Pages

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Do carisma à discrição

Após os oito anos do governo Lula, em que o ex-líder operário transformado em presidente da República soube usar - e às vezes abusar - de seu carisma e força midiática (que tinha e ainda tem), parece-me estranho o governo discreto e austero de Dilma Rousseff. Longe dos holofotes e de forma técnica e hábil, a ex-guerrilheira está impondo um estilo diametralmente oposto ao de seu antecessor e padrinho político e já no primeiro mês de governo apresentou a marca de seu governo, que parece surpreender muita gente. Em especial a uma ineficiente oposição, que esperava um continuísmo cego aos preceitos e dogmas lulistas, mas está percebendo continuidade na gestão. Ela está absorvendo as conquistas de seu mentor e já começa a sentir um terreno fértil às suas próprias.
Dilma teve - e está tendo - habilidade para enquadrar sua heterogênea base de apoio com recados duros, porém claros, à fome dos partidos aliados por cargos no governo. Desde o primeiro escalão até a terceira ou quarta linha em importância na administração pública federal. Há, hoje, no governo, indubitavelmente, mais técnicos que políticos. Mais que isso, a presidente eleita está tendo o cuidado em colocar técnicos nas áreas técnicas e políticos nas áreas políticas. O equilíbrio que talvez tenha faltado a Lula, que por conta disso sofreu enormes solavancos nos seus dois mandatos, contidos justamente pela presença carismática do líder metalúrgico nos momentos de maior tensão pelos quais passou. Lula advogou para Lula e se saiu muito bem. Dilma provavelmente não passará por esse constrangimento.
Com a aposentadoria precoce, via urnas, dos mais aguerridos oposicionistas e um encolhimento substancial no número de parlamentares contrários à administração petista, a impressão é que a presidente não terá enormes dificuldades em fazer aprovar suas propostas. Ela pode e ainda vai ter algum problema, sim, com seus próprios pares políticos, inclusive e até mais com os de seu próprio partido, mas que até agora está conseguindo controlar e manter a rédeas curtas. Difícil precisar até quando isso vai durar. Mesmo porque o PMDB, que detém a vice-presidência, e também faz parte da base governista, é pouco confiável.
Difícil fazer, pelo pouco tempo da posse, análise mais criteriosa e pragmática do que vai ser o governo Dilma Rousseff, a não ser as considerações feitas acima, compartilhadas por analistas políticos de primeira linha. Se o cartão de visita apresentado ditar as ações futuras da presidente, as expectativas podem ser muito boas.

Antonio Claudio Bontorim

Pague duas, mas leve apenas uma!

Uma constatação do leitor Marcos Lima, acabou transformando uma simples reclamação em manchete desta Gazeta, na sua edição de anteontem. E, mais uma vez, trata do transporte público urbano de Limeira, sempre às voltas com a insatisfação de seus usuários. Desta vez a questão é mais séria e envolve o bolso do consumidor. Foi muito feliz essa constatação do leitor, confirmada por este jornal junto às empresas, sobre a venda de “créditos monetários” e não mais passagens de ônibus. O novo sistema, com a introdução do bilhete único, vai acarretar mais lucros às duas viações em prejuízo aos usuários. Quando compro um crédito para 50 passagens, por exemplo, a partir do momento em que houver reajuste no valor unitário dessas passagens, perco esse crédito. Ou seja, se ainda os tiver, comprarei menos unidades. O consumidor-usuário do transporte público estará sendo lesado. É como se fosse uma bitributação, o que é crime. Ainda na sexta-feira, a Prefeitura distribuiu nota falando da ilegalidade da medida e ameaçou as empresas. Penso que o MP, através da Promotoria do Consumidor, deveria agir. Já!

Fechando o cerco
O Ministério Público vai intensificar ações no sentido de coibir o excesso de barulho em bares, casas noturnas, chácaras, igrejas e eventos em geral, que possam perturbar o descanso do cidadão. Em resumo, vai fazer valer - ou pelo menos tentar - a Lei do Silêncio. Qualquer medida neste sentido é bem-vinda. Em especial, quando se trata de áreas densamente povoadas e estritamente residenciais. Nota dez!

Boate ambulante
E esses veículos turbinados com som? Até quando circularão livremente pelas madrugadas da cidade sem sequer serem admoestados? Já que é para garantir o sossego da população deixo aqui uma sugestão: algumas batidas noite adentro, em especial a partir das quintas-feiras, quando alguns infelizes colocam uma casa noturna dentro de seus carros, exibindo pelas ruas seus péssimos gostos musicais.

Fui muito infeliz
Fiquei sabendo, pelo canto de um passarinho, que não gostaram de uma comparação que eu fiz, na coluna de quinta-feira. Assim sendo, sou obrigado a pedir desculpas - e muitas - a todos os pizzaiolos, que nos brindam com suas pizzas espetaculares. Foi uma comparação indevida. Lamento!

Política e caserna
Está surgindo um novo partido no Brasil. O PMB - Partido Militar Brasileiro. Tem até site (/www.partidomilitarbrasileiro.com.br). E seus cinco primeiros princípios são: a) assegurar o direito à vida, à liberdade, à igualdade; b) assegurar o direito à dignidade da pessoa humana; c) garantir a defesa das instituições democráticas; d) assegurar o direito à cidadania; e) assegurar o direito ao pluralismo político... Confesso que fiquei assustado com essa notícia, que começa a ganhar a mídia. O “partido” está usando e-mails para divulgar sua doutrina e conquistar adeptos. A sociedade civil, contudo, está organizada contra possíveis aventuras políticas.

Xô! Xô, ditadura
A democracia brasileira garante hoje, entretanto, a livre associação partidária. O que nos tempos da caserna só valia para um lado. E, principalmente, garante o que esses militares não garantiram - e desprezaram enfaticamente - de 1964 até o banimento da ditadura militar: a prática inequívoca desses cinco princípios. O povo é sábio e, com certeza, banirá todos os pensamentos contrários às liberdades e garantias individuais, nossos mais caros preceitos constitucionais. Pelo voto, é lógico!

Palavra oficial...
Aguarda-se, ainda, um pronunciamento oficial, uma coletiva transparente e objetiva, da direção do Shopping Pátio Limeira sobre os acontecimentos de janeiro, que no próximo dia 16, quarta-feira, completa um mês. A sociedade limeirense merece respeito e principalmente saber como está a situação do shopping hoje.

Se você quer ler
Uma história de amor às avessas. Bem ao estilo de seu autor, o premiadíssimo Gabriel García Marquez (Nobel de Literatura). Uma leitura recomendável, que nos ensina como fazer uma reflexão sobre nossa vida. Trata-se de Memórias de minhas putas tristes, lançado em 2005, pela Record. Li este livro há cerca de 3 ou 4 anos e indico aos apreciadores de García Marquez e da verdadeira literatura. O livro narra a história de um nonagenário cronista e crítico musical que, em seu aniversário de 90 anos, pretende presentear a si mesmo com uma noite de amor louco com uma jovem virgem. Porém, ao vê-la dormindo, não tem coragem de acordá-la e se apaixona por uma garota adormecida. 130 páginas.

Pergunta rápida
E o Genivaldo, vem ou não vem?

Eu Recomendo!
Detentor de 5 Oscar (melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor atriz e melhor roteiro adaptado) e outras duas indicações, o filme que indico para hoje é O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs – EUA, 1991), do diretor Jonathan Demme. No gênero suspense, traz no elenco os premiados Anthony Hopkins e Jodie Foster, além de Lawrence A. Bonney, Scott Glenn, Kasi Lemmons entre outros. Agente do FBI Clarence Sterling (Jodie Foster) é destacada para encontrar assassino que arranca a pele de suas vítimas. Para entender como ele pensa, ela procura um perigoso psicopata Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), encarcerado sob a acusação de canibalismo. Só para lembrar, Hopkins encarnou o canibal Hannibal Lecter outras vezes no cinema. Duração 114 minutos.

Frase da semana
“O sucesso do governo Dilma é o meu sucesso. O fracasso de Dilma é o meu fracasso”. Do ex-presidente Lula, na festa dos 31 anos do PT. Em Brasília. No Estadão.com.br - Política. Quinta-feira, 10 de fevereiro.

Antonio Claudio Bontorim

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Quando será??
O crítico é chato, por que insiste na crítica. Quando essa insistência tem fundamento é porque do outro lado, o criticado não tem competência justamente para se livrar dessas críticas. Em Limeira se tem um setor que está sempre na mira é o do trânsito. O melhor exemplo: os semáforos. Muitos quebrados, funcionando pela metade e sem qualquer tipo de sincronismo. O problema é antigo. Do tempo da arca de Noé. Nunca ninguém conseguiu resolver. Então, quem é mesmo o chato?

Leitor sugere
Na coluna Texto&Contexto do domingo, a pedido de um leitor e usuário do serviço, voltei a falar do desrespeito para com as vagas especiais para idosos, no estacionamento rotativo do sistema área azul. Citei até um exemplo que presenciei no dia anterior, no sábado, portanto. Na segunda-feira recebi e-mail de um leitor, com uma sugestão interessante e curiosa, para acabar com essa falta de educação.

Bem coerente
Quem escreveu foi o leitor José Magossi, que assim se expressou: “Ontem (domingo, dia 6) li em sua coluna notícia referente a vagas de idosos. Têm pessoas não credenciadas, que estão se utilizando destas vagas. Já vi jovens estacionar nas vagas dos idosos. Quero dar uma sugestão: se a Prefeitura colocasse na região da área azul apenas vagas comuns, sem identificação, somente no caso de idosos. O idoso que tiver a credencial de IDOSO, que é fornecida pela Secretaria de Transportes, poderá estacionar em qualquer vaga existente no perímetro da área azul, tenho certeza que os espertinhos não mais se utilizariam das vagas do idoso”. Taí um sugestão prática. E deve ser levada em consideração pelo poder público concedente do serviço e pela empresa concessionária.

Para reflexão
O jeito mineiro, quieto e pouco midiático da presidente Dilma Rousseff (PT) governar deve estar intrigando a oposição. Avessa aos malabarismos linguísticos, como gostava Lula, Dilma vai mansamente governado e mantendo as rédeas curtas da base aliada. Corretíssima. E discreta como convém a todo bom mineiro!

Está na mídia
E já que o assunto é mídia, o PSDB de Limeira está no Twitter. O endereço na rede é @TucanosLimeira. Quase que diariamente, em vários períodos do dia, são postadas informações sobre as realizações do partido, quando esteve à frente da administração pública do município. Interessante a iniciativa. Começaram a plantar no tempo certo, o que pode garantir uma boa colheita lá na frente. Uma visão futurística, sem dúvida!

Português claro
A palavra de hoje é bastante conhecida aqui em Limeira. É o substantivo feminino laranja, que significa fruto da laranjeira. Mas pode ser um substantivo masculino também, cujos significados são: indivíduo, nem sempre ingênuo, cujo nome é utilizado por outro na prática de diversas formas de fraudes financeiras e comerciais, com a finalidade de escapar do fisco ou aplicar dinheiro de origem ilícita; homem tolo, ingênuo; o mau regente de orquestra. Ou, ainda, laranja pode ser um adjetivo de dois gêneros e dois números: que tem a cor da laranja (fruto); alaranjado. Para ser incluída no dicionário Texto & Contexto, que já tem conluio, omisso, submissão, incompetente, hombridade, esperança, política, democracia e calafrio.

A última de hoje
É preciso reconhecer (e até aplaudir), que na questão da CPI da Merenda, o secretário de Negócios Jurídicos da Câmara, Fernando Lencioni, deu um nó nas investigações. O presidente pró-forma da comissão, vereador Silvio Brito (PDT), apenas cumpre suas determinações. Vamos dizer que ele foi um exímio pizzaiolo, manipulou bem as massas e logo mais estará assando as pizzas. A oposição terá que digerí-las bem, para não sofrer de indigestão.

Antonio Claudio Bontorim

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O bom senso, afinal

No afã de mostrar serviço, o administrador público às vezes - ou na maioria delas - arrisca-se em medidas que sabe, de antemão, não darão certo. Ou, no mínimo, lhe renderão críticas. Quando essa média - ou medidas - mexe com o bem-estar do cidadão, aí é que o caldo entorna de vez e a pressão é tamanha (e às vezes por questões até legais), no sentido de uma revisão imediata de seu enunciado. Antes de se aventurar a ações dessa natureza, e mesmo imbuído de boas intenções, é preciso um planejamento adequado, estudos de viabilidade e até onde afetará - ou não - o bom desempenho do serviço público em questão.
A restrição ao uso do passe escolar pelos estudantes apenas ao horário do período de aulas, anunciada em manchete desta Gazeta, no último sábado, não resistiu à reclamação de uma mãe de aluno, que questionou o prefeito Sílvio Félix (PDT), em seu programa semanal de rádio, levado ao ar pela Educadora AM, sobre a necessidade de deslocamentos, fora desse período, para realização de trabalhos escolares ou pesquisas em bibliotecas. Ontem mesmo, dia em que começaria vigorar, a medida foi suspensa em comum acordo entre a prefeitura e viações, mantendo-se a restrição ao uso do documento apenas pelo seu portador legal, que será monitorado por foto digital. Nada mais justo. Restabeleceu-se um direito, que seria facilmente contestado via judicial, caso alguém se sentisse lesado.
Pareceu-me, à primeira vista, uma medida inconstitucional já que restringia o direito de ir e vir e o uso de um documento legal por um serviço adquirido e pago, tendo como argumento possíveis fraudes, com sua utilização indevida por terceiros. Mesmo a intenção de um controle mais rígido do passe escolar, o que é louvável para garantir a lisura de seu uso, não resistiria às necessidades de cada usuário, quando fosse questionado. Pelo Twitter @GazetadeLimeira, assim que a notícia foi postada, ainda no sábado, houve uma avalanche de questionamentos, todos na mesma direção daquela mãe, que se queixou ao prefeito.
Ao restabelecer o bom senso e ouvir a voz da razão, o serviço público dá um claro exemplo de que gosta, mesmo, é de soltar o rojão e correr atrás da vareta. O que seria evitado, caso houvesse preocupação em planejar suas ações através da participação efetiva da sociedade, ouvindo-a sempre que possível. É preciso, de uma vez por todas, dinamizar o serviço público, sem precisar criar balões de ensaio, que na maioria das vezes não passam no primeiro teste prático. Como foi neste caso.

Antonio Claudio Bontorim

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O arroz com feijão é a melhor opção

Esta Gazeta divulgou anteontem informação de que será sorteado um carro 0 km para o contribuinte que pagar seu IPTU em dia neste ano. Trata-se do “IPTU Premiado”, versão revigorada do IPTU da Sorte de 2004 e que deixou o então prefeito José Carlos Pejon (hoje secretário chefe de Gabinete da atual administração) inelegível. Sílvio Félix (PDT) anunciou em 2009 a sua “loteria” tributária para garantir arrecadação aos cofres públicos. No dia 2 de agosto daquele ano escrevi sobre essa nova versão do IPTU da Sorte - agora com o “sugestivo” nome de IPTU Premiado (“Contra a crise, Prefeitura estuda lançar um ‘novo’ IPTU da Sorte”, leia matéria através do link http://new.gazetadelimeira.com.br/Noticia.asp?ID=25540) - anunciada como remédio contra a crise, que desafiava especialistas e governos. Penso que não é necessário tamanho malabarismo ou estímulo para melhorar a arrecadação municipal. Um convidativo desconto no pagamento do IPTU a vista pode ser muito mais eficiente para atrair o contribuinte do que sorteios midiáticos. O mal pagador será sempre um mal pagador.

Ninguém aprende
O uso de celular ao volante é infração de trânsito. Dá multa e perda de pontos na CNH. Muitos motoristas, entretanto, estão pouco se lixando para isso. Mesmo que essa prática possa colocar em risco sua segurança e a dos outros também. Nesta semana, por três vezes, tive que buzinar para evitar acidente. Estava tentando estacionar e uma motorista vinha ao celular sem perceber a situação. Ainda foi mal-educada.

Não temos vagas
Leitores continuam me abordando para que eu comente sobre a questão do desrespeito às vagas especiais destinadas a idosos, nas ruas com estacionamento rotativo da área azul. Reclamam que nunca encontram disponibilidade e as que existem estão ocupadas por veículos, que não dispõem do cartão do idoso. “O que adianta ter a vaga, o cadastro na prefeitura, se ninguém respeita?”, indagou-me um usuário.

Educação? Cadê?
O tema é recorrente. Já tratei dele aqui por inúmeras vezes, porém sempre que for necessário voltarei a abordá-lo, pois é bastante sério e merece ser tratado como tal. Principalmente porque se trata de uma total falta de respeito daqueles que acham que as vagas especiais podem ser ocupadas sem qualquer critério. Ainda ontem, quando vinha para a Redação da Gazeta, ao descer a Praça Luciano Esteves, um Honda branco, com um casal jovem simplesmente ocupou a vaga do idoso em frente de uma agência bancária sem a menor cerimônia. E a pintura era nova. E não há mais a fiscalização por parte dos laranjinhas. Até quando?

Retaliação Política
Pior que o abandono político-administrativo ao qual estão submetendo Limeira, é o silêncio oficial sobre tal vindita. O “quem cala consente”, diante das inúmeras e diárias denúncias publicadas por esta Gazeta, é um sinal claro da represália eleitoral. Logo após a proclamação do resultado final das eleições de 2010, escrevi o que iria acontecer. A situação está muito pior do que eu poderia ter imaginado. Infelizmente!

Cobrar é preciso
O sistema municipal de saúde, se é que podemos chamar assim, está passando por uma crise de identidade. Por vários dias, semanas até, a Central de Ambulâncias estava desfigurada. Sem veículos - muitos quebrados, outros velhos - não havia como atender à população e até uma picape do Zoonozes foi utilizada para o transporte de um paciente. Na carroceria. Pois bem, O Ministério Público Estadual (MP) entrou em ação e, num estalar de dedos, o secretário da Saúde, Hansen Martins, apresentou na última quinta-feira uma frota de novos veículos. Como os senhores vereadores (os situacionistas) gostam de tapar o sol com a peneira e colocar panos quentes nos problemas do município, o MP agiu. E a Prefeitura reagiu: apresentou as novas ambulâncias. Curioso e estranho!

Se você quer ler
Com temática sempre atual e hoje mais que nunca acentuada pelos “big brothers” televisivos, este livro que vou recomendar tem sempre uma interpretação diferente, a cada releitura. Estou falando de 1984 (1948, com a inversão dos algarismos da dezena, ano em que foi escrito) do escritor inglês George Orwell, um londrino nascido Eric Arthur Blair, em junho de 1903. O livro retrata o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo no ano homônimo, no qual Orwell mostra uma sociedade oligárquica coletivista e repressora a quem se opuser a ela. A história narrada é a de Winston Smith, que recebe a tarefa de perpetuar a propaganda do regime através da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o governo sempre esteja correto no que faz. Estamos no auge de 1984, apesar de 27 anos à frente. Ainda temos muitas sociedades e políticos que pensam e agem na esteira desse romance de Orwell. Boa leitura a todos!

Pergunta rápida
Se Limeira está em estado de emergência, decretado pelo prefeito Silvio Félix (PDT), não é contraditório coletar donativos para o Rio de Janeiro?

Eu Recomendo!
No último dia 3 morreu, aos 58 anos, Maria Schneider, atriz precoce que aos 19 anos contracenou com Marlon Brando, num dos mais controversos filmes de Bernardo Bertolucci. Esta indicação de hoje é uma homenagem a ela. Trata-se de o Último Tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi – 1972, França), que conta a história de uma bela jovem que, enquanto procura um apartamento em Paris, conhece um americano, cuja esposa recentemente cometeu suicídio. Imediatamente há um desejo ardente de um para com o outro e iniciam, naquele momento, um tórrido affair. Combinam que não revelariam nada de suas vidas, nem mesmo seus nomes, sendo que o objetivo dos encontros seria basicamente sexo. Mas gradativamente os acontecimentos vão fugindo do controle de ambos. Traz no elenco, ainda, Maria Michi, Giovanna Galletti, Gitt Magrini, Catherine Allégret, Luce Marquand, Marie-Hélène Breillat e Catherine Breillat. 123 minutos!

Frase da semana
“Tetracampeão do mundo de futebol”. Frase que consta na biografia do ex-jogador Romário, deputado federal em primeiro mandato eleito pelo PSB do Rio de Janeiro. No Portal da Câmara (http://www2.camara.gov.br/) através do link Conheça os Deputados.

Antonio Claudio Bontorim

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Foi ligth demais
A vereadora Elza Tank (PTB), presidente da Câmara, era a própria democracia na sessão ordinária da última segunda-feira. Foi solícita com todos os vereadores, até brincou com Mário Botion (PR) e conduziu a ordem do dia com leveza, como deve convir a qualquer líder. Quanto vai durar, não sabemos!

Tensão jurídica
Na segunda-feira a expectativa, na Câmara, era de uma visita indesejada. Até as 19h, tanto a presidente da Casa como o secretário de Negócios Jurídicos, Fernando Lencioni, eram só tensão. A miragem - um oficial de justiça com ordem judicial para tirar Lencioni de lá - para alívio de ambos não se concretizou. Pelo menos não naquela segunda-feira. O trauma do afastamento de César Cortez (PV) ainda ronda os corredores do palácio legislativo. Calafrios e suor a todo o momento! Desde ontem ambos estão aliviados. Por hora o juiz Araki Ribeiro indeferiu a liminar do MP e não afastou o advogado, mas reduziu seu salário de mais de R$ 8 mil para cerca de R$ 2 mil, pois mandou reter 70% de seu salário referente ao cargo. Garantias futuras, vamos dizer!

Aperto na corda
O nó está cada vez mais forte. A bancada da situação deu corda total ao vereador Silvio Brito (PDT), que há tempos vem se “enforcando” politicamente nela. Ele assumiu postura de escudo, mas não percebeu que foi empurrado para isso. Seus eleitores estão demonstrando insatisfação. A ele falta a experiência de um Eliseu Daniel, outro pedetista - agora na geladeira política do partido - para conduzir com tranquilidade a situação. Foi assim com a CPIzza do fantasma e está sendo assim, agora, com a outra CPIzza. A da Merenda. Outro que está na mira do seu eleitorado pelo adesismo governista é Antonio Braz, o Piuí (PR).

Um bom exemplo
Ontem, às 10h, a Acil inaugurou um serviço de estacionamento aos motoristas que precisam do centro da cidade. Este estacionamento que acaba de ser construído, anexo ao prédio da Associação Comercial, será administrado pela Apae e terá capacidade para 22 veículos. Uma contribuição de inegável valor aos assistidos pela Apae limeirense. Essa é, sem dúvida, a verdadeira responsabilidade social, que tanto se cobra de quem pode patrociná-la. Parabéns!

Português claro
A palavra de hoje foi citada por mim na segunda nota desta coluna. Trata-se de calafrio,um substantivo masculino, segundo o novo dicionário Houaiss da língua portuguesa. Os significados de calafrio são: conjunto de pequenas contrações da pele e dos músculos cutâneos ao longo do corpo, muitas vezes com tremores fortes e palidez, que acompanham uma sensação de frio provocada por baixa temperatura, má condição orgânica ou ainda por medo, horror, nojo etc.; sensação de frio e tremores fortes, às vezes com bater de dentes, que precedem ou acompanham acessos de febre. Se você enriqueceu seu vocabulário, ótimo. Foi mais uma palavra para esta segunda fase do dicionário Texto & Contexto, que já tem conluio, omisso, submissão, incompetente, hombridade, esperança, política e democracia.

A última de hoje
E por falar em liderança, há muito tempo Limeira está carente de um líder, que dê vida ao município e consiga aglutinar forças e bancar investimentos - tanto privados como oficiais - que atendam às necessidades da população. Ainda é cedo para 2012, mas não vejo um nome capaz de assumir essa condição, com a dimensão que ela representa. O adesismo exacerbado, como ocorre hoje, ofusca qualquer possibilidade de surgimento dessa liderança. É triste, porém real!

Antonio Claudio Bontorim

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Oportunidade ao atraso

Mais uma vez Limeira bate à porta do atraso e deixa escapar uma ótima oportunidade para ampliar os horizontes nas relações e negociações trabalhistas e fazer sua economia crescer, como convém ao momento atual. A briga entre Sicomércio (Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Limeira) e Sinecol (Sindicato dos Empregados do Comércio em Limeira e Região) parece não ter fim. Virou uma disputa política para ver quem tem mais força. Um tabuleiro de xadrez do atraso.
Já abordei este tema neste espaço em outra oportunidade, e volto a fazê-lo. Não é possível que essa birra - coisa de criança mimada - prive o consumidor de ter mais tempo para ir às compras. Ao barrar o funcionamento do comércio aos sábados até as 16h, o representante dos trabalhadores dá um exemplo claro de condução política na negociação, que esbarra na intransigência de uma diretoria vitalícia, preocupada apenas em se ater a questões pontuais, esquecendo-se de que é a população quem mais perde com isso. É inadmissível que não haja um acordo coerente nesse sentido. O bom senso está sendo jogado no lixo da irresponsabilidade.
Não tenho dúvidas, também, de que há comerciantes que burlam a legislação trabalhista, não cumprem com os deveres para com seus empregados, exploram a categoria de forma aviltante e que devem, sim, ser punidos. Para isso, entretanto, há a Justiça do Trabalho e o próprio Sinecol, que faz essa ponte entre trabalhador-patrão-justiça, deve saber disso mais do que ninguém. Motivos, entretanto, que não podem interromper uma negociação importante. E mais uma vez dar “não” como resposta, numa batalha que vem de anos sem uma solução lógica e prática, enquanto outros municípios da região vão enchendo seus cofres com o dinheiro dos limeirenses, privados de consumir no seu próprio comércio. Isso é fato. É realidade que já constatei, em algumas andanças a passeio e até mesmo às compras.
Se os comerciantes, como diz o Sicomércio, estão fechados na questão da abertura em horário maior aos sábados, eles devem arcar com as responsabilidades e encargos advindos dessa situação. Não dá mais para aceitar esse ativismo utltrapassado, beirando os primórdios do sindicalismo, para manter privilégios de poucos em prejuízo a muitos, que vem privando o município dos avanços necessários nessa área. As estruturas sindicais cresceram para além dos interesses de seus representados. O que não se pode é admitir falta de sensibilidade às práticas concretas, que devem prevalescer sobre as teorias relativistas dos sindicalistas!

Antonio Claudio Bontorim