contra o presidente da Câmara Ronei Martins (PT). Quase conseguiu nova liminar para um assunto encerrado, que já havia sido discutido e arquivado por unanimidade pelos vereadores. A liminar foi concedida no dia 25 e perdeu o efeito no mesmo dia. Com a ata da sessão como prova o erro foi corrigido. É preciso saber se haverá punição a Renê....

Foi na trave
Na redes sociais, os opositores mais ferrenhos de Ronei esboçaram um início de comemoração. Que foi contida, quando o engano foi desfeito.

Água e onça
Agora vem a prova de fogo. Se vai valer o “lobby” supermercadista ou a preocupação com a saúde pública. Tudo depende de uma assinatura ou de um veto.

A última de hoje

É bom que lembremos, sempre, que é a liberdade de expressão que nos permite, hoje, concordar, discordar, criticar e até xingar (como fazem alguns) políticos e assemelhados. E que não nos esqueçamos, também, que para chegar a isso, muitos lutaram, foram torturados e morreram no combate à ditadura. Alguns fugiram. Para a Europa.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Bom Senso, sim. Não ao vira-latismo

Passou da hora de deixar o conservadorismo e essa sensação de incompetência de lado e buscar o que de fato interesse a uma mudança de comportamento: a inteligência sem medo de ser feliz e o sentimento de frustração, que acomete aqueles que nunca tentaram mudar. Ou que tiveram a oportunidade nas mãos, mas deixaram o momento passar, por esse conformismo tacanho, que costuma se abater justamente sobre aqueles que se dizem – ou se assanham como – reformistas.
Há alguns jogos do Campeonato Brasileiro, das Séries A e B, jogadores vêm fazendo um protesto silencioso em campo, para sensibilizar as autoridades do esporte e as emissoras de televisão, que não é mais possível seguir nesse modelo ultrapassado de calendário. No final das contas serve apenas aos dirigentes do futebol nacional e aos interesses das polpudas verbas publicitárias da Rede Globo de Televisão, que omissa, como sempre, sequer faz referência que o movimento encabeçado pelo Bom Senso F.C. também é uma crítica ao monopólio da informação.
Como não sou comentarista esportivo e nem especialista nos esquemas táticos-numéricos, que fazem a alegria dos debates pela mídia especializada – não me interesse se é um 3-4-3 ou 4-3-3 e suas variáveis. Posso, entretanto, opinar na condição de torcedor ferrenho, que sou, e discutir abertamente essa questão, que há muito tempo deixou os gramados, mas ainda não chegou aos ouvidos de quem de fato deveria chegar. E note-se que é apenas o futebol, como esporte, que vive na idade das bolas de meia e peladas no meio das ruas. Outras modalidades evoluíram e, por isso, já disputam também o gosto do próprio torcedor.
E agora cabe, a quem de fato faz o espetáculo – os próprios jogadores e, quem sabe mais à frente, também os torcedores - se movimentarem no sentido de trazê-lo à realidade e às mudanças necessárias para levar ao futebol ao Século XXI. Aqui ainda se vive os primórdios de uma cartolagem avessa às transformações e preocupada apenas em manter o status político e financeiro, que atingiu ao longo dos anos, desde que Charles Miller trouxe para cá o esporte bretão, que há muito deixou de sê-lo. Mais que os altos salários, jogadores com poder de liderança precisam exercer também sua inteligência, em benefício próprio e do esporte que praticam. Finalmente, ao que parece, estão deixando o marasmo de lado ao perceberem que quanto mais submissão à classe dirigente, menos público teremos nos estádios. E acabar, também, com o monopólio televisivo é fundamental à essa nova mentalidade, elogiada pela maioria e criticado por poucos saudosistas.
Se o resultado desses protestos terão o efeito prático desejado, ainda é cedo para dizer. As transformações, porém, começam por pequenas ações, assim como uma casa se constrói a partir do alicerce. E nada será feito sem sacrifícios. Pois é a quebra de paradigmas que provoca as grandes mudanças de um status para outro. E isso nunca acontece sem traumas. É preciso enfrenta-los também, para que o complexo de vira-latas assumido não se torne latente, embora continue presente. O que os outros fazem, podemos, sem dúvida, fazer melhor.

domingo, 24 de novembro de 2013

Quem não cuida, não merece ter. Depois cobra

Um dos segmentos mais cobrados e criticados pela população é o do transporte público urbano do Município. Atraso em linhas, veículos velhos – que agora começam a ser trocados – falta de abrigos apropriados para a espera dos ônibus são, em resumo, os principais alvos do descontentamento dos usuários. E não é para menos. Há muito tempo, quem depende desse tipo de serviço se vê privado da necessária qualidade que ele requer. E justamente quando há sinais evidentes de melhorias, o noticiário é tomado por ações de vândalos – e que são usuários do sistema também – que acabam por destruir o que foi feito para melhor atendê-los. “Metade dos pontos de ônibus reformados foi vandalizada”. Eis a manchete desta Gazeta da última quarta-feira, que traça um cenário nada alentador em números alarmantes. De autoria da jornalista Karla Gigo, a reportagem traz um balanço, feito a pedido do próprio jornal, dos abrigos reformados pelas empresas do setor que, em menos de cinco meses, já sofreram algum tipo de depredação. E é para assustar mesmo: dos 90 abrigos reformados, 45 foram alvo de ações de vândalos.     

Omissão perigosa
O problema é que esse tipo de ação não está restrita somente a vândalos “profissionais”, que sentem prazer em destruir o patrimônio público como forma de protestar. Vem, também, do próprio usuário, a partir do momento em que ele deixa de zelar pelas condições de uso desses locais, quando não denuncia a quebradeira. A omissão também é uma forma, talvez a mais cruel, de participar dessas ações.

Números e cifras

A irracionalidade do vandalismo é mais impressionante ainda quando se transforma essa quebradeira em valores financeiros, que dão a devida proporção ao caos. Nesse período mostrado pela reportagem da Gazeta de Limeira, gastou-se o equivalente à instalação de dois abrigos por mês. O valor de cada abrigo é de R$ 7,5 mil e os consertos, em média, custam R$ 15 mil/mês. É triste, mas muito real. 

Poluição visual

E quando se fala em vandalismo, que atinge bancos, teto dos abrigos e pichações, uma delas muitas vezes passa despercebida: colocação de cartazes e propagandas irregulares, coladas nos locais de espera dos ônibus. Shows, eventos de toda natureza e muito adesivo dos serviços de mototáxi. Se não mexe com a estrutura física dos pontos de ônibus, acaba por prejudicar a visualidade urbana do local. Emporcalha tudo e não dá chances à limpeza.

...E nos orelhões
E por falar em mototáxi, é lamentável o que se faz nos orelhões. Só para citar os da estação rodoviária. Não há mais espaço para tanto adesivo com telefones das empresas do setor. É muita sujeira junta.

Um para frente...
... e dois para trás. Está difícil de a Prefeitura engrenar uma agenda positiva mesmo. Bem que estão tentando, mas a cada boa medida anunciada, a contrapartida é pior. Difícil entender o que está acontecendo com esta administração, que anda, anda e anda, mas não sai do lugar. Ou estão preparando uma verdadeira revolução para 2014, ou a tendência é só piorar (acho que já escrevi isso...). É impressionante como falta uma liga entre as ações anunciadas e as de fato praticadas. E não é má vontade da mídia. É realidade constatada.

Creches fechadas
Ainda na semana passada, mais precisamente na última sexta-feira, a manchete desta Gazeta era só contraste com uma notícia ao lado, na capa do jornal. Enquanto a Secretaria de Segurança anunciava uma “muralha digital” para combater furto e roubo de veículos, pais que têm filhos em creches estão preocupados com o fechamento de cinco unidades escolares e transferência de seus filhos para outras escolas. Com pouca explicação oficial.

Difícil de entender
Motivos para o fechamento são os mais variados. Entre eles, o funcionamento em escolas estaduais, que estão solicitando as classes de volta. Outro é a falta de condição da unidade para atender adequadamente as crianças. O ano está indo embora, e só agora a Secretaria de Educação percebeu isso? A transparência, tão cobrada por Hadich na Câmara, escureceu.

Pergunta rápida
Por que o discurso ainda não saiu do papel para ações práticas?

História recontada
O mandato do ex-presidente João Goulart, o Jango, deposto pelo golpe militar de 1964, foi devolvido pelo Congresso Nacional. O ato, simbólico, restitui um pouco da verdade, até hoje escondida pela ditadura, sobre a sessão que tornou vago o cargo de presidente, para legitimar o golpe. Morto em 1976, seu corpo foi exumado, numa tentativa de rever o laudo de sua causa mortis. O lado obscuro dos 21 anos de governo militar, entretanto, ainda não foi desvendado. Muitos documentos e histórias continuam escondidos nos porões governamentais, e precisam ser trazidos à luz. E isso não é revanchismo, é resgate histórico.

Nota curtíssima
Lula não sabia. Alckmin também não, e Kassab não tinha conhecimento. Amnésia seletiva.

É nocaute técnico
Pelo visto, o aeroporto, anunciado à exaustão pelo marketing pessoal do prefeito cassado Silvio Félix (PDT) não vai sair do chão. Ou melhor, da terraplenagem. Não decolou, como se diz na gíria. Venceu a união dos prefeitos de Iracemápolis, Cordeirópolis, Rio Claro e Piracicaba, por um aeroporto regional, que agora tem o aval do Ministério da Aviação Civil. Limeira, mais uma vez, dançou. O Município está cada vez mais isolado.

Frase da semana
"Acreditamos na inocência dele. Temos prova de tudo". De Alexandre Teixeira, líder informal do grupo que defende a fuga do ex-diretor do BB, Henrique Pizzolato, foragido da PF. Na sexta-feira, 22. Na Folha de S. Paulo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Um bom começo. Não a solução

Do feriadão prolongado ao início da semana útil o País viu, em rede nacional e com direito a muitos repetecos, os primeiros onze mandados de prisão referente à ação penal 470, o mensalão, serem cumpridos pela Polícia Federal e os condenados levados de seus estados, após apresentação voluntária – ou agendada – de cada um deles. O décimo segundo não foi possível, pois o réu conseguiu fugir (???) mesmo com o passaporte recolhido. Não houve necessidade de invasões, portas sendo arrancadas e a TV mostrando algemados sendo conduzidos. A resistência, embora pequena, foi barulhenta apenas por parte de militantes políticos, que gritavam palavras de ordem e slogans devidamente elaborados – posicionados atrás de repórteres de TVs – à passagem de cada um dos políticos presos.
Tive, e continuo tendo, a impressão de que petistas, como o ex-ministro e deputado federal José Dirceu e o também deputado federal, José Genoíno, licenciado da Câmara por motivos de saúde, estavam aguardando esse momento para capitalizar – e vão conseguir - de forma positiva a prisão. São experientes, resistiram à mão armada contra a ditadura e, com certeza, não deixarão essa segunda reclusão passar em branco. Já argumentam, pelas redes sociais e que são amplamente compartilhadas pelos seus partidários, que são presos políticos. E, de culpados e condenados, passarão a adotar postura de mártir, com profundo apelo emocional, quando propagado da forma certa e na hora certa.
Procurei ler, ouvir e analisar tudo o que foi publicado sobre essas primeiras prisões – e outras devem estar em andamento neste momento – e a percepção de analistas e políticos ainda é muito vaga. Pelo menos o que foi passado e repassado pelas diversas mídias ainda trazem um tom ufanista de que o combate à corrupção saiu vitorioso e a imagem de ex-homens fortes do atual governo sendo levados à prisão, servirá de exemplo e inibirá novos atos lesivos ao patrimônio público. Se assim fosse, países em que a Justiça sempre foi dura contra os criminosos do colarinho branco, já teriam ficado livres de corruptos e corruptores. O que pode ter regredido nesse processo todo – e isso é uma grande vitória – é a sensação de impunidade, que acompanha o Brasil de longa data, criando uma velha e surrada máxima, de que cadeia é apenas para pobre ou ladrão de galinhas.
Os que comemoram efusivamente contra o PT e seus mensaleiros, hoje, são os mesmos envolvidos até à sombra em privatarias, propinodutos e desvios que saíram dos trilhos há muito tempo. Ou, então, em esquemas parecidos ao do próprio mensalão, que vem desde a aprovação da emenda que garantiu a reeleição a FHC e nunca foi apurada ou os culpados punidos. Se agora empresários e figurões da mais alta estirpe da política nacional estão recolhidos à carceragem, há muito por fazer e outros tantos ainda estão longe de ser julgados, apesar dos crimes cometidos contra a administração e o erário públicos. Por isso, afirmei que esse ufanismo é perigoso, pois ele tira o chão real sob os pés da Nação, quando cria a falsa sensação de que todos os problemas foram resolvidos com essas poucas prisões. Não foram mesmo. Há muito tubarão graúdo nadando em águas de lambaris.