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terça-feira, 4 de junho de 2013

Esperança e frustração. Velhas companheiras

O administrador público está sempre à merce de suas próprias intenções, estejam elas voltadas ao interesse coletivo - que deveria ser regra e não exceção - ou focadas simplesmente na sua própria vaidade pessoal. E nesse exercício de poder, comete dois pecados capitais inerentes ao próprio cargo: a ostensividade de suas aparições públicas ou uma completa ausência, quando é chamado a intervir pelas necessidades de sua atividade-fim. Resumindo, ou se expõe demais e se torna alvo fácil dos críticos, ou então se recolhe à própria incapacidade em dosar sua atuação. Um conflito interior, que não dá chances ao bom senso. E uma oportunidade mal aproveitada pode comprometer um grande projeto, que acaba se transformando em frustração generalizada.
A partir do momento em que se vislumbrou uma virada política em Limeira e reais possibilidades de ascensão ao poder pela renovação de conceitos, após décadas de conservadorismo decadente e que nada trouxe de positivo, senão os erros de sempre e a falta de compromissos com as mudanças que ganhavam rapidamente o interesse popular, a vontade de experimentar o novo poderia garantir, enfim, que isso de fato acontecesse. Havia uma clara expectativa de profundas transformações, embora todos estivessem escaldados com o conteúdo da retória política, que nem sempre se transforma em prática. Como a esperança é um sentimento impregnado na alma do brasileiro, a opção do eleitor limeirense foi clara. Varreu quase cinquenta anos de uma alternância improdutiva da história política do Município, apostando que essa "limpeza" trouxesse perspectivas melhores para o Município.
Desde o início da administração de Paulo Hadich (PSB), construída a partir de uma forte aliança com o PT e, portanto, forças políticas tidas como progressistas - pelo menos nos discursos - venho defendendo um tempo de ajuste necessário a esse novo jeito de fazer política. É impossível - e isso ninguém pode negar, nem mesmo a oposição mais intransigente tem coragem para tanto - que soluções milagrosas apareçam da noite para o dia e, num passe de mágica, tudo esteja resolvido. Principalmente porque é quase meio século de alternância de nomes e partidos (mas sempre com o mesmo modus operandi), que arrumar a casa precisa de tempo. Especialistas apontam os primeiros 180 dias de governo, um tempo razoável para conhecer como a máquina pública se encontra, seu funcionamento e onde está emperrada. E o que precisa ser mexido, para que volte às suas atividades. Sem traumas. Também entendo que esse seja o tempo apropriado às ações corretivas.
A proximidade de expiração dos seis meses iniciais de governo, entretanto, dá a nítida impressão de certa frustração dos limeirenses, que começam a perder a paciência, pois ainda não conseguiram vislumbrar as feições dessa nova proposta de administrar. Se a Câmara parece ter entendido seu verdadeiro papel perante a sociedade, o Poder Executivo ainda hesita em mostrar sua verdadeira marca. Que não é apenas um símbolo bem desenhado, mas a troca do discurso pela prática.

domingo, 2 de junho de 2013

É mais que justo. Mas é preciso melhorar

Sempre fui um crítico quanto ao trabalho dos vereadores na Câmara Municipal, o que me rendeu alguns desafetos e tentativas de censura explícita às minhas ideias e aos meus escritos. Em especial nas duas legislações passadas. Nesta Legislatura tenho criticado bastante o arrastar de muitas discussões e proselitismos desnecessários que poderiam ser evitados. Alguma coisa, porém, está mudando. E para melhor. A todo e qualquer Poder Legislativo cumpre o papel de fiscalização ao Poder Executivo. As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) são ferramentas para investigar desvios e apontar responsáveis por verdadeiras farras com o dinheiro público. Com o nosso dinheiro, transformado em impostos. Quando tudo isso é levado à prática, com seriedade e de forma isenta, merece o apoio e a participação da sociedade, que deve sempre pressionar seus representantes para a elucidação desses fatos. Se antes, interesses de parlamentares barravam CPIs ou as transformavam em pizzas, há, hoje, uma vontade maior e que deve ser entendida como recado direto àqueles que se omitiram no passado.

Omissão e atrasos
Uma situação que proporcionou escândalos inomináveis, que reescreveram a história política de Limeira. Muito dinheiro público foi perdido entre sorrisos irônicos e tentativas de defender o indefensável. Só que na semana que passou, a Câmara deu novos sinais, positivos, de que não pretende cometer os mesmos erros. Está se juntando à CPI do SAAE, mais uma, para investigar gastos com o aeroporto. 

Motivos às pencas
É preciso, sim, investigar essa enxurrada de dinheiro investido. Mais de R$ 13 milhões até agora, dos quais cerca de R$ 9 milhões em terraplenagens e pavimentação da pista que, literalmente, não decolou. Uma mostra de abandono e do descaso com o dinheiro público. Já passou da hora de responsabilizar quem permitiu que a situação chegasse a esse patamar. De identificá-los e puni-los ao rigor da lei.

E por que não....?
Com o fim de um período ditatorial na Câmara de Limeira, engendrado por personagens que felizmente não são mais protagonistas, e sua abertura maior aos interesses da comunidade, as CPIs abertas - a do SAAE e agora uma por abrir, sobre os gastos do aeroporto- resgatam um pouco da dignidade e da função precípua do Legislativo Municipal. E penso que, na esteira dessas duas, outras deveriam ser abertas: uma da reforma da Praça do Museu. E outra do novo prédio da biblioteca que, pronto, continua fechado e começa a ser vandalizado.

E por outro lado
Quando essas ferramentas, legais e constitucionais, são utilizadas de forma política, se tornam desprezíveis, ineficientes e próprias aos que não querem a verdade. À imagem e semelhança daqueles que delas se valem.

Engodo à mostra
Quando o passo é maior do que a perna, o tombo é iminente. Sem o devido planejamento, a política tem razões que beiram à ficção. Na ânsia de resolver uma epidemia pública de consumo de crack, o governo estadual lançou o projeto de internação compulsória. Um rito sumário, que tem seus defensores e seus críticos até mesmo entre especialistas da área médica, que não deixa de ser interessante. Prático até. Só que para levar isso a efeito, é preciso planejamento, estrutura pronta e atendimento imediato. Nisso, infelizmente, o Estado não pensou. E quem busca por esse serviço bate com a cara na porta pela falta de vagas.

É fato verídico...

Na semana que passou testemunhei a situação de uma mãe que teve que brigar e até ameaçar com a polícia para internar seu filho, dependente da droga. Não se conseguem vagas para esse tipo de internamento. A rede pública hospitalar não tem estrutura para atender famílias desesperadas e, um projeto que tinha tudo para dar certo esbarra na incompetência da pressa e das medidas paliativas. Acredito até que tenha tudo para se tornar um programa eficaz no combate a essa terrível doença, mas antes de cobrir uma casa é preciso construir suas paredes.

O primeiro passo
Agora é oficial. A Prefeitura de Limeira, através da secretária municipal dos Transportes, Andréa Júlia Soares, reconheceu que a frota de ônibus que atende ao transporte coletivo urbano está velha. Está fora dos padrões exigidos em contrato e há falta de estrutura para fiscalização no setor. Ela falou em audiência pública na Câmara, na sessão da última segunda-feira e seu pronunciamento é preocupante, a partir do momento em que ela mesma reconhece que há uma sensação de que as melhorias não têm data para iniciar. E o usuário sente essa sensação há muito tempo.

Óbvio e ululante

Então vamos à questão prática. Se o serviço de transporte público urbano for de qualidade, a tendência é que atraia mais usuários e a questão desse "excesso de gratuidade" nem seja notado ou pese no equilíbrio financeiro das concessionárias que estão muito mal acostumadas. O poder concedente precisa usar suas prerrogativas e cobrar as duas - ou seria  uma - empresas que operam a concessão. Subsidiar esse serviço, agora, é avalizar o abuso e desrespeito ao usuário.

Pergunta rápida
O ISS de 2% sai do papel ou vai mesmo ficar apenas na retórica política?

Decisão do juiz
Tucanato limeirense terá que administrar uma nova situação e buscar, em recursos, anular uma decisão demais incômoda para o partido: a filiação de um ex-aliado de Félix e hoje assessor de Gabinete do prefeito Paulo Hadich. E desafeto do PSDB, embora já tenha pertencido ao partido. Trata-se de Wagner Barbosa, divulgada na última terça-feira. Quem assinou a sentença foi o juiz da 4ª Vara Cível, Marcelo Ielo Amaro. Num passado não muito distante, Barbosa tentou tomar o diretório tucano local com o objetivo de alinhá-lo às vontades do então prefeito Silvio Félix (PDT). Não conseguiu. Aguarda-se pronunciamento oficial do PSDB.

Nota curtíssima
Pau que bateu em Edmilson Gonçalves (PSDC) deve bater também em André Tigrão (PMDB).

Mortes injustas
A impunidade neste País tem razões, que nenhuma razão deveria aceitar. Na última semana a Justiça de Santa Maria (RS), liberou os quatro réus responsabilizados pelo incêndio na boate Kiss, que matou mais de 242 pessoas em janeiro deste ano. Na sessão da CPI, na última sexta-feira, manifestantes e familiares das vítimas acompanharam os trabalhos com pizzas. Está na hora de  os juízes começarem a aplicar a lei com a consciência moral. Pois nem tudo que é legal, moral é.

Frase da semana
"Mataram um guerreiro nosso". Do cacique terena, Argeu Reginaldo, sobre a morte do índio Oziel Gabriel, após a desocupação de área em Sidrolândia (MS), realizada pelas policias Militar e Federal. Sexta-feira, 31. UOL-Notícias.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Um café indigesto
Duas "ótimas" notícias ontem, publicadas por esta Gazeta: o aumento, já regulamentado, na tarifa da água e um outro provável, o da área azul. E não tarda o da tarifa de ônibus, apesar da situação caótica que vive o transporte público no município, reconhecido até pela Prefeitura.

O absurdo 100%
O aumento na tarifa de água é anual e regulamentado em contrato. Os serviços prestados pela concessionária são de boa qualidade. Quanto ao da área azul, em "até 100%", como mostrou reportagem da jornalista Érica Samara da Silva, foge a todo e qualquer índice oficial de preços. Fica mais barato utilizar os estacionamentos particulares na região central, que garantem mais segurança. A área azul só cobra o espaço e não garante nada.

E para completar
Isso sem contar com a cobrança da tarifa extra, pelo não uso do cartão. Dia desses, ao estacionar numa das vagas, saí em direção ao parquímetro praticamente ao lado e, enquanto colocava a moeda, a monitora mesmo me vendo, imprimiu o aviso. A mesma monitora me viu deixar o veículo em direção ao equipamento para lá deixar minhas moedas. A única coisa que disse a ela foi que ela havia gastado papel do aviso desnecessariamente.

Jeito de governo
Na próxima segunda-feira, as unidades da Unesp - Universidade Estadual Paulista - devem ter greve de professores, funcionários e até mesmo de alunos. Os estudantes pedem por melhorias, como restaurante universitário e cantinas e reivindicam moradias sociais. Sei disso porque meu filho estuda na unidade de São Paulo e lá nem mesmo uma lanchonete tem, embora o espaço esteja disponível. Depois o governo estadual vem a público fazer publicidade dos avanços no ensino público paulista. Propaganda enganosa e retórica política. Funcionários e professores já sabemos o que querem: respeito e valorização.

Constatação real
E se o ensino público universitário no Estado mais rico da Federação, que tem USP e Unicamp entre as dez melhores da América Latina, está nesse abandono, o que falar então do fundamental e do médio, há muito tempo esquecido. Aliás só piorou nos últimos 16 ou 20 anos. Isso é real, visível. Não há como negar.

A última de hoje
Engraçado mesmo é ouvir políticos reprovados pelo voto, opinando sobre questões municipais e administrativas, que tiveram oportunidade de praticar, mas não o fizeram. Pois se tivessem feito, tudo poderia ser muito melhor. Por isso foram reprovados pelo voto popular.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Um novo velho discurso político

Se alguém ainda duvida que 2014 já chegou, apesar de estarmos alcançando apenas a metade de 2013, é só navegar pelas redes sociais e acompanhar o noticiário da mídia tradicional, para perceber que o movimento político ganha nítidos contornos de campanha eleitoral. Não há um só ato, seja da situação ou da oposição, que não nos conduza ao palco de mais uma acirrada disputa. Talvez o mais duro - porém, não tão competitivo assim - embate da história recente de períodos pré-eleitorais de que tenhanos conhecimento, levando em consideração o desejo de manutenção - ou retomada - do poder central.
Mais duro, porque será figadal. E o "não tão competitivo assim", a que me referi neste início de artigo, é por conta da falta de lideranças entre os críticos do governo, que possam garantir à oposição um papel de destaque no enredo da política nacional. Está tudo muito carcomido e velho, como aqueles antigos discos de vinil, quando riscavam. A agulha enroscava e uma mesma frase ou trecho da música tocada se repetia, repetia e repetia, até darmos um peteleco no braço da vitrola para a agulha poder correr livremente e, dessa forma chegar à última faixa. E a tentativa de dar visibilidade a um ou outro personagem esbarra na falta de carisma daqueles que querem, com sorrisos ou frases de efeito, a garantia de chegar lá por setembro do ano que vem, como um CD. Com um discurso de fato renovado em temas e objetivos. E mesmo com alguns petelecos, essa agulha não desenrosca nunca e a tendência aponta para a manutenção do status quo atual.
E para atrair a opinião pública e minar a hegemonia do PT no governo federal, o PSDB - principal partido de oposição - erra, novamente, ao tentar a busca de dividendos nos programas sociais, que ganharam destaque a partir do primeiro governo do metalúrgico Lula, como se fossem bandeira já hasteada e por outras mãos. A grande questão que fica, com esse novo jeito de chegar junto ao eleitorado, é a seguinte: se esses programas têm, como disse o candidatíssimo Aécio Neves - o ex-governador e hoje senador tucano mineiro e presidente nacional do partido - o DNA do PSDB, por que, então, não foi parido antes? E se foi, de fato, por que o governo FHC fechou seu ciclo sem contabilizar para si tais projetos? Parece-me que não há teste de parternidade no mundo que comprove essa tese do DNA. Pelo menos, não junto aos eleitores. Essa é a pintura de momento, que compõe um surrealista acervo de obras de arte, que é a política nacional.
E mesmo com algumas caras novas, o discurso continua antigo. O mesmo do disco riscado, que levou José Serra (por duas vezes), e o atual governador paulista, Geraldo Alckmin, a serem derrotados por Lula e Dilma. E se essa batida for mantida e não cair nenhum tornado por aqui, 2018 ainda está longe. E com riscos de  tempo de validade vencido. A ex-verde Marina Silva, que patina na organização de seu novo partido, e o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) podem ocupar esse espaço, que ano a ano vem sendo tirado do ninho tucano. E boatos, inevitavelmente, voltam ao lugar de origem, provocando grandes estragos.

domingo, 26 de maio de 2013

A OAB e a PEC 37. Quais interesses defender

Na última segunda-feira, 20, as discussões sobre a Proposta de Emenda Constitucional que retira o poder de investigação criminal do Ministério Público, a PEC 37, voltaram a ganhar destaque na mídia, por conta de uma decisão do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que decidiu pelo apoio à constitucionalidade da proposta, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto a sociedade apoia o poder investigatório do MP, mais entidades, bancando um corporativismo extremado, se unem para pôr fim a essa atribuição de promotores públicos e procuradores, em favor apenas das instâncias policiais, como a Civil e Federal. Antes de tudo, é uma briga de egos que envolve essas três instituições. Cada uma delas tentando mostrar mais poder do que a outra. O que não é saudável, também, quando se projeta o combate à impunidade que grassa por todos os rincões deste país. Ninguém precisa de superpoderes (e não pode ter mesmo, para que não haja desequilíbrio de forças), muito menos restringir as ações investigativas, como se está pretendendo, agora, caso a PEC 37 seja validada.

Apenas um detalhe
Só para refrescar a memória, a PEC 37 é de autoria do deputado Lourival Mendes (PTdoB-MA), que é também delegado de polícia e interessado direto. Essa proposta, em minha opinião, nada mais é do que uma defesa em causa própria do deputado maranhense e de tantos outros políticos, investigados ou não, por ações criminosas. Em especial aquelas cometidas contra a administração pública.

A decisão polêmica
A PEC 37 foi aprovada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, no dia 21 de novembro de 2011 e, de lá para cá, ganhou a mídia pela importância do debate que iniciou. Foi uma decisão polêmica, pois o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que presidia a Comissão, não permitiu que dois deputados apresentassem voto em separado, contendo modificações no texto original.

Faltou o bom senso
O desinteresse pelo combate à impunidade e a resposta grosseira, dada à sociedade pelos deputados da Comissão Especial, ficaram por conta da derrubada do texto do relator da proposta, deputado Fabio Trad (PMDB-MS), que havia modificado o texto original da PEC, permitindo uma investigação conjunta entre o Ministério Público e as polícias, os crimes praticados contra a administração pública, como corrupção, por exemplo, e também delitos praticados por organizações criminosas. Foi uma decisão que favorece, sim, a impunidade neste país.

Mais do que o debate
O debate é muito oportuno entre todas as correntes. Porém, é o STF que decidirá se a PEC 37 é constitucional ou não. Depois vai a votação no Plenário da Câmara, para ser aprovada ou não pelos deputados.

Plenário completo
Agora o STF está com seu staff de ministros completo novamente. Na última quinta-feira, 23, a presidente Dilma Rousseff escolheu o advogado Luís Roberto Barroso, de 55 anos, à vaga deixada por Carlos Ayres Britto, que se aposentou no ano passado. Barroso, que é especialista em direito constitucional, também era o preferido de Britto. Sua escolha surpreendeu muita gente, de forma positiva. O novo ministro tem perfil progressista e, como advogado, atual em várias ações no próprio Supremo, como a pesquisa em células-tronco embrionárias, que tanto desgrada lideranças católicas e evangélicas. É favorável à união homoafetiva.

De encher os olhos
E de volta aos temas locais, a semana que passou acabou por dar a Limeira - e aos limeirenses - um presente valioso no sentido de preservação da história, ao valorizar o seu patrimônio arquitetônico. E como essas ações só encontram repercussão na iniciativa privada, é justamente do meio empresarial que vem a boa notícia. Na última sexta-feira, 24, foi aberto ao público o Espaço Cultural Engep, no casarão restaurado do Largo Boa Morte. Datado do século XIX, ele quase foi descaracterizado. A ação da Engep bancou sua restauração.

Emiliano e sua obra
São iniciativas como essa que mostram que há muita gente, ainda, preocupada em preservar o que vai restando da nossa história. Uma lição àqueles que ainda não entendem que é do passado que se faz o presente, para garantir o futuro. E é preciso elogiar a direção da própria Engep, por ação tão relevante, que se completa, de forma brilhante, com a exposição de um dos arquivos vivos, talvez o maior possuidor de imagens em movimento, que se tem notícia por aqui: Emiliano Bernardes da Silva. Uma justa homenagem a quem vem, há muito tempo, contando a história de Limeira. 

Já foi para o chão
A especulação imobiliária é uma das mais devastadoras ações da ganância humana. Outros imóveis também poderiam estar preservados, não fossem atitudes egoístas com sua própria comunidade. Um bom exemplo foi o casarão que pertenceu a Antonio Esteves dos Santos, o Tonico Esteves, na esquina da Rua Carlos Gomes com a Praça Toledo Barros. Ao primeiro sinal por sua preservação, foi demolido impiedosamente. Hoje resta no local um estacionamento. Apenas isso.

Pergunta rápida
Será que a administração Hadich embala para completar os 180 dias?

Educação em baixa
Se o poder público não faz obras de interesse social, é criticado. E sempre com razão. Quando faz, a ação de vândalos nos deixa muito espaço para reflexões e por que há esse tipo de ação, que sempre é prejudicial à própria comunidade. Um péssimo exemplo, de maus cidadãos, foi a destruição da passarela do Santa Eulália, apenas quatro meses após sua inauguração. Na quinta-feira passada, a obra de recuperação foi concluída e o secretário Marcelo Coghi já anunciou: as próximas pontes serão em concreto. É simples: se não há como colocar uma porteira numa propriedade, coloca-se um mata-burros. Está certo o secretário.

Nota curtíssima
O verde e vermelho desconexos continuam nas ruas centrais. Sem indicativo de que vão melhorar.

A verdade avança
A Comissão da Verdade, criada para apurar crimes de tortura no Brasil a partir da década de 1940, em especial durante a ditadura militar, de 1964 a 1985, avança. Depoimentos e novas descobertas, que de fato comprovam que houve tortura nos porões dos órgãos repressores, são um alento ao recente período. Resta-nos, agora, torcer para um governo que tenha coragem de punir todos aqueles que torturaram em nome do Estado. Argentina, Uruguai e Chile são bons exemplos.

Frase da semana
"O STF contribui para reforçar a mentirinha chamada partido político." Do cientista político e professor do Insper, Humberto Dantas, analisando a fala do ministro Joaquim Barbosa. Na terça-feira, 21. Na Folha de S. Paulo.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Foi preparado?
A participação do vereador Luis Fernando Silveira, o Luisinho da Casa Kühl (PSDB), em sua primeira sessão, na última segunda-feira, após sua posse na cadeira deixada por Edmilson Gonçalves (PSDC), cassado pela Câmara, surpreendeu. Ele se posicionou e justificou votos, como nunca o fizera antes. Pode surpreender.

Entrava quieto...
...e saía calado. Para quem, como eu, acompanhou seu primeiro mandato, entre 1997 e 2000 - foi eleito em 1996 junto com Pedrinho Kühl - sua atuação foi acima de discreta. Votava sempre com o Poder Executivo, num silêncio assustador. Desta vez parece que vai deslanchar. Tanto que indaguei a líderes tucanos se havia sido feita uma preparação com Luisinho e me garantiram que a única preparação que recebeu do partido foi sua própria candidatura. Vamos acompanhar novamente.

Silêncio de ouro
E por falar em Câmara Municipal, há um sossego aparente após a cassação de Edmilson. Vez ou outra quebrado por discussões entre o "sim" e o "não", em votações, que nem polêmicas são. Ou quando a bancada da "bíblia" resolve mostrar sua postura segregacionista. Mas a bola da vez é o vereador Tigrão (PMDB).

Quebrou de novo
Outro ônibus da Limeirense teve um eixo dianteiro quebrado e por pouco não provoca uma tragédia. É a segunda vez que esta Gazeta mostra esse tipo de acidente, envolvendo o transporte público urbano. Mais um exemplo de desrespeito da concessionária para com seus usuários e o Município, onde presta serviços, o que mostra as condições da frota local, que leva a um novo questionamento sobre a manutenção e tempo de circulação desses ônibus da concessionária.

Leite derramado
Quando acontecer uma tragédia, talvez possa aguçar a consciência daqueles que deveriam zelar pela qualidade do serviço. E o poder concedente, no caso a Prefeitura, ainda quer subsidiar esse transporte, por conta da gratuidade para os idosos, através de projeto aprovado pelos senhores vereadores, que são também críticos do sistema. Uma contradição que não dá para entender. Enquanto isso, ônibus velhos, atrasos, quebras...

Corporativismo
A OAB fechou questão com a PEC 37, contra o MP. Que o STF tenha a dignidade de garantir a inconstitucionalidade da PEC 37. Para o bem deste País.

A última de hoje
Assim como o Corão e outros escritos proféticos, a Bíblia é muito mais que um tratado sobre crenças. É um livro para ser lido - e quem de fato é especialista afirma que é uma leitura que nunca termina - e interpretado. E não para servir a senhores da fé, que professam, antes de tudo, a discriminação. Seja de que natureza for.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Caiu na rede? Nem sempre é peixe

Apesar de me expor com perfis em três redes sociais, o Orkut (se alguém ainda se lembra dele), Twitter e Facebook, nunca acreditei na segurança das senhas. Das páginas superprotegidas das instituições financeiras e de tudo o que trafega pela web de forma indiscriminada e aleatorimente à minha, à sua e à nossa vontade. Podem até me chamar de antigo, mas não faço transações de quaisquer natureza em sites bancários e nem mais compras pela internet com cartões de crédito - continuo fazendo-as, sim, mas através de boletos - por uma decepção, que felizmente não custou muito dinheiro, porque o sistema de segurança do banco com o qual trabalho me avisou antes, devido ao meu perfil de consumo e transações até então realizadas. Apenas a dor de cabeça com idas e vindas ao banco.
E não é preciso navegar muito, para saber o quanto nossa vida está sendo invadida e nem mesmo temos conhecimento disso. E, quando o temos, já é tarde demais. Um conversa confidencial, uma indiscrição ou imprudência verbais e pronto. Lá estamos nós na rede, através das chamadas postagens que se tornam virais, aquelas que se espalham rapidamente e aos milhões de cliques, como mostrou Ryan Holiday, em seu livro "Acredite, estou mentindo - confissões de um manipular das mídias", recentemente lançado no Brasil, o qual que recomendo à leitura. O livro - e suas histórias - vale uma leitura atenta, enquanto temos nossa privacidade sob ameaça. Acercar-se de cautela é a única alternativa para não cair na exposição inadequada na rede mundial de computadores.
O mais recente exemplo vem de uma pesquisa sobre o acesso dos governos a dados privados do cidadão; e um segundo, após um bug num dos aplicativos de segurança em rede de encontros sexuais "entre amigos" - o Bang with friends - ferramenta utilizada pelo Facebook, que está constrangendo muita gente, devido ao furo no sistema descoberto na semana passada por um jornal americano e veiculado como notícia. O que era para ser sigiloso e exclusivo - de alcova, mesmo - caiu no acesso fácil de seus usuários, revelando quem queria "transar" como quem. Cada um que se explique para os que copartilharam de seus desejos e fantasias. Aos interessados, a revista IstoÉ desta semana trouxe a matéria, com os "causos" brasileiros - e identificados - dessa verdadeira armadilha virtual.
O primeiro citado é mais sério e preocupante. Postado na Folha-Online de ontem, trata-se um estudo coordenado pelo Center for Democracy and Technology, baseado em Washington, que mostra como governos de todo o mundo podem ter acesso a dados confidenciais oferecidos por clientes a empresas privadas. E como cada órgão ou entidade governamental podem deles se utilizar e das mais diferentes formas. O autor do capítulo brasileiro é o professor de Direito da FGV-RJ, Bruno Magrani. A bibilhotagem fica por conta da Anatel, através da rede de telefonia celular. E, pela internet, num acordo firmando entre Polícia Federal, Ministério Público, Facebook e Google, garante agilidade em processos e quebras de sigilos. Ninguém vai deixar de acessar a web, porque o estrago já está feito. Basta saber o que compartilhar.