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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Quando a censura oculta o interesse

É lamentável, para não dizer inadmissível, que muitos daqueles que lutaram contra a ditadura, de 1964 a meados 1985, e foram censurados de forma incondicional pelo regime militar, arroguem para si próprios o papel de censor. Amordaçados pelo sistema por suas manifestações contrárias à supressão dos direitos e garantias individuais, através de composições musicais da melhor qualidade e por várias vezes transformadas em canções de amor (para camuflar o protesto nelas embutidas), Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos e outros expoentes da música nacional se voltam agora contra aqueles que querem registrar a história, convertida em biografias.
Se só agora o movimento ganhou notoriedade e maior visibilidade na mídia, com o grupo Procure Saber, encabeçado pelos “ativistas” acima citados, inclusive com artigos dos próprios autores em jornais e revistas, é preciso lembrar que ele começou lá em 2007, quando Roberto Carlos ganhou na Justiça o direito de retirar de circulação o livro do jornalista e historiador Paulo César de Araújo, “Roberto Carlos em Detalhes’, considerado uma biografia não autorizada. Antes disso, o escritor Ruy Castro, em 1995, passou por algum constrangimento quando escreveu “Estrela Solitária”, sobre a vida de Mané Garrincha, envolvendo os filhos do craque do Botafogo e da seleção brasileira, que queriam dinheiro pelo direito à publicação. A situação foi contornada. No caso do “rei”, o livro ainda está fora de circulação.
O que me motivou a escrever este artigo foi justamente uma entrevista com o próprio Roberto Carlos, veiculada no “Fantástico”, da Globo, na noite do último domingo, com visível roteiro pré-estabelecido entre as partes, em que o compositor e cantor, líder da Jovem Guarda, expôs de maneira mais branda sua posição, mostrando-se até mesmo favorável às biografias não autorizadas, desde que “fosse conversado e discutido”, entre os interessados. Ele apenas não deu argumentos sobre qual seria o conteúdo dessa conversa. Dessa discussão e, ao longo da entrevista, claramente preparada para limpar a posição antipática por ele adotada desde 2007, acabou ficando implícito que o maior obstáculo estava nas cifras monetárias. Mais ou menos assim: o biografado autoriza sua “biografia não autorizada”, mas quer participação nos lucros sobre sua comercialização.
Ficou claro, entretanto, que ele não falou pelo movimento, mas em seu próprio nome. Mesmo porque outros integrantes do “Procure Saber” também foram procurados, mas não se manifestaram, entrando naquele seleto grupo que “se lixa” para a opinião pública, embora estejam no seu direito ao silêncio. Está claro, porém, que o País precisa evoluir nesse tipo de relação, por que tem uma Constituição Federal, que garante a livre expressão do pensamento e tudo o mais que dela advir, que precisa ser respeitada.
A censura que a ditadura militar impôs a jornalistas, intelectuais, escritores e compositores, entre tantos outros formadores de opinião, era ideológica. E por isso, odiosa. A mordaça que hoje tenta calar esse mesmo segmento e atenta contra a liberdade de expressão é financeira. Muito mais odiosa ainda.

domingo, 27 de outubro de 2013

Uma agenda positiva para Limeira. Apenas isso

Limeira vive um inferno astral infinito. Não se vislumbra uma possibilidade sequer de que o Município consiga sair do marasmo administrativo pelo qual vem passando, que é inversamente proporcional à agitação política, que parece não ter fim. É essa a influência negativa. A instabilidade que se criou ao redor do poder público, que ninguém sabe como vai ficar. Se é que vai ficar da forma como está, ou vai ter alguma mudança – em breve ou a longo prazo. Após a cassação do então prefeito Silvio Félix (PDT), não se fala mais em investimentos de fora para dentro, e os que estavam anunciados passam por uma estagnação de fazer pena. Vide Samsung. Com a eleição, veio a oportunidade de mudanças e de novos ares, que acabaram também se transformando em vapores tóxicos à prosperidade. Está difícil fazer com que a esperança volte a povoar o consciente e o inconsciente dos limeirenses, quando a cidade vai ao noticiário nacional de forma negativa, motivada por tragédias pessoais, que rendem ibope à mídia. Há muito tempo que não se vislumbra uma notícia, uma agenda positiva, que orgulhe a todos.

Berço esplêndido
Como escreveu e cantou certa vez Geraldo Vandré “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. E é justamente isso que está faltando para Limeira. O “fazer acontecer”. O acordar para a realidade, que é preciso ir à luta com as garras e a força de um leão para tirar essa letargia, que tomou conta dos agentes políticos locais, que não conseguem se desprender do discurso bonito. Da fala fácil.     

Cobrança direta
A prosperidade de Limeira foi reduzida a pó, que está sendo empurrado para debaixo do tapete, e parece que ninguém enxerga isso. Os jornais, as emissoras de rádio e TV mostram diariamente os problemas, dos mais simples aos mais complexos, e o tempo apenas vai passando. Pelo que se ouve diariamente da população, nós, jornalistas (os nefastos) estamos refletindo apenas a realidade. Nua e crua          

Agir... E interagir
A atual administração não consegue sair do lugar. Empaca numa bela retórica, produz um discurso de planejamento, que não sai do papel. É preciso planejar? Sim. Mais que isso, as conquistas vêm desse planejamento. O grande problema, entretanto, é que as ações não se materializam como deveriam. Haverá de chegar um momento em que a paralisia será total, e qualquer cura pode estar comprometida.

E não é política...
Na última semana fiz comentários positivos sobre algumas ações do Poder Executivo, que sem dúvida os mereceu até a última letra. O problema é que elas são esporádicas, e perdem a continuidade. E é isso que nos torna mais críticos ainda, sem, no entanto, fazer dessa crítica um caminho político. Enxergamos com o olhar atento daqueles que esperam por soluções práticas e não por dividendos que uma desconstrução política costuma render.

Falta de cobrança
É preciso dividir essa responsabilidade sobre o marasmo também com os vereadores, em especial os da base governista, que a exemplo de gestões passadas preferem o caminho fácil da leniência à fiscalização. Triste.

Só para emendar
Ao citar a Câmara, entre seus erros e acertos, há verdadeiras pérolas legislativas, que não podem passar em branco. Principalmente pelo fato de beirarem o inusitado. Até mesmo o despropósito. Como o projeto do vereador Jorge de Freitas (Solidariedade), sobre a proibição do uso de animais em pesquisas laboratoriais. Ora, pelo que conheço de Limeira, não há um laboratório sequer, por aqui, que utilize da prática do uso de cobaias em experimentos com remédios, cosméticos e tudo o mais que requer tais práticas.  

Esse é interessante
Outro projeto, desta vez de autoria do vereador André Henrique dos Santos, o Tigrão (PMDB), merece séria atenção:a proibição da comercialização da carne moída embalada, prática comum em supermercados. De grandes redes ou não. Uma questão de saúde pública, que só contribui com o trabalho da Vigilância Sanitária, que vem tendo muito trabalho para fiscalizar a qualidade das carnes (principalmente a validade) que chega ao consumidor. 

Sem identificação
E o vereador tem toda razão para pensar dessa forma. Principalmente porque nunca se sabe a procedência dessa carne moída e embalada. Dificilmente está claro, na embalagem, o tipo de corte utilizado. Com exceção às chamadas carnes de segunda. Como é feito o processo e o que vai pelos moedores, e em que condições de higiene. Boa dica para uma séria reflexão. 

Pergunta rápida
Quais são as chances de o projeto do vereador Tigrão ser aprovado na Câmara?

Ainda os animais
Vem sendo o assunto dos últimos dias, e vem dividindo opiniões. Contrárias e favoráveis. É sobre a utilização de animais – de quaisquer espécies – na busca pela cura de doenças que acometem a raça humana. Ora, se tais experimentos são em benefício do homem, por que não utilizá-los nessas pesquisas? Eu, particularmente, entendo que a prática de uso de cobaias animais deveria inexistir. Pesquisas deveriam ser feitas com voluntários humanos, que é o beneficiário final dos avanços científicos. Os testes seriam muito mais confiáveis e os resultados, penso, mais objetivos, além de atender à urgência pela busca de novas curas. 

Nota curtíssima
Novas ações e inquéritos contra agentes políticos mostram um MP ativo. Atuante e corajoso.

É provinciano...
Limeira é composta para algumas situações que, ou são pitorescas ou são grotescas. De pitoresco, as carrocinhas e charretes circulando entre os automóveis. De grotesco, a posse de vias públicas por empresas, que acabaram ficando em regiões habitacionais, produzindo barulho e ocupando ruas com suas empilhadeiras para carga e descarga. Se falta distrito industrial – desde sempre – falta bom senso a alguns empresários, que não evoluíram.

Frase da semana
"Brasil precisa abandonar 'síndrome de vira-lata' nos transportes". Da presidente Dilma Rousseff (PT), ao anunciar, ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), verbas para São Paulo. Sexta-feira, 25. no UOL-Cotidiano.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

É de consciência
Atribuir ao acaso alguns fatos trágicos da vida cotidiana é o mesmo que se calar perante a injustiça. É irresponsabilidade. E o que poderia ser evitado, de tão previsível que é, acaba causando espanto e comoção coletivos. Mais que nossas próprias atribulações, é preciso que saibamos curar nossas feridas internas, para que não aflorem à pele.

Uma triste lógica
A tragédia que envolveu Priscila Munhoz e seu ex-namorado, Nelson Santos, é só mais uma estatística da irracionalidade humana, que é o sentimento de posse. “É meu, é meu. Se não for, não será de mais ninguém”. Nelson atirou em Priscila, na frente de uma colega de trabalho, e depois atirou na própria cabeça. Priscila morreu momentos depois; Nelson, no final da noite.

Estado é omisso
E apesar de todos os avanços conquistados com a Lei Maria da Penha, ainda é (mas não deveria ser) bastante comum esse tipo de agressão – seja emocional ou mesmo fatal – de homens contra mulheres. A mídia é frequentemente assolada por fatos dessa natureza. E a proteção, que deveria vir do Estado, transforma-se em omissão. Das autoridades e da própria sociedade.

A crônica de…
...uma morte anunciada. Há casos de registros de ocorrências policiais por perseguição, que simplesmente são ignorados. Uma, duas, três vezes ou mais, que invariavelmente terão o mesmo resultado do ocorrido com Priscila. Em momentos como este, ninguém quer ser responsabilizado por essas omissões. É uma história bastante conhecida.

Vida aos cacos
O respeito à dignidade humana parece ter caído de moda. Seja em que circunstância for, virou artigo de luxo. Do mendigo que enxotamos e viramos as costas aos seus pedidos ao doente mal atendido pela saúde pública, não há diferença. Invariavelmente traçamos um perfil de quem não conhecemos, nem a sua sua história de vida. É isso.  

A última de hoje
Precisava deixar um pouco a política – ou seria politicagem? – de lado para esse exame de consciência-desabafo, sobre o que está ao nosso redor e não conseguimos enxergar. Escuridão muito bem descrita em “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago. Vale a leitura.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ninguém ganhou nada. Ainda.

A decisão de o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em devolver a Limeira - à primeira instância, portanto, onde tudo começou - a ação pela qual o candidato derrotado na eleição municipal do ano passado, Lusenrique Quintal (PSD), pedia a cassação do eleito Paulo Hadich (PSB) não deve ser comemorada por nenhuma das partes. Apesar de ter frustrado a claque oposicionista, que esperava ansiosa e até dava como certa a punição imediata a Hadich, os aliados do atual prefeito também não saíram satisfeitos do julgamento.
Ao mandar de volta o recurso, para novas diligências, evidências e coleta de provas testemunhais, o TRE sinalizou que apenas as gravações e os vídeos do suposto crime eleitoral, não foram suficientes para convencer juízes e desembargadores. E o fato de o recurso de Quintal não ter sido derrubado aponta para uma possibilidade real de perda de mandato daqueles que hoje ocupam o edifício Prada. Significa, também, que a acirrada disputa em 2010, vencida nas urnas pela coligação encabeçada pelo PSB/PT ,pode ser decidida no tapetão. Se há dúvidas em relação às condutas no período pré-eleitoral, elas precisam ser dirimidas, para que nenhuma sombra avance sobre o caminho da legalidade.
Essa disputa exige uma séria reflexão sobre o futuro político e administrativo de Limeira. E as consequências que pode trazer à economia e aos investimentos. Principalmente os de fora para dentro do Município. Quando há instabilidade política, os reflexos são desastrosos para o desenvolvimento. E tiram qualquer interesse de novos investidores. Até mesmo daqueles que já tinham planos concretos para a cidade. Uma contenda nem um pouco saudável, que mostra apenas interesses sobre projetos eleitorais e não projetos de governo.
Essa é uma consequência da busca pelo poder a qualquer custo. Como a que aconteceu no ano passado, quando a vitória era questão de honra para os dois grupos, que hoje se revezam em ações e recursos nos tribunais. E a derrota não estava nos planos de nenhum deles. Como apenas um sairia vencedor, as brechas jurídicas continuam sendo usadas, às vezes de forma inconsequente, tamanho é o interesse de ocupar espaços e, principalmente, tirá-los do adversário.
Se de fato houve crime eleitoral, praticado pela coligação que hoje está no poder, cumpre então ao acusador (a aliança derrotada), o ônus da prova e, ao acusado, o direito à defesa. Se comprovada a utilização – e mobilização - da estrutura do Sindicato dos Servidores Públicos de Limeira (Sindsel) em campanha eleitoral apenas em favor de um candidato, fica comprovada a tese de abuso de poder. Resta saber se haverá testemunhas dispostas a comparecer em juízo e acrescentar novas provas aos autos e, assim, garantir o prosseguimento do embate, que pode resultar em novas eleições municipais em Limeira.
Jurisprudência para isso já existe. A verdade é que ninguém pode comemorar nada ainda. O quanto isso vai influenciar, negativamente, nos projetos pensados para o Município, é uma outra história. Por enquanto, há muito mais desconfiança e indefinição do que certezas.

domingo, 20 de outubro de 2013

A dignidade humana resumida a uma pocilga

Durante toda a semana passada esta Gazeta veio revelando histórias escabrosas de gente jogada em clínicas terapêuticas para recuperação de dependentes químicos, que mais pareciam chiqueirões para criação de porcos. Com a ressalva de que em muitos desses chiqueirões impera a higiene, que não aparecia nessas “clínicas”. São 33 ao todo, instaladas na zona rural de Limeira, das quais cinco foram interditadas. E a última delas, na quinta-feira, 16, possuía até fossa negra e criação de animais. Essas interdições são parte de um levantamento que a prefeitura vem fazendo desde o início do ano e culminou com os tristes achados, espalhados por chácaras em vários endereços. Mais que a simples interdição desses locais, é preciso saber a origem de todo esse complexo sistema e como foi autorizado o seu funcionamento, sem qualquer tipo de fiscalização ou alvarás emitidos pelo poder público. É uma história antiga, que além de mexer com a sensibilidade de quem quer fazer um trabalho digno, exibe a crueldade de muitos, que estão apenas interessados no dinheiro das famílias desses dependentes.

Apurar as origens
E além de se chegar à origem e identificar os responsáveis por tamanho despropósito, é preciso fechar o cerco às 28 restantes, para que se legalizem e, dessa forma, possam de fato recuperar quem precisa desse atendimento, que deve ser também extensivo à família dos próprios dependentes, já que há todo um trabalho psicológico a ser feito. As imagens mostradas pela Gazeta são fortes demais.

Quem autorizou?
O que mais assusta é que essas “clínicas” funcionam indiscriminadamente e alguém, em algum momento, dentro da prefeitura, pode ter autorizado. É um tema que vem sendo debatido há muito tempo e parece ter encontrado, pelo menos nesta administração, pessoas mais interessadas em combater esse verdadeiro “mercado negro” terapêutico. E, também, garantir os que estão fazendo o correto.

Explorando a dor
Se estão trancando dependentes em quartos fechados com trancas – alguns deles dopados – e medicamentos sem receituário médico adequado é porque chegou a um tal nível de degradação incompatível até mesmo com animais. E as famílias dessas pessoas, no desespero de fazer alguma coisa, estão sendo enganadas e exploradas. Uma situação que não pode continuar como está.

Especulação, não
Outra ação do Poder Executivo que merece elogios – parece que foi a semana das boas notícias – é decreto de tombamento do Edifício Prada, sede da prefeitura, e a futura desapropriação do estacionamento, que fica nos fundos do Paço Municipal, de frente para a Avenida Maestro Xixirri, através de outro decreto, que tornou a área de utilidade pública. Tem gente interessada na exploração imobiliária do local, mesmo com seu valor histórico. 

Nosso patrimônio
Não há como negar que são áreas nobres, mas pertencem, sim, ao patrimônio histórico do município e, só por isso, devem ser preservadas. Limeira tem ainda muito espaço para a “especulação imobiliária”. Muito.

Ação inteligente
A bagunça jurídica a que se transformou a questão da compra da Prada, pelo então prefeito tucano José Carlos Pejon, foi o não pagamento de outra parcela do contrato. E, posteriormente, a transformação da área permutada – que fazia parte do pagamento – imposta pelo Plano Diretor de 2009, que a reservava para parque, proibindo nela construções. Tudo isso se deu no governo do prefeito cassado Silvio Félix (PDT). Nesse caso, é obrigação da municipalidade zelar pelo seu patrimônio e de todos os limeirenses.

Euforia frustrada
A frustração chegou rápido aos adversários de Paulo Hadich (PSB), com o anúncio da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em mandar de volta a Limeira o recurso pela cassação do diploma do prefeito eleito, pedida por Lusenrique Quintal (PSD), candidato derrotado nas urnas em 2012. A euforia de seguidores e aliados, que só aumentava ao longo do dia, virou uma profunda decepção estampada em alguns rostos conhecidos na cidade.

Novas evidências
Entenderam, os desembargadores do TRE, que é necessário produção de mais provas testemunhas sobre o suposto crime eleitoral praticado por Hadich, de se utilizar do Sindsel (Sindicato dos Servidores Públicos de Limeira) para pedir votos. Parece que as gravações e vídeos não foram suficientemente convincentes para garantir a cassação do pessebista.

Pergunta rápida
Com essa decisão do TRE fica mais difícil a cassação do prefeito Paulo Hadich?

Muita polêmica
Esse é um fato que ainda vai continuar trafegando entre as paixões políticas e ideológicas, a simples obsessão pelo poder e o entendimento do que é e do que não é abuso, dentro de uma campanha eleitoral, que tem regras claras e rígidas. Mas são, invariavelmente, contornadas por ‘jeitinhos”, que levam a distorções. Se o resultado do julgamento no TRE frustrou Quintal, frustrou também Hadich, que queria ver tudo isso encerrado na quinta-feira mesmo. Vale aqui uma lição para ambos: o poder não se ganha na marra. A sua busca a qualquer custo vai, invariavelmente, causar estragos que podem ser permanentes. Enquanto isso, é o Município que sofre as consequências...         

Nota curtíssima
O discurso muda conforme a necessidade. Beija-se a mão do bispo e se chuta a canela do padre.

Vai dar confusão
O presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, continua com sua política de alianças, alheia à vontade de sua mais nova correligionária, Marina Silva, que tem demonstrado desconforto com algumas delas. Em especial de ruralistas. O problema é que nas pesquisas eleitorais, Marina mantém-se à frente de Campos, que é o candidato natural do partido à Presidência da República no ano que vem. Rusgas à vista.

Frase da semana
"Delirar é livre. A gente pode aqui especular sobre qualquer assunto. Mas não faz sentido"
. De José Serra à proposta de Aécio Neves de uma chapa 100% tucana em 2014. Sexta-feira, 18. A Tarde, Salvador-BA.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Muito boa ideia
A iniciativa de dotar a estação rodoviária de Limeira de um portal com informações sobre a cidade, aos visitantes que por aqui chegam, é interessante. Eleva o patamar do Município, pois não há nada pior do que chegar a um lugar “desconhecido” e não ter com quem se informar. Por isso, merece elogios.

Acima da média
Além de mudar a paisagem do local, dando um aspecto agradável à própria estação, garante uma nota positiva ao governo de Paulo Hadich (PSB), que começa a investir mais nos conselhos municipais, como o de Turismo, por exemplo, que ficará responsável pelo portal.

Deve participar
Ao chamar à participação membros da comunidade, investidos de um objetivo, também é uma forma de dizer que a população tem obrigação de influir nos destinos de sua cidade. Até mesmo os críticos têm esse dever. Senão se esvazia na própria crítica.

É vai ou racha...

...e de hoje não passa. Primeiro foi o advogado de Hadich, quem pediu; agora foi a vez do advogado de Quintal, pedir. E se o juiz do TRE não tiver nenhuma indisposição, o recurso do pessedista será julgado hoje, pedindo a cassação do diploma do pessebista.

É batata assada  
Se todos os prognósticos de analistas estiverem certos, o recurso será acatado e volta à primeira instância, em busca de novas evidências do suposto crime eleitoral. Se não for, o TSE é o próximo endereço desse perrengue político. 

É verde ou azul?

A cor não importa. O jogo no tapetão continua. Ganhar é ótimo. Saber perder é inteligente.

A última de hoje
Falta de investimentos – faz tempo – e, principalmente, de técnicos capacitados. Essa é a receita do caótico trânsito de Limeira. Some-se a isso a imprudência e imperícia de muitos motoristas com dias chuvosos, e está decretado o caos. Tenho dito.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Das arquibancadas para o gramado

Não é a primeira e nem a última vez que um torcedor (se é que podemos chamar delinquentes dessa forma) deixa o bom senso – o fair play, no jargão esportivo – de lado e, antes de ajudar seu time externando sua paixão às cores da camisa, parte para atos da mais pura covardia, despejando seu incontrolável ódio e manchando um espetáculo com sangue. Vou deixar meu costumeiro comentário político das terças-feiras e adentrar a uma seara que costumo discutir apenas como torcedor. Não como especialista.
Não dá, porém, para passar em branco uma análise sobre a ocorrência, triste e de imprevisíveis consequências para o futebol limeirense, daquele torcedor que atirou uma pedra que atingiu a cabeça do árbitro da partida Thiago Lourenço de Mattos – jogavam no Limeirão, Inter e Monte Azul, por uma vaga no mata-mata da Copa Paulista 2013 - que poderia ter se transformado em tragédia, pela proporção e tipo do ferimento causado. Está se tornando cada vez mais comum o arremesso de objetos aos gramados País afora e brigas entre torcedores adversários e até mesmo facções de uma mesma torcida, com punições que retiram dos times de futebol o direito de jogar em seus próprios estádios. Os bandidos que provocam as confusões saem impunes e protagonizarão novas ações de vandalismo, brigas e até mortes, nos locais onde as agremiações estarão disputando a próxima partida.
E exemplos não faltam. Torcedores da Gaviões da Fiel, que ficaram presos na Bolívia por mais de seis meses após morte de um adolescente boliviano, em uma partida pela Copa Libertadores deste ano, após o retorno ao Brasil se envolveram em novas badernas e até mesmo em ocorrências policiais, provando que a reincidência nesses casos é automática. Outro: a briga da Mancha Verde, em Guaratinguetá, fez com que o Palmeiras fosse jogar em Londrina, PR. Antes de punir os clubes, é preciso trazer o peso da lei a esses pseudo-torcedores, que se escondem por trás de escudos, camisetas e bandeiras de torcidas organizadas.
E seguir o exemplo da Europa, após a tragédia do Estádio do Heysel, na Bélgica, ocorrida em 29 de maio de 1985, durante a disputa da Taça dos Campeões Europeus, (hoje Liga dos Campeões), entre o Liverpool, da Inglaterra, e a Juventus, da Itália, seria a melhor solução para conter o ímpeto dos exaltados. Naquele jogo foram mais de 33 mortos e centenas de feridos provocados pelos conhecidos e fanáticos “hooligans” ingleses. E como consequência, as equipes britânicas ficaram cinco anos sem poder disputar a competição. E os torcedores identificados, impedidos daquele dia em diante, de frequentarem os estádios.
O agressor do árbitro aqui em Limeira foi identificado, hostilizado pelos demais torcedores que queriam apenas assistir ao jogo, fotografado e conduzido pela Polícia Militar para que fosse lavrado um boletim de ocorrência. A Associação Atlética Internacional sentirá o peso do ato isolado daquele torcedor que, com certeza, estará livre para a próxima partida. A exemplo do que acontece na Europa, torcedores de má índole, quando identificados, deveriam ser proibidos de frequentar os estádios e, em dias de jogo, se apresentarem à delegacia mais próxima, para uma detenção preventiva. Antes que esses próprios torcedores acabem com o futebol é preciso tirá-los, definitivamente, do espetáculo.