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domingo, 1 de julho de 2012

Polêmica mais do que inútil. Desnecessária mesmo

Distribui sacolinhas. Não distribui sacolinhas. Há uma lei estadual, que determina e regulamenta o fim dessa distribuição em supermercados do Estado de São Paulo, que  havia sido posta em prática. As redes anunciaram, foram gradativamente retirando essas embalagens (que muitas donas de casa gostavam e gostam tanto), que começaram a ser substituídas pelas sacolas retornáveis - as chamadas ecobags - e já estava se tornando hábito, quando a Justiça determinou a volta das sacolinhas. Aquelas com as logomarcas dos hipermercados e redes conhecidas. Aquelas consideradas prejudiciais ao meio ambiente e que, quando foram retiradas, não retornaram em benefícios ao consumidor, com o devido percentual de redução nos preços dos produtos nas gôndolas. Muitos desses consumidores compraram suas ecobags nos próprios estabelecimentos e as estavam usando. Particularmente sou pelo fim das sacolinhas plásticas. Porém, o que não pode acontecer é esse joguete de distribui-não-distribui, entre a associação dos supermercados, a lei e a Justiça, que só prejudica a ponta da linha: o consumidor final.

Custos e benefícios
É controversa a questão do benefício ao meio ambiente, ao se extinguir as famigeradas sacolinhas plásticas. Penso que é uma contribuição a mais e de importância na preservação da natureza, das muitas que deveriam ser experimentadas. É uma conscientização. Para que todos se engajem e entendam que há necessidade desse tipo de medida. E que seja abrangente e chegue, porém, à toda a cadeia de consumo.

Comprei. E agora?
A sensação que fica, entretanto, com essa decisão judicial, que começou a ser acatada rapidamente pelos hipermercados, é que só as próprias empresas lucraram. Lucraram quando extinguiram as sacolinhas e não repassaram o fim desse custo ao consumidor; lucraram quando começaram a vender as sacolas retornáveis. E o consumidor ficou com cara de bobo. Agora só falta o nariz vermelho para completar. 

E a conta é nossa
E com a experiência do meu mais de meio século de experiência, e mais de dois terços deles no jornalismo, ainda me surpreendo com a insensibilidade de quem decide apenas pelo próprio interesse. Isso em todos os segmentos da sociedade e poderes constituídos. Há deuses e demônios em todos. E, em minha humilíssima opinião, foi um erro essa decisão judicial. Estou no meu livre arbítrio em opiniar.

Presentinho bom
Por falar em consumidor - que em alguns casos se transforma em usuário, como é o do transporte público - ele foi surpreendido nesta semana que passou, pelo presente que a Prefeitura deu às viações Limeirense e Rápido Sudeste. Um novo aumento de tarifa, para as passagens, de ônibus que perdem suas rodas em pleno trajeto, que atrasam ou deixam de passar em pontos fixos, e tanto irritam a população, que precisa desse serviço. Alguma coisa está errada nesse processo.

Se melhorar, sobe
O próprio secretário dos Transportes, Rodrigo Oliveira, havia se comprometido com a população e publicamente, que só pensaria em aumento no valor da tarifa quando o sistema apresentasse melhoras sensívies e comprovadas aos usuários do transporte coletivo. Ou só ele viu essa melhora ou então esqueceu-se do que havia falado. Quem sabe algum dia ele possa explicar tudo isso.

Prática do acerto
Uma das facetas da prática jornalística, principalmente para quem parte para a área de análise, através do colunismo sério, são os momentos de reflexão, que muitas vezes temos de fazer. São momentos apaixonantes na profissão, com resultados que nos indicam o acerto ou o erro. Invariavelmente apertamos a ferida do ego de muita gente, cuja primeira reação é tentar nos calar. Das mais diversas formas. Influências, amizades... E são sempre esses que nos proporcionam as maiores vitórias, quando descobrimos que aquilo que escrevemos, a crítica que fizemos e o ponto dessa crítica, foram acertados em 100%. E muitas vezes acertamos naquilo que não gostaríamos de acertar. Mas faz parte do nosso dia a dia. 

Pergunta rápida

A incompetência dói?

Hora da política
Julho chegou. Com ele o calendário eleitoral oficial começa a apertar o cerco aos candidatos mais afoitos. E já a partir de hoje, dia primeiro, todos precisam ter muito cuidado com a exposição na mídia eletrônica. Privilegiar esse ou aquele candidato ou partido fica proibido, assim como entrevistas com candidatos, mesmo que em matérias jornalísticas. A farra vai acabar. E a Justiça Eleitoral vai ficar de olhos bem abertos. A lei é  nº 9.504/1997. Espera-se, no mínimo, que os partidos a disponibilizem a seus candidatos, tanto para o cargo majoritário como proporcional. Nós também estaremos de olho em toda a movimentação de cada um.

Sem novidades
Por aqui, a campanha política não trará novidades e nem novas lideranças estão no páreo. Apenas os já tradicionais e conhecidos caciques partidários, que mais uma vez fizeram valer suas vontades e vaidades. Basta olhar na composição das chapas e coligações. Nos nomes apresentados. Gato escaldado vai correr da água fria, da morna e da quente. E isso não é um trocadilho, não. É um conhecido ditado popular. E quem tiver barbas, que as coloque de molho.

Uma dor sentida
No PSDB, quem mais sentiu a decisão de Pedrinho Kühl em apoiar Lusenrique Quintal (PSD) foi a Juventude Tucana de Limeira. Depositavam, em Kühl, uma idealista esperança, como não se via há tempos na política. E esperança e juventude são dois substantivos concretos, e que deveriam pesar mais do que interesses.

Frase da semana
"Gosto de matar e isso me sacia". De G.L.N., 31 anos, conhecido como "Smayk", durante depoimento em julgamento por homicídio, no Fórum de Limeira. Quarta-feira, 27, na Gazeta.

sábado, 30 de junho de 2012

Como dito, feito
Desde que o STF validou a Lei da Ficha Limpa, venho escrevendo, reescrevendo e comentando que o tucano Pedrinho Kühl dificilmente seria o tão esperado candidato à redenção do PSDB em Limeira. Fui contestado, até mesmo ouvi algumas ironias de alguns expertos em política, que ele não havia sido atingido. O próprio Kühl vinha alimentando essa expectativa, afirmando sua candidatura.

E contra fatos...
...não há argumentos. A Lei da Ficha Limpa federal é muito clara. E a condenação, que envolveu também a vereadora Iraciara Basseto (PV), o ex-prefeito José Carlos Pejon e também o cassado Silvio Félix da Silva (PDT), não deixava dúvidas. Apenas interpretações. Que cá entre nós, podem ser uma de um advogado, mas as que contam, mesmo, são a dos juízes. Tudo está lá, na tábua fria da lei.

Cálculos atuais
Salvo alguma loucura extraordinária, com essa situação, Limeira terá quatro candidatos, que partem, conforme a matemática, que também é fria, com 25% cada um nas chances. É o resumo dos cálculos iniciais dos dez nomes potenciais, que invadiam o imaginário popular antes do abalo político que o município sofreu.

Seria um poste?
Agora resta saber qual desses quatro candidatos (Paulo Hadich, Eliseu Daniel, Lusenrique Quintal e Cleber Leite) aceitará o espólio do até então todo poderoso PDT limeirense. Ou terá coragem de carregar Félix na campanha eleitoral.

E o dinheiro, óó...
A Justiça obrigou os supermercados a distribuir, novamente, as famigeradas sacolinhas plásticas. Agora fica uma dúvida:: alguém vai reembolsar o consumidor que adquiriu várias sacolas retornáveis nos próprios supermercados?

A lei do silêncio
Alguém precisa tomar providências quanto ao barulho fora de hora de concessionárias de serviços públicos e empreiteiras e empresas contratadas pela prefeitura para obras e serviços. Estão trabalhando após as 22h, com barulho em áreas residenciais. Marteletes, britadeiras, compressores, etc. E estão indo além das 24h.

A última de hoje
É a boa notícia da semana. Finalmente o Palacete Levy vai ter sua obra de restauração concluída e será reaberto. Um monumento preservado da especulação imobiliária.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Perfil e coerência elegerão novo prefeito

A partir de agora, a política deverá ser a tônica de todas as rodas de discussões. De bares aos altos escalões partidários, o tema eleições municipais entrará no cardápio dos limeirenses. Dos que gostam será o prato principal. Daqueles que tentam não se envolver, precisará ser digerido com calma. E de um outro grupo, os que abominam (tanto teoria, quanto a prática) o assunto e temem uma indigestão, podendo até causar náuseas, será mastigado às pressas e engolido sem a preocupação com o estrago que essa atitude pode causar.
Com a apresentação dos primeiros nomes, já oficializados, apoios e coligações definidos, começa a ganhar forma o contexto eleitoral. As cores começam a se espalhar por esse quadro, que ganhará sua pincelada final no dia 7 de outubro, em primeiro turno ou, pela primeira vez no Município, num segundo turno, no dia 28 do mesmo mês. Enfim, a largada para a corrida à principal cadeira do Edifício Prada e às 21, do Palácio Tatuiby, foi dada no último domingo, com as chapas majoritárias comandadas por Paulo Hadich-Antonio Carlos Lima (PSB, PT, PMDB)  e Eliseu Daniel dos Santos-Reinaldo Bastelli (DEM, PP, PMN, PT do B e PRP). A partir dessas coligações surgirão ainda as relativas às eleições proporcionais, ou seja, para vereadores.
Como ainda faltam outros candidatos e coligações a serem oficializadas em convenções que devem acontecer até a data limite do calendário, que é o dia 30 (nomes como Pedrinho Kühl, Luserinque Quintal e Kleber Leite ainda devem ser homologados) qualquer prognóstico agora seria perda de tempo. Assumir publicamente que esse ou aquele candidato tem mais vigor que o outro é incorrer no grave erro das previsões, que nunca valem para a política. E nem para o futebol. E como nós, jornalistas, somos intrometidos ou metidos a entender de tudo, sobram leitores e observadores nos indagando sobre as candidaturas, chances de cada uma delas, e ávidos de informações, querem ouvir o que temos a dizer. Nesse caso, cautela  e caldo de galinha (para quem gosta) não fazem mal a ninguém.
Eu prefiro a cautela. Mesmo as pesquisas eleitorais feitas dentro dos parâmetros técnicos e científicos merecem cuidado ao serem analisadas. FHC e Jânio, em 1985 e Luiza Erundina e Paulo Maluf, em 1988, são os mais claros exemplos dessa minha afirmação anterior. Costumo dizer que as chances de cada um estão no andamento que darão às suas campanhas e dos valores que conseguirão a ela agregar. E, em alguns casos, de como se livrar de alguns estigmas do passado, bem passado ou recente. É no perfil que cada um conseguirá traçar de si próprio, para convencer o eleitor, que está a chave do sucesso. E na coerência dos discursos. Com o recente episódio da cassação de Silvio Félix da Silva (PDT), os eleitores estão mais atentos. Não vão se aventurar com facilidade. Imagem só, não bastará.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A hora do coração. Uma ponte para outra vida

Muitos ainda resistem. Ou por preconceito e até mesmo por questões religiosas, o que convenhamos é uma grande besteira, mas o fato é que a doação de órgãos, e de pessoas ou famílias dispostas a praticar esse gesto de humanidade com o próximo, ainda é pequena no Brasil. Das muitas, improdutivas e inúteis mortes, que poderiam reverter um quadro triste no País, de pessoas que poderiam ter suas vidas restauradas a partir desse desprendimento material, o que se percebe é um pequeno percentual de aproveitamento. E quando há casos como o da família do jovem Diego Henrique Martiniano, às vezes se esbarra nas dificuldades de acesso aos órgãos disponibilizados. Não foi o caso de Limeira, que teve a imediata intervenção do Incor de São Paulo e de sua equipe de captação de órgãos para transplantes, que soube aproveitar aquilo que estava sendo disponibilizado. Que estava sendo, de forma corajosa - por que é preciso coragem, sim, para um ato dessa grandeza - doado justamente para salvar vidas. Tristeza e choro, que se transformaram em esperança para outras famílias, que agora poderão sorrir.

O desejo de cada um
Mais que o exemplo da família Martiniano, é importante lembrar da importância de ser um doador de órgão. Especificar essa condição, em vida, e deixar bem claro à própria família esse tipo de desejo. E que seja, quando for - e se vier a acontecer - o momento, uma vontade respeitada. E, em momentos como esse, despojar-se das vaidades. Entender o quanto é importante salvar uma vida, a partir desse gesto. 

Como a vida continua
Outro fator que entendo como importante e, confesso, não sei se existe essa interação, é proporcionar encontros entre as famílias de doadores e também daquelas que receberam órgãos - ou parte deles - para que possam se criar laços de afetividade. Uma ligação e uma continuidade da própria vida, daquele que já não está mais entre os seus. E um sinal de agradecimento dos que se beneficiaram da doação.

O próximo exemplo
E que possamos - e sempre se espera novos exemplos a partir dos anteriores - ver a fila de espera diminuir, com o aumento de doações. De atos inteligentes, porém sensíveis, como o da família de Diego.

Estão à flor da pele

Os motoristas do transporte coletivo urbano precisam se acalmar. Não se sabe se por estresse da própria profissão ou até mesmo desvalorização profissional por parte das empresas, eles estão dirigindo nervosos. Buzinando em sinal fechado, fazendo conversões perigosas e até fechando cruzamentos. O poder público concessionário precisa fiscalizar mais as empresas, para ver se estão cumprindo com suas obrigações trabalhistas. Está na hora da prática. Assim como diz o técnico do Corinthians, Tite, o conhecido "fala muito", acontece por aqui. Fala-se demais e pratica-se de menos.

E as consequências...
Recorrer a um tema cansativo é a melhor forma de não deixá-lo morrer junto à opinião pública. Ainda na linha trânsito, faixa de pedestre virou enfeite, seta se transformou em adereço, quando não sinaliza para um lado e o motorista faz a conversão do outro. Assim como volante virou extensão de linha telefônica. Tudo isso vale para motoristas, motociclistas - e motoqueiros - e pedestres. Enquanto faltar educação, vai sobrar morte pelas ruas e avenidas. Duro, porém real.

Explicou o shopping
Por conta do artefato - uma granada do exército sem explosivos - encontrado nas dependências do Shopping Pátio Limeira, a gerência do empreendimento disse que a situação estava sob controle, sem risco iminente, e todas as informações foram passadas, sem a necessidade de - ou possível - uma evacuação da área. Explicou que a ação a Polícia Militar foi objetiva, constantando-se que a ação tomada foi adequada, segundo o gerente do shopping, Flávio Luis Soares Ribeiro.

Diferenças visíveis
Muita gente peca por desconhecer a diferença entre informação e opinião. E acaba cometendo erros grotescos de interpretação em textos jornalísticos.

Foi dada a largada
Estão começando hoje e devem se estender até o próximo dia 30 (data oficial final) as convenções partidárias, que darão feição às eleições municipais deste ano em Limeira. Vários partidos têm seus encontros agendados para hoje e outros para os próximos dias. A seguir as tendências estabelecidas até o momento, teremos algumas chapas coerentes, outras nem tanto e, algumas, verdadeiras aberrações da política. Não vou nem tentar advinhar. O resultado veremos depois.

Para rir ou chorar?
Engraçado mesmo são os neófitos da política bancando uma experiência inexistente e tentando mostrar que são "os caras". É o lado pitoresco da política, que dá a liga a essa maravilhosa ciência humana, hoje transformada em briga de rua pelo poder, que fomenta as quadrilhas de colarinho branco.

Pergunta rápida
Quantos filhos do "dr. Frankenstein" as convenções partidárias conseguirão parir, a partir de hoje, em Limeira?

Frase da semana
"Bons tempos em que PT e PSDB disputavam o poder. Agora, no poder, a disputa é para ver quem é menos pilantra". Marcelo Tas, na Rede do Tas. Na Revista IstoÉ, 20/06/2012.
Passado ausente
Lula conseguiu jogar tudo o que construiu desde 1980 na vala comum do populismo. A aliança com Paulo Maluf (PP) pela candidatura de Fernando Haddad (PT) à prefeitura paulistana, causou asco até ao mais conservador dos petistas. Abriu, definitivamente, o caminho a José Serra (PSDB). Fez com que a até então pré-vice, Luiza Erundina (PSB), mais que justamente, abandonasse o cargo. Está na hora de colocar um pijama no ex-presidente. Se Lula, porém, conseguir emplacar Haddad como fez com Dilma, aí é preciso rever todos os conceitos e teorias políticas. Desde Aristóteles a Maquiavel, até chegar a Tiririca...

Estratégia tosca
Pode até ser uma estratégia para eleger o tucano, a fim de que ele não dispute 2014. Erro grotesto, mesmo porque o cargo a prefeito não vai prendê-lo ao Executivo paulistano. Da outra vez ele já abandonou o barco e foi concorrer à Presidência da República. E se José Serra se eleger será um prefeito com data de validade: 2014, quando sairá para, novamente, viabilizar sua obsessão, ou seja, o Palácio do Planalto. Alguém duvida disso?

Foi só ciumeira...
Assim que Lula apareceu com Haddad ao lado de Maluf, tucanos da baixa, média e alta plumagem fizeram muito barulho. Deram início a uma ladainha conhecida, porém, inócua. Na verdade não era nenhuma apologia à ética. Eram apenas ciúmes, pois o próprio Serra já cogitara, em maio, uma aliança com o líder do PP.

Difícil de apagar
Muitos me perguntaram sobre o significado da expressão "desvencilhar dos estigmas do passado", da qual tratei no meu artigo da terça-feira,"Façam suas apostas. O jogo vai começar". São duas situações distintas, mas presentes. Com Eliseu Daniel (DEM), que terá a sombra de sua participação no governo do cassado Silvio Félix (PDT). E com Pedrinho Kühl (PSDB), por ter deixado seu segundo mandato de prefeito pela metade, para concorrer à Câmara Federal. Terão que ser hábeis e muito claros ao lidar com esses temas, que serão lembrados por adversários durante a campanha eleitoral.

Falhou, outra vez
Seja qual for o resultado da perícia no artefato (parecido com uma granada) encontrado no Shopping Pátio e levado pelo Gate, o que chama a atenção é que mais uma vez, numa situação de risco iminente, o empreendimento agiu como se nada tivesse acontecido. Pecou pela ausência de informação e ação rápida para uma possível evacuação.

A última de hoje
Não poderia deixar de comentar sobre o gesto extremo de apreço à vida da família do jovem Diego Henrique Martiniano, de 19 anos, que autorizou a doação dos vários órgãos de seu corpo, após sua morte cerebral constatada. A sua vida vai continuar em várias outras, que até ontem dependiam de um gesto como este.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Façam suas apostas. O jogo vai começar

Apesar de poder deliberar sobre candidaturas e coligações até o dia 30 de junho, prazo final para a realização das convenções partidárias, conforme o caldendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Limeira terá um domingo de São João cheio. É que os partidos escolheram o 24 de junho - data alusiva ao segundo santo das comemorações juninas - para apresentar os nomes que estarão nas urnas, no dia 7 de outubro. E entre uma fogueira e outra, não do santo festejado, estarão ardendo vaidades e ambições, que dependendo do combustível aplicado, vão se alastrar e queimar forte ou apenas fazer fumacinha e se apagar rápido.
Difícil afirmar com convicção, ainda, quem terá mais lenha para abastecer o fogão. O que se vê prosperar, além de especulações e prováveis alianças, é o plantio de informação na mídia, patrocinado pelos próprios interessados, que usam e abusam de artifícios, alguns criativos e outros nem tanto, para se manterem vivos na consciência popular. Uns até conseguem, outros simplesmente aparecem e depois somem, mas não desistem. São agricultores ávidos em ver o resultado da semeadura, que na maioria das vezes perece em solo árido. E apesar de tentarem até o fim, acabam sempre alocados entre a colheita de maior fertilidade. Melhor adubada e regada, com boa arrecadação financeira e espaço midiático. Vontade de muitos, privilégios de poucos.
O segredo das campanhas políticas, neste ano conturbado e de derrocada daquele que ficou conhecido como "fazedor de postes", não ficará confinado só ao conteúdo programático de cada candidato (o que deveria ser obrigatório e sem exceção à regra), mas à capacidade de cada um em se apresentar e, principalmente, convencer o eleitorado de que não repetirá os erros desse passado ainda vivo. Dessa triste lembrança -e muita lambança - que se tornou o até então sólido governo Silvio Félix da Silva. Compromissos e promessas terão que ser muito bem embasadas e alinhavadas com costuras resistentes, pois muitos terão que enfrentar o julgamento popular ainda na cola e até mesmo trazendo a reboque, a administração vigente até o último dia 24 de fevereiro. Esses, creio eu, terão muita dificuldade em emplacar suas aspirações, perante à opinião pública, que se mobilizou para chegar até a raiz do mal, que a todos afetou.
O sucesso dependerá muito do caminho a ser trilhado. E da companhia que ladeará, ombro a ombro, àqueles que desejarem se expor. E quando o momento dessa exposição chegar, se verá quem tem talento para se desvencilhar dos estigmas do próprio passado. Em alguns casos comprometedor. Quem sair intacto dessa batalha - ou menos arranhado - poderá prosperar com seus objetivos. E tocar a carruagem sem se preocupar com o rastro de poeira deixado. Resta saber como se comportarão, entretanto, adversários e alidados. O fogo amigo, às vezes, é muito mais periogoso que a munição inimiga. O jogo está começando, ainda aceitam-se apostas.

domingo, 17 de junho de 2012

Mais que uma sentença, uma lição de respeito

A manchete desta Gazeta da última sexta-feira - "Motorista humilhado por agente de trânsito ganha indenização" - provoca, invevitavelmente, uma reflexão mais séria. Em que pese o caráter curioso do seu conteúdo, o didatismo da sentença proferida pelo juiz da Vara da Fazenda Pública, Adilson Araki Ribeiro, pode ser entendido como lição ao abuso do poder e arbitrariedade, que muitas vezes vêm de quem deveria dar o exemplo: uma autoridade. Sim, porque apesar de seu limite de atuação, o agente de trânsito é uma autoridade. E justamente dentro desse limite, ou seja, da condução educada e das regras que deve observar ao exercer sua função. Se o que se prega é justamente a educação no trânsito - que falta também a muitos condutores, e até mesmo pedestres - ao exceder-se a ponto de provocar constrangimento público à vítima, que era no caso o infrator, o agente, que segundo apuração interna da Prefeitura, tinha as competência necessárias ao exercício técnico da função, esqueceu-se de uma: o respeito humano, como bem retratou o magistrado. Autoridade se exerce, não se impõe aos berros; à força de um cargo.   

Uma situação crítica
De 2010 para cá, quando se deu o fato que agora termina na Justiça, e pela própria orientação da lei que criou o cargo de agente de trânsito em Limeira, que se popularizou como "laranjinha" (a cor predominante em sua farda), ainda se ressente de uma atuação mais adequada e efetiva desse contingente, que ainda tem suas ações questionadas por muitos. E num setor altamente criticado dentro do Município.

A que vieram, afinal?
Quando foram apresentados, em 2008, com pompa e cerimônia em praça pública, a ideia era que esses agentes atuassem - e autuassem, quando necessário - em benefício do trânsito. Sempre tendo, como primeira ação, a correção educativa. A punição seria uma consequência posterior. Alguns abusaram. Depois a Prefeitura os recolheu e, agora, vez ou outra estão nas esquinas ou orientando em obras viárias.

E que saiam às ruas
A Secretaria dos Transportes, pasta à qual são subordinados os agentes de trânsito, tem obrigação de colocá-los na rua para exercer a função para a qual foram criados. Pois são as únicas autoridades com poder legal para inibir abusos de condutores e pedestres e, principalmente, conduzir o fluxo de tráfego em áreas críticas. Porém, com educação e sem a chamada "síndrome do pequeno poder", que afeta muitos profissionais que exacerbam em suas áreas. Autoridade é, e será sempre sinônimo de respeito. E quem sabe respeitar será sempre respeitado.

2688 horas depois...
Quase quatro meses depois da cassação do prefeito Silvio Félix da Silva (PDT), o advogado José Roberto Batochio não conseguiu cumprir a promessa de seu discurso de defesa, na Câmara de Limeira, de reverter em 24h o ato dos vereadores. A ação já chegou no STF, com derrota sobre derrota. Está na hora de o advogado se desculpar pelas ofensas proferidas contra o povo limeirense.

O que não sabemos
Limeira tem sido mostrada, fora daqui, em cursos e congressos técnicos realizados por conselhos de profissionais (também técnicos), como exemplo a não ser seguido. Não por motivação política, não. Tudo por conta de irregularidades observadas no segmento de joias folheadas, sempre alvo da Promotoria do Meio Ambiente e de órgãos fiscalizadores, como a Cetesb, por exemplo. E os dados são os mais assustadores possíveis. E envolvem muitos interesses. O pior de tudo é que não são divulgados por aqui, como forma de alertar a população.

Pergunta rápida
Quando o vice-corregedor da Câmara, vereador José Farid Zaine (PDT), vai notificar a vereadora Nilce Segalla (PTB) para dar andamento ao processo, por quebra de decoro, contra ela?

Foi no fígado. Ufff
A pacanda foi forte. Atingiu o fígado da até então candidatura Renê Soares. O PR tomou-lhe as rédeas do partido. De nada valeram os anúncios pagos na mídia impressa, quase propagandas subliminares de um candidato, que estava atraindo muitas atenções. Agora é lona. Nocaute quase impossível de ser revertido. Mas política é política...

Nada republicano
Os acertos políticos continuam. Nos bastidores ou fora deles, o comércio de siglas partidárias vem ganhando força. Tudo o que não precisamos e não queremos. Tem muita gente que anda esquecendo o exemplo de 24 de novembro de 2011. E que as consequências, de 24 de fevereiro de 2012, sirvam como argumento real. É preciso que a limpeza continue na política local. E varrer a sujeira para o lixo é a melhor forma de retomarmos a dignidade perdida. Quem assim seja, amém.

Até o final do mês
Junho é o mês das decisões na política municipal, em todo o País. Pelo calendário do TSE, já divulgado por esta coluna, as convenções partidárias não podem passar do próximo dia 30. Aqui em Limeira, sinaliza-se para que a maior parte dessas convenções aconteça no final deste mês. Aí sim, se poderá saber quem tem bala na agulha. E maior poder de fogo. Por enquanto, só especulações.

Frase da semana
"A forma de abordagem não fôra a mais correta, muito pelo contrário, porque poderiam multar sem alarde e respeitar da dignidade da pessoa humana". Trecho da sentença do juiz Adilson Araki Ribeiro, na sentença que condenou a Prefeitura a indenizar motorista humilhado por agente de trânsito. Sexta-feira, 15, na Gazeta.