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terça-feira, 15 de maio de 2012

Ser honesto não é obrigação legal

Às vezes fico pensando, se um país que precisa de uma legislação específica para nortear o caráter do cidadão, em especial daquele que pleteia cargo eletivo ou é escolhido para compor primeiro, segundo ou terceiro escalão - e seja lá quantos forem - na administração pública, merece o devido respeito e reconhecimento. Fico imaginando que ao enaltecermos leis como a da Ficha Limpa, considerando-a produto essencial para uma limpeza ética na política e sublimando esse tipo de proposta, é porque o fundo do poço está próximo. Tão próximo, que nada mais temos a oferecer de concreto ao povo que compõe essa nação, a não ser o fundo desse poço.
Ser honesto não é obrigação legal. É condição moral imprescindível a qualquer um de nós, independentemente da posição social, econômica ou profissional, que ocupemos ou venhamos a ocupar. E escrever esse artigo, conjugando os verbos na primeira pessoa do plural, é uma forma também de me incluir nessa listagem, reafirmando o propósito de que está na hora de um amadurecimento da sociedade brasileira, no sentido de voltar a se indignar e dar um basta a essa farra institucionalizada, que se tornou justamente a política, fundamentada principalmente na corrupção. São virtudes inerentes ao ser humano, como decência, integridade, idoneidade e a própria honestidade (uma completando e reforçando a outra), que deixaram de compor a personalidade de muita gente. É preciso sair do comodismo e do senso comum, de que aqueles que tomam o caminho da política como missão, por si só já estão em desalinho com tudo isso. Se estão, então não podem continuar. E não continuarão se assim o desejarmos. Se assim o apearmos de seus propósitos de improbidade e dilapidação do patrimônio público em benefício do pessoal.
Resolvi tratar desse tema, áspero e de difícil digestão, após tomar conhecimento de que a presidente Dilma Rousseff (PT) enviou para análise da Advocacia Geral da União (AGU), decreto, que institui os mesmos critérios da Lei da Ficha Limpa para preencher cargos de confiança no governo federal. E que a Assembleia Legislativa paulista aprovou projeto no mesmo sentido. E que, na Câmara Municipal de Limeira tramita - já de data mais longa - um projeto de iniciativa popular, em moldes parecidos. Das duas uma. Ou estamos dando aval à bandalheira, pura e simplesmente, ou então assinando atestado de que não há mais um ser humano honesto (aquele mesmo procurado por Diógenes, com uma lanterna) apto a assumir compromissos públicos. Sejam eles administrativos ou políticos.
E a constatação mais triste, a meu ver, e a mais acertada: nós é que não estamos sabendo escolher nossos representantes. E não estamos aprendendo nem com nossos próprios erros. Os mecanimos agora propostos, que dividem os cidadãos em fichas sujas ou limpas, mesmo com o princípio moral de acertar no seu efeito, causa-nos uma sensação de impotência e uma clara impressão de que o homem só deve ser honesto por lei. Por decreto. Sua condição natural não importa mais. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Atraso político atrapalha canteiro público de obras

A manchete desta Gazeta da última sexta-feira, 11, sobre atraso nas obras públicas em Limeira, embora não tenha sido novidade, é algo que merece ser analisado pelo lado político. Muito menos pelos acontecimentos que bombardearam o Município a partir de 24 de novembro de 2011 e culminaram com a cassação de Silivio Félix da Silva (PDT) três meses depois, mas sim pelo ano eleitoral, este 2012, que está em curso. Antes que os escândalos financeiros implodissem a sua trajetória política, Félix provavelmente previa um ano cheio de inaugurações, obras acima do nível do solo, que lhe garantissem visibilidade política, a qual pretendia transferir ao seu escolhido, para disputar nas urnas a continuidade de sua administração. Os 31% de atrasos apontados  pela jornalista Renata Reis, acredito, estariam sendo preparados para ser um porcentual zerado, quanto mais se aproximasse o pleito, em outubro. Evidente que ele teria que respeitar prazos no calendário eleitoral e deixar inaugurações ostensivas de lado, mas o simples fato de estar entregando essas obras indiretamente estaria beneficiando seu ungido.

Uma prática real
Deixar obras visíveis e inaugurá-las - e entregá-las - em ano eleitoral virou hábito no Brasil. Do governo federal aos municipais, passando pelos Estados, nenhum político abre mão dessa "propaganda", que o beneficie diretamente ou então a um indicado seu. Os cidadãos, apesar dos olhares atentos, dificilmente vão enxergar esse desvio de conduta como tal. Muitos até percebem, mas se a obra é de interesse...

Entraves práticos
que se levar em consideração as dificuldades elementares para se colocar uma obra em e entregá-la como no projeto, e dentro do prazo. Que são muitas e as menos perceptíveis. É preciso, entretando, entender essa engrenagem burocrática e seu viés político. Esse segundo um grande obstáculo, que no final gera números, como os apresentados na matéria da Gazeta. Uma situação triste e lesiva a todos nós.

Não é defesa, não
É o chamado atraso que leva ao atraso. Isso, entretanto, não deve ser creditado ao atual prefeito, Orlando José Zovico (PDT), que assumiu o time às vésperas do rebaixamento e agora terá que fazer milagres para livrá-lo dessa situação. É uma analogia interessante, mas muito pertinente para o momento.

Ainda falta, mas...
Pelos cálculos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil terá em 2012 cerca de 2,4 milhões de eleitores a mais do que o registrado em 2010. Ainda faltam computar alguns números, que estão sendo contabilizados. Principalmente os dos últimos dias da regularização quando, segundo dados do TSE, mais de 1,5 milhão de eleitores compareceram aos cartórios eleitorais para regularizar ou se alistar pela primeira vez.

Por aqui, superou
Em Limeira os números superaram, em muito, todas as expectativas. Devem estar aptos ao voto, no dia 7 de outubro, em primeiro turno, mais de 201 mil eleitores. E daqui para frente esse "em primeiro turno" será uma constante nas matérias jornalísticas sobre eleições municipais por aqui. Que o segundo turno seja bem-vindo. E, principalmente, bem aproveitado, quando e se houver.

Pergunta rápida
Por que o Município de Limeira perdeu verbas federais por falta de projetos nas áreas contempladas?

tem os nomes
Está composta a Comissão da Verdade, instituída para apurar as violações aos direitos humanos, no período que vai de 1946 até 1988, que inclui a ditadura militar, iniciada em 1964, que não terá, entretanto, como ocorreu em países vizinhos como Uruguai, Argentina e Chile, poder de punir mandantes e excecutores de torturas contra aqueles que se opuseram ao regime. Ou divulgando ideias ou partindo para uma tentativa de luta armada, que não vingou. Os nomes dos notáveis, que irão à Comissão, foram publicados na sexta-feira, 11, no Diário Oficial da União (DOU), em decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff e pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Que apurem tudo
Embora sem a competência de levar os culpados aos tribunais - no meu entender um grande e absurdo erro histórico - a Comissão da Verdade está assim composta: Cláudio Lemos Fonteles, ex-procurador-geral da República; Gilson Langaro Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça; José Paulo Cavalcante Filho, jurista; Maria Rita Kehl, psicanlista, Paulo Sérgio de Moraes Sarmento Pinheiro, professor e diplomata e  Rosa Maria Cardoso Cunha, advogada da presidente Dilma durante a ditadura militar.

História às claras
Que esses 7 notáveis consigam dar transparência a esse período da  história brasileira, ainda mal contado e que precisa conhecer vítimas e algozes. E trazer à tona o paradeiro de muita gente morta sob tortura, que ainda não se tem notícia. Vivos ou mortos, é preciso dar nomes a todos. Conhecê-los é o primeiro passo para refazer o curso real dessa história macabra de terror e desmandos. Ainda assim ficaremos a dever àqueles que tombaram em defesa da democracia. Que ousaram discordar do discurto dos "90 milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração...."

Frase da semana
"Alguns são hipócritas, porque vivem a homossexualidade na esfera do privado, mas se colocam contra ela no espaço público". Do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), homossexual assumido, sobre o número de políticos gays não assumidos. Na sexta-feira, 11, no F5, site de entretenimento da Folha, na Folha.com.
Falta consciência
Passou da hora de o motorista limeirense entender o significado de uma sirene ligada. Em especial de ambulâncias e agora do Samu. Na terça-feira, por volda das 12h, presenciei a falta de consciência, que às vezes pode custar uma vida. Nesse caso, custou. O Samu desceu pela Carlos Gomes (eu estava na Deputado Octávio Lopes) com o carro de apoio à sua frente, precisou cortar um veículo para acessar à esquerda pela 13 de Maio e, no cruzamento com a Senador Vergueiro, no sinal vermelho, ninguém dava passagem. Mesmo com os acenos desesperados dos paramédicos.

Precisa educação

Quem subia pela Senador, com o sinal verde, não parava. E quem estava na 13 de Maio, não dava passagem. Um absurdo do qual fui testemunha. O acidente seria logo acima, pela Senador Vergueiro, próximo à sede da Hora Park. Um enfarte tirou a vida de um motorista de van, de 47 anos, como foi noticiado ontem por esta Gazeta. Sinceramente não entendo essa falta de consciência e educação. Sobe na calçada, entra pela contramão, mas abre espaço para o trabalho dos socorristas.

E até quando vai

Não adianta anúncios marqueteiros, fotos espetaculares em jornais, se não mostrar serviço. Estou falando do transporte público, que continua contrariando as necessidades dos usuários. E mesmo com anúncios de mais ônibus, etc e tal, o serviço contiua ruim. As reclamações que chegam à Gazeta são diárias. Agora até de motoristas encurtando trajetos, deixando de passar por seus pontos. Alguém está faltando com a competência. O usuário, a maior vítima, continua mal servido.

Limeira cresceu
Na capital paulista há um grupo de motoqueiros - motoboys, fretistas, entre outros - conhecidos como "cachorros-loucos". É que por onde passam, se o motorista não dá espaço, eles quebram retrovisores dos carros, chutam a lataria, etc, para ganhar espaço nas ruas e avenidas de São Paulo. Agora chega uma reclamação à Gazeta, via e-mail, que isso está acontecendo por aqui também. Uma testemunha presenciou e indicou o local onde isso aconteceu. Será que há motoqueiro paulistano por aqui ou estão copiando o mau exemplo de lá? Mais uma novidade do trânsito limeirense.

Democracia boa
Ainda há muitos resquícios de autoritarismo, mas a conduta de muitos vereadores mudou após o episódio da cassação de Félix. É fácil de perceber. A ausência de alguns elementos perniciosos também tem contribuído para essa mudança. É preciso, agora, uma boa renovação em outubro. 

A última de hoje
A impressão que tenho é que há muita gente com saudades de tempos recentes passados. Nada mais é como antes. E não será daqui para frente. Quem bom que o povo está acordando. E o despertador atende pelo mome de combate à corrupção. Aos céticos faço um convite: saiam da teoria para a prática.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O caminho é incerto, mas é preciso percorrê-lo

Ponto final nas expectativas. Limeira já pode ter segundo turno nas eleições municipais deste ano. Os números dessa alternativa já foram oficial e amplamente divulgados e os segmentos que mais se empenharam para que essa meta fosse atingida comemoraram muito. Fizeram valer seus esforços em campanhas e via redes sociais, e embora poucos acreditassem - mas sonhavam e esperavam por isso - que fosse possível. Todas as estimativas eram desfavoráveis. Os números e suas progressões indicavam que seria muito difícil se chegar a um colégio de 200 mil eleitores, condição básica para uma nova votação, caso um dos candidatos não atingisse 50% mais um voto. Finalmente o sonho virou realidade. E a oportunidade de aprofundar o debate político, enfim,  está presente. Um viva a ela.
Amanhã, quarta-feira, dia 9 de maio, é o prazo final para a atualização eleitoral, que envolve aqueles que ainda precisam regularizar sua situação e os que vão se alistar pela primeira vez. Trata-se de uma formalidade exigida por lei, mas que traz em si um significado muito forte de participação nas decisões políticas do município. É preciso, entretanto, que esse processo não se encerre por aqui. Pois é a partir desse ponto, que se deve ter em mente uma nova meta a ser alcançada: a participação ativa de todos aqueles que lutaram (com suas convicções e aspirações), na política partidária de fato, garantindo assim, que todo esse idealismo mostrado até este momento não seja em vão, para que tudo continue nas mãos dos poucos de sempre, em reinados sem obstáculos e sem que ninguém dê um basta nessa situação, hoje tão combatida nos movimentos pela ética na política.
Teorizar, inflamar a participação popular a buscar novos caminhos e conceitos dentro da política é bonito. Enaltece seus líderes e massageia muitos egos. Vestir a  indumentária desses conceitos e armar-se de preceitos como caráter, moral, retidão e transparência, entretanto, é muito mais difícil e obstaculoso que o simples discurso. É nisso que é preciso se concentrar daqui para frente. Os prazos do calendário eleitoral não estão sujeitos a qualquer adiamento. As regras estão definidas de antemão e uma batalha vencida não significa ter ganho a guerra. Significa, sim, que o caminho percorrido até agora foi o correto. Que os recados da mobilização foram muito bem passados àqueles que se vangloriavam, até aqui, como inatingíveis por qualquer ação contrária aos seus interesses particulares. Foram, porém, bombardeados nos próprios alicerces que, de tão frágeis, não resistiram nem mesmo aos discursos e à imprudência de atitudes pouco republicanas.
Que ninguém ouse, entretanto, desafiar o inimigo abatido, sem continuar na peregrinação pela transformação dos padrões atuais (a podridão institucionalizada), que tanto fizeram proliferar os oportunistas e populistas, que desafiam qualquer regra sem nenhum constrangimento. Os primeiros passos foram perfeitos e mesmo se o caminho nos parecer incerto, é preciso percorrê-lo com os olhos bem abertos. Os embusteiros têm muitos tentáculos. É preciso cortá-los, um a um.

domingo, 6 de maio de 2012

Oportunidade de apagar os borrões da história

Uma segunda chance na vida vale ouro. É uma prova irrefutável de que é possível rever o que foi feito e fazê-lo da forma correta. E quando ela aparece deve ser agarrada com força e trancafiada junto com as intenções de mostrar que o recado foi entendido. Eis pois que, dentro da legitimidade que a democracia nos permite, a Câmara de Limeira e seus vereadores têm uma nova oportunidade de mostrar serviço. E fazer, desta vez, a coisa certa e em acordo com preceitos republicanos, que convêm aos interesses públicos. À sociedade como um todo. Ainda dá tempo de limpar os borrões deixados lá atrás,  e devolver a transparência à história, que ficou manchada por interesses pessoais inconfessáveis. É possível, sim, recontar alguns fatos, tomar o rumo certo do fio até a meada de onde foi desenrolado e cortado, levando-se unica e exclusivamente em conta a vontade da maioria, que ficou sem explicação, para a satisfação de uma minoria, que se julgava dona da verdade, em obcecada obediência a um poder, agora interrompido, apeado do comando pelos próprios atos e força da uma pressão popular nunca vista por aqui.

São políticas, mas...
...os resultados podem ser práticos. Estou falando das duas comissões parlamentares de inquérito (agora sim, acredito, CPIs de verdade) abertas na Câmara Municipal na última quarta-feira, para reinvestigar a merenda (a primeira foi um fiasco imensurável) e agora o Messias, um coadjuvante que se tornou protagonista do maior escândalo político experimentado por Limeira e por alguns de seus políticos.

Poder de investigar
Apesar do amplo poder investigativo, uma CPI não tem caráter punitivo. Não tem poder para fazer justiça, mas sim para indicar e sugerir o que pode ser feito. É uma ferramenta política, que dependendo de sua condução, pode trazer à tona fatos de forte relevância, cuja consequência prática caminha na direção do Ministério Público, do Judiciário e pode desembocar na própria polícia. Por isso é importante.

Para além do jardim
Olhos atentos não devem enxergar apenas a beleza de uma rosa. É preciso, antes de cultuar essa beleza e sentir seu perfume,  conferir o poder de seus espinhos, que invariavelmente fazem sangrar os desatentos. É justamente buscar  o perigo das verdades escondidas, que faz do homem um cidadão de verdade. É isso que se espera, daqui para frente, daqueles que foram os escolhidos a conduzir as aspirações populares. Que não nos ofereçam apenas as rosas, mas que saibam retirar seus espinhos, quando for necessário. Quando o momento assim o exigir. Os que não souberem fazer isso, que assistam e aprendam com o que sabe.

Era carne imprópria
Alarmante, chocante e para indignar qualquer cidadão. A carne que a Vigilância Sanitária de Limeira apreendeu na sede da Le Barom, empresa responsável pela merenda nas escolas públicas de Limeira,  não era, segundo análise, apropriada ao consumo. Aspecto, cheiro e forma que não condiziam com a sanidade, além de embalagens violadas no freezer. Resta saber se o vereador Silvio Brito (PDT), que integrou aquela (lá atrás) CPI da Merenda,  avalizaria essa comida para dar aos seus. À época, nem ele, nem as outras duas vereadoras (a petebista Nilce e a verde Iraciara), que integravam a Comissão, viram nada de errado.

Só uma curiosidade
Não me recordo de ter visto ou ouvido falar que esses três vereadores saíram a campo para visitar as escolas, a sede da empresa fornecedora da merenda, para avaliar as condições de armazenamento, validade dos produtos e qualidade da alimentação servida às crianças da rede pública municipal.

Pergunta rápida
Será que as diretoras das escolas que recebiam e recebem a merenda nunca viram nada de errado com a comida?

O emblema 200.177
Foi o número oficial do anúncio da oficialização, a partir de agora, de um segundo turno nas eleições municipais em Limeira, que será realizado sempre que um dos candidatos ao cargo de prefeito não atinja os 50% mais um dos votos válidos. Por que emblema? É que para alguns políticos, que hoje pleiteiam candidaturas ao Poder Executivo, a notícia não é nada boa tanto quanto é a participação dos eleitores e debates mais consistentes. Muitos torceram e continuam torcendo o nariz para esse número, que pode lhes ter tirado uma eleição ganha. Como o que vale é a vontade popular e a capacidade de negociação política de cada candidato, que todos sejam bem-vindos a essa nova era da política limeirense. O choro dos descontentes, no entanto, é livre.

E há riscos também
Mesmo com o 2.º turno oficializado, não significa, que o melhor - ou menos pior - seja o eleito. Como qualquer processo eleitoral, um segundo turno amplia, sim, os debates, abre espaços para mais negociações, mas pode ser também uma grande encruzilhada, caso não haja uma opção adequada ou que se encaixe no perfil de interesse das aspirações populares. Que destoe de todo esse processo de limpeza ética que vem acontecendo não só por aqui, mas em todo o País.

Pela chuva que virá
Sexta-feira, 4 de maio. 12h10. Rua Tiradentes em pleno horário de rush. Surfei legal numa onda verde de semáforos, desde a Rua Dr. Trajano, até o último, uma quadra antes do Shopping Pátio. O trânsito fluiu rápido como eu nunca tinha visto antes. Acredito que não seja pedir demais para que haja essa eficiência em todos os semáforos da cidade. Na Tiradentes foi possível....

Frase da semana
"Muitos jovens de 16 anos procuraram os cartórios. Tivemos conhecimento de um movimento realizado na cidade, o que pode ter contribuído para a procura deste público". Lady Anne Della Rocca, chefe do Cartório Eleitoral da 66ª Zona Eleitoral de Limeira. Sexta-feira, dia 4, na Gazeta.

sábado, 5 de maio de 2012

Esperança real
A conscientização é a melhor arma contra a corrupção e todos os seus meandros. E fundamental para extirpar da sociedade os corruptos. A apenas pouco mais de quatro dezenas de títulos para um segundo turno nas eleições municipais em Limeira, vê-se a crescente participação da juventude nesse processo, o que vem sendo fator preponderante para ao sucesso dessa empreitada, que pode garantir um debate mais apurado, para que a escolha não seja pelo populismo e por falsas promessas e publicidade exacerbada.

Todos cansaram
Essa conscientização deixa claro que o povo está cansado. E  que há uma batalha em curso contra toda sorte de desmandos da velha prática política, que alimenta, alimentou e vem alimentando alguns agentes públicos, que desdenham da sabedoria popular; dão de ombros à integridade moral e desprezam a coisa pública, fazendo dela apenas um trampolim para suas aspirações e ganâncias. Acordar aos poucos é melhor que o sono da incredulidade, muitas vezes causado pela impunidade.

Ainda as compras
Há em curso uma campanha pela sacolinha de papel nos supermercados. Também sou favorável. O que é preciso é que os supermercados supram a ausência do plástico sem cobrar do consumidor. Mesmo porque não houve realinhamento dos preços a menor, com o fim da sacolinha plástica. Mesmo porque nem sempre há caixas de papelão suficientes, que também traz riscos, dependendo do produto que tenha embalado.

É crescente, mas...  
A adesão do consumidor à sacola retornável é visível. Basta uma rápida passada pelos hipermercados, para perceber um número cada vez maior portando suas próprias sacolas. A impressão que se tem, às vezes, que há uma intenção do estabelecimento em esconder suas caixas, para vender as sacolas retornáveis. Daí a questão de se fornecer a sacola de papel reforçada, como antigamente. E equilibrar a questão financeira, já que os preços finais não caíram, mesmo sem o custo das sacolinhas que não são mais oferecidas. É preciso que haja equidade nesse tratamento.

Cartolada geral
Não é minha seara, mas não posso deixar de criticar a ridícula atuação da Federação Paulista de Futebol, na pessoa de seu presidente, Marco Polo Del Nero, em impor as finais do Paulistão 2012 no Morumbi. Além de alijar os torcedores bugrinos de ver seu time jogando no próprio estádio, dá um alento financeiro ao São Paulo, dono do estádio. E de graça. Lembranças de Laudo Natel.

A última de hoje
Novas CPIs à vista. Mais que apenas comissões de investigação, é preciso vontade e coerência em querer investigar. Para não protagonizar, como foi até agora, inaugurações e mais inaugurações de pizzarias. Pizza precisa ter cheiro de mussarela e orégano. Qualquer outro tipo de cheiro não é mais palatável à sociedade organizada.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um crime com a chancela da lei

A Câmara dos Deputados, articulada pelo lobby da bancada ruralista e até com votos de governistas - entre eles até socialistas e comunistas - acaba de assinar a sentença de morte da preservação ambiental. Movidos pela ganância e pelo desrespeito ao meio ambiente (que lhes garante o sustento e suas fortunas), e principalmente pelo ser humano, os deputados tansformaram o novo Código Florestal aprovado no Senado em um verdadeiro Frankstein, contemplando nos escritos da lei apenas suas próprias necessidades e seus interesses pessoais, num exemplo contundente de desprezo à própria vida.
Ao comemorarem com sorrisos e polegares levantados, esses senhores simplesmente se autoinocentaram de seus próprios crimes ambientais, além de torná-los legais daqui para frente, caso a presidente Dilma Rousseff não vete a recém-aprovada legislação, provocando assim uma nova discussão. Exigir consciência da bancada do gado, como é chamada na Câmara Federal, é o mesmo que pedir ao traficante, para que pare com a atividade que lhes provém o sustento. Tentar mostrar a pecuaristas, madeireiros, usineiros e afins, que podem conviver em  harmonia, entre matas e pastagens, o extrativismo sustentável e também garantir nascentes, cuja água é vital a qualquer espécie, é tão eficaz quanto tratar um câncer com analgésicos.
São comparações duras, porém amenas e suaves, se tomados como exemplos o que esse novo Código Florestal, pode permitir que se faça com as riquezas naturais deste País, onde nem áreas de manguezais e apicuns são mais APPs, ou seja, áreas de preservação permanentes, essenciais que são à produção de camarões. E fonte de renda a pescadores e caiçaras, que vivem também da busca por siris e caranguejos. A permissão desmesurável em extorquir - essa é a palavra exata neste momento - recursos naturais de toda ordem e o destruir cadeias inteiras da vida animal (muitas em extinção), propondo uma reposição mínima desse estrago, que levou sorrisos às bocas desses senhores, que pensam apenas com seus bolsos cheios e no aumento de suas fortunas, é um aval claro e futuro, não à riqueza da Nação, mas ao empobrecimento de todo seu povo. Em especial daqueles que dependem diretamente desses recursos naturais.
Se a presidente Dilma Rousseff não vetar essa vergonha nacional, patrocinada por quem deveria proteger e legislar em benefício do todo e não do interesse próprio, as futuras gerações, nossos filhos, netos e posteriores descendentes - e aí incluem-se também decendentes dos nobres deputados, que se lambuzaram na sujeira que aprovaram - terão mesas fartas e refeições saudáveis, com muito estrume de gado e água envenenada. Desmatar, a fim de garantir mais áreas para pastagens e plantio, não significa mesa farta. Significa apenas riqueza material nas mãos de poucos. Nisso, provavelmente, não pensaram. Ou melhor, pensaram sim. E, por isso, assim agiram.