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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Diploma, obrigatório sim!

Durante esta semana, recebi, em meu e-mail, uma matéria do Gabinete do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), sobre uma nova PEC (proposta de emenda constitucional, é assim mesmo que se escreve, tudo em minúsculo), corrigindo o absurdo erro do STF (Supremo Tribunal Federal), que extinguiu o diploma de jornalista. A PEC quer tornar obrigatório o diploma novamente, uma vez que os argumentos do STF, do ministro Gilmar Mendes e de todos os que defendem o fim da obrigatoriedade não se sustentam.
Quando alegam que para escrever não precisa diploma, podem até ter razão, mas daí a acabar com a formação superior de uma profissão, que também é técnica, foi um casuísmo que só interessa a alguns meios de comunicação e aqueles que não querem profissionais comprometidos com a verdade. Explico: dentro de uma Redação de um meio de comunicação, seja ele impresso ou eletrônico, há funções que quem não tem uma formação universitária não consegue exercer. E que os cursos de jornalismo ensinam e treinam, como conhecimento das técnicas de captação da notícia (reportagem), a reportagem (como deve ser conduzida), diagramação, edição, pauta, entre outros.
O que o Supremo fez, infelizmente, foi atender a interesses de meia dúzia de pessoas, para quem o jornalismo se limita a escrever textos e publicar em jornais, revistas ou divulgá-los via rádio, TV, internet, entre outros. Não adianta colocar um intelectual, um advogado, médico ou qualquer outro profissional com formação superior, dentro de uma Redação, que ele não vai conseguir ir além do escrever. Na hora de ira para a rua ele não vai ter o conhecimento necessário das técnicas de entrevista, depois ordenar as idéias da reportagem e buscar o melhor gancho para escrevê-la e tudo o mais.
Esses profissionais – e tantos outros – nunca deixaram ou vão deixar de ter seu espaço na mídia, através de artigos opinativos, técnicos sobre suas áreas de atuação, que as empresas jornalísticas garantem. A questão do STF foi reducionista e arbitrária, além de um retrocesso sem tamanho, jogando o jornalismo nos seus primórdios, quando ele era feito apenas de opiniões, folhetins, e toda sorte de textos que eram tudo, menos notícia. Depois o gráfico compunha o texto final letra a letra e posteriormente através da linotipo e ia para a impressão.
O curso de jornalismo forma jornalistas, dando-lhes conhecimentos técnicos para fazer uma empresa jornalística funcionar. A formação do caráter, do conhecimento geral, e a capacidade de questionar, independem dessa obrigatoriedade. São capacidades natas do ser humano. Ou se as têm ou não! O conhecimento técnico, entretanto, precisa de formação nos bancos universitários. A seguir, o texto do Gabinete do deputado Paulo Pimenta.

Antonio Claudio Bontorim


PEC dos Jornalistas é aprovada na
Comissão de Constituição e Justiça

Para o autor da PEC, deputado Paulo Pimenta, resultado é fruto da mobilização da sociedade brasileira contra a decisão do STF.
A PEC dos Jornalistas, proposta do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) que restabelece a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, foi aprovada na manhã de quarta-feira, 11, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Não foi necessária votação nominal, tendo sido feita por orientação das bancadas dos partidos, em que apenas o PSDB se posicionou contrário à admissibilidade da proposição.
A partir de agora, a PEC dos Jornalistas será remetida à análise de uma Comissão Especial, antes de ir à votação no plenário da Câmara. Ainda na tarde da quarta-feira, o deputado Paulo Pimenta, a líder da Frente Parlamentar em defesa do diploma, Rebeca Garcia (PP-AM), e representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) pretendiam se reunir com o Presidente Michel Temer com a finalidade de solicitar agilidade na formação da Comissão Especial.
Para o deputado Paulo Pimenta, as tentativas de impedir a votação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça e ações como a da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que buscavam desqualificar as iniciativas do Congresso Nacional em favor do diploma, fracassaram devido à reação massiva da sociedade brasileira. ”O resultado favorável na CCJ é fruto dessa mobilização, que ocorreu pela internet, onde foi possível ampliar democraticamente o debate, já que os meios de comunicação tradicionais se omitiram diante da decisão do Supremo Tribunal Federal”, comemorou Pimenta a aprovação da PEC.
Após a sessão da CCJ, Pimenta esteve reunido com o senador Antônio Carlos Valadares, também autor de uma Proposta de Emenda à Constituição no Senado Federal que estabelece a exigência constitucional do diploma de jornalismo. Pimenta e Valadares informaram que pretendem unificar as redações das PECs, o que possibilitaria uma tramitação mais ágil, já que aprovadas separadamente em cada Casa Legislativa, a Proposta da Câmara não necessitaria de aprovação no Senado e vice-versa.

Fonte: Gabinete do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Para lembrar
Apesar de não parecer, a CPIzza do Fantasma continua. Como anda meio parada, vou dar uma sugestão ao vereador Silvio Brito (PDT), presidente da comissão: que tal uma acareação entre os envolvidos, o secretário da Cultura, Adalberto Mansur, a secretária Daniela Lopes e os “ectoplasmas”? Se alguém estiver mentindo, a acareação é a melhor forma de descobrir onde estão as inverdades. Diga-se, também, que é a acareação, uma das melhores ferramentas investigativas.

Sem posse!!!
O STF (Supremo Tribunal Federal) deve manter o impedimento para a posse dos suplentes de vereador, que ganharam vagas com a aprovação da PEC dos Vereadores. Nada mais justo. Esses políticos, que agora reivindicam uma vaga nas Câmaras Municipais de todo o País, não foram eleitos. São suplentes. Então não há por que empossá-los. Nas próximas eleições municipais, que voltem a concorrer e com o número de vagas maior, se eleitos, tomam posse. Agora não!

Bom pagador
O Jornal Oficial do Município de Limeira da terça-feira, 10, trouxe o decreto com o regulamento do IPTU Premiado. Pagar em dia os impostos é obrigação de todo cidadão, não precisa incentivo e nem prêmios. Para recuperar dinheiro de inadimplente tem a dívida ativa. O melhor incentivo que a Prefeitura poderia dar, sem dúvida, seriam descontos mais atraentes na hora de quitar os impostos e não reajustá-los acima da inflação. Alguém se lembra do IPTU da Sorte?

Falta critério
A Prefeitura de Limeira fechou as bibliotecas Municipal e Infantil para obras. Até aí tudo bem. Havia necessidade e ninguém contesta. Estava tudo feio e abandonado. Porém, é um grande contrassenso, pois desde o último final de semana e por todo o mês de novembro e meados de dezembro, acontece o período de vestibulares das universidades públicas e o Enem e, quem quiser utilizar a Biblioteca Municipal para pesquisas e estudos não poderá fazê-lo. Decisão da reforma foi acertada, mas em hora errada. Pelo menos não neste período. A cabeça que pensou isso merece um irônico parabéns!

Política burra
O político, administrador público, dificilmente pensa no bem-estar da população, quando precisa tomar decisões. Isso é praxe e virou uma prática comum em qualquer esfera de poder. A mosca-azul consegue deixar suas larvas do presidente da República ao prefeito do menor município brasileiro. É o poder!!!

Bem lembrado
Um leitor, em e-mail à Gazeta, fez a seguinte observação: “É interessante notar que quando se aproxima o final do ano a Prefeitura começa a realizar obras de todo tipo. Tenho a certeza de que até o dia 5 de dezembro as obras na biblioteca não estarão terminadas causando confusão e irritação às compras de final de ano”. A crítica não é do jornalista. É da população.

Acerto total
Em e-mail à redação da Gazeta, leitora dá uma sugestão. Para ela a Prefeitura deve continuar investindo na instalação de câmeras “ tagarelas” na cidade. “Pedestres e motoristas estão precisando demais de ser monitorados e orientados; uns muito estressados; outros distraídos e displicentes com sua própria segurança.O trânsito está um verdadeiro caos e provavelmente irá piorar cada vez mais, com o aumento da frota de carros em nossa cidade. Não sei aonde vamos parar, se medidas estratégicas urgentes não forem tomadas”, avalia de forma correta e ponderada a leitora. Excelente contribuição!

Está no blog!
A coluna Texto&Contexto também pode ser acessada através do blog http://colunatextoecontexto.blogspot.com/ para comentários.

Antonio Claudio Bontorim

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Para ninguém esquecer

Apesar de não ser a primeira vez que trato do tema, sempre que uma ameaça real e imediata pela ação de terceiros for desaguar no tenebroso mar da censura, é preciso voltar ao assunto, para que em ninguém pairem dúvidas sobre a importância do livre expressar do pensamento, através de uma imprensa também livre. Pois quando se tenta cercear - ou calar mesmo - jornais, rádios, TVs e jornalistas, atinge-se o coração da democracia.
Do venezuelano Hugo Chávez ao boliviano Evo Morales, passando pelo equatoriano Rafael Corrêa e até mesmo pelo presidente Lula, em episódios em que ele também esteve na linha de frente, atacando jornalistas e empresas jornalísticas, nada é mais danoso que atos silenciosos de cerceamento à informação. As pressões disfarçadas de auditorias fiscais, como fez Cristina Kirchner com o jornal Clarín à intervenção inoportuna da Casa Branca num jornal norte-americano que questionou o Prêmio Nobel são as mais recentes investidas de governos ditos democráticos contra os meios de comunicação mais críticos e independentes.
A ação patrocinada pela Diocese de Limeira, assinada pelo bispo dom Vilson Dias de Oliveira e pelo vigário-geral, padre Reynaldo Ferreira de Mello, foi muito mais que isso, porque partiu de pessoas acostumadas a se utilizar da imprensa para expor seus pensamentos e de uma instituição - a Igreja - que, invariavelmente, está na linha de frente e abre trincheiras, quando é preciso lutar contra o autoritarismo. Que tem na imprensa uma aliada e sempre se alia na hora de combater o bom combate contra as mazelas do mundo. Sejam elas tanto nas áreas social e econômica, como na política. Como o fez à época da ditadura militar e de outras, que passaram por aqui e se alastraram pelo continente Sul Americano. Foi um verdadeiro tiro no escuro, dado por quem, inclusive, é ligado ao segmento da comunicação, através de uma das pastorais da Igreja Católica. No caso a Pastoral da Comunicação, que tem em dom Vilson um de seus diretores regionais.
A atitude dos dois religiosos está fora de qualquer compreensão humana. É inconcebível ação dessa natureza, por que em nenhum momento se questionaram as tomadas de decisões, que são de foro interno da própria Igreja (e isso foi respeitado), mas sim a pouca clareza dessas decisões, que deixaram os fiéis inquietos. Seria lógico, e nesse caso não haveria nenhuma contestação, que ambos se dirigissem àqueles a quem consideraram seus verdadeiros e diretos agressores verbais sobre as transferências de padres locais. E não generalizassem, tentando forçar a barra através de uma censura prévia, de triste e odiosa lembrança. Inconstitucional.
Se aqui em Limeira, um juiz garantiu a liberdade da imprensa, os riscos ao exercício do bom jornalismo, entretanto, continuam. Em países pobres ou ricos. Se nós, jornalistas, temos o sagrado dever de informar com exatidão e livres dos vícios do açodamento do poder, a opinião pública tem o direito à informação. É justo!

Antonio Claudio Bontorim

sábado, 7 de novembro de 2009

Justiça justa
O juiz da 2.ª Vara Cível, Rilton José Domingues, não só não acatou o pedido de liminar da Diocese de Limeira, assinada pelo bispo dom Vilson Dias de Oliveira e pelo vigário-geral, padre Reynaldo Ferreira de Mello, para proibir a imprensa de noticiar sobre a transferência de padres, como extinguiu a ação antes mesmo de analisar o seu mérito. O juiz não viu, no pedido, nenhum abuso dos jornais e emissoras de rádio e TV na divulgação dos fatos. Nada que extrapolasse a chamada liberdade de imprensa, que é garantida pela Constituição Federal.

Não vai falar
Como manda a boa prática jornalística, a Gazeta tentou ouvir o padre Reynaldo, que não quis se pronunciar sobre a decisão judicial. O bispo encontra-se em Roma. A assessoria de imprensa da Diocese disse que nenhum representante da igreja se pronunciará. Então, não há do que ou a quem reclamar. A Diocese pode recorrer da decisão, embora não acredite que o faça, uma vez que o desgaste foi muito grande. Maior ainda para o bispo, que é responsável pela Pastoral da Comunicação no Regional Sul 1, da CNBB e deveria ser o primeiro a defender a liberdade de imprensa.

Caça às bruxas
Assim como eu havia escrito neste espaço, na quinta-feira, não houve ofensas nas divulgações sobre os atos de transferências de padres. Em especial do padre Alquermes Valvasori. O que houve foi um questionamento firme de uma explicação plausível, que está vindo da própria comunidade católica, que a exemplo das anteriores, não quer transferências. Os jornalistas relataram as inquietações dos católicos. Nada mais. Ou como escreveu a leitora Adriana Gilioli Citino, em e-mail à Gazeta, “não é uma questão, simplesmente, de não aceitar mudanças. Veja o que aconteceu com a paróquia S. Paulo Apóstolo. Acabou com a organização, dinâmica e etc. Ademais, o povo sabe pensar por si. Sabemos entender o certo e o errado. Já foi a época de sermos tutelados”.

Ele vai tentar
O vereador César Cortez (PV), através de seus advogados ingressou no TSE com ação para obter a vaga do primeiro suplemente da sigla, cujo titular deixou o partido recentemente, e consequente assento na Câmara Federal. Segundo especialistas, o limeirense tem grandes chances de assumir como deputado federal. Tem político aqui na terrinha torcendo o nariz de inveja. Cortez na Câmara Federal alavancaria ainda mais sua campanha ao cargo em 2010. Ciumeira à vista!

Recuo lógico
Após o Senado desobedecer a uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e ser alvo de críticas, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), empossou na quinta-feira, Acir Gurgacz (PDT), no lugar de Expedito Júnior (PSDB-RO), como senador. Só para lembrar: Gurgacz tem mais de 200 processos na Justiça.

A campanha
Está mais que na hora de uma mobilização da sociedade em torno dessa falta de vergonha nacional. Se até a Suprema Corte brasileira foi avacalhada por políticos, nós, eleitores, então, somos seus palhaços. Que tal um “listão” para 2010, contendo todos os nomes que merecem o repúdio nacional? É apenas uma sugestão!

Frase da Semana
“Não há nos autos elementos a indicar que as rés [órgãos de comunicação] estejam, de qualquer modo, ultrapassando os limites da liberdade de imprensa, garantida constitucionalmente”. Do juiz Rilton José Domingues, na sentença que negou liminar e extinguiu a ação da Diocese de Limeira, para que a mídia não publicasse nada sobre a transferência de padres. Ontem, na Gazeta.

Antonio Claudio Bontorim

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Lula, lá...
...em Brasília. E o Sílvio, aqui em Limeira. Ambos, apesar de guardadas as devidas proporções, estão firmes na construção de candidaturas políticas, que garantam a continuidade de suas obras. Lula, embalado na sua popularidade, tenta construir Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010. E, também em 2010, Félix está, alavancado pelos 80% do eleitorado que nele votou, tenta construir Constância Félix, sua esposa, visando a uma vaga na Assembléia Legislativa.

A tiracolo!!!
Assim como Lula faz com Dilma, levando-a para lá e para cá, tentando popularizar sua imagem, Sílvio Félix embalou na mesma rotina e tem sido visto cada vez mais acompanhando Constância e exaltando seu nome, tomando o devido cuidado para não caracterizar propaganda antecipada. Em evento esportivo, promovido por esta Gazeta, na última terça-feira, não foi diferente. Lá estavam os dois. Com sorrisos e apertos de mão. Isso ainda pode!

Mãos sujas
O Supremo determinou e o Senado não cumpriu. E a cassação imediata do senador Expedito Júnior (PSDB-RO), por abuso de poder econômico durante as eleições de 2006 determinada pelo STF está parada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, para defesa do senador. Sem brechas para questionar a decisão da Justiça, o presidente José Sarney (PMDB-AP) chegou a ironizar e entre sorrisos proporciona mais essa aula de incivilidade e desobediência, tentando provar que os senadores são intocáveis. É (tanto aqui quanto lá) nas mãos desses políticos que nós estamos. Parece que o coronel maranhense está voltando atrás!

Inexplicável
Confesso que fiquei perplexo, ontem pela manhã, quando peguei a Gazeta para a leitura ao me deparar com a informação de que o bispo Diocesano, dom Vilson Dias de Oliveira, e o vigário-geral, Reynaldo Ferreira de Mello, resolveram entrar com uma liminar na Justiça para que não fossem vítimas de ofensas por jornalistas e pela imprensa. Lembrei-me, de pronto, de um juiz federal que proibiu, a pedido do senador José Sarney, que o jornal “O Estado de S. Paulo” publicasse matérias sobre as investigações contra seu filho, Fernando Sarney. Apesar de o padre Reynaldo ter afirmado, na matéria da Gazeta, que a intenção não é proibir a divulgação de informações da Diocese, não vejo, sinceramente, diferença alguma entre um pedido e outro. Isso nada mais é do que censura prévia.

Inaceitável
Do ponto de vista da liberdade de expressão, não vejo muita diferença, também, entre as incursões de Hugo Chávez contra a imprensa venezuelana, de ações dessa natureza. Sejam quais forem e de onde partam. Mesmo porque, até agora, não li nenhuma ofensa nas matérias publicadas e nos debates pelas emissoras de rádio e TV sobre o tema transferência de padres. Apenas o que notei foram questionamentos e com o direito ao contraditório. Ou para ser mais explícito, o direito de resposta, sendo garantido para ambas as partes. Se questionar a Igreja é ofender, então todos nós - até os fiéis católicos - estamos juntos. Porque os limeirenses estão questionando e se movimentando contra essas decisões, até com abaixo-assinados, tendo eu mesmo um deles em mãos para assinar.

É um direito
O Brasil é um país reconhecido e oficialmente laico, e não há como não questionar ações que careçam de melhores explicações. E essa da Diocese de Limeira - sem o mérito interno e hierárquico da questão - está sem explicação lógica. Espera-se, pelo bem da liberdade de imprensa e da democracia, que a Justiça pondere sobre o pedido e o rejeite, de pronto. É sempre bom lembrar que a censura prévia fere a Constituição Federal. Venha de onde vier!

Antonio Claudio Bontorim

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mais que responsabilidade

Às vezes, com o desenrolar da CPI do Fantasma - ou dos fantasmas - aberta na Câmara de Limeira por pura obra do acaso, penso que o vereador Silvio Brito (PDT) não tem a mínima noção da responsabilidade que tem como presidente da Comissão. Que costumo tratar, na minha coluna da Gazeta - Texto&Contexto - como "comissão para lamentar o inquérito", expressão que comecei a usar ainda durante a CPI das Apostilas, que como todos estão cansados de saber, não deu em nada. Concluiu-se pelo ridículo articulado pela base governista da Casa.
No caso dos fantasmas, que começou lá na Secretaria da Cultura e vai por outros casarões mal-assombrados, principalmente no antigo prédio da Prada (que deve ter muita corrente e ranger de tábuas e portas), a situação é parecida. Se na das apostilas, o presidente era de um partido oposicionista - o PSDB - vereador Almir Pedro dos Santos, mas com atuação clara e franca de governista, no caso dos fantasmas, a CPI está inteira nas mãos de governistas. E como tal não sai do lugar.
E quando se pretende dar uma dinâmica de comissão de inquérito mesmo, através dos vereadores Miguel Lombardi (PR) e Paulo Hadich (PSB) - ambos o lado positivo da CPI, Brito trava tudo. Ou melhor, as duas vereadoras da base, Elza Tank e Nilce Segalla, ambas do PTB, dão o ar da graça e comandam as ações do vereador-presidente. Na cara-dura e sem o menor pudor. Tudo, evidente, assessorado pelo secretário de Negócios Jurídicos (???) da Câmara, Fernando Lencioni, que vai ditando o regimento interno do Legislativo municipal.
Silvio Brito ainda não percebeu - ou se percebeu está fazendo vista grossa e ouvido mouco - que está sendo conduzido, em vez de conduzir a CPI. E o que é pior, ele acredita que tem a direção da comissão, pois basta olhar sua expressão de seriedade, quando dirige (....) os trabalhos. Talvez o que ele não saiba, é que tanto Elza Tank e Nilce Segalla são veteranas no lidar com essas situações e têm estruturas e redutos eleitorais fortes, que as garantirão em futuras eleições, caso voltem a concorrer futuramente.
E ele, Brito, por sua vez, que além de novato, inexperiente e eleito por um reduto católico da Paróquia de Santa Luzia, não conta com toda essa popularidade. Com essa força eleitoral toda, se quiser seguir na profissão. Ele pode, ao contrário, se queimar com seus eleitores, por suas ações para proteger o prefeito Silvio Félix, que é o maior cacique do seu próprio partido, o PDT, livrando-o de possíveis embaraços.
Até agora, as ações da CPI, lembrando bem da atuação clara e correta de Lombardi e Hadich, dão a entender que tudo sairá a contento, como o prefeito quer e sem punição, caso haja culpados, como as primeiras provas mostram, que são as contradições dos dois principais documentos até agora levados em consideração: o depoimento do secretário da Cultura, Adalberto Mansur - que não foi perante a Comissão Parlamentar, mas noutra da própria Câmara e a carta defesa de Félix, que contradiz tudo o que seu secretário (cargo de confiança) disse. Pois é isso que se busca numa investigação séria.
No mais, a perfumaria tende a preencher os 90 dias da comissão, cujo aroma final será, não tenho dúvida disso, de uma bela pizza. Com muito orégano!
Tai uma previsão que eu gostaria de errar em 100%. E se errar, farei minha mea culpa nesse mesmo espaço. Com muita alegria e satisfação. Será!

Antonio Claudio Bontorim

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Na hora certa
Há muito tempo critico a Igreja Católica por sua postura retrógrada em torno de algumas questões atuais, principalmente, por não estar acompanhando a evolução da ciência e a importância de descobertas, que ela condena, por dogmas ultrapassados. E por conveniência de poder mesmo. Pesquisas com células tronco e o não aceitar a camisinha como prevenção a doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, são dois dos mais claros exemplos desse atraso cultural e religioso.

Bispo acertou
Quanto às questões internas, entretanto, concordo com o bispo dom Vilson Dias de Oliveira. São práticas hierárquicas que existem em qualquer empresa - embora o diálogo franco e aberto seja sempre o melhor remédio - e devem ser respeitadas. Quer as pessoas gostem ou não!

A dose errada
Todo remédio, se mal administrado - ou por excesso ou por falta - causa transtornos. Ou efeitos colaterais ou ineficácia no tratamento. E é isso que enxergo em algumas decisões, que não estão claras. Mesmo porque as farpas trocadas deixam dúvidas no ar e que precisam se esclarecidas. Tanto por quem toma a decisão como por quem contesta a decisão. É isso que precisa ser explicado. O que está nas entrelinhas. O resto é bobagem.

Quem manda?
O trabalho do presidente da CPI do Fantasma - aquela, “para lamentar o inquérito” - Silvio Brito (PDT) está sendo direcionado pela ala governista da comissão. Do jeitinho que o prefeito Silvio Félix (PDT) quer! O secretário de Negócios Jurídicos da Câmara, Fernando Lencioni, também não desgruda de Brito. Se ele não tinha capacidade para presidir uma CPI, então por que o escolheram? Como costumo escrever no meu Twitter: buuuuhhhhhhh!

Só um pitaco!
Nunca vi, num processo investigatório, qualquer que seja ele, chamar testemunhas para depor e não chamar os investigados. Tenho a impressão que o prazo da CPI vai se esgotar e ninguém vai conseguir ver a cara dos supostos fantasmas. O que está dentro das expectativas: fantasma não pode mesmo ser visto.

Na defensiva
Tenho acompanhado, pela carga de e-mails que esta Gazeta recebe, as divergências de opiniões entre leitores sobre a atuação dos agentes de trânsito, os laranjinhas. Uma boa parte vai em defesa dessa atuação, mostrando como já sentiram na pele o desrespeito de motoristas e motociclistas mal-educados. Têm razão! Assim como têm razão, também, as vítimas dos abusos cometidos e que não são poucos. É preciso, entretanto, separar o joio do trigo. Os mal intencionados daqueles que têm interesse, sim, em contribuir para uma melhor educação no trânsito.

Testemunha
O excesso também vem de fora. De cidadãos mal-educados, que não sabem separar o certo do errado. Nesta semana presenciei um cidadão enfurecido para cima de um agente de trânsito, que cumpria o seu papel - e bem - ao controlar o fluxo de tráfego devido ao rompimento da rede de água, que causou afundamento no asfalto na Duque de Caxias. Do nada ele começou a ofender o agente com palavras do tipo “eu sou melhor do que você. Você não é nada. Eu pago o seu salário”. Descontrolado, ele descarregou seu estresse sobre o agente, que ficou calmo e continuou o seu trabalho, até ele ser “acalmado” pela vereadora Elza Tank (PTB).

Frase da Semana
“O povo tem o direito a saber a verdade”. Do padre Alquermes Valvassori, em programa ao vivo, na Rádio Magnificat, quarta-feira, dia 28, enquanto a Diocese patrocinava uma coletiva para falar sobre as transferências de padres para outras paróquias ou localidades. Valvassori é um dos que devem ser transferidos.

Antonio Claudio Bontorim